Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 06.09.18

Coimbra: Mata de S. Bento ou do Jardim Botânico

Há já algum tempo utilizei o pequeno autocarro que liga o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha à Universidade, passando pela Mata do Botânico, a fim de desfrutar a beleza que tal deslocação (devia) proporciona(r), mas, na passada quarta feira (29 de agosto) percorri a pé parte da Mata, partindo do belíssimo portão que se encontra na Rua da Alegria até ao Reservatório, adossado ao que resta da muralha que ainda se pode visualizar num pequeno troço da Couraça de Lisboa.  

Tive então ocasião de analisar mais pormenorizadamente todo o percurso e, se vi coisas de que gostei, outras houve que me causaram tristeza e me desgostaram.

Começando pelas primeiras.

 - Portão da Rua da Alegria

Antiga Faculdade de Letras.jpg

 Antiga Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Portão da Rua da Alegria.JPG

 Portão da Rua da Alegria, antes do recente restauro

Portão da Rua da Alegria. Pormenor 01.JPG

 Portão da Rua da Alegria. Pormenor

A peça pertenceu a uma das entradas da primitiva Faculdade de Letras que se erguia no local onde atualmente se encontra a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Projetou o edifício, em 1912, o arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto. O desenho dos portões, colocados apenas em agosto de 1927, também lhe pertence e foram batidos por Manuel Pedro de Jesus, António Maria da Conceição (Rato), Daniel Rodrigues e Albertino Marques, todos eles saídos da plêiade dos serralheiros artísticos de Coimbra. Depois da intervenção na zona da Alta, que acabou por transformar o edifício em causa, um dos portões foi transferido para a Rua da Alegria, enquanto os outros e as bandeiras das aberturas levaram sumiço. Como se comprova estamos perante mais uma muito boa obra de serralharia saída das oficinas coimbrãs a merecer um olhar atento.

 - Recuperação do caminho pela Mata

O caminho percorrido pelo miniautocarro atravessa parte da mata e, para além de ser muito belo, está bem conseguido; passa, nomeadamente, junto ao bambuzal, provavelmente o maior da Europa. O número de turistas que utilizam aquele transporte, bem como os que se deslocam a pé e que encontrei tanto a descer como a subir podem fruir da beleza da mata. Realidades que justificam a existência da carreira e a necessidade de a manter a funcionar.

 - Reservatório

Embora ainda não esteja completa a recuperação do reservatório de água existente na Mata do Botânico e que serviu para, outrora, abastecer do precioso líquido a parte baixa da cidade, aquilo que já foi feito – como se constata a partir da entrada publicada na passada 3.ª feira – permitiu alertar para a existência de um património de interesse que se encontrava completamente esquecido e cuja reabilitação importa terminar dando-lhe uma conveniente utilização, quiçá de índole cultural. Talvez seja de equacionar, por nos parecer uma boa utilização deste espaço, a instalação de um polo do Museu da Água.

 Passo a referir, a partir daqui, os aspetos que me causaram tristeza e me desgostaram.

 - Fonte da Mata de S. Bento

Capela.jpg

 Fonte da Mata de S. Bento

Magnificamente enquadrada na Mata o Professor Nelson Correia Borges carateriza-a como sendo uma fonte típica das “cercas monásticas, que, juntamente com sítios de fresco, capelas e tanques de água se assumiam como locais de recreio, de meditação e de oração situadas sempre em contacto com a natureza”.

A imagem fala por si mesma, mostrando que a estrutura se mostra carecida de urgente recuperação antes que os homens, o tempo e a Natureza a façam desaparecer.

 - Capela de S. Bento

Capela de S. Bento.jpg

 Capela de S. Bento

Seguindo as placas de orientação chega-se a um local paradisíaco. Um dossel de árvores abriga a capela de S. Bento, onde a reflexão em profunda interação com a Natureza por certo acontecia.

Como os trabalhos de desmatação levados a cabo no local se tornam evidentes, pensamos que, sem grandes custos, se podia ter ido mais longe e limparem-se as paredes exteriores e isto sem prejuízo das obras de maior envergadura de que a capela, por certo, necessita.

 - Muralha de Coimbra

Ao prosseguir no caminho de acesso ao Reservatório passámos por um local onde outrora existiu um miradouro e de onde nos foi possível recolher as imagens que seguidamente publicamos.

Muralha. Couraça de Lisboa 1.JPG

 Muralha. Couraça de Lisboa 1

Muralha. Couraça de Lisboa 2.JPG

 Muralha. Couraça de Lisboa 2

Muralha. Couraça de Lisboa 3.JPG

 Muralha. Couraça de Lisboa 3

Muralha. Couraça de Lisboa 4.JPG

  Muralha. Couraça de Lisboa 4

Ao longo dos séculos a cidade e as suas gentes não quiseram, ou não puderam, evitar o desmantelamento da Muralha de Coimbra.

