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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 09.06.22

Coimbra: Vitrais de Mons. Nunes Pereira, na Igreja de Cardigos

No Museu Nunes Pereira, situado na parte baixa do Seminário Maior de Coimbra, do lado direito de quem entra, encontra-se patente uma exposição com o título A História da Salvação. 50 anos dos vitrais da Igreja Matriz de Cardigos. A mostra apresenta os vitrais projetados há meia centúria pelo patrono do espaço museológico, a fim de serem colocados naquele templo.

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Brochura que serve de folha de sala, capa

Chamamos a atenção de todos os que amam Coimbra para o interesse em visitar a exibição que documenta mais uma obra de grande interesse, saída da mão de Monsenhor Nunes Pereira e composta por sete belos painéis, infelizmente pouco conhecidos.

Os vitrais foram executados, de acordo com cartões da sua autoria, pela empresa lisboeta J. Alves Mendes.

Hugo Costa Soares encarregou-se de fotografar as peças que se encontram patentes na exposição e que, algumas vezes, são acompanhadas pelos cartões que lhe serviram de suporte.

Julgamos que, tecnicamente, os responsáveis pela mostra encontraram soluções capazes de garantir a compreensão da qualidade, bem como do fundamento das peças originais.

O vitral é composto pelos seguintes sete painéis.

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Primeiro painel. Transgressão e Expulsão do paraíso (dimensões do original c. 3,80x1,95 m).. Chave de leitura – Criação: Queda e Promessa

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Segundo painel. Abraão e Isaac – Escuta e oferta (dimensões do original c.3,80x1,95 m). Chave de leitura – Escuta atenta de Abraão e sua Fé em Deus.

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Terceiro painel. Apanha do Maná (dimensões do original c. 3,80x1,95 m). Chave de Leitura – O Maná: o Pão Descido do Céu.

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Quarto painel.  O Cordeiro e a Redenção (dimensões do original c. 2,64x1,95 m). Chave de leitura – O Cordeiro de Deus e a Remissão dos Pecados.

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Quinto painel. O Pentecostes (dimensões do original c. 3,80x1,95 m). Chave de leitura – Maria, Mãe da Igreja.

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Sexto painel. A Lei como revelação de Deus (dimensões do original c. 3,80x1,95 m). Chave de leitura – A Lei e a Regra de Ouro: O Mandamento do Amor.

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Sétimo painel. O Memorial (dimensões do original c. 3,80x1,95 m). Chave de leitura – A Família e a Iniciação Cristã.

A exposição estará patente até ao dia 15 de janeiro de 2023, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00 de segunda a sexta feira. Aos sábados também é possível fazer visitas.

Todas as visitas implicam a sua prévia marcação, a qual pode ser efetuada por um dos seguintes modos: para o email mnp1906aanp@gmail.com; para o telemóvel 911 592 313; na  portaria do Seminário (telefone 239 792 340).

O visitante, no fim da visita, poderá repousar um pouco junto ao bar do “baloiço” e desfrutar de uma outra bela visão: a do rio Mondego e da sua margem esquerda, de um aprazível local conhecido por poucos.

Rodrigues Costa

 

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por Rodrigues Costa às 11:41

Quinta-feira, 26.05.22

Coimbra: Santa Cruz de Coimbra, uma floresta iluminada 3

Como esperado, a extinção das ordens religiosas em 1834 abriu brechas no pequeno mundo paradisíaco desta paisagem monástica. “Vandalismos inauditos” é a expressão usada por Augusto Silva Pereira, o autor de Portugal Antigo e Moderno. O académico Vilhena Barbosa também se penalizou bastante com o que ali viu em 1886: “dói na alma, realmente […]” Mais tarde, o poeta simbolista Eugénio de Castro haveria de escrever, em 1900, que “apesar do bárbaro desbaste feito nos seus arvoredos” o jardim era ainda “um amável refúgio em dias de sol ardente”.

A autarquia adquiriu a parte recreativa da Quinta para que servisse de passeio público, mas só em 1885; a preocupação com o abastecimento da cidade com aquela água era tal, que logo de imediato foram encomendadas novas canalizações para as cascatas de Santa Cruz (p. 103).

Duas décadas depois, um Conselho de Arte e Arqueologia teve de se opor à sobrecarga de eventos de todo o tipo naquele espaço que considerava dever ser elevado a monumento nacional e como tal protegido. A perceção de que se trata de um lugar histórico detentor de uma “presença artística de grande fôlego” (p. 108) não terá sido suficiente para travar investidas para a instalação dos mais variados equipamentos ali.

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Planta do terreno da quinta de Santa Cruz com a planta de uma praça de touros […] com lotação para 10.000 pessoas”, datada de janeiro de 1899. Op.cit., pg.101

Quadras de ténis em 1885, campo de futebol da Associação Académica em 1914-17, eventualmente um coreto em 1923, são alguns exemplos, para já não falar da praça de touros para 10 mil lugares projetada em 1899 para a proximidade do grande lago, mas que felizmente nunca saiu dos papéis em que foi desenhada (pp. 101, 102) — ou da anacrónica instalação, em 1921, de um posto da GNR num dos belos torreões do pórtico, pintado com infinita exuberância rococó….

