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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 14.11.19

Coimbra: Tascas que já não existem 1

Com esta, iniciamos aqui uma série de entradas que publicaremos às 5.ªs feiras, dedicadas às tascas de Coimbra. Trata-se de um trabalho de Carlos Ferrão que recolheu as imagens e coligiu os textos.
O A’Cerca de Coimbra fica aberto – como sempre está – a acrescentos e outras eventuais participações.

- TASCA DO PRATAS
Localização: R. José Falcão, edifício do antigo Colégio da Trindade

Tasca do Pratas.jpg

Tasca do Pratas, anos 50 do Séc. XX

Não era uma extensão da Biblioteca Geral como alguns lhe chamavam, nem tão pouco o um lugar onde se preparasse as frequências.
Numa dependência do Colégio da Trindade, com frente para a rua José Falcão, a famosa tasca “O Pratas” deixou mil estórias envolvendo estudantes, professores, funcionários e futricas.

Ana e Armando Pratas-2.jpg

Ana e Armando Pratas

A D. Ana e o Sr. Armando Pratas estavam sempre de sorriso pronto para acolher quem os escolhia para uma "bucha e um copo". Não lhe faltava uma paciência de santo para a estudantada que ali fazia alguns rituais praxistas a mando dos “doutores”, mas sempre de olho nos excessos, nunca deixando ferir a dignidade do caloiro.

Tasca do Pratas3.jpg

Tasca do Pratas, finais do século XX

E assim foi até 2001, quando os "jaquinzinhos", as pataniscas ou as sandes de queijo da Idanha, servidos no “Pratas”, ficaram para a memória!

- JOÃO DE BRITO
Localização: R. de Baixo

Tasca do João de Brito.jpg

Tasca do João de Brito

Nos finais do séc. XIX, o João (Francisco) de Brito era um maravilhoso retiro junto do velho mosteiro de Santa Clara. Era um verdadeiro cenário de balada!
Uma latada, quatro mesas de pinho, uma nora gemente. Ao fundo o rio sereno e doce e lá no alto erguendo-se dominadora a cidade.
Os poetas Eugénio de Castro, Manuel da Silva Gaio, Afonso Lopes Vieira, Guedes Teixeira, D. Tomás de Noronha e tantos outros foram durante anos os seus mais assíduos frequentadores.
Só mesmo quem por lá passou, nos conseguiu deixar com fidelidade uma ideia da poesia estranha nas tardes no João de Brito!
Carlos Ferrão

Fontes: Vicente Arnoso, Tascas de Coimbra em Ilustração Portuguesa, nº 101 de 27 de Janeiro de 1908, citado por Manuel Alberto Carvalho Prata em A Academia de Coimbra (1880-1926): contributo para a sua história.

 

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por Rodrigues Costa às 10:01

Terça-feira, 12.11.19

Coimbra: Memórias de um salatina 3

Extrato de uma comunicação apresentada no ciclo de conferências comemorativo dos 900 anos de Almedina. (conclusão)

Na Alta também havia venda ambulante.

Leiteiras antigas.jpgLeiteiras antigas

As leiteiras. Inicialmente eram assim, mas havia quem dissesse que tinham por hábito “mijar no cântaro” o que terá de se entender por juntar água ao leite.

Leiteira. Palácio de Sobre Ribas.jpg

Leiteira fardadas e com cântaros lacrados

Depois, veio a obrigação de andarem de bata branca e com um cântaro de folha de flandres com um feitio esquisito, no qual dependuravam as medidas. Cântaro, diariamente lacrado pela Delegação de Saúde.
Os padeiros e as padeiras, com grandes cestos de vergas às costas cobertos com um pano branco, indo de casa em casa, deixar o pão que era pago à semana.

Peixeiras da Figueira.jpgPeixeiras das Figueira

As peixeiras da Figueira, vestidas com as suas saias tradicionais, a blusa e o xaile traçado e a rodilha na cabeça. Normalmente esguias e apressadas com as canastras à cabeça e o seu pregão tradicional, entoado de uma forma única: sardinha da areiaaaa! Oh freguesa é linda e fresquinha! 3 dez tostões! Quase sempre descalças, ou com um chinelo calçado e outro na mão pois havia que evitar as multas policiais de vinte e cinco tostões por se andar descalço.
O cafezeiro com a sua mala castanha e o seu pregão: Olha o cafezeiro! Compre agora! Vou para o norte e só volto para a semana!
Havia ainda o petrolino com a sua carroça puxada por um cavalo que vendia petróleo e azeite e que avisava a sua presença com o toque de uma corneta.

Amolador.jpgAmolador

E o amolador, com a sua flauta e toque típico, cujo pregão era: amola tesouras e navalhas, põe gatos nas panelas e gatos nas talhas! Exercia, ainda, as funções de capador de gatos.
Um aparte para terminar.