É verdade que a valorização do pouco que resta já se iniciou, mas urge prosseguir para fielmente, e assente em dados concretos, se escrever a História de cidade e valorizar dignamente o que subsiste dessa estrutura.

É hoje inquestionável que a valorização de uma cidade passa pelo progresso, mas este deve assentar no respeito que os seus habitantes e os seus autarcas mostrarem (e demonstrarem) tanto pelo passado, como pela História da urbe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:40

Segunda-feira, 02.07.18

Coimbra: Concerto memorável ou uma lição a considerar

Assisti ontem, em Coimbra, a um concerto notável realizado na Igreja de Santa Cruz por dois grupos que se mobilizaram conjuntamente, a fim de levar a cabo o evento.

Um– MOÇOS DO CORO – dirigido por um jovem maestro, integrava seis vozes femininas e seis vozes masculinas, na sua maioria jovens estudantes e professores de música. O outro – GRUPO VOCAL ANÇÃ-BLE – era composto por 5 elementos masculinos pertencentes a uma Família que, de alguma maneira, se encontra ligada a Coimbra.

Comecemos pela folha de sala, de evidente bom gosto:

coral_0001.jpg

 O programa, tal como se mostra na imagem seguinte, encontrava-se arrolado no anverso.

coral_0002.jpg

 

Constava de quatro obras da autoria de Dom Pedro de Cristo e de quatro peças, escritas por cada um dos quatro jovens autores que se encontravam presentes; estes compositores, no respeito pela ambiência musical própria do polifonismo, conseguiram integrar nas suas obras traços significativos e significantes do tempo atual.

A interpretação, para além de aproveitar as excecionais condições acústicas existentes no templo, atingiu um nível de altíssima qualidade.

O público – onde sobressaía um significativo número de estrangeiros – quase encheu a igreja e, no final, manifestou o seu apreço pelo que lhe tinha sido dado ouvir com um justo e longo aplauso.

 

Depois de relatar o que me foi dado presenciar gostaria de partilhar aqui algumas reflexões que tenho tentado, em vão e na justa medida das minhas limitações, transmitir a quem de direito, a fim incentivar a cidade de Coimbra a aproveitar melhor o muito de bom que a ela se encontra vinculado; infelizmente apenas tenho esbarrado com um fechar de olhos e um virar de costas.

Essas reflexões vão traduzidas em forma de questões e começo por perguntar qual o número de Conimbricenses que sabe quem foi Dom Pedro de Cristo?

Eis algumas achegas para a resposta:


Pedro_de_Cristo[2].pngDom Pedro de Cristo. Imagem extraída de

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Cristo#/media/File:Pedro_de_Cristo.PNG

 

Dom Pedro de Cristo nasceu em Coimbra (Portugal) em c.1550. Passou a maior parte de sua vida em Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz, onde tomou hábito em 1571.

Mestre de capela do mosteiro, cargo de que foi titular a partir de 1597, Dom Pedro de Cristo foi ao mesmo tempo professor de música, cantor e tangedor de vários instrumentos, nomeadamente de tecla, harpa e flauta. Morreu em Coimbra, em 16 de dezembro de 1618.

Dom Pedro de Cristo - cujo nome secular era Domingos - pode ser considerado um dos maiores polifonistas do século XVI no domínio da música religiosa. É como compositor que tem o seu lugar na história, com a sua vasta obra vocal polifônica de 3 a 6 vozes, compreendida por inúmeros motetos, responsórios, salmos, missas, hinos, paixões, lamentações, versos aleluiáticos, cânticos e vilancicos espirituais.

Pouco conhecido, em virtude da sua obra não ter sido ainda publicada na quase totalidade, é possível, todavia, avaliar da qualidade e número de suas obras através do que foi publicado sobre ele por Ernesto Gonçalves de Pinho, com alguns dados biográficos inéditos e uma informação valiosa sobre as obras, ainda manuscritas deste frade crúzio.

 

- Outra questão: qual a razão porque Coimbra e as suas instituições não efetuam um trabalho de divulgação relacionada com um dos grandes vultos da cidade e com a sua importante obra?

 

- Mais uma pergunta: porque motivo estão por recordar e por homenagear tantos Conimbricenses ilustres?