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Projeto para o gradeamento do jardim de Santa Cruz, datado de 1905. Op.cit., pg. 104

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Desenho de António Augusto Gonçalves, aprovado em 1906 e, provavelmente datado do ano anterior, para a grade a aplicar na vedação do Parque de Santa Cruz. AHMC. Repartição de obras municipais, pasta 43. Op.cit., 105

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Grade projetada e executada para vedação do Parque de Santa Cruz, posteriormente aplicada num muro da rua P. António Vieira. Foto Rui Gonçalves Moreno. Op.cit., 103

A ideia de que o parque constituía uma “sala nobre da cidade” (p. 105) levou a autarquia a realizar sucessivos restauros nos azulejos e nas esculturas e, sobretudo, a precaver novas delapidações do seu património artístico — e que o entulho de construções particulares vizinhas ali continuasse a ser despejado (p. 113)… — mandando vedar o Parque com grade de ferro, em 1906-7 e 1908-9.

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Desenho do par de lanternas criadas por Albertino Marques para serem aplicadas à entrada do Jardim de Santa Cruz, nos ângulos dos torreões. “Gazeta de Coimbra”, 17 de Setembro de 1945. Op.cit., pg. 108

No início da década de 1940, lanternas em ferro forjado e cinzelado, num estilo conhecido como revivalismo rocaille, serão instaladas nos torreões e arco principal da entrada principal, e em outros pontos estratégicos, como a Cascata e a Fonte do Tritão, e é feito reaproveitamento do gradeamento dos demolidos Liceu Feminino e Alameda de Camões.

Como Marco Daniel Duarte reconhece nas últimas páginas do seu livro, “o Jardim de Santa Cruz é um dos mais difíceis espaços públicos para gerir” (p. 143), como comprova uma história quase bicentenária de administração do Estado. Ainda assim, é curioso notar que a contestação duma comissão camarária ao projeto de remodelação do Parque de Santa Cruz apresentado pelo arquiteto paisagista A. Vianna Barreto em 1956, baseada no argumento de “não se afigurar possível conseguir a unidade introduzindo elementos modernos num ambiente monástico” (p. 123), choca de frente — meio século depois, é verdade — com a magnificência do programa escultórico de Rui Chafes, a quem o autor reconhece uma “modernidade e uma transconsciência que faz ecoar os níveis culturais dos ancestrais cónegos regrantes de Santo Agostinho” (p. 126) — fazendo do Parque de novo um “locus artístico” (pp. 133, 140), “não obstante as mazelas que o tempo lhe infligiu” (p. 143).

Rosa, V. Santa Cruz de Coimbra: uma floresta iluminada. In: Observador, edição de 4 de abril de 2018.

 

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por Rodrigues Costa às 09:47

Terça-feira, 24.05.22

Coimbra: Santa Cruz de Coimbra, uma floresta iluminada 2

O livro traz fotografias de agora, mas também postais-ilustrados e fotos simples ou coloridas a aguarela de inícios do século passado (por exemplo, pp. 44, 114) que demonstram quanto este Jardim se tornou um espaço público da cidade. Depois de ser privativo de monges e clérigos, lá foram vistos e fotografados estudantes de batina negra e tricanas aguadeiras, de bilha à cabeça, pois as águas do parque eram boas e abundantes.

A água é o elemento por excelência em Santa Cruz, nos seus diferentes planos topográficos e significados teológicos ou outros. “A festa da água que acontecia dentro dos seus jardins — afirma Marco Daniel Duarte — era entendida pelos religiosos crúzios como uma página de Teologia” (p. 54; itálico meu).

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Cascata do jarim de Santa Cruz fixada numa fotografia da década de 20 do século XX por Adriano Tinoco. Op.cit., pg. 46

A Cascata, que tem adiante um repuxo, foi construída à maneira dos retábulos de capela-mor, com duas parelhas de Evangelistas (São Marcos e São Mateus, São Lucas e São João) organizadas em torno de dois medalhões de azulejo cobalto e branco onde pinturas representam passagens bíblicas consagradas à importância da água como liberalidade divina, e ao centro, num plano mais elevado, coroando o “retábulo”, surge Nossa Senhora da Conceição numa eclipse vazada.

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Na elipse vazada da grande Cascata, a escultura da Virgem Maria, ali figurada como Nossa Senhora da Conceição. Foto Rui Gonçalves Moreno. Op. cit., pg. 53

Rochas secreções calcárias típicas de gruta ou nascente de água, cuja fictícia entrada uma grande mancha verde de avencas oculta. Pelos lados, em diagonal, sobem degraus de duas curtas escadarias, apoiando a verticalidade do conjunto, entre arvoredo de grande porte.

