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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 28.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 3

1441, Março, 9, Lamego

Cartas Originais dos Infantes. 10.24.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 64
Cartas Originais dos Infantes. 10/24

Carta de D. Afonso, intitulando-se rei de Portugal e do Algarve e senhor de Ceuta, assinada pelo infante D. Pedro, seu tio, tutor e curador e regente do reino, para o Corregedor da Comarca da Estremadura, Mendo Afonso e para os contadores Álvaro Anes, Lourenço Anes, Afonso Vasques e Fernão Vasques, mandando apregoar e registar no respectivo livro da câmara, o novo valor dos leais de prata, lavrados por el rei D. Duarte, (com o valor de um leal equivalente a dez reais brancos), ficando a valer desde agora, um leal doze reais brancos, devendo ser esse o novo valor para calcular o pagamento das rendas e dívidas à fazenda real.
selo: vestígio de dois selos grandes redondos [de D. Afonso ?] e com uma assinatura abreviada, do chanceler?.
escrivão: Rui Vasques
assinatura autógrafa: uma cruz, Infante Dom Pero

1447, Novembro, 23, Soure.

Cartas Originais dos Infantes. 48.56.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 76
Cartas Originais dos Infantes. 48/56

Carta do infante D. Henrique, aos juízes, vereadores, procurador e homens bons da cidade de Coimbra, pedindo que guardassem os privilégios, aos caseiros encabeçados da Ordem de Cristo, em Quimbres, que os escusam dos cargos e servidões do concelho, desculpando se de não remeter prova dos ditos privilégios, por estar o tombo guardado no convento da sua vila de Tomar.
escrivão: o próprio infante?
assinatura autógrafa: I. d. a.[Infante Dom Anrique]
remetente: por o infante dom Amrique duc de Viseu e Senhor de Covilha

[1471], Novembro, 7, Lisboa.

Cartas Originais dos Infantes. 50.56.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 77
Cartas Originais dos Infantes. 50/56

Carta da infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, aos juízes, vereadores, procurador, fidalgos, cavaleiros e povo da cidade de Coimbra informando da tomada das praças de Arzila e Tânger aos mouros, e da satisfação do rei e do príncipe D. João e recomendando também aos povos que fizessem preces e estivessem preparados para a guerra.
escrivão: a própria infante
assinatura autógrafa: Infante
remetente: por a infante

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC. 

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por Rodrigues Costa às 10:18

Quinta-feira, 23.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 2

1430, Abril, 11, Camarate.

Cartas Originais dos Infantes. 34.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 15
Cartas Originais dos Infantes. 34/44

Carta do Infante D. Duarte, ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra, pedindo que escusassem dos encargos do concelho, Gil Gonçalves, morador em Coimbra, criado do Bispo de Maiorca, durante a ausência do Bispo, em Roma, em serviço do Rei.
escrivão: Garcia Rodrigues
assinatura autógrafa: Infante [D. Duarte]
remetente: por o infante [D. Duarte]
destinatário: Ao concelho e homens bons cidade de Coimbra.

 

1437, Fevereiro, 18, Paços de Tentúgal.

Cartas Originais dos Infantes. 24.428.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 38
Cartas Originais dos Infantes. 24/428

Carta do infante D. Pedro, aos homens bons da cidade de Coimbra, recomendando aos vereadores que acordassem onde melhor poderia ficar o caneiro real, e também que cumprissem a ordenação, quanto à eleição de Luís Geraldes, para o cargo de juiz, pois fora vereador no ano anterior, devendo por isso ser escusado de servir novamente.
selo: vestígio
escrivão: Bento Anes
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero

1440, Dezembro, 1, Almeirim.