 

- Ainda uma outra: porque não se aproveita o extraordinário património organístico existente em Coimbra e que tive o gosto de enumerar numa entrada deste Blog publicada vai para um ano, em 2017.08.17, sobre o título “Coimbra; Cidade ECHO?”. Nessa entrada propunha a adesão de Coimbra à Europae Civitates Historicorum Organorum, organização fundada em 1997, que tem como objetivo desenvolver, no contexto europeu, um papel unificador de projetos comuns levados a cabo no âmbito das cidades possuidoras de órgãos com valor histórico.

 

- Uma última questão, não despicienda, mas que, propositadamente, deixo sem resposta: qual a razão porque Coimbra é uma cidade tão madrasta para os seus Filhos?

 

Bibliografia:

https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-cidade-echo-109632

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Cristo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 21:44

Segunda-feira, 28.05.18

Coimbra: Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Os caloiros que iniciaram a licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1963, reuniram-se ontem e mais uma vez, desta feita em Coimbra. Do programa constou missa e a recordação da bênção das pastas e ainda uma visita ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, num retorno aos locais onde tiveram das suas primeiras aulas.

Para esta visita – que se recomenda a quem ainda a não fez – foi elaborado o pequeno guião que aqui se divulga.

 Breve síntese histórica

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra ocupa atualmente dois edifícios: o Laboratorio Chimico e o Colégio de Jesus. Ambos pertenceram ao Colégio dos Padres Jesuítas, também denominados Apóstolos (o nome perpetua-se na Couraça) e ao Colégio das Artes. A primeira pedra do Colégio dos Jesuítas foi lançada no dia 14 de abril de 1547 e a igreja, riscada pelo arquiteto Baltazar Álvares, membro da Companhia; a sua construção iniciou-se em 1598 e prolongou-se durante um século. 

Colégio de Jesus desenho.TIFColégio de Jesus e Colégio das Artes em 1732 (gravura de Carlo Grandi)

 O Colégio das Artes, entretanto criado por D. João III, ocupou, num primeiro momento, espaços pertencentes a Santa Cruz e foi entregue aos Jesuítas no ano de 1555, ainda antes do edifício (que se ergue quase paredes-meias com o dos Apóstolos e fora iniciado em 1568) estar concluído.

Os imóveis encontravam-se ligados por dois pequenos corpos de passadiço, perpendiculares à fachada oriental. Um fazia comunicar o Colégio de Jesus com o Colégio das Artes e o outro ligava o complexo colegial ao edifício onde, graças aos trabalhos arqueológicos recentemente efetuados, se ficou a saber que estava instalada a sala do refeitório bem como, provavelmente, as cozinhas e a ucharia, ou seja, estamos a referir-nos ao atual Laboratório Chimico.

Os Jesuítas de Coimbra gozaram por pouco tempo da sua igreja e das restantes estruturas, porque, em 1759, foram expulsos do país, o colégio extinto e os bens sequestrados. Os edifícios ficaram abandonados durante treze anos.

Aquando da Reforma Pombalina da Universidade, iniciada em 1772, parte do complexo passou para a posse da Universidade e a igreja, com mais alguns anexos, foram entregues ao Cabido diocesano.

O marquês de Pombal, ao implementar a reforma universitária que, obviamente, necessitava de espaços adequados, apoderou-se de uma parte considerável do Colégio de Jesus. Contudo, ciente da importância do ensino experimental, estava já na posse de planos trazidos de Viena de Áustria por Joseph Francisco Leal destinados à construção do Laboratorio Chimico; no entanto, este projeto não saiu do papel, tendo-o substituído um outro desenhado na Casa do Risco, sob orientação do engenheiro militar tenente-coronel Guilherme Elsden, que se salientou como diretor das Obras da Universidade de Coimbra. 


Laboratório Chimico.jpgFachada do Laboratorio Chimico, desenho de G. Elsden e R. F. de Almeida, 1777 in Franco, M.S. “Riscos das Obras da Universidade de Coimbra”, Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, 1983.

Trata-se de um edifício de grande qualidade, muito elegante e onde se destaca o frontão central, em corpo avançado sobre colunas. No entanto, o projeto original do coroamento do edifício foi alterado e só lhe foi aposto no século XIX.

Guilherme Elsden foi também o responsável pela adaptação dos edifícios preexistentes destinados a acolherem os Gabinetes de História Natural e de Física Experimental.

A estrutura vira para o Largo do Marquês de Pombal e mostra uma longa fachada de 110 metros de comprimento, de nobres linhas protoneoclássicas, onde se salienta o corpo central, coroado por frontão triangular preenchido por um belo relevo da autoria de Joaquim Machado de Castro, representando a Natureza e cinzelado pelo escultor António Machado. Nos gradeamentos das ventanas pode observar-se um pequeno medalhão com o busto do marquês de Pombal. 