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Patamar de descanso concebido em volta de uma fonte. Op.cit., pg, 59

A ascensão íngreme rumo à fonte de água pura tem conhecido significado religioso e divino, e a crescente intensificação do elemento líquido nos patamares superiores do jardim de Santa Cruz atingirá no topo da colina “uma omnipresença absoluta”. Patamares de descanso, lance de degraus e balaustradas formam uma sucessão de planos dinâmicos, ilustrados por painéis azulejares com cenas piscatórias e venatórias em que a água é o motivo recorrente, além de outros, com enormes fontenários setecentistas — um trabalho de pincel em oficinais da região Centro, que todavia não se distinguiu pela qualidade, no parecer autorizadíssimo de José Meco. Sombra, verde de folha, azul e branco cerâmicos e o líquido primordial espelhado em fontes e pequenos tanques criam ambientes aprazíveis, pontuados por pirâmides-pináculo que reforçam o caminho para o alto, físico e espiritual.

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Fonte do Lago que toma o lugar onde, segundo as fontes mais antigas, existiria uma ilha com laranjeira. Foto Rui Gonçalves Moreno. Op. cit., pg. 85.

“Uma outra cena”, na opinião de Louis-François de Tollenare, o viajante francês já citado, é o grande largo circular rodeado de altas paredes de cedro, que fica num nível intermédio, porém marginal da ascensão vertical. Uma “ambiência rústica” (p. 91) em contraponto ao resto do parque, porém nobre pelas suas árvores seculares, que H. F. Link elogiou no seu livro de viagem a Portugal, em especial os loureiros de extrema velhice e altura prodigiosa da Alameda de Santo Agostinho — cenário perfeitamente romântico, aliás, muito próprio da época, para túmulo dum jovem militar inglês afogado no Mondego e dum outro homem que viveu à margem das convenções. Uma vocação tardia dos crúzios coimbrões, que o M. D. Duarte apenas sugere, mas admite poder “levar a importantes conclusões acerca do papel dos crúzios na sociedade conimbricense do século XIX, […] para com os que habitavam fora do mundo católico” (p. 96).

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Fonte da Nogueira, pormenor do estado de conservação do Tritão em 1993. Op.cit., pg. 69.

No entanto, o principal caminho não é esse. “A meta do escadório é uma fonte” (p. 67), a Fonte da Nogueira, ou da Sereia (na verdade, do Tritão…, alegoria da criação do mundo), numa das extremidades da cerca do Parque — uma das mais importantes de Coimbra, exclusiva do Mosteiro, como reconhecido num alvará régio de 1588, e objeto de secular contenda por parte do Município. Pela sua simbologia teológica como pela sua importância conventual, esta fonte no patamar mais elevado do escadório, de menor dimensão que a do piso inferior, mais intimista também, recebeu um programa decorativo que começa no desdobrar de frases sapienciais do Antigo Testamento em legendas de cenas azulejares alusivas, umas e outras atualmente muito maltratadas pela erosão natural e pela barbárie humana — como sucede com os rostos picados no painel da comunidade monástica reunida em torno duma fonte de que recebem água (p. 75) ou a brutal decapitação do Tritão fontenário (p. 71).

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Representação da comunidade monástica dos Cónegos Regrantes de S. Agostinho em redor da fonte da qual recebem a água. Op. cit. Pg. 75

Muitos desses painéis representam diferentes gerações de crentes junto de fontes de água, mas num deles observa-se “um elevado chafariz que termina num coração de Maria donde saem jatos de água; em volta crúzios sentados, tendo corações nas mãos, e dois deles recebem nos seus a água” da sabedoria, como relataram os historiadores da arte Vergílio Correia e Nogueira Gonçalves. Sendo qualquer fonte de grande caudal um símbolo de Cristo, o autor acredita que a Fonte da Nogueira constitui verdadeiramente “o coração de todo o Parque” de Santa Cruz e “um dos mais importantes lugares consagrados à veneração do mistério da Encarnação do Verbo” (p. 79).

Rosa, V. Santa Cruz de Coimbra: uma floresta iluminada. In: Observador, edição de 4 de abril de 2018.

 

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por Rodrigues Costa às 12:31

Quinta-feira, 19.05.22

Coimbra: Santa Cruz de Coimbra, uma floresta iluminada 1

No “Observador” de 4 de abril de 2018 o jornalista Vasco Rosa escreveu um artigo sobre o livro do Doutor Marco Daniel Duarte, com o título: “Contemplar o Paraíso. O Jardim de Santa Cruz de Coimbra (do século XVII ao século XXI)”, que intitulou “Santa Cruz de Coimbra: uma floresta iluminada”.

Desse texto levamos até leitores o que seguir fica.

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Jardim de Santa Cruz, cascata. Imagem inserida no artigo

 "Contemplar o Paraíso" é um guia, mas também é um livro sobre a história de um dos espaços mais emblemáticos de Coimbra. Vasco Rosa escreve sobre a obra e sobre o jardim.