Cartas Originais dos Infantes. 2.24.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 53
Cartas Originais dos Infantes. 2/24

Carta da rainha D. Leonor, aos fidalgos e cavaleiros, juízes, vereadores, procurador e homens bons da cidade de Coimbra comunicando a todos os lugares o seu bom entendimento com o infante D. Pedro, duque de Coimbra e que com ele faria a regência do reino, na menoridade de D Afonso V.
selo: selo de chapa bem conservado com as armas da rainha
escrivão: Luís Eanes
assinatura autógrafa: a treste reynha
remetente: [por a reynha]

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC

 

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por Rodrigues Costa às 18:53

Terça-feira, 21.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 1

No Arquivo Histórico Municipal de Coimbra existe uma coleção de 79 manuscritos originais às quais foi atribuída a designação de Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485.
Sendo as Cartas Originais maioritariamente subscritas pelo Infante D. Pedro, nela estão também incluídos manuscritos subscritos por D. João I (1), D. Duarte (3), D. Afonso V (1), Rainha D. Leonor (1), Infanta D. Joana filha de Afonso V (3) e Infante D. Henrique (2)
Dessa coleção foi elaborado pelas Técnicas que ali prestam serviço, em 2009, um Catálogo da Coleção do qual retiramos os textos referentes aos exemplos que apresentamos desta valiosíssima coleção.

 

[1418], Fevereiro, derradeiro dia, Évora.

Cartas Originais dos Infantes. 6.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 1
Cartas Originais dos Infantes. 6/44

Carta d’el rei D. João I, ordenando que para as cortes, que se realizarão em Santarém, no dia 1 de Maio seguinte, elegessem dois procuradores. As cortes eram convocadas para decidir sobre como proceder se o rei de Castela (D. João II) não jurasse o tratado de paz acordado entre as duas coroas.
escrivão: Martim Anes
assinatura autógrafa: não tem
remetente: por el rey
destinatário: Ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra

 

1429, Janeiro, 9, Benavila

Cartas Originais dos Infantes. 8.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 2
Cartas Originais dos Infantes. 8/44

Carta do Infante D. Pedro recomendando aos juízes e homens bons da cidade de Coimbra que escusassem do cargo de procurador do concelho, Pedro Domingues, pedido feito por intercessão de Bento Martins, capelão do Duque.
selo: vestígio
escrivão: Bento Peres
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero
remetente: [por o infante Dom Pedro]

 

[1429], Abril, 13, Aveiro

Cartas Originais dos Infantes. 18.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 7
Cartas Originais dos Infantes. 18/44

Carta do Infante D. Pedro ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra, comunicando o resultado do acordo realizado entre si e o prior do Mosteiro de Santa Cruz sobre o abastecimento de água das Fontes d’el Rei e da Fonte da Rainha, Fonte Nova e Fonte de Sansão, ficando apenas a água desta última para o Mosteiro.
selo: vestígio
escrivão: Elias Gonçalves
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC

 

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por Rodrigues Costa às 11:16

Quinta-feira, 20.02.20

Coimbra: O Conde D. Sisnando, Governador de Coimbra

Na Sé Velha de Coimbra existe uma arca tumular, da qual reproduzimos o epitáfio:

AQUY JAZ HUU QUE EM OUTRO TEMPO FOY GRANDE BARON
SABEDOR E MUITO ELOQUENTE AUONDADO E RICO E AGORA
HE PEQUENA CINZA ENÇARADA EM ESTE MOIMENTO
E COM ELE JAS HUUM SEU SOBRINHO DOS QUAES HUN
ERA JÁ VELHO E OUTRO MANCEBO E O NOME DO TIO
SESNANDO E PEDRO AVIA NOME O SOBRINHO.

Este túmulo parece ter sido mandado fazer pelo Bispo Conde D. Jorge de Almeida, nos fins do XV século.

Arca tumular de D. Sisnando ainda no exterior do m

Sé Velha, com arca tumular de D. Sisnando, na sua primitiva localização

Arca tumular de D. Sisnando no exterior da Sé Vel

Sé Velha, com arca tumular de D. Sisnando, na sua primitiva localização, pormenor

Claustro da Sé Velha. Arca tumular de D. SisnandoSé Velha, arca tumular de D. Sisnando, na sua atual localização

Tão curioso epitáfio certamente excitará a curiosidade do leitor. Quem era D. Sesnando? É o que veremos abaixo.