Flávio  Rodrigues.JPGFlávio Rodrigues e José Trego mestres de tantas gerações de estudantes e futricas. Fotografia retirada de “Flávio Rodrigues Silva - Fragmentos para uma Guitarra” de António Manuel Nunes e José dos Santos Paulo

Quando se fala de fado de Coimbra associa-se sempre a estudantes. Não é inteiramente verdade. Basta lembrar Artur Paredes e Flávio Rodrigues mestres e iniciadores no fado de Coimbra de tantos estudantes e futricas.

Três breves reflexões à laia de conclusão.
A primeira é óbvia. A Alta dos tempos dos salatinas está a desaparecer com a geração dos que viveram esse tempo. Não obstante a permanência de alguns velhos resistentes, passaram, na atualidade, a predominar os alojamentos para estudantes e os de curta duração, com o consequente surgimento de bares e de lojas para turistas.
Embora reconhecendo estarem em curso algumas obras de recuperação, há que assinalar a existência de situações carecidas de intervenção urgente: os imóveis em ruína e o estacionamento abusivo de automóveis nas ruas da Couraça dos Apóstolos, João Jacinto e, nomeadamente, no Largo da Sé Velha, aqui com evidentes consequências negativas para a fruição e preservação deste monumento nacional.
Terceira e última reflexão. O fenómeno da “turisficação” que começa a surgir na Alta está estudado, bem como os perigos e efeitos de uma aposta exclusiva no turismo. Há que nunca esquecer que um destino turístico está sujeito à moda de momento e são inúmeros os destinos que deixaram de estar na moda. Não obstante a tendência para o crescimento sustentado do turismo, o percurso de um destino turístico, se depende essencialmente da sua riqueza patrimonial e/ou paisagística, também depende da forma como organiza a sua oferta e se é capaz de criar experiências nos turistas que o procuram.
A Alta necessita de ser repensada e planeada para o curto e para o longo prazo. Daí o meu apelo à União de Freguesias para organizar umas jornadas técnicas, com a participação de credenciados especialistas multidisciplinares, quer da Cidade, quer de fora dela, tendo por tema a “Alta de hoje e a Alta do futuro”. O evento não se deve limitar a elencar ideias, mas, fundamentalmente, a definir projetos e a congregar esforços que permitam à Alta do futuro fazer jus ao seu passado.
A “nossa” Alta precisa do saber, do conhecimento, mas também precisa de carinho e de amor.
Que as Comemorações dos 900 de Almedina não sejam um ponto de chegada, mas sim de partida.
Rodrigues Costa

 

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por Rodrigues Costa às 10:12

Terça-feira, 15.10.19

Coimbra: Faculdade de Teologia, extinção

A Universidade permaneceu até 1910 (reforçada na sua simbologia em 1901) em grande parte uma universidade Católica e daí a República secularizar o programa cívico e demopédico que os seus teóricos há muito propugnavam.
A expulsão de Deus, é o mais claro sintagma modernizador nos ritos e símbolos universitários.

Capela da Universidade de Coimbra, pormenor do tetCapela da Universidade de Coimbra, pormenor do teto do altar mor. Insígnia da Faculdade de Teologia

A extinção da Faculdade de Teologia, correlata do longo declínio dos estudos jurídico-eclesiásticos, era por ela sugerida e discutida. Lente de Hermenêutica Sagrada, Mota Veiga admitia a escassa frequência, “os poderes públicos não oferecem nem dão aos estudantes teólogos garantias algumas eficazes para os atrair ao estudo da ciência da religião”, razão pela qual “os alunos vão sempre escasseando mais nas aulas de Teologia” pois a licenciatura jurídica, desleal concorrente, conferia em plano de igualdade o acesso e o provimento aos lugares eclesiásticos.
O fim da Teologia era exigido por adversos campos. Republicanos, livre-pensadores, mações, para quem a dimensão autotélica da liberdade só faria sentido numa sociedade secularizada e na Escola laica, exprobravam o ensino confessional e remetiam o estudo das religiões para o quadro das ciências históricas e sociológicas. Teólogos, como modo prático de assegurar cátedras perante as bancadas vazias, propunham a sua desagregação e a criação da nova Faculdade, designada de Letras (na linha francesa das iniciais propostas), onde estudos teosóficos, porventura teológicos e de história das religiões, pudessem noutras vestes sobreviver.
Condizia com o velho projecto de emancipação dos estudos humanísticos – confinados, nos Estatutos de 1772, ao âmbito dos «estudos menores» aí assegurados pelo Colégio das Artes – que sectores regeneradores anunciavam … em Claustro pleno de 10 de abril de 1867, originar a representação decidida a fundar a Faculdade de Letras.
… Resposta tardia ao não instalado Curso de Letras e a novas exigências que em meados do século da história se evidenciam, mormente na Faculdade de Direito, dado o maior peso da perspectiva histórica e filosófica dos estudos jurídicos, a criação da Faculdade de Letras passou por óbices que a adiaram para as calendas.
… Em sequência, o reitor Adriano Cardoso Machado, a 1 de outubro de 1888, anuncia a iminente criação da Faculdade mas só em 1907, vinte anos depois, os cinco conselhos facultativos criam consenso … desiderato de novo gorado.
Só a República o fará no âmbito da reforma do ensino superior consubstanciada na lei de bases, a Constituição Universitária.