Laboratório de Fisica.jpg

 Frontão alegórico

No interior destaca-se a escadaria de aparato e os alizares de azulejo.

Refira-se ainda que nas alas norte e poente do Colégio funcionaram, inicialmente, os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Os objetivos pedagógicos que então se pretendiam atingir encontram-se bem expressos nos Estatutos Pombalinos, datados de 1772, onde se lê que “os estudantes não somente devem ver executar as experiências, com que se demonstram as verdades até ao presente, conhecidas … mas também adquirir o hábito de as fazer com sagacidade e destreza, que se requer nos Exploradores da Natureza”.

A adaptação dos dois imóveis a Museu da Ciência ocorreu nos primeiros anos do presente século, tendo a primeira fase sido inaugurada em 2006 sob projeto de João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Desirée Pedro. Trabalhos que visaram, essencialmente, reconduzir os espaços ao seu aspeto inicial.

Está classificado, desde 2016, como Sítio Histórico pela Sociedade Europeia de Física.

Recordamos que foi nestes espaços, nos idos dos anos 60, que os caloiros que então eramos, tiveram as primeiras aulas da licenciatura em Ciências Físico-química.

 

A nossa visita

A duração prevista é de cerca de uma hora segundo o seguinte percurso:  

- Gabinete de Física

Foi equipado com seis centenas de máquinas que representavam o que de melhor e mais moderno então existia no campo da investigação científica. Cada uma delas tinha uma conceção que a tornava adequada a um dos capítulos do programa descrito no curso redigido por Dalla Bella.

O Gabinete de Física de Coimbra, mostra bem a profunda influência que as ideias e os instrumentos provenientes das mais diversas zonas da Europa tiveram em Portugal no século das luzes. O que resta dos instrumentos pertencentes ao Gabinete do século XVIII considera-se, atualmente, verdadeiras obras de arte, valorizadas pela riqueza dos materiais e pela perfeição da execução. Ocupam ainda as salas e o mobiliário primitivo, permanecendo no seu espaço de origem e mantendo as suas características específicas desde o tempo da fundação; constituem uma coleção de instrumentos científicos e uma representação notável da evolução da Física nos Séculos XVIII e XIX.

Visitamos o anfiteatro e as salas Figueiredo Freire (séc. XIX) e Dalla Bella (séc. XVIII).

- Gabinete de História Natural

Por força dos Estatutos Pombalinos da Universidade, datados de 1772, os professores da Faculdade de Filosofia deviam coordenar a recolha das espécies. O espólio assim obtido incorporou inicialmente a coleção privada de Vandelli e foi muito enriquecido com a Viagem Philosofica à Amazónia realizada por Alexandre Rodrigues Ferreira.

Os espécimes encontram-se organizados por regiões com recurso às técnicas de conservação e exposição então em uso. 

Visitamos as salas das viagens, do mar, de África, das avestruzes e de Portugal.

- Laboratório Chimico

Encontra patente neste edifício a exposição Segredos da luz e da matéria que trata este tema a partir dos objetos e instrumentos científicos das coleções da Universidade de Coimbra, uma das mais notáveis e raras da Europa. Um conjunto de experiências e módulos interativos possibilitam a observação de fenómenos, desde a experiência de decomposição da luz, de Newton, até à neurobiologia da visão.

 BORGES. Nelson Correia, Coimbra e região, Lisboa, Presença, 1987.

CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, António Nogueira, Inventário artístico de Portugal. Cidade de Coimbra, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947.

DIAS, Pedro; GONÇALVES, António Nogueira, O património artístico da Universidade de Coimbra, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1991.

VASCONCELOS, António de, Escritos vários, vol. I, Coimbra, AUC, 1987 [Reedição].

http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum&action=project&mid=5

http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 11:19

Terça-feira, 03.04.18

Coimbra: Cidade bela, mas também cidade vandalizada 2

No passado dia 15 de janeiro de 2016 tivemos ocasião de organizar uma visita à Igreja do Salvador em Coimbra guiada pelo historiador Nelson Correia Borges.

Ao iniciar a visita apelámos à necessidade urgente de reabilitar este monumento nacional.

Penso que no final dessa visita as numerosas Pessoas que nela participaram, reconheceram também tal urgência e necessidade.

Recordo que, conforme refere Joana Garcia, Técnica Superior de Arqueologia na Divisão de Reabilitação Urbana da Câmara Municipal de Coimbra, a Igreja do Salvador é de origem medieval, mais propriamente da segunda metade do século XII e pertence ao segundo românico de Coimbra. Este templo terá vindo substituir outro mais antigo, cuja existência está comprovada pelo menos em 1064.