Não se sabe o ano em que nasceu, se bem que deveria ter sido na primeira metade do século XI. Todavia, conhece-se quem eram os seus pais: um rico moçárabe de nome David, senhor de Tentúgal e de outras terras no território conimbricense, e Susana, também dona de vastas propriedades no arrabalde de Santa Cruz. Por este motivo se depreende que Sisnando (ou Sesnando) era natural de Coimbra ou das suas imediações.
Segundo alguns historiadores, num «fossado», que era hábito fazer-se em terras do inimigo, terá sido aprisionado pelos sarracenos e levado para Sevilha. Herculano, porém, admite o ter sido Sisnando muçulmano, até mais tarde passar ao serviço de Fernando o Magno.
A verdade é que, uma vez em Sevilha, pelo seu talento e importantes serviços prestados, o amir Ibn Abbad lhe conferiu o cargo de viziar ou divã, na sua corte.
Mais tarde Sisnando abandona a Corte de Sevilha – fuga motivada, certamente, por descontentamento – e vai oferecer os seus serviços a Fernando, o Magno, rei de Leão e Castela, colaborando com o monarca na reconquista dos territórios da antiga Lusitânia, ao tempo em poder do Islão.
E assim temos o nosso biografado na reconquista de Coimbra, em 1064.
Como recompensa dos seus serviços, D. Fernando nomeia-o governador dos territórios reconquistados, além daquele ao sul do Douro, já pertencente ao Condado Portucalense. O próprio D. Sisnando assim no-lo diz em diploma do seu tempo.
… A Fernando Magno sucedeu o rei Garcia, seu filho, mas D. Sisnando, não lhe faz qualquer referência no diploma a que atrás aludimos, o que leva a crer que este – o Conde D. Sisnando – não gozou das boas graças do novo soberano; em contrapartida diz-nos que após a morte de Magno, obteve o reino «de seu filho, o gloriosíssimo rei D. Afonso (o VI), o qual (…) me confirmou tudo aquilo que seu pai ordenara e me assinou a carta de privilegio».
Era D. Sesnando casado com D. Ourovelido Nunes, filha de D. Nunes Mendo, governador dos territórios ao norte do Douro e que revoltando-se contra o dito rei Garcia, foi por este derrubado e morto na batalha de Pedroso, em 1071. D. Garcia confiscou os bens dos herdeiros de D. Nuno, entre os quais se contava, como é óbvio, seu genro Sisnando.
Não é por isso de admirar que D. Sisnando não faça qualquer referência a D. Garcia.
Foi notável a ação governativa de D. Sisnando, pelo povoamento da região recém-conquistada. Cantanhede, Tentúgal, Montemor-o-Velho, S. Martinho de Mouros, Armamar, Tarouca, Seia, Viseu, Lamego, Arouce, Penela, S. Martinho do Bispo, Alhadas e Figueira da Foz, contam-se entre as «villas» edificadas e cristãmente povoadas, durante o seu governo

Sé Velha.1862.jpg

Sé Velha. 1862 c.

Muito particularmente a cidade de Coimbra sentiu os efeitos da sua sábia administração. A ele se deve a restauração da sua Sé com a nomeação do Bispo Paterno, vindo de Santiago de Compostela a convite do próprio D. Sisnando, numa visita a essa cidade, em romagem de ação de graças pela tomada de Coimbra.
Também se deve a D. Sisnando a resolução do conflito havido entre os bispos de Orense e de Braga, a favor do último.
Por voltas de 1092 faleceu o Conde D. Sisnando deixando prósperos os territórios sob a sua alçada. Como já se disse jaz na Sé Velha.
Algum tempo depois Martin Moniz retirava-se para Arouca por ter passado o poder para as mãos do Conde D. Henrique.
Nelson Correia Borges

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por Rodrigues Costa às 18:47

Terça-feira, 03.09.19

Coimbra: Jorge de Almeida bispo 2

No âmbito do estudo da simbologia heráldica de D. Jorge de Almeida consideramos relevante atentar no seguinte excerto de António de Vasconcelos a propósito do cortejo deste prelado à saída do paço episcopal para a Sé:

Armas de D. Jorge de Almeida a.JPG

Armas de D. Jorge de Almeida no retábulo da Sé Velha de Coimbra

“Era espectaculosa e digna de se ver (…) acompanhado de uma guarda militar, o alferes de D. Jorge, vestindo huma cota darmas forrada de setim roixo, com as armas do bispo sobre damasco branco e cremezim, aprumado no seu cavalo, hasteava o balsão – hum estandarte de damasco verde alionado branco e cremezim, com uma cruz douro e armas do bispo.(…) cercado dos seus familiares e creados e seguido da sua gente de armas, montado em formosa e nédia mula branca, quase inteiramente coberta pelas ephíppias e strágula pontifícias de cor violácea, e vistosa pelos belos arreios guarnecidos de seda aveludada, brochados e chapeados de prata, onde se divisavam finamente buriladas e muitas vezes repetidas as armas dos Almeidas e dos Silvas, encimadas de uma mitra ou pelo chapéu pontificial.
Trazia o bispo-conde sôbre a sotaina rôxa um comprido roquete de finíssimo linho, que lhe descia abaixo dos joelhos; aos ombros a capa-magna de cameloto violáceo com o capelo forrado de alvíssimas peles de arminhos, afagadas pela cabeleira do prelado; na cabeça o chapéu solene, de lã preta, com a parte inferior forrada de seda verde, e longos cordões da mesma côr a descerem dos lados do chapeu, caindo sôbre o peito, a cuja altura se bifurcavam uma, outra e outra vez, elaçando-se e enxadrezando-se, ornados de borlas ou frocos de seda verde em todos os pontos de união (…)”

Selo heráldico de D. Jorge de Almeida.jpg

Selo heráldico de D. Jorge de Almeida retirado de Abrantes, Marquês de. O estudo da sigilografia medieval Portuguesa

A partir deste excerto é evidente todo o aparato heráldico que rodeava este prelado, cuidadoso na composição, cor e simbologia de todas as peças que tanto ele como a sua comitiva ostentavam. Não poderia haver uma mensagem de poder mais manifesta e é interessante ver aqui a perpetuação da mitra enquanto símbolo episcopal. Conforme se mencionou, no caso português esta peça terá um protagonismo acentuado durante um maior período de tempo que noutros locais da Europa, sendo símbolo episcopal por excelência. Ainda assim, o chapéu eclesiástico tem já um papel preponderante, inclusive como elemento envergado pelo antístite no decorrer do cortejo. Uma vez mais confirmamos também, a propósito do gallerum, a utilização do negro forrado a verde, mais uma particularidade portuguesa, uma vez que já aqui se verificou ser unicamente o verde, a cor designada para representar os bispos. O efeito desta exibição de poder associado à imagem do prelado era avassalador para quem observava, algo patente na continuação do excerto acima transcrito:

Armas de D. Jorge de Almeida na Pia Batismal mitra

Armas de D. Jorge de Almeida na Pia Batismal chap

Armas de D. Jorge de Almeida na Pia Batismal da Sé Velha de Coimbra onde se verifica, alternadamente, a utilização da mitra e do chapéu eclesiástico

… “À passagem do prelado toda a gente se ajoelhava, e ele de olhar meigo, de sorriso bondoso nos lábios, ergendo a dextra com o dedo indicador ornado de hum anel que tinha duas esmeraldas, quatro rubis e uma çafira, abençoava lentamente, com os dois dedos estendidos, os seus súbditos devota e humildemente prostrados numa quase adoração.”

Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Acedido em 2918.05.22, em
https://www.academia.edu/1118570/Heráldica_eclesiástica_Brasões_de_armas_de_bispos-condes

 

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por Rodrigues Costa às 17:54

Quinta-feira, 29.08.19

Coimbra: Jorge de Almeida bispo 1

Já amplamente analisado, D. Jorge de Almeida [é uma] personagem indubitavelmente imprescindível no contexto artístico, político, religioso e social desta época, tendo constituído verdadeiramente uma retórica de aparato de onde é impossível dissociar a carga heráldica facilmente perceptível.