 

Capela da Universidade de Coimbra, altar mor.jpg

Capela da Universidade de Coimbra, altar mor

… Ora, o fim da Teologia não significou a expulsão física dos mestres. Ex-teólogos criam mesmo a autêntica matriz qualitativa da Faculdade de Letras pois desde finais do séc. XIX orientam ensino e investigação no sentido da historiografia, filologia, literatura e pedagogia, colhendo a visão civilista que fundamenta o paradigma positivista, cientista e laico dos estudos humanísticos que a República promove, ministrando-o porém numa lógica conservadora que expede para a gnose religiosa.
Em 1919 admitiam os ex-teólogos que “nos últimos anos do antigo regime, a frequência da Faculdade de Teologia diminuíra dia a dia progressivamente” … Se em 1878 havia 44 matrículas, em 1909-10, para 12 professores, apenas havia 20 alunos: seis no I ano (dos quais Cerejeira), um no II, três no III, quatro no IV e seis no V. Toda a Faculdade não enchia a menor sala.

Carvalho, P.A. A exclusão universitária: Sobre o caso Sílvio Lima. 1935. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. In Biblios, n. s. IX (2011) 125-193. Acedido em 2019.05.24, em
http://hdl.handle.net/10316.2/32411 

 

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por Rodrigues Costa às 20:44

Terça-feira, 08.10.19

Coimbra: Estação Elevatória do Parque Dr. Manuel Braga

Os dois volumes História do Abastecimento de Água a Coimbra, 1889-1926 e 1927-2007, da autoria do Professor Doutor José Amado Mendes, dão-nos conta, detalhadamente, do caminho percorrido em Coimbra, a fim de concretizar este melhoramento. Contamos de, em próxima ocasião, voltar a determo-nos neste trabalho.
A abertura, no passado dia 1 de outubro, da exposição Coimbra e a Água, dos primórdios até meados do séc. XIX, acontecida nas instalações onde funcionou a Estação Elevatória do Parque Dr. Manuel Braga, hoje Museu da Água, chamou-nos a atenção para a inexistência ou para o desconhecimento de documentação fotográfica que se relacionasse com aquela antiga estrutura.
Alguns dos que nos estão a ler ainda se lembram de espreitar para o interior da Estação Elevatória, onde grandes bombas negras, fazendo um barulho ensurdecedor e exalando um cheiro esquisito, bombeavam a água que abastecia a cidade. Pensa-se que, ao ser desativada, o equipamento seguiu o caminho da sucata, com exceção de uma pequena peça que ali se encontra exposta.
Graças a Carlos Ferrão conseguiu-se a imagem que seguidamente se reproduz.

Rio com central elevatória primitiva.jpg

Estamos perante uma vista aérea do Mondego, com a ínsua dos Bentos bem percetível, dado que o Parque Dr. Manuel Braga ainda não havia sido arquitetado, e, no canto inferior direito surge um pequeno edifício passível de corresponder à Estação Elevatória primitiva que, como refere Amado Mendes, foi «edificada em 1922».
Como já atrás mencionámos, não conhecemos qualquer outra referência gráfica relacionada com a Estação Elevatória e, por isso, o que nos moveu a escrever esta “entrada” passa por pedir aos leitores que, no caso de estarem na posse de imagens da Estação Elevatória em funcionamento ou de pistas relacionadas com publicações onde as mesmas se possam encontrar, façam o favor de as divulgar.

