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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 22.12.15

Coimbra. Os órgãos mais relevantes existentes na Cidade

O órgão surge associado a festas e manifestações de caracter profano durante o período greco-romano.

No entanto, na Baixa Idade Média começa a assumir um papel fundamental nas cerimónias religiosas, sendo autorizada a sua utilização pelo Papa Vitalino, eleito em 657.

A produção destes instrumentos musicais alcança a sua máxima expressão durante o século XVII, época em que também surge a talha dourada e policromada indispensável à exuberância e teatralidade das cerimónias religiosas.

Os órgãos mais relevantes existentes em Coimbra são a seguir enumerados.

Igreja de Santa Cruz
Órgão do século XVIII, executado por D. Manoel Benito Gomez Gerrera, com reaproveitamento de elementos decorativos de um outro exemplar mais antigo, da autoria do entalhador Francisco Lorete.

 

Misericórdia
Órgão do século XVIII, de autor desconhecido, projetado para as antigas instalações da Misericórdia, alvo de grandes restauros, o último dos quais em 2001, pelo mestre organeiro George Jann.

 

Sé Nova
Órgãos do século XVIII, de autor desconhecido, onde desponta já o gosto neoclássico apesar de apresentar ainda bastantes elementos da linguagem artística anterior.

 

Capela de S. Miguel
Órgão do século XVIII, executado pelo organeiro Frei Manuel de S. Bento, destinado ao ensino da música na Universidade e também às várias celebrações religiosas e académicas.

 

Seminário Maior
Órgão do século XVIII, executado pelo organeiro Frei Manuel de S. Bento …

 

Neves, P. Sem data. Órgãos. Roteiros de Coimbra. Coimbra, Turismo de Coimbra, E.M.

 

 

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por Rodrigues Costa às 12:44

Sexta-feira, 04.12.15

Coimbra, o Colégio da Sapiência 3

Concluído em Junho de 1604 o essencial da obra, logo os Professores e clérigos escolares se mudaram no dia 18 de Julho seguinte … O conjunto do Colégio não ficara totalmente concluído até aquela data, sendo a Capela sagrada só em 5 de Maio de 1637.
… o colégio passou a ser popularmente conhecido por Colégio Novo e só anos depois começou a ser referido por Colégio da Sapiência.

… Um alvará de D. João III, de 9 de Maio de 1552, satisfazendo um pedido expresso dos Jesuítas, e a fim de evitar a expansão para nascente dos Crúzios, proibia vender, aforar, ou de qualquer forma ceder um trato de terreno à Porta Nova que os Crúzios estavam a negociar para suas … Aquela Porta Nova … fora entaipada para dificultar a passagem da judiaria … Sobre o seu arco corria uma passagem coberta para ligar a muralha diretamente à Torre de Preconeo … torre que por sua vez estava ligada àquela cerca (a cerca do Colégio dos Órfãos, como era conhecida) … Anos antes os Crúzios pensaram abrir uma passagem mais direta para aquela cerca, que tem uma magnífica colunata conhecida de pouco, e mandaram demolir não só arco reconstruído (da Porta Nova) mas a Torre de Peconeo.

Silva, A.C. 1992. A Criação e Levantamento do Colégio da Sapiência (vulgo Colégio Novo). Coimbra, Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Pg. 32 e 33

 

Permitam-me algumas notas informativas de quem nasceu e cresceu na Cerca do Colégio dos Órfãos, tendo por Pai um funcionário da Misericórdia de Coimbra profundo conhecedor de todo o espaço em apreço.


Primeira: lembro-me de meu Pai me mostrar o início de uma escadaria atulhada, à direita de um pátio, junto à atual entrada da Faculdade de Psicologia, e de me ter referido que ali começava a escada subterrânea que ligava o Colégio a Santa Cruz.
Segunda: Na Cerca , para além da colunata acima referida, recordo a existência das duas capelas, ainda com vestígios de frescos e encimadas por estátuas de Santos. A que estava no topo da rua com a colunata tinha bancos de madeira e a de cima tinha um assento, em pedra, à volta da mesma.
Terceira: Num dos socalcos da Cerca – o do meio – que designávamos por 'jardim', ainda existiam vestígios de um jardim, nos topos do qual, existiam duas escadarias em pedra que ligavam aos socalcos inferiores.
Quarta: No caminho que indo das escadas a poente do referido 'jardim' para o socalco inferior que era designado por 'recreio', lembro-me de existir, incrustada na parede, uma pedra com uma data inscrita, da qual não me recordo com precisão, mas que julgo era um ano da centúria de 16.
Quinta: Junto à casa da Cerca onde habitávamos eram evidentes os restos da muralha e recordo-me de uma estrutura que agora digo que poderia prefigurar um ângulo de uma torre. No exterior da casa havia uma estrutura que me parecia ser a parte superior do teto de uma abóbada, ouvindo-se o cair da água para dentro da mesma.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 22:23