Armas de D. Jorge de Almeida no retábulo.jpg

Armas de D. Jorge de Almeida no retábulo da Sé Velha de Coimbra, pormenor

… Trigésimo sétimo bispo de Coimbra e segundo conde de Arganil, terá nascido em 1458 filho do 1º conde de Abrantes e de D. Beatriz da Silva. A sua distinta linhagem, terá origem em D. Pedro I e D. Inês de Castro de quem se diz o seu pai, D. Lopo, ser o terceiro neto.
… A sua presença em Itália, agora incontestada, está intrinsecamente ligada ao percurso de seu pai. Sabe-se que D. Lopo integrou o mesmo séquito para Siena que o anteriormente referido D. João Galvão … Acrescente-se a este facto a sua presença em Florença, Nápoles e Roma, focos da cultura humanista.
… O contexto familiar de D. Jorge de Almeida comprova toda uma miríade de influências e relações que certamente influenciaram a sua mundividência e gosto, tornando-o num incontestável “verdadeiro príncipe do renascimento”, nas palavras de Vítor Serrão.
O seu próprio percurso em Itália desde, pelo menos 1469, foi pautado de exemplos que iriam determinar a sua imagem e posição futuras, tendo privado com Lourenço de Médicis (conforme provam as 5 cartas agora publicadas) a quem escreveu ainda enquanto estudante em Pisa ou o título de Apotolice sedis prothonotharius que ostentou precocemente e que seria prenunciador dos muitos outros com que viria a ser agraciado ao longo da sua extensa vida conforme se confirma nas palavras de Pedro Álvares Nogueira ao discursar acerca deste “mancebo de uinte E dous annos de grandes partes de grandes esperanças q daua mostras de uir a ser hum grande prelado Como na uerdade o foi (…)”.
Tendo estudado em Pisa e Peruggia e após uma longa permanência na Cúria Romana, este antístite, que será inquisidor-mor do reino a partir de 1536, sempre demonstrou uma extrema erudição que perpetuou na obra escrita elaborada ao longo da sua vida e de onde se destacam as – “Constituyçoões do Bispado de Coimbra pollo muyto reuerendo e magnífico senhor o señor dom Jorge dalmeyda bpo de Coimbra Conde Darganil”, impressas em Braga, na Oficina de Pedro Gonçalves Alcoforado, no ano de 1521. Consta terem sido as primeiras Constituições deste bispado que se publicaram.
Peça fundamental no equilíbrio das forças culturais e políticas da cidade, protegia os seus homens e erigia à sua volta redes de dependência e patrocinato, vivendo como um grande e poderoso senhor nos seus territórios.
Teve igualmente um papel preponderante junto ao monarca, em diversos encargos diplomáticos e religiosos, tendo-se deslocado expressamente a Évora, em finais de 1497, para presenciar o primeiro matrimónio de D. Manuel. Do mesmo modo foi este mesmo prelado que, juntamente com o rei esteve presente no ritual da abertura e segunda tumulação de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, efectuado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Este bispo designado por António de Vasconcelos como Sacerdos Magnus, terá ainda baptizado o Infante D. Henrique em 1512.
Bispo residente em Coimbra - um dos raros exemplos de entre as nove dioceses portuguesas, era apreciador da prática da caça tendo mesmo “alcançado de D. Manuel a instituição de uma coutada privada nas terras do senhorio do bispado, em Coja, para melhor apreciar os seus gostos cinegéticos”, e foi a figura marcante do Renascimento conimbricense, numa altura de mudanças e em que se começava a vislumbrar uma nova cultura visual. Não obstante a experiência em Itália e os ilustres contactos que manteve, sempre se apresentou enquanto sujeito de carácter singular com uma preponderante “proximidade às correntes humanistas do renascimento que a sua actuação à frente da diocese de Coimbra e a sua abertura mecenática não deixam de traduzir”.