Museu da Água.jpg

Temos para nós que seria importante estar patente no atual Museu da Água, através de imagens, a história do passado, mas para que tal possa acontecer pedimos a ajuda de todos.
Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 10:23

Terça-feira, 07.05.19

Coimbra: Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra 1

A ideia de criar um Observatório Astronómico surge desde logo nos Estatutos Pombalinos (1772) a propósito da Faculdade de Mathematica e da respectiva cadeira de Astronomia (4.º ano). A sua criação tinha dois objectivos distintos, a leccionação e o desenvolvimento da ciência astronómica. Os Estatutos Pombalinos encaravam a ciência como a força motriz para uma mudança de mentalidades essencial à modernização do país e a astronomia desempenhava um papel fundamental pelas “consequências tão importantes ao adiantamento geral dos conhecimentos humanos, e à perfeição particular da Geografia, e da Navegação”. Por isso o Observatório Astronómico era representativo desse modo de ver a ciência, constituindo simultaneamente um meio para o seu desenvolvimento.
… Hoje, a maior parte dos muitos visitantes que franqueiam a Porta Férrea da Universidade e olham, ao entrar no Pátio das Escolas, à sua esquerda e se aproximam do varandim para desfrutar a imensa vista sobre a baixa da cidade e do rio Mondego, não faz ideia que aí era durante muitos anos (quase 150) o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) – um edifício de configuração rectangular, “constituído por três corpos contíguos em que o central é três vezes mais alto do que os laterais.” [Bandeira 1943-1947, p.129] –, e que foi demolido aquando das obras de requalificação da Universidade de Coimbra nos anos 50 do século XX.

Observatório Astronómico.jpg

Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra

Porém, este edifício não foi aquele que a Reforma Pombalina previu edificar. O sítio que se determinou primeiramente para a construção do Observatório foi o Castelo da cidade [Lemos 1777, p.260], que se situava na vertente da Alta de Coimbra oposta ao Paço das Escolas, onde hoje é o Largo D. Dinis (no cimo das Escadas Monumentais).
… O Castelo era constituído por duas torres: a de menagem quadrada, de construção afonsina, a que se chamava Torre Nova; e uma segunda, de configuração pentagonal que embora fosse de construção mais recente, pois havia sido erguida nos tempos de D. Sancho I, era designada por Torre Velha [Lobo 1999, p.4].

Planta do Castelo. Elsden, 1773.jpg

Planta do Castelo e Casas a ele contíguas em a Universidade de Coimbra (Elsden, 1773). [BGUC, Ms.3377/41]

Alçado do Observatório do Castelo.jpg

Alçado do Observatório do Castelo (Elsden, c.1773). [MNMC, Inv. 2945/DA 23]

Em 1775 (a partir do mês de Setembro) quando estava realizado o essencial do piso térreo, com o edifício erguido até ao 1.º piso, “a uma altura não inferior a 8 metros”, as obras param. O elevado custo dos trabalhos atingido em cerca de dois anos e meio, e quando estava ainda por realizar parte significativa da obra, é a principal causa para a interrupção de tão ambicioso projecto.

Figueiredo, F.B. 2013. O Observatório astronómico (1772-1837). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2018.10.28, em http://hdl.handle.net/10316.2/38513 

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por Rodrigues Costa às 09:44

Terça-feira, 30.04.19

Coimbra: Petições de grau na Universidade

No Arquivo da Universidade de Coimbra encontram-se guardadas cinco pastas forradas a veludo que, até à entrada em vigor da “Lei da Separação do Estado das Igrejas”, publicada a 20 de abril de 1911, depois da implantação da República, eram utilizadas nas cerimónias de imposição dos graus de Bacharel, de Licenciado e de Doutor.

Petição de grau. Faculdade de.jpg

Pasta das petições de grau, utilizada na Faculdade de Medicina

A diferença existente entre elas residia na cor do veludo que correspondia a cada uma das Faculdades. De notar que as cores mencionadas diferem das atualmente usadas.

- amarelo para Teologia,
- vermelho para Direito,
- castanho claro para Medicina,
- azul escuro para Matemática e Filosofia.

Dentro da cada pasta podem observar-se dois documentos impressos, escritos em latim, com as fórmulas que seguidamente se referem.
No primeiro pode ler-se:

Quid petis.jpgQuid Petis?

Os Quid Petis? – o que pedes – são todos de teor similar e eram usados na atribuição do Grau de Bacharel, Grau de Licenciado, Grau de Doutor (Quando há um só doutorando) e Grau de Doutor (quando sam dois os mais doutorandos).

No segundo documento encontra-se o texto do juramento que o candidato tinha de proferir antes de lhe ser entregue o respetivo documento comprovativo da concessão do grau.

Professio Fidei Catholicae.jpg

Professio Fidei Catholicae

Trata-se da atribuição do canudo, como é designado na gíria coimbrã.

Canudo, porque o comprovativo do grau, escrito em latim sobre pergaminho e assinado pelas entidades competentes, incluindo o Magnífico Reitor, fixa ainda umas fitas da cor da respetiva Faculdade presas a uma caixa de prata que contém, no seu interior, o selo da Universidade. O documento encontra-se enrolado e inserido numa caixa de lata com forma tubular.