Numa das minhas habituais deambulações pela Alta tive ocasião de, ontem, fazer as seguintes fotografias:

Igreja Salvador 1a.jpg

 Portal de 1179, pormenor 1 

Igreja Salvador 2a.jpg

 Portal de 1179, pormenor 2

Igreja Salvador 3 a.jpg

 Portal de 1179, pormenor 3

Igreja Salvador 4 a.jpg

 Parede lateral, pormenor 1

Igreja Salvador 5 a.jpg

 Parede lateral pormenor 2, com insultos ao Papa

Julgo que estas imagens evidenciam que se ultrapassou o limite da dignidade e do respeito pela História e pelas Pessoas.

Considero que os Monumentos Nacionais bem como as demais Autoridades não podem ficar indiferentes perante este ato do mais abjeto vandalismo.

E se isso não se verificar, ao menos se levante um clamor público capaz de obrigar a uma atuação adequada. No mínimo, a imediata remoção do lixo pintado nestas paredes.

 

Rodrigues Costa

 

Nota: Cópia deste alerta irá ser enviado, por email, às competentes Autoridades Civis e Religiosas, bem como aos Órgãos de Comunicação Social

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:06

Terça-feira, 27.03.18

Coimbra: Cidade bela, mas também cidade vandalizada

Há dias realizamos um curto passeio pela zona do Jardim Botânico e verificámos que a maior parte dos muros e dos portões, muitos deles recentemente recuperados, apresentavam uma enorme degradação decorrente dos escritos que lhe haviam sido apostos.

Concluímos que estávamos perante atos de puro vandalismo, pois trata-se apenas de destruir ou danificar a propriedade alheia, pública ou privada, de forma intencional e sem qualquer outro motivo aparente que não seja o propósito de, sem permissão do dono, causar prejuízos e desfigurar o existente.

A denominação “vandalismo” foi, num primeiro momento, atribuída pelos romanos às ações praticadas por um povo bárbaro germânico, oriundo da Europa Central, que se caracterizava por atuar de maneira selvagem, descontrolada e sem respeito para com nada. Na sequência, essas gentes, acabaram por ser formalmente chamados de Vândalos. Não é por acaso que esse nome, com o tempo, tivesse sido transferido para nossa língua, a fim de denominar as pessoas ou os grupos que se comportam de maneira caótica e, por vezes, violenta.

A comunidade acaba por ser a mais afetada pela destruição referida, na medida em que a situação atinge diretamente os lugares públicos que fazem parte do cotidiano de todos nós.

Estes grupos atuam, na maioria dos casos, pela calada da noite, altura em que a segurança não é tão eficaz, permitindo-lhes uma maior liberdade e dando-lhes a possibilidade de não serem apanhados em flagrante delito.

As inscrições feitas em paredes são vulgarmente chamadas de grafite, grafito ou grafíti, pois trata-se de uma inscrição caligrafada ou de um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não se destina a essa finalidade.

Os grafitos foram olhados durante muitos anos como assunto irrelevante ou como mera infração considerada de pequena gravidade, mas a sua significação tem variado, ao longo dos tempos de acordo com a evolução da sociedade e, atualmente, nalguns casos, já os consideram como uma forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, mais especificamente, da street art ou “arte urbana”, em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional destinada a interferir na cidade.

Contudo, há quem não concorde e equipare os grafitos à pichação, ou seja, ao ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edificações, asfalto de ruas ou monumentos, usando tinta em spray aerossol, dificilmente removível, marcadores ou mesmo rolo de tinta. Regra geral escrevem frases de protesto ou de insulto, assinaturas pessoais ou mesmo declarações de amor. Para transmitir a sua mensagem podem utilizar grupos de letras que funcionam como abreviaturas, símbolos e logotipos.

A praga é velha e até já foi pior.

Mas, lentamente, vai voltando e trata-se de uma praga que – em nosso parecer – para ser combatida carece de trabalho persistente levado a cabo, nomeadamente pelas escolas, destinado a alertar os mais jovens para a salvaguarda de um património que é de todos.

Embora o rápido apagar destes “escritos” deva ser uma preocupação das Autoridades, julgamos que a resolução do problema passa, num primeiro momento e primordialmente, pela formação cívica a que deve ser incutida em todos os cidadãos e que estes têm a obrigação de vivenciar.

Aqui fica o nosso protesto acompanhado de elucidativas imagens. 