Documento com as armas de D. Jorge.jpg

Documento com as armas de D. Jorge de Almeida, usando os leões de negro

Documento com as armas de D. Jorge, pormenor.jpg

Documento com as armas de D. Jorge de Almeida, usando os leões de negro, pormenor

Finado em 1543, a inscrição na sua lápide que repousa ainda hoje na Sé Velha de Coimbra irá replicar a fórmula itálica do seu nome, já utilizada por Sisto IV nos idos anos da sua infância. Aquele que foi o antístite que durante mais tempo governou uma diocese em toda a história da igreja portuguesa, e que com 10 anos era já designado por “Giorgio de Almeyda clerico Egitaniensis diocesis” “falleceo dia de Santiago de1543. de idade de 85 annos. Manifesta-se do epitaphio de sua sepultura, que está na capella do Sanctíssimo Sacramento da Sè da ditta cidade.

Armas de D. Jorge de Almeida na Capela.jpg

Armas de D. Jorge de Almeida na Capela de S. Pedro, na Sé Velha de Coimbra

Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Acedido em 2918.05.22, em
https://www.academia.edu/1118570/Heráldica_eclesiástica_Brasões_de_armas_de_bispos-condes

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por Rodrigues Costa às 15:54

Quinta-feira, 22.08.19

Coimbra: D. João Rodrigues Galvão, bispo

D. João Galvão [foi o primeiro bispo de Coimbra] a ser agraciado com a honra de bispo-conde.
… É sobejamente conhecida a sua linhagem, enquanto filho de Ruy Galvão, escrivão de fazenda e secretário de D. Afonso V e também como irmão do famoso cronista Duarte Galvão. Natural de Évora, foi o sucessor do seu pai nos ofícios que este exercia à ordem d’ O Africano, tendo mesmo sido considerado “mui priuado del rei”, até ao momento em que foi ordenado cónego da Ordem de Santo Agostinho, tendo exercido funções de prior-mor no Convento de Santa Cruz de Coimbra desde 1474 até à data da sua morte.
Ao serviço do monarca, acompanhou a embaixada matrimonial da infanta D. Leonor a Siena, quando a princesa foi desposar o imperador Frederico III.

Pintura de Pinturicchio representando.jpgPintura de Pinturicchio representando a embaixada matrimonial da infanta D. Leonor a Siena aquando do casamento com o imperador Frederico III

… “vindo a ser apresentado como bispo administrador de Ceuta e Tui, em 17 de Setembro de 1459, com [apenas] 26 anos de idade”. Seguidamente à sua chegada ao reino português foi nomeado bispo de Coimbra pelo já consagrado Papa, Pio II, em 1461.
… Esta nomeação não foi, como veremos, de todo pacífica. Apesar das contestações por parte de outros prelados portugueses, D. João Galvão conservou a mitra de Coimbra até à data da sua morte.
Na sequência destes eventos é conhecida a sua jornada em África, acompanhando o soberano nas conquistas de Arzila e Tânger que lhe valeu, em 1472 o epíteto de bispo-guerreiro e não menos importante, o título de conde de Arganil pelos serviços prestados em prol do reino.

Carta de mercê de D. Afonso V.JPG

Carta de mercê de D. Afonso V relativa ao Condado de Arganil

… Devemos ainda atentar no testemunho de Pedro Álvares Nogueira, que recorda “E ainda q dantes disto algus prelados desta see se chamaraõ Condes de santa Comba era por m. [mercê] particular dos Reis mas naõ de jure Como agora se chamaõ Condes de Arganil.”
Recordemos que, para além dos títulos nobiliárquicos supracitados, o bispo teria ainda domínio em Coja, conforme atestam inúmeros exemplos documentais, onde o prelado assinava enquanto Conde de Arganil e Senhor de Coja.

Insígnias do bispado de Coimbra.jpg

Insígnias do bispado de Coimbra, e condado de Arganil em “Tropheos Lusitanos” de António Soares de Albergaria

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Selo de D. João Galvão, bispo de Coimbra. In: Abrantes, Marquês de. O Estudo da Sigilografia Medieval Portuguesa

… a sua actividade episcopal não se tornou menos atribulada. Na verdade, Saúl Gomes disserta acerca desta animosidade face ao prelado por parte do designado alto-clero português. Pelas palavras do autor sabemos que a 21 de Maio de 1461, este prelado havia sido “nomeado legado pontifício a latere, com funções de colector das três dízimas no valor de cerca de 30% sobre todas as rendas dos benefícios eclesiásticos, de acordo com o que a Santa Sé aprovara em Mântua” e em 1462 vemos Pio II a “suspender a legacia que lhe confiara bem como a anulação dos processos e penas que instaurara”1. Pouco após ser nomeado Arcebispo de Braga, faleceu em 1485 sem nunca ter podido assumir este cargo, uma vez que o Pontífice, agora Sisto IV foi informado de que este clérigo “exercia as funcções pastoraes sem esperar a confirmação da santa sé”.

Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Acedido em 2918.05.22, em
https://www.academia.edu/1118570/Heráldica_eclesiástica_Brasões_de_armas_de_bispos-condes

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por Rodrigues Costa às 10:46

Quinta-feira, 04.07.19

Coimbra: Cernache, o concelho que foi a freguesia que é

A comunidade rural de Cernache … [é] desde 1836 mais uma das freguesias do concelho de Coimbra. Todavia, durante mais de quatro séculos gozou da prerrogativa de vila – sede de um concelho sem termo, que detinha a jurisdição cível e crime.

Livro onde está guardado o Foral de Cernache. AHM

Livro onde está guardado o Foral de Cernache. AHMC

Cernache foral manuelino 2 c.jpg

Livro do Foral de Cernache, fl.1 AHMC

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Foral de Cernache. AHMC

… A paisagem é marcada por largos vales de fundos aplanados, com vertentes muitas vezes em escadaria, onde facilmente se detecta a fertilidade dos solos, a abundância de água e a riqueza do espaço agrícola.
… A região envolvente de Cernache divide-se em duas partes distintas, contrastantes mas complementares. A ocidental é baixa, com largos fundos aluviais, onde as ribeiras entalham os seus leitos, sendo aqui que a acção humana mais se evidencia.
… Opondo-se a este pequeno mundo onde a água reina e o verde impera, surge-nos a serra, mais dura, agreste e seca.

Cernache Moinho das Lapas 1 a.JPG

Museu Moinho das Lapas

… Em setecentos, o elemento que dominava a paisagem era, sem dúvida, a água. As ribeiras que ainda hoje vão tomando o nome das povoações que nasceram nas suas margens (Ribeira de Cernache, Ribeira de Casconha, Ribeira de Pão Quente) e as múltiplas linhas de água que atravessam os campos até atingirem o Munda, actuaram não só como elementos definidores da paisagem agrária, ao permitirem as culturas de regadio e de estruturas transformadoras, mas também como elementos delimitadores do território dos poderes que aí eram exercidos.
… A origem e evolução medieva do regime senhorial neste “ilhéu” da periferia da cidade de Coimbra foi traçada por António de Oliveira num texto que passamos a citar dado o seu relevante conteúdo:
“Cernache pertencia a um dos muitos donatários que dividiam entre si o termo coimbrão – Fernão Vasques Pimentel - o primeiro que aparece como senhorio da vila”.
… Em 14 de Junho deste mesmo ano [1375], Coimbra toma posse da jurisdição cível de Cernache, aldeia do seu termo.
… Em 1417, pelo menos, Cernache com outros lugares, é dado a D. Pedro, duque de Coimbra, separado do termo desta cidade.
… D. Manuel I concedeu foral à vila, em 15 de Setembro de 1514.

Cernache. Monumento a Alvaro Anes a.JPG

Monumento a Álvaro Anes de Cernache

… Álvaro Anes de Cernache, antes de partir para a batalha de Aljubarrota, fundou no seu solar, nesta vila, um hospital, que dotou com bens que seus pais ali deixaram, entregando a sua administração, bem como a dos respectivos rendimentos, à cidade de Coimbra. Por mercê régia, a “administração” e o “rendimento” do hospital, que estava na vila de Cernache, pertenciam à cidade e Câmara de Coimbra, recebendo o juiz de fora, vereador mais velho e escrivão municipal uma “ordinaria” pelas visitas anuais ao mesmo hospital. … O hospital e albergaria funcionaram até que, por força do decreto de 25 de Abril de 1821, este o fez voltar à coroa.