Quarta-feira, 02.12.15

Coimbra, o Colégio da Sapiência 1

Dado o destino que os seus Colégios tiveram, os Crúzios logo pensaram em edificar um Colégio que substituísse aqueles … Melhor local não poderia escolher que o vasto planalto, levemente inclinado para poente, sobranceiro aos Mosteiro de Santa Cruz, dentro da Muralha, onde os Crúzios ocupavam uma Torre onde tinham os sinos do Mosteiro, conhecida por Torre de Santa Madalena, ou Torre Velha dos Sinos … alguns casebres e terras de cultura, tudo vizinho da oficina de canteiros de João de Ruão, que agora se sabe ali vivia num beco que tinha o seu nome. Aquela torre, entre a Torre do Prior do Ameal e a Torre de Preconeo, é referida no desenho de Moefnagel, e tinha próximo a capela de Santa Madalena, propriedade dos Crúzios, e que dava o nome à Torre … entre os terrenos que os Crúzios adquiriram estava um confinante com a conhecida Torre do Prior do Ameal … Em Julho de 1552 é assinado o primeiro contrato de escambo entre a Câmara e o Mosteiro, contrato em que este cedia àquela o domínio direto de duas casas na Rua do Coruche ‘que he das boas da cidade’, recebendo em troca um ‘pedaço de chão à Porta Nova’, com seu muro e barbacã, e o domínio direto das torres e muros aforados ao licenciado João Vaz.
… Ultrapassadas as dificuldades da aquisição dos terrenos … logo no dia 30 de Março de 1593 se iniciaram as obras, sob traça do arquiteto Filipe Tércio … é naquele dia que é feito solenemente o assento da primeira pedra do novo Colégio … A construção, não obstante rápida dado o volume enorme que tinha, foi sofrendo sobressaltos. Para darem um pouco mais de largura à construção, os Crúzios apropriaram-se de boa parte da rua medieval conhecida por rua ‘que ia da Porta Nova à Sé’, com a projeção aproximada da hoje Rua do Colégio Novo, e assim em domínios da Sé. O Cabido logo interpôs embargos … acabando a contenda por ser solucionada com a transferência para o Cabido de uma propriedade na Beira, pertença dos Crúzios,

Silva, A.C. 1992. A Criação e Levantamento do Colégio da Sapiência (vulgo Colégio Novo). Coimbra, Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Pg. 16 a 20

 

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por Rodrigues Costa às 09:52

Segunda-feira, 30.11.15

Coimbra, o “sino mouco” de Santa Cruz

… o Rei (D. João III), concedera aos Crúzios pelo alvará de 16.XI.1547, que conhecido pelo ‘Estudo Geral’, lhes concedia o ensino do latim, do grego, do hebraico, da matemática, da lógica e da filosofia … Em 1555, o Rei, já muito doente, escrevia ao Prior-mor de Santa Cruz, então Dom Francisco de Mendanha, dando-lhe a inesperada ordem:

“mando que entregais esse Colégio das Artes (assim passaram a ser designados São Miguel e Todos os Santos) e o governo dele mui inteiramente ao Padre Diogo Mirão provincial da Companhia de Jesus, o qual assim lho entregareis no primeiro do mez de Outubro …”
… Contra a espoliação os Crúzios reagiam como podiam à autoridade régia, que se entende seria muito pouco.

Mas conhece-se um acontecimento que é paradigmático, e que muito polidamente mostravam ao Rei a sua contrariedade.
Muitos anos antes de ser erigida a Torre sineira de Santa Cruz (que os mais velhos conheceram, a nascer de dentro da torre maior da defesa do Mosteiro, e que se dizia fora a primeira obra levantada quando da fundação do Mosteiro), o conjunto de sinos estava montado na denominada Torre velha dos sinos, na muralha sobranceira ao Mosteiro, e que as obras do Colégio Novo iriam obrigar a demolir.
Entre os seus sinos, um existia denominado ‘sino real’ que somente era tangido quando o Rei estava em Coimbra. Anunciava-se a vinda do Rei à cidade, antes da doença que o vitimou, e os sentidos frades logo resolveram calar aquele sino, retirando-lhe o badalo. Não mais replicou alegremente, até mesmo quando da visita do Dom Sebastião, e passou a ser conhecido pelo ‘sino mouco’.
Quatro séculos após a graça irá repetir-se com a ‘cabra’ da Torre da Universidade, da iniciativa de estudantes de outra era, mas na mesma insubmissos.

Silva, A.C. 1992. A Criação e Levantamento do Colégio da Sapiência (vulgo Colégio Novo). Coimbra, Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Pg. 9 a 11

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por Rodrigues Costa às 10:31


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