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Contemplar o Paraíso, capa. Imagem inserida no artigo

 O recentemente concluído e notável restauro da Estufa Grande do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra chamou-nos a atenção para este álbum também recente, dedicado a outro “espaço verde” daquela cidade, o Jardim de Santa Cruz, que em 2004 recebeu sete esculturas de Rui Chafes, algumas delas colossais, incorporando no frondoso cenário arbóreo a solenidade artística e a “severidade litúrgica” (a expressão parece-me certeira; p. 139) que lhe são tão peculiares.

Se esta intervenção contemporânea, por si só, justifica plenamente uma visita, que dizer do restante parque, construído em 1723-52 na cerca do Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que então dominava a cidade, e também ele erguido de acordo com o que de melhor se fazia à época, de Versailles a São Petersburgo?

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Entrada do jardim de Santa Cruz, ainda sem o murete que o século XX lhe viria a adicionar. Op. cit., pg. 17.

Inicialmente o Pórtico, isolado, tinha uma dignidade simbólica e uma graça volumétrica que muretes nas laterais (1913) vieram perturbar, mas é a partir daí, naturalmente, que o autor nos conduz num passeio pela antiga Quinta de Santa Cruz. Basta entrar nos dois exíguos torreões para nos apercebermos da qualidade investida no programa estético deste empreendimento, com as paredes pintadas a fresco de cima a baixo, em trompe l’œil: uma cenografia de arquitetura rococó que sobe vertiginosamente até a tetos como abóbadas celestes com alegorias.

 

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Pórtico do jardim de Santa Cruz. Foto Rui Gonçalves Moreno. Op.cit., pg.19.

 Medalhões, templetes e frisos evocam cenas monásticas e mitológicas, como a entrega da Regra por Santo Agostinho aos crúzios coimbrãos e o Milagre de Ourique, ou exibem símbolos religiosos, militares e artísticos.

Sob as estátuas da Fé, da Caridade e da Esperança no triplo arco da entrada avança-se para a “utilidade profilática” (p. 37) do parque enquanto lugar de recreio e desporto.

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Registo do terreiro do jogo da Pela através de um postal ilustrado dos finais do século XIX. Op.cit., pg.39

O recinto apropriado ao Jogo da Pela — o jeu de paume gaúlico —, “grandioso terreiro” ou “fermossíssima praça” (p. 41), tem a Cascata como cenário de fundo, ou “extremidade de honra” nas palavras dum viajante francês em 1816, e aos lados canapés corridos em faiança pintada, hoje um tanto danificados, por sinal.

Rosa, V. Santa Cruz de Coimbra: uma floresta iluminada. In: Observador, edição de 4 de abril de 2018.

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por Rodrigues Costa às 15:07

Terça-feira, 17.05.22

Personalidades de Coimbra: Mário Araújo Torres

A importância da reedição de textos, há muito esquecidos e esgotados, de autores que escreveram sobre Coimbra, é inquestionável.

Embora sabendo que Mário Araújo Torres é avesso a agradecimentos, temos repetidamente afirmado, e mais uma vez o fazemos, que Coimbra lhe deve um institucional: OBRIGADO.

Na modéstia do conimbricense que somos, pelo nosso lado, aqui fica esse reconhecimento.

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 Mário Araújo Torres. Imagem acedida em: https://www.bing.com/images

 Mário José de Araújo Torres nasceu em 1945, em Cabeceiras de Basto, no seio de uma família com raízes em Braga. Em 1953 vai de Braga para Coimbra, onde conclui a instrução primária (Escola da Sé Velha), frequenta o Liceu D. João III (1955-1962) e se forma na Faculdade de Direito (1962-1968).

Faz-se sócio do Centro Académico de Democracia Cristã, de cuja revista Estudos foi subdiretor (1967).

Em 1969, frequentando o 6.º ano de Direito e o estágio para a advocacia, participa na defesa dos processos disciplinares e judiciais instaurados aos estudantes da Universidade de Coimbra durante a crise académica desse ano. Integra a lista da Oposição Democrática de Coimbra nas eleições legislativas do mesmo ano. Cumpriu o serviço militar em Angola (1972-1974).

Ingressou na magistratura do Ministério Público (delegado do procurador da República nas comarcas da Ilha de S. Jorge, Olhão e Lisboa; adjunto do procurador da República na Relação de Lisboa; membro do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República; representante do Ministério Público no Tribunal Constitucional), sendo fundador e primeiro presidente (1974) do Sindicato dos Delegados do Procurador da República (depois, Sindicato dos Magistrados do Ministério Público).

É fundador da associação MEDEL ‒ Magistrados Europeus pela Democracia e Liberdades.

Foi Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo (1993-2000), do Supremo Tribunal de Justiça (2000-2002) e do Tribunal Constitucional (2002-2009).