Canudos e diplomas.jpg

Canudos e comprovativos de curso

Carta de curso Letras selo.JPG

Comprovativo de um curso da Faculdade de Letras, pormenor do selo

Carta de curso Direito selo.jpg

Comprovativo de um curso da Faculdade de Direito, pormenor do selo

Deste ritual resta, atualmente, a cerimónia da imposição de insígnias que concede ao candidato, de forma solene e oficial, o grau de doutor. É evidente que o Quid Petis? se encontra adaptado aos tempos hodiernos.

Doutoramento. 1959.jpg

Cortejo de um doutoramento. 1959

Agradeço à Senhora Dr.ª Ana Maria Bandeira, Técnica do Arquivo da Universidade de Coimbra a ajuda para chegar aos documentos citados.

Fonte: Arquivo da Universidade de Coimbra (Quota: Petições de Graus V-3.ª-Mov. 8-Gav. 1)

 

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por Rodrigues Costa às 10:56

Quinta-feira, 18.04.19

Coimbra: Edifício ACM em Coimbra

Já antes de 1915 se perfilava a possibilidade de, em Coimbra, se vir a construir um edifício que servisse de sede à Associação Mundial de Académicos; o local escolhido situava-se no gaveto formado pelas ruas Alexandre Herculano e Venâncio Rodrigues, em pleno bairro de Santa Cruz, projetado no final de Oitocentos para dar resposta à necessidade de alargamento do espaço urbano da cidade, mas vítima de um processo de lentidão, bem de acordo com o fraco poder económico da urbe. As publicações periódicas que então saiam dos prelos mondeguinos, em dezembro do referido ano, previam a inauguração do imóvel para o mês outubro seguinte, mas a verdade é que Raul Lino, o arquiteto escolhido, só começou a riscar o projeto em janeiro de 1916.

Raul Lino.jpg

Raul Lino

ACM. Atlantida, 18, Lisboa, 1917.04.15.jpg

Desenho do edifício publicado em Atlantida, 18, Lisboa, 1917.04.15
…Ainda antes de conceber o edifício da ACM [Raul Lino], riscou o do Jardim-Escola João de Deus [que se ergue na Alameda Júlio Henriques], inaugurado a 2 de abril de 1911.
… A inauguração da sede da ACM foi protelada, certamente por razões óbvias e, em meados de 1917, era exposta numa das montras da filial conimbricense dos Grandes Armazéns do Chiado uma maqueta aguarelada que dava uma perspetiva do edifício destinado a sede da Federação Mundial de Académicos; parece que a feitura do imóvel fora custeada pelo International Comittee of Young Man's Christian Associatons de Nova Iorque.

ACM. Antes das obras b.jpg

O edifício na sua forma original

… Nos edifícios construídos para sede da coletividade, o ginásio já então constituía uma das partes essenciais do edifício e o átrio funcionava como verdadeiro motor da mesma, pois a par com os bilhares e os cueroques (os jogos de azar encontravam-se interditos) a dependência, graças a um confortável mobiliário, convidava a que se ouvisse música ou se conversasse amenamente. Nas proximidades encontrava-se instalado um pequeno bar de apoio, que não servia bebidas alcoólicas.
No salão nobre realizavam-se palestras, relacionadas sobretudo com a educação cívica e moral, e sessões de cinema, onde, a par com películas cómicas e dramáticas, passavam filmes instrutivos e científicos. Existia ainda uma sala de leitura em que se podia encontrar, para além de revistas e jornais nacionais e estrangeiros que “facilitassem ao estudante um meio de se conservar ao corrente dos acontecimentos sociais, científicos e literários”, uma pequena biblioteca.
… De acordo com a imprensa que se publicava na época, o edifício projetado por Raul Lino era “um dos ornamentos do Bairro de Santa Cruz” e o arquiteto, no interior, interpretou “admiravelmente o princípio utilitário e filantrópico da instituição e, ao dar ao exterior o estilo português modernizado, manifestou o seu espírito de adaptação ao meio particular em que cada grémio se estabelece, num perfeito equilíbrio entre o nacionalismo e o cosmopolitismo exagerados”.
Finalmente, no dia 20 de junho de 1918, procedeu-se à inauguração do edifício, ato que se revestiu de uma enorme solenidade e imponência e que contou com a presença de quase todos os ministros e embaixadores estrangeiros acreditados junto do governo português.


ACM. Depois das obras.jpg

O edifício na atualidade

Anacleto, R. O edifício da ACM em Coimbra, In: Diário de Coimbra, n.º 22229, Coimbra, 1997.05.25.

 

 

 

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por Rodrigues Costa às 12:32

Terça-feira, 16.04.19

Coimbra. Gíria dos Estudantes 3

O estudante de Coimbra nas suas relações com a sociedade em geral.