Ladeira das Alpendurada casa recentemente recupera

 Rua dos Combatentes/Ladeira das Alpenduradas, casa recentemente recuperada

 

Alameda Júlio Henriques.JPG

 Alameda Júlio Henriques

 

Alameda Júlio Henriques, muro do jardim dos patos

 Alameda Júlio Henriques, muro do jardim dos patos

 

Jardim Botânico, muros exteriores.JPG

 Jardim Botânico, muros exteriores

Rua dos Combstentes portão de garagem.JPG

 Rua dos Combatentes, portão de garagem

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:20

Quinta-feira, 21.12.17

Coimbra: Parque Verde do Mondego

No início do milénio, no âmbito do Programa Polis, foi projetado, pela empresa de arquitetura paisagista PROAP, o Parque Verde do Mondego, que se estende por 3 quilómetros da frente ribeirinha ao longo das duas margens do rio Mondego entre a Ponte de Santa Clara e a Ponte Europa. À beleza do rio veio, assim associar-se uma obra paisagística, já do século XXI, que permite uma valorização plena das famosas margens do Mondego

Parque Verde.jpg

 Parque Verde

 Três áreas se destacam, criando unidades diferentes: a frente rio, propriamente dita, plantada de salgueiros e choupos, com pequenos ancoradouros que se projetam sobre o rio e criam estadias sobre a água; a área de restaurantes e apoio aos desportos náuticos; e a zona de estacionamento. Recuada e separando a área de lazer da área de estacionamento, destaca-se uma enorme fonte-canal, paralela ao rio, de traçado inovador.

Rio Mondego pontes.jpg

 

Parque verde pontes

 Para ligar as duas margens, agora sempre distantes com o espelho de água que o Mondego passou a oferecer desde a construção do açude, foi projetada uma ponte pedonal pelos engenheiros Adão da Fonseca e Cecil Balmond que se completa no Outono de 2006.

A partir da saída da ponte, na margem esquerda, o projeto prevê uma ligação por túnel à área do Convento de Santa Clara-a-Velha e, mais além, ao Portugal dos pequenitos.

 

Nota:

Quanto ao Parque Verde cumpre-me dar um testemunho.

Um certo dia, ao fundo da ladeira do Batista designação popular do troço onde se inicia a Rua do Brasil, encontrei o Dr. Mendes Silva, então já ex-presidente da Câmara e, como advogado, regressado às suas funções de promotor imobiliário. Vinha eufórico. Segundo o que então me disse tinha acabado de estabelecer com os proprietários dos terrenos da Ínsua dos Bentos – que o atual Parque Verde parcialmente integrava – uma proposta de acordo a apresentar à Câmara da doação à Cidade do terreno da zona situada entre a linha da Lousã e o rio, em troca da possibilidade de construir na restante parte do terreno. Era a conclusão de um processo que, desde o seu mandato à frente da Câmara, vinha procurando erguer.

Não posso testemunhar o desenrolar das negociações, pois estas aconteceram num período em que, tendo concluído que me era impossível continuar a desempenhar o cargo de Diretor do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da Câmara de Coimbra, dentro do contexto que eu considerava ser o correto, tomei a decisão de renunciar a essa função e procurar trabalho onde se me pudesse realizar como pessoa e como profissional.

Coimbra, por vezes, é madrasta. E foi-o para essa figura ímpar de Conimbricense que se chamou Dr. Mendes Silva, a quem a Cidade ainda deve a homenagem e o reconhecimento do muito que por ela fez.

 

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 180

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:25

Quinta-feira, 17.08.17

Coimbra: Cidade ECHO?

Assisti pela segunda vez, no passado domingo dia 4 de Junho, a um concerto dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

 Tive, agora, ocasião para tomar conhecimento da existência da ECHO (Europae Civitates Historicorum Organorum) que foi fundada em 1997 e tem como objetivo desempenhar um papel unificador em projetos a nível europeu das cidades com órgãos de valor histórico e de origem europeia.

 Integram esta rede Alkmaar (Holanda), Bruxelas (Bélgica), Freiberg (Alemanha), Fribourg (suíça), Innsbruck (Áustria), Mafra (Portugal). Toulouse (França), Treviso (Itália) e Trondheim (Noruega).

Universidade. Capela órgão 1.jpgÓrgão da Capela da Universidade

  Rede a que Coimbra por direito próprio podia e devia pertencer, porque:

 - Dispõe de quatro grandes órgãos históricos – Igreja de Santa Cruz, Universidade, Sé Nova e Seminário de Coimbra. Todos operacionais e alguns recentemente recuperados. Acresce mais um órgão, o do Colégio da Sapiência ou Colégio Novo cujo estado desconheço, mas que foi objeto de recuperação no início da segunda metade do século passado;

 - Existem ainda nos Concelhos limítrofes outros dois órgãos recentemente recuperados e de valor inestimável: o do Mosteiro do Lorvão (Penacova); e o do Convento de Semide (Miranda do Corvo);

 

Mosteiro de Lorvão. órgão.jpgÓrgão do Convento de Lorvão

 - Teve Coimbra duas escolas de música de referência do nosso País, com produção organística própria: a do Mosteiro de Santa Cruz; e a da Universidade.

Igreja de Santa Cruz. Orgão 2.jpgÓrgão da Igreja de Santa Cruz

  De tudo o que atrás refiro o seguinte conjunto de perguntas:

- Quantas cidades e regiões do Mundo se podem orgulhar de um património cultural desta dimensão?

 - Depois dos vultuosos investimentos feitos e sendo condição necessária para a boa manutenção destes instrumentos o seu uso regular, o que se tem feito para que a mesma aconteça?

 - Não seria muito importante a existência de um organista residente que assegure aquele uso regular e que divulgue a música por aqui composta?

 - Este não seria um elemento muito importante não só para a vida cultural de Coimbra e da Região onde se insere, bem como para o desenvolvimento do turismo cultural que todos defendem?

 - Não é possível a conjugação de vontades entre os Municípios de Coimbra, de Penacova, de Miranda do Corvo, da Diocese, da Universidade, da Direção Regional de Cultura do Centro e da Região de Turismo Centro de Portugal, tendo em vista a potenciação do património organístico aqui existente?

 Eu tenho as minhas respostas. Acho que todos devem ter as suas. Em especial os candidatos na pugna eleitoral que está em curso.

 Rodrigues Costa

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:47

Segunda-feira, 05.06.17

Petição à Câmara Municipal de Coimbra sobre o Cemitério da Conchada 2

Como divulgamos no passado dia 1, a petição referida em epígrafe foi nesse dia enviada à consideração das Entidades diretamente envolvidas.

 Informamos que:

 - No passado dia 2, recebemos do Senhor Vereador Dr. Carlos Cidade, responsável pela área dos cemitérios, um email a informar que era do seu conhecimento estar em curso o processo de classificação do cemitério da Conchada.

 

Evaristo Lopes Guimarães.jpg

 Jazigo de Evaristo Lopes Guimarães

 

- Hoje recebemos da Direção Regional da Cultura do Centro um email do seguinte teor:

 Relativamente ao assunto em epígrafe, informa-se V. Exª.s que, efetivamente, o conjunto do Cemitério da Conchada, de acordo com a área delimitada em planta, se encontra em vias de classificação por despacho de 2015.03.16 do Exº. Senhor então Diretor-Geral do Património Cultural, conforme publicação em Diário da República (Anúncio nº. 70/2015, publicado em DR, 2ª. série, nº. 78, de 22 de abril de 2015).

Desta forma, e atendendo ao valor patrimonial do referido conjunto, ao ser determinada a abertura do procedimento de eventual classificação pela DGPC, foi considerado que o processo em questão deveria prosseguir no sentido de uma eventual classificação de valor nacional (conjunto de interesse nacional/monumento nacional – MN, ou conjunto de interesse público - CIP).

O processo encontra-se em fase final da instrução processual, nomeadamente para definição das restrições estipuladas no artigo 54º do Decreto-Lei nº. 309/2009, de 23 de outubro, e para a eventual ponderação da fixação de uma zona especial de proteção (ZEP), caso seja considerada indispensável para assegurar o enquadramento arquitetónico, paisagístico, a integração urbana e as perspetivas de contemplação. 

Ao dispor para eventuais esclarecimentos, com os melhores cumprimentos

 

Congratulamo-nos com o facto de o processo de classificação estar em curso e desejamos que o mesmo seja rapidamente concluído.

Os Promotores

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 22:29

Segunda-feira, 29.05.17

Coimbra: Manutenção Militar, reintegração no património municipal

 A comunicação social, noticiou, que o edifício onde estivera instalada a Manutenção Militar, sito na Avenida Sá da Bandeira, fora reintegrado no património da Câmara Municipal de Coimbra. Esse sucedimento ficou a dever-se, numa primeira conjuntura, ao facto de, na escritura assinada no ano de 1899 entre a edilidade aeminiense e o então Ministério da Guerra figurar uma cláusula que previa a reversão do imóvel para a posse da autarquia, no caso de o “antigo matadouro e respectivos terrenos contíguos” deixarem de ser utilizados para fins militares.