O Ciclo do Natal. Afonso Duarte.png

Peregrinação ao Mundo encantado das Crianças. O Desenho na Escola e outros textos pedagógicos) de Afonso Duarte. Recolha de textos e notas por Mário Araújo Torres. Imagem acedida em https://www.sitiodolivro.pt/Peregrinacao-ao-Mundo-encantado-das-Criancas

 Após a sua jubilação, dedicou-se à recolha e reedição de textos de autores que em Coimbra desenvolveram a sua atividade, como a produção etnológica e pedagógica do poeta Afonso Duarte (Ereira, 1884 - Coimbra, 1958) e a obra poética completa de António de Sousa (Porto, 1898 - Oeiras, 1981), esta última a aguardar edição pela Imprensa Nacional.

Nos últimos anos procedeu à recolha e reedição de textos injustamente esquecidos sobre a história de Coimbra, da autoria de António Coelho Gasco (Lisboa, c. 1595 - Maranhão, 1666), Bernardo de Brito Botelho (pseudónimo), António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910), António Moniz Barreto Corte-Real (Angra, 1804 - Angra do Heroísmo, 1888), Francisco António Rodrigues de Gusmão (Tondela, 1815 - Coimbra, 1888), Manuel da Cruz Pereira Coutinho (Almagreira, 1808 - Coimbra, 1880), José Leite de Vasconcelos (Ucanha, 1858 - Lisboa, 1941), Amadeu Ferraz de Carvalho (Tondela, 1876 - Tondela, 1951), Vergílio Correia (Peso da Régua, 1888 - Coimbra, 1944), Joaquim da Silveira (Sangalhos, 1879 - Sangalhos, 1972), António Carvalho da Costa (Lisboa, 1650 - Lisboa, 1715) e Inácio de Morais (Mogadouro, c. 1510 - Alcobaça, 1580).

Sítio do Livro. Mário de Araújo Torres. S/d. Texto acedido em: https://www.sitiodolivro.pt/Os-nossos-autores/Mario-Araujo-Torres

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:43

Quinta-feira, 12.05.22

Coimbra: Na Judiaria de Coimbra 2

Desci ao vale por um caminho que representa um outro já multissecular. Fui ter ao sítio da Fonte Nova, Fonte dos Judeus no séc. XII e ainda assim chamada, já partidos, no ano de 1548. A fonte demorava outrora no prédio novo do começo da avenida, acima do mercado.

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A Fonte Nova, na localização descrita.

Recordamo-nos todos como, durante as obras em que o veio da água foi cortado, caía do alto um jorro, cristalino e abundante, numa época final de quatro anos de sequeira, tal qual a alma perene do povo de Israel.

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Segui pela rua, ladeando à minha esquerda o terreno inicial do almocavar

Segui pela rua, ladeando à minha esquerda o terreno inicial do almocavar ou cemitério dos judeus que irregularmente ia pela encosta até à ladeira do Castelo, de limites indefiníveis hoje.

Entrei de vez na rua, repetindo, como tantas vezes o tenho feito: –que restará nestas paredes das velhas construções que Israel aqui levantou? Nada que apareça nos exteriores. As casas da época manuelina já são posteriores a sua saída. Os cristãos renovaram tudo e muitos já aí habitavam a esse tempo.

É a sina de Israel: passou por toda a terra, regou-a com o seu sangue e com lágrimas das maiores agonias e, logo que desaparece, os seus vestígios eliminados também.

 Aqui estiveram séculos, contribuíram para a riqueza nacional; tinham o comércio e a indústria, num tempo em que os aborígenes só podiam e sabiam cavar a terra para o senhor dela e este, acabado o período da conquista, vivia na ociosidade e na intriga.

Vítimas de ódios mais económicos do que raciais ou religiosos que, nascidos no resto da Europa, abateram com uma ferocidade na Península, quebrando aquele viver harmonioso até ao século XIV, que foi aqui o de cristãos, judeus e muçulmanos sujeitos, desapareceram com a mesma brutalidade que os próximos anos passados viram desencadear-se.

Israel é o novilho gordo que todos os povos imolam. Na sua vida milenária só teve o descanso rápido dos reinados de David e de Salomão. 

O significado do traje cerimonial judaico.png

Imagem acedida em: https://www.coisasjudaicas.net/2011/04/o-significado-das-roupas.html

… Foi neste momento que rápido como relâmpago e esvanecente como alucinação, passou diante de mim a nobre figura do grande arrabi de Coimbra, a labita flutuante, os tefilins ligados e as correias soltando-se, como quem vem da sinagoga no dia ritual.