Nas transcrições efetuadas, optamos por citar as palavras e as expressões da gíria a negrito.

Água, Meter – Fazer asneira; ter um deslize.
Arder – Pagar (Todos comeram, mas só ardeu um).
Berro, Dar o – Findar; acabar (Passado um mês o jornal deu o berro).
Brasa – Mulher bonita.
Buzina – Boca (E não foram capaz de lhe fazer calar a buzina).
Cagança – Vaidade; prosápia.
Calino – Estúpido; Diário de Coimbra (Quem já leu o Calino de hoje?)
Costumes, Estudar – Ir à Baixa (… às vezes iam para a Baixa estudar costumes)

Café Montanha na Rua da Saboaria.jpgEstudantes no primitivo Café Montanha

Dependurar – Pôr na casa de penhores (No mês passado tive que dependurar o fato, porque já não tinha dinheiro).

Casa de penhores.jpg

Desempregado, Estar – Não ter namoro (Não há rapariga que o queira … está desempregado).
Desinfetar – Retirar-se; ir-se embora (Desinfeta imediatamente, aqui só atrapalhas).
Encostanço – Baile.
Fateixa, Arreganhar a – Rir (Arreganha a fateixa por tudo e por nada).
Futrica – Todo o indivíduo de Coimbra que não é estudante.
Galheiro, Ir ao – Ser vencido; derrotado. (A Académica foi ao galheiro no último desafio).
Gancho, Ser de – Ser mau (Tenham cautela, porque ele é de gancho).
Japão – Todas as que, não sendo naturais de Coimbra, a visitam acidentalmente (Hoje vai tudo para a Baixa porque chegou muito Japão).
Malvada, Encher a – Comer; comer muito.
Mangueira, Estender a – Estender a mão (foi o primeiro a estender a mangueira, quando viu o doce).
Milho – Soco; pancadaria (Deu-lhe tamanho milho que caiu logo por terra).
Mona, Cozinhar a ou Cozer a carraspana – Esperar que passe o estado de embriaguez.
Mula – Pessoa reservada, que nunca dá a conhecer as suas intenções.
Pacote – Nádegas (Deram-lhe um pontapé no pacote).
Pername – As pernas das mulheres (As bailarinas tinham um pername).
Pêro – Soco; murro.
Peva ou Pevide – Nada (durante os dias de férias, não fez pevide)
Pirisca – Velocidade; ponta de cigarro (passou agora um caro com uma pirisca; Não tinha tabaco, recorri às piriscas).
Pocha – Bolso.
Resina – Bebedeira (Durante os oito dias da Queima apanhou outras tantas resinas).

Na Queima.jpg

Estudantes na Queima

Semiscarúnfio – Quase cego de razão; esquisito, maldisposto.
Serena – Ventosidade que não provoca ruídos (Deram uma serena que fez desaparecer toda a gente).
Seringa – Guarda-chuva (É melhor levar a seringa, porque pode chover).
Tiro, Dar o – Pedir dinheiro
Traço – Diz-se da mulher que é bela e elegante (Essa mulher é um traço como nunca vi).
Trunfa – Cabeleira
Unhas, Aparar as – Impedir que alguém faça mal.
Vidro – Copo de qualquer medida (Antes do cinema, fomos beber uns vidros).

Castro, A.F. 1947. A Gíria dos Estudantes de Coimbra. Suplementos de Biblos. Série Primeira, 7. Coimbra, Faculdade de Letras

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por Rodrigues Costa às 10:02

Quinta-feira, 11.04.19

Coimbra: Gíria dos Estudantes 2

O estudante de Coimbra, a vida escolar e as Instituições Académicas.
Nas transcrições efetuadas, optamos por citar as palavras e as expressões da gíria a negrito.

Aguentar-se – Dar uma lição sofrível («Não brilhou, mas aguentou-se pelo menos»).
Amélia – Elemento do naipe dos primeiros tenores do Orfeão Académico. («O Orfeão este ano tem falta de Amélias»). Este termo foi possivelmente pedido ao calão lisboeta, onde significa homem efeminado. Como os primeiros tenores são os que têm a voz mais próxima da feminina, foi-lhes dada aquela designação depreciativa.

Orfeon Arroyo (1881).jpgOrfeon Académico, dirigido por João Arroyo (1881)

Apitar – Dizer baixinho ao colega que está a ser chamado à lição o que deve responder («Se não me apitas, estou perdido»)
Barca – Nome dado ao aluno do quinto ano que protegia muitos caloiros à passagem na Porta-Férrea. («Lá vem a Barca!»).