Cernache igreja torre sineira a.JPG

Igreja Matriz de Cernache. Torre sineira

… O prior … que faz a abertura do livro de casamentos em 1738, já que aí deixa exarado:
“He hey ser costume nesta freguezia darem os noyvos de offerta quando se recebem huã guallinha e huã quarta de trigo; ou dizem que quatro bollos grandes de trigo, isto alem da offerta que lançarem elles e padrinhos quando se lhe der a beyjar o Senhor depois das bênçãos de que fiz esta lembrança”.

Já quando o pároco realizava o baptizado, que representa a entrada do neófito na comunidade cristã, regista no início do livro de baptismos:
“He estillo nesta fregesia dar de offerta de cada Baptizado huã quarta de trigo e huã guallinha e huã vella de cera branca, ou seis vintens per ella dando ao pároco, e isto alem da offerta que o padrinho quizer dar, ao qual pertence dar a vella, e a quarta de trigo e guallinha dam os pais do baptizado. E por verdade fis esta lembrança informado de pessoas antigas e por expriencia digo tenho recebido the hoje de Junho 7 de 1751”.

Figueira, A.S. A comunidade de Cernache. A governança municipal (1787-1834). Dissertação de Mestrado em História Moderna. 2009. Acedido em 2019.01.25, em https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/13483/1/Tese_mestrado_António%20Figueira.pdf

 

 

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por Rodrigues Costa às 16:57

Terça-feira, 25.06.19

Coimbra: Oficinas de Coimbra nos séc. XV e XVI 3

É curioso notar a existência da mesma fonte nos túmulos reais de Santa Cruz de Coimbra, começados por Diogo de Castilho, irmão do mestre-de-obras dos Jerónimos [João de Castilho] e responsável pelo belo portal da igreja do mosteiro crúzio; o artista, chegado à cidade mondeguina no início de 1518, esteve à frente de uma companha que incluía também os portugueses Diogo Francisco, Pêro Anes e João Fernandes, aos quais se juntou, mais tarde, Juan de la Faya.

Mosteiro de Santa Cruz. Túmulo de D. Afonso HenriMosteiro de Santa Cruz. Túmulo de D. Afonso Henriques [https://www.postais-antigos.com/coimbra-tumulo-d-afonso-henriques-coimbra3.html]

Parece que se podem estabelecer provas da atividade, nestas obras, de um estatuário alemão ou flamengo, que era auxiliar de João de Castilho, normalmente designado por Mestre dos Profetas. Embora não sendo possível considerá-lo artista de gabarito, apresentava certo mérito e as suas esculturas situam-se na tradição do final do século XV, apresentando-se muito vincadas, com fortes requebros, pregueado das vestes violento, rostos estereotipados com maçãs salientes e cabelo ondulado com largas madeixas a cair sobre os ombros.
… Nos arredores de Coimbra, em São Marcos (1522), o mesmo Diogo de Castilho é o responsável pela capela e pela abóbada do mosteiro dos frades Jerónimos, mas os túmulos de Aires da Silva e de João da Silva, saíram do cinzel do já referido Diogo Pires-o-Moço, possivelmente discípulo de Nicolau Chanterene e deste mestre arquiteto.

Mosteiro de S. Marcos. Túmulo de João da Silva.J

Mosteiro de S. Marcos. Túmulo de João da Silva

A oficina coimbrã do artista conseguiu clientela e prestígio, mas a sua imaginária apresentava aspetos flamengos, numa síntese notável da tradição e das novidades tardo-góticas. As obras saídas do seu cinzel documentam a passagem do gótico para a renascença, embora exibam uma assimilação não muito clara. Além de sofrer influência da Flandres, patente nos anjos tenentes dos escudos heráldicos, nos cabelos ondulados das virgens e santos, no gosto pelos detalhes, depois de 1521 passou a incluir grutescos e medalhões nos frisos e entablamentos de romano, como acontece nos túmulos de S. Marcos.
Também lhe são atribuídos três túmulos parietais ediculares, em que os aspetos arquitetónicos goticistas se mesclam com a decoração manuelina: trata-se do de frei João Coelho, na igreja dos Hospitalários