Depois de pousar em mim um olhar profundo, levantou as mãos descarnadas e translúcidas e eu ouvi:

«Profetisa sobre a terra de Ysrael e dize aos montes, outeiros, rios, e vales: assi diz o Senhor D.: Em meu zelo e meu fervor falei quando padecestes a injúria recebida das gentes, pela qual levantei minha mão para que padeçam também as gentes que cerca de vós outros estão a vossa mesma injúria; e vós, montes de Ysrael, produzireis vossas árvores e ao meu israelítico povo dareis a comer vosso fruto. Isto certo está já para vir, porque eu a vós tenho, ó montes de Ysrael, e por vós olharei; sereis lavrados e semeados e eu multiplicarei em vós homens, os da casa de Ysrael».

Recordei-me, eram as palavras de Samuel Usque, nascidas no coração, na esperança dum português de Israel. Na terra dos avós combatem hoje, com a fé multissecular e, mesmo que vencidos agora, Israel virá a possuir de novo a terra que foi sua; virão de todos os pontos da terra, do setentrião ao meio-dia, do levante ao ocaso, combatentes, e o lar restaurado de Israel renovará as maravilhas da raça.

Esta é também a voz antiga judiaria de Coimbra.

Diário de Coimbra, 1947.10.27.

 Gonçalves, A. N. 2019. António Nogueira Gonçalves. Colaboração em Publicações Periódicas. Coordenação de Regina Anacleto e Nelson Correia Borges. Prefácio de José de Encarnação. Coimbra, Câmara Municipal. Volume II, pg. 483-485.

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por Rodrigues Costa às 11:10

Terça-feira, 10.05.22

Coimbra: Na Judiaria de Coimbra 1

Neste último Sabat do mês de Hexevan da era da criação do mundo de cinco mil setecentos e oito [1947] – bendito e Eterno Deus de Israel – os meus olhos de mortal viram a sombra do grande arrabi da judiaria de Coimbra.

Bem pouco preparado estava para tal encontro.

Dia de maravilha esse: luminoso, tépido, a atmosfera pura como frequentemente acontece no outono, as distâncias nítidas e o ambiente vizinho dum encanto subtil. A luz trespassa-nos e convida-nos a gozar estas horas únicas que a Natureza dá antes de nos mergulhar nos sombrios nevoeiros e no horror do frio.

Eis-me por aí à toa, entregue ao prazer do momento.

Errando por Montarroio encontrei-me numa varanda natural, voltado para cidade velha, mais aliciante nesta luz dourada. Parei a olhar para a antiga judiaria, a rua do Corpo de Deus.

Posição sugestiva, hoje que se vê poeticamente o passado, posição de deserdado seria outrora.

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Passava a muralha pela parte de trás, servindo de base agora ao Colégio Novo

 Passava a muralha pela parte de trás, servindo de base agora ao Colégio Novo. Deste ponto o terreno inclina-se violentamente, em escarpas sucessivas, até atingir as linhas demarcadas pela Visconde da Luz e pelo terreno onde assenta o café de Santa Cruz, a sacristia, etc. alongando-se pela antiga Ribela acima.

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Rua de Corpo de Deus, nos anos 50 do século passado

 

Havia um socalco levemente mais largo e nele se alcandoraram as casarias do gheto coimbrão, tendo dois acessos, um para o lado da Calçada e outro para a Fonte Nova; barricados estes, transformavam-se quase em fortaleza, bem precária contudo.

JC. Desci ao vale. Avenida Sá da Bandeira. Manute

Desci ao vale por um caminho que representa um outro já multissecular. Fui ter ao sítio da Fonte Nova.

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Vale da Ribela e Rua de Entremuros. Imagem da coleção particular do Dr. Branquinho de Carvalho

 Pode ver-se de longe esta modelação forte e nobre, sempre repelida de cristãos, nervo do comércio e progresso deles, lançada aqui, como quase em toda a parte, fora das muralhas, como primeira vítima oferecida aos invasores.

Pode ver-se longe esta modelação natural do terreno, por intermédio de certas linhas que servem como que de curvas de nível e que são: a do Colégio Novo, no alto, a da rua do Corpo de Deus, a da parte traseira das casas desta, os diversos socalcos dos quintais até ao ângulo inferior, que serve de esporão terminal aquele dorso da colina, formado pelo ângulo da Visconde da Luz e da linha da rua das Figueirinhas. Representa esta (modificada pelos crúzios) uma estreita vereda que levava à Porta Nova e que nos serve hoje para avaliar rapidamente o declive do terreno.

Pode-se ver de longe esta modelação forte e nobre, sempre repelida de cristãos, nervo do comércio e progresso deles, lançada aqui, como em quase toda a parte, fora das muralhas, como primeira vítima oferecida aos invasores.

Gonçalves, A. N. 2019. António Nogueira Gonçalves. Colaboração em Publicações Periódicas. Coordenação de Regina Anacleto e Nelson Correia Borges. Prefácio de José de Encarnação. Coimbra, Câmara Municipal. Volume II, pg. 483-485.

 

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por Rodrigues Costa às 14:57

Quinta-feira, 05.05.22

Coimbra: Igreja de S. José, estatuária

A Paróquia de S. José editou uma muito interessante pagela dedicada à estatuária ali existente de onde retiramos as imagens que ilustram esta entrada.