Troças à Porta Ferrea. Novato levando às costas

À passagem da Porta-Férrea, o caloiro estava sujeito ás troças e à praxe chamada canelão, que consistia em os caloiros apanharem caneladas dos mais antigos. Para lá se passar sem perigo era necessário ir protegido por um quintanista.
Bestialógico – Exposição em que o aluno fala muito bem, mas diz poucas coisas acertadas («Concordo: fez um bestialógico, como nenhum de nós é capaz»).
Bicho – Aluno do liceu («Pertencer à briosa era o sonho dourado dos rapazes, sem embargo de saberem quanto era ingrata a vida do caloiro, só comparável à que levavam os bichos e os formigões, os seminaristas»).
Bicicleta – 8 valores («Contava passar, mas apanhei uma bicicleta»).
Boroa, Estudante de – Aluno da Escola Agrícola.
Briosa – Academia («deram-se nomeados para representar a Academia nos funerais; e, quando a briosa soube da história, já iam todos a caminho de Lisboa»).
Broeiro – Estudante pobre dos arredores de Coimbra, a quem os pais enviavam todos os géneros alimentícios.
Bufar - O mesmo que apitar.
Cabra – Sino da Torre da Universidade de Coimbra, que toca todos os dias às 18 horas, avisando os estudantes de que é tempo de recolher ao estudo.


Universidade. A Cabra.jpg

Cabrão – Sino da Torre da Universidade de Coimbra, que toca todas as manhãs, anunciando aos estudantes que há aulas. … este sino tinha um som mais grave, motivo porque lhe foi dado o nome do macho da cabra.
Cabulite – Falta de vontade para estudar («Portador de uma sintomatologia de inesperadas consequências, diagnosticada como cabulite aguda»).
Canudo – Diploma de licenciatura ou, de bacharelato. Tal designação, dada à carta de curso, provém do facto de ela ser entregue outrora ao novo bacharel ou licenciado, dentro de um canudo de lata.
Chichar – Anotar os livros escolares, nas entrelinhas ou à margem («Estava a traduzir muito bem, quando o mestre se levantou e descobriu que eu tinha o livro chichado»).
Cornos, meter nos – Decorar, fixar («Ainda que tenho que meter nos cornos toda esta coisa, apenas com dois dias antes dos atos»).
Coxo, passar – Transitar de classe, reprovado numa disciplina.
Cu, frequência de – Diz-se quando o aluno vai à aula só para marcar a presença, não ligando importância às preleções do mestre nem as acompanhando do estudo necessário («Não podia passar, só tinha frequência de cu»).
Cuspo, lição colada com – Lição estudada à última hora e que facilmente se esquece.
Empinar – Decorar («Adeus! Vou para casa empinar umas fórmulas»).
Espalhanço – Má lição.
Fera – Mestre muito exigente e que reprova muito.
Lebre, andar à – Recorrer aos amigos, quer para se alojar, quer para comer.
Mergulhar – Diz-se do aluno que se deixa escorregar pela carteira, para que o mestre não veja e não o chame à lição.
Patavina, não saber ou não pescar – Não saber nada.
Rabeca – Cama de estudante.
Rasgar [posteriormente, rasganço] – Ação de fazer em tiras todas as peças do vestuário do estudante, exceto a capa, no dia que conclui o seu curso. (Já hoje rasgaram cinco em Medicina).

Rasganço.jpg

Rasgar, ou rasganço

Sebenta – Espécie de apontamentos coligidos pelos alunos segundo as lições do mestre e, muitas vezes, revistos por este.
Tapar – Dar o número máximo de faltas permitido pela lei.

Castro, A.F. 1947. A Gíria dos Estudantes de Coimbra. Suplementos de Biblos. Série Primeira, 7. Coimbra, Faculdade de Letras

 

 

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por Rodrigues Costa às 19:59

Terça-feira, 09.04.19

Coimbra: Gíria dos Estudantes 1

Centramo-nos hoje numa dissertação de licenciatura em Filologia Românica, publicada em 1947, e que aborda a gíria dos estudantes de Coimbra no final do século XIX e na primeira metade do século XX.
A obra encontra-se, fundamentalmente, dividida em três partes: Introdução; O estudante de Coimbra, a vida escolar e as Instituições Académicas; e O estudante de Coimbra nas suas relações com a sociedade em geral.
Determinámos dedicar uma entrada a cada parte.
Nas transcrições efetuadas, optamos por citar as palavras e as expressões da gíria a negrito.