Manutenção. Anais. 1920-1939.TIF

Edificio primitivo da Manutenção Militar

 Na sequência da extinção das ordens religiosas acontecida em 1834, a Câmara de Coimbra tomou posse, em 15 de dezembro de 1836, dos edifícios, e não só, do extinto mosteiro de Santa Cruz que lhe haviam sido cedidos pelo Estado; contudo, devido a dúvidas e a abusos de diversa índole ... o governo fez publicar, a 30 de julho de 1839, uma carta de lei destinada a esclarecer que tinham sido concedidos ao município os edifícios do extinto mosteiro de Santa Cruz, com exclusão da igreja e suas dependências, o pequeno laranjal, a horta e a encosta que ficam contíguas aos mencionados edifícios e terminavam na estrada pública situada na zona da Fonte Nova.

 

Para além da rua que ligava a estrada de Montarroio à horta fradesca, mas ainda no âmbito dos terrenos pertencentes à Câmara, erguia-se o matadouro dos crúzios que, posteriormente, passou a funcionar como municipal. Esse terreno pertencia à edilidade que, após a retirada do matadouro cedeu, por escritura, o terreno, a fim de aí se ergueu o edifício da Manutenção Militar; o imóvel, ao longo dos anos, foi-se ampliando.

Manutenção Militar 1.jpgManutenção Militar, ainda se vislumbrando a antiga Viela do Hospício que

durante séculos serviu de saída da Cidade para Norte

 

Pretende, agora, a Câmara Municipal instalar no imóvel, para além de outras valências, os diversos núcleos do Arquivo Municipal que, ao presente, se encontram dispersos. Para além de dar vida a um imóvel que se encontrava inerte em pleno centro histórico vai facilitar o conhecimento e o estudo de um acervo muito valioso capaz de contribuir para o aprofundar do conhecimento histórico da nossa cidade.

Anacleto, R. In: Diário de Coimbra, 29563, Coimbra, 2017.05.26

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 22:16

Quarta-feira, 24.05.17

Hospital de S. Lázaro ou a história de uma demolição recente

Quando em 2005 integrei uma lista concorrente à Câmara Municipal de Coimbra uma das questões abordadas no decurso dessa campanha eleitoral foi a recuperação do que, então, restava no Hospital de S. Lázaro e que se pode observar na seguinte figura:          

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIF

 Hospital dos Lázaros, Fora de Portas

Das grandes promessas eleitorais então feitas nada resultou. O muito que ainda lá restava e que se podia ter recuperado... já foi demolido para alargar o parque de estacionamento de uma repartição pública. Sem comentários!!

No decurso do trabalho de investigação que venho realizando sobre a história da Herdade de Enxofães que foi comprada pelo Hospital de S. Lázaro em Fevereiro de 1212, encontrei no Arquivo da Universidade de Coimbra uma planta – que julgo inédita – das referidas instalações:

Hospital dos Lázaros.JPG

 Planta do Hospital de S. Lázaro existente no AUC

A planta está datada de 1852.09.11 e foi elaborada quando, após o Hospital de S. Lázaro ter passado a integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, se equacionou levar a cabo uma necessária reforma das referidas instalações.

Reforma que acabou por não se realizar tendo o hospital passado a funcionar, posteriormente, na alta da Cidade, no antigo Colégio dos Militares.

O documento, cujo interesse julgamos evidente, tem a seguinte legenda:

Planta das instalações do hospital de S. Lázaro com os seguintes dizeres:

Mapa do Hospital dos Lazaros em exbosso: per Coito fes

A cor preta he o lucal donde sequer fazer as duas emfermarias pª doenças agudas, o qual necessita de solho escada portas e janelas feitas de novo, e algumas traves.

A cor amarela reprezenta casas q tem o madeiramento cahido

A cor emcarnada são as cazas q servem actualm.te.

À margem está a seguinte nota manuscrita:

Pela medição feita em 11 de Setembro de 1852 contem o Edificio, quintal e insua os palmos designados em cada linha, comprehendendo, feita a medição pela parte onde se acham os numeros, em toda a circunferencia – 1470 palmos – incluindo o angulo de 16 palmos da parte da estrada reconhecendo q o desenho se acha errado.

Coimbra 14 de Setembro de 1852

O Admd.or do  Concl.º

Antonio dos Santos Pereira Jardim

Hospital dos Lázaros portal.TIF

Fica para memória do que nunca devia ter sido destruído no século XXI: uma construção que vinha do século XIII, que foi restaurada no século XVI e que podia e devia, hoje, constituir mais um marco visível da história da Cidade.

Rodrigues Costa

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:45


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Outubro 2019

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Posts mais comentados