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Rosto da pagela

As obras, datadas de 1961, são da autoria de Maria Amélia Carvalheira.

Via Sacra, N.ª Senhora e S José

Esculturas em pedra, com influência do clássico, equilibradas, sóbrias e respeitando o material usado, da autoria de Maria Amélia Carvalheira, artista de arte sacra imbuída dos pergaminhos, que identificam a indiscutível capacidade criativa da escultora e a robustez e qualidade da sua extraordinária obra.

Obra que incute um silêncio de fé amadurecida e acolhedora das formas da tradição, com expressão própria e que revela grande seriedade criativa.

O seu conjunto constitui uma referência da arte sacra do século XX em Coimbra e no país.

SJ. Imagem de N. Senhora.jpg

Imagem de Nossa Senhora

SJ. Imagem de N. Senhora, porenor.jpg

Imagem de Nossa Senhora, pormenor

A imagem de Nossa Senhora é, em particular, reconhecida pela sua expressão e invulgar beleza. Grandiosa na expressiva contemplação que ressalta do seu rosto, na atitude de oração e na simplicidade.

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José e o Menino Jesus

SJ. Imagem de S. José e Menino, pormenor.jpg

José e o Menino Jesus, pormenor

São José impõe na estrutura imagética que o identifica, um rosto de pai carinhoso, impregnado da serenidade de homem santo, contemplativo na transcendência que o fortalece, e abrigando no seu manto o Menino.

SJ. Jesus é condenado.jpg

I. Jesus é condenado à morte por Pilatos

SJ. Jesus morre.jpg

XII. Jesus morre na cruz

 

O conjunto de esculturas representativas da Via-Sacra mostra o caminho doloroso de Cristo a caminho do Calvário. Cada quadro documenta de forma impressionante, o sofrimento, a dor, a blasfémia, o aviltante desprezo da dignidade humana, a coragem a resignação, a mística humildade e a grandeza

do Salvador.

Algumas revestidas de movimento. Outras adornadas com a iconografia que preside a uma época e que respeitam a tradição bíblica.

Autoria: Maria Amélia Carvalheira

Maria Amélia Carvalheira, nasceu em Gondarém, Vila Nova de Cerveira, em 5 de Setembro de 1904. Faleceu em Lisboa no dia 31 de Dezembro de 1998, com 94 anos.

Maria Amélia Carvalheira.jpg

Imagem acedida em: https://www.facebook.com/MariaAmeliaCarvalheira/photos.

Escultora de Arte Sacra, com uma vasta, notável e diversificada produção artística que distribui por quase todo o país e estrangeiro. Em Fátima possui um vasto espólio.

Perpassa na sua obra uma “fé amadurecida e acolhedora das formas da tradição ... criando esculturas de grande seriedade … atenta a verdades do reino intemporal''. "A figura de Maria, Mãe de Jesus ... ocupa um lugar de honra nas suas manifestações artísticas".

Entre os prémios recebidos sobressaem: a Condecoração da Santa Sé "Pro Eclesia et Pontificie" e o "Grau de Comendadora da Ordem de Mérito" de Portugal.

Igreja Paroquial de S. José. N.ª Senhora, S. José e o Menino e Via Sacra. 2012. Coimbra, Gráfica de Coimbra, Ld.ª

 

 

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por Rodrigues Costa às 19:17

Quinta-feira, 14.04.22

Coimbra: Faculdade de Farmácia e a sua história 2

Em 1921 as Escolas Superiores de Farmácia passaram ao estatuto de Faculdades. Contudo foi no ano-letivo de 1921/1922 que se implementou a nova reforma de estudos cujo regulamento data de agosto de 1921.

AUC. Insignias 2.png

AUC. Insignias 1.png

Insignias doutorais da Faculdade de Farmácia

Pelo meio ficavam outras etapas e reformas relevantes: por exemplo, em 1902 houve uma reforma profunda da Escola de Farmácia e do plano de estudos e pela primeira vez o ensino farmacêutico passou a ser considerado superior.

Em 1911 uma nova reforma do plano de estudos conferiu autonomia do curso relativamente à Faculdade de Medicina, na senda das reformas de ensino promulgadas pela jovem República.

Em 1915 a Escola de Farmácia inaugurou instalações próprias na chamada Casa ou Palácio dos Melos cedida anos antes para o ensino farmacêutico e que se veio a transformar num símbolo do ensino da farmácia em Portugal.

Casa dos Melos. Faculdade de Farmácia. 1937.jpg

Faculdade de Farmácia. Casa dos Melos.1937. Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc/patrimonio_historico_farmaceutico 

 Em 1918 uma nova reforma do plano de estudos e da Escola estabeleceu a designação de Escola Superior de Farmácia. Um ano depois a Escola de Farmácia passou a conceder o grau de licenciado. Em 1928 foi decretada a extinção da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, embora tenha continuado o seu funcionamento, surgindo novamente em 1932 com a designação de Escola.