As gírias não têm uma sintaxe sua e, por esse motivo, não nos é permitido considerá-las como línguas propriamente ditas ou mesmo dialetos. São antes, para nos exprimirmos com mais rigor, vocabulários usados por determinados grupos cujos termos aparecem «enxertados» na língua corrente.
… Os processos de formação das gírias … de uma maneira geral, são os mesmos que usa a língua comum, e, sob este aspeto, a gíria e a linguagem comum chegam a identificar-se.
O que caracteriza, depois, as gírias é o facto de elas não serem compreendidas senão pelos iniciados, tornando-se secretas para todos os outros, e um como que elemento de defesa do grupo que a fala.
… Assim a gíria académica serve-se, por vezes, do latim para exprimir certas ideias … quando querem dizer que um estudante não sabe nada da lição, por a não ter estudado, traduzem esse facto pela expressão in albis … usam mesmo a forma latina decretus,

Decreto c.jpg

para designar as decisões respeitantes às praxes emanadas do Conselho de Veteranos ou pecunia para significar dinheiro, como no próprio latim; se alguém não tem dinheiro diz-se que anda a pauperibus. Outras vezes chega até a dar feição latina às palavras portuguesas, o que se verifica na expressão ir a calcantibus, querendo significar ir a pé.
… Na linguagem dos estudantes encontraremos, pois, palavras como trupe grupo de académicos que depois do toque da cabra, à tarde, anda em busca de caloiros ou bichos para lhe cortar o cabelo, e que se foi buscar ao francês troupe.
O inglês contribui também com alguns elementos para a formação da gíria académica coimbrã. Lembremos, por exemplo, cow-boy, pessoa simpática e divertida; o seu derivado, já aportuguesado, cowboiada, filme interpretado por cow-boys … mas significando também qualquer situação divertida; e poney com o significado de elegante. Temos também o nome próprio Power, lindo entre nós por póver, e que é dado aos homens que andam rigorosamente na moda … Não pegar nos books é outra expressão em que entra a língua inglesa, e que quer dizer não estudar nada.
… podemos citar [do italiano] o vocábulo nente para significar nada, proveniente, segundo alguns, da palavra italiana niente.
… a gíria académica usa da composição. Temos em primeiro lugar, a composição por meio de dois elementos…pinga-amor, indivíduo que dedica a maior parte do seu tempo a dirigir galanteios às raparigas … lagarto-azul, nome porque eram conhecidos os alunos da Escola Industrial.
… Quanto à composição por meio de prefixos … desgranizar era o termo empregado na aceção de dar, passar, etc., já caído em desuso. Tem a sua origem no facto de existir em Coimbra, no tempo do célebre boémio Pad-Zé, autor do termo, um merceeiro chamado Graniza que fornecia os estudantes, por vezes a crédito, embora mui custosamente. Então, quando desejava alguma coisa, Pad-Zé, seu vizinho, pedia mesmo da janela: Ó Graniza, desgraniza para cá isto ou aquilo! … E o nosso homem, embora com muita pouca vontade, sempre desgranizava.

Pad'Zé 02.jpg

O Pad-Zé

… A gíria académica serve-se dos sufixos que a língua comum lhe pode oferecer e utiliza outros que lhe são próprios.
No primeiro caso deparamos com as palavras do tipo de amélice, ato do que é Amélia: Falcoada, derivada de Falcão, designando a ação em que um grupo de estudantes deixa de pagar qualquer despesa feita; fiteiro o que simula qualquer coisa; gazeteiro, o que falta às aulas; manteigueiro … o que designa o que é adulador; martelão, o aluno que estuda muito; chumbaria na aceção de grande quantidade de chumbos; coelheira, as últimas carteiras da sala de aula.
… No segundo caso copianço de copiar, que designa a ação de copiar; rapanço de rapar, cortar os cabelos aos caloiros ou bichos; encostanço de encostar, para traduzir a ação de dançar.
… Um outro elemento de que as gírias se servem é a perífrase … um indivíduo foi armado com asas de pau querendo significar que foi sovado … se um estudante diz a outro que pagou cinquenta escudos para a Banda da Polícia não significará nada mais do que … esteve preso
… Não podemos esquecer, ao tratar da criação das gírias, do papel representado pelo eufemismo… Um exemplo … é o facto de um estudante chamar Museu a um determinado … prostibulo de Coimbra … Em qualquer parte, mesmo num salão, poderemos ouvir um académico perguntar a outro se vai para leste, quando deseja saber se ele se dirige a qualquer casa de prostituição. A origem da expressão é engraçada e nasceu do facto de quase todas essas casas se encontrarem naquela direção, nas diversas terras percorridas pelo Orfeão Académico numa das suas viagens.
A prostituta será denominada de uma maneira mais atenuada: chamar-se-lhe-á borboleta, imagem de certo modo agradável.

Castro, A.F. 1947. A Gíria dos Estudantes de Coimbra. Suplementos de Biblos. Série Primeira, 7. Coimbra, Faculdade de Letras

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por Rodrigues Costa às 09:51


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