Estas medidas de extinção e de ressurgimento da Escola enquadram-se num conjunto de medidas restritivas nas instituições de ensino executadas no Estado Novo. Somente em 1968 a Escola de Farmácia da Universidade de Coimbra passou, novamente, ao estatuto de Faculdade.

De então para cá, a Faculdade teve novos Estatutos, passou por diferentes reformas de ensino e fixou-se em novas e modernas instalações no Pólo III da Universidade em 2009 de acordo com os mais adequados parâmetros internacionais.

Faculdade de Farmácia Polo III.jpg

Faculdade de Farmácia nos dias de hoje. Polo III, da Universidade de Coimbra. Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc 

Toda esta história do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra, que é parte da história do ensino farmacêutico em Portugal, está bem conservada no Arquivo da Universidade de Coimbra (AUC). Os estudos que temos realizado na história da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra ao longo de mais de três décadas dão-nos autoridade para afirmar que, com efeito, esta prestigiada instituição conserva documentação importantíssima relativa ao ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra.

A exposição comemorativa do centenário da Faculdade de Farmácia dá a conhecer uma pequeníssima parte desses documentos em vários momentos da história da instituição e que se encontram magnificamente conservados e catalogados. Leva-nos a uma viagem no tempo, justamente através das diferentes etapas do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra.

AUC. Espólio da FFUC.png

Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc 

 Gostaríamos de salientar a boa receção que a proposta de exposição teve por parte da Senhora Diretora do AUC, Professora Doutora Maria Cristina Freitas, o nosso bem-haja. Também queremos expressar o nosso mais sentido agradecimento à Senhora Dr.ª Ana Maria Bandeira pela seleção dos documentos e organização da exposição que acompanhámos desde a primeira hora, bem como ao Senhor Dr. Ilídio Barbosa Pereira pela execução do catálogo.

Tal como em 1996, ano em que o Arquivo da Universidade também se associou às comemorações do 75.º centenário da Faculdade de Farmácia, também no centenário da nossa instituição o Arquivo da Universidade se associa numa manifestação de solidariedade institucional e de importante demonstração de vitalidade científica.

AUC. 100 anos de Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra. Exposição documental. Arquivo da Universidade de Coimbra. Fevereiro-Março 2022. Acedido em https://www.uc.pt/auc/article?key=a-cb0df61dab

 

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por Rodrigues Costa às 10:19

Terça-feira, 12.04.22

Coimbra: Faculdade de Farmácia e a sua história 1

No Arquivo da Universidade de Coimbra esteve patente uma muito interessante exposição intitulada 100 anos de Faculdade de FarmáciaDo seu Catálogo

AUC. 100 anos da FFUC, capa do catálogo.png

Catálogo, capa

extraímos as imagens, sem referência, que integram a entrada de hoje, bem como o texto, assinado pelo Professor daquela Faculdade, Doutor João Rui Pita, com o título Comemoração do centenário da Faculdade de Farmácia no Arquivo da Universidade de Coimbra (1921-2021) que abaixo se cita.

O ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra é o mais antigo de Portugal e dos mais antigos no panorama internacional.

Com efeito, foi nos finais do século XVI que se iniciou na Universidade de Coimbra a aprendizagem da arte de botica com a fundação de um curso de boticários. Reinava em Portugal D. Sebastião. Era um curso prático com matrícula na Universidade e aprendizagem prática em boticas.

AUC. Livro do Receituário.png

Há outras datas e momentos igualmente muito marcantes na história do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra. Desde logo, o curso de boticários fundado em 1772 pela reforma pombalina da Universidade de Coimbra e que foi herdeiro do curso anteriormente referido.

AUC Carta de Farmácia.png

Carta da Arte de Boticário, passada aos 21 de novembro de 1777

 Com a reforma de Pombal, pela primeira vez, a Universidade de Coimbra passou a ter um local para o ensino da farmácia – o Dispensatório Farmacêutico do também recém-fundado Hospital Escolar.

AUC. Instrumentos de Farmácia.png

 Instrumentos da indústria famacêutica. Património histórico-farmacêutico da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Foto: Paulo Amaral©DCom.UC
[cf. https://www.uc.pt/ffuc/patrimonio_historico_farmaceutico]

Em 1836 foi fundada a Escola de Farmácia anexa à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e que resultou de uma profunda alteração do regime de estudos de 1772. Foram também fundadas congéneres escolas em Lisboa e Porto, resultando esta institucionalização das medidas levadas a bom termo no ensino em Portugal, por Passos Manuel.

AUC. 100 anos de Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra. Exposição documental. Arquivo da Universidade de Coimbra. Fevereiro-Março 2022. Acedido em https://www.uc.pt/auc/article?key=a-cb0df61dab

 

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por Rodrigues Costa às 10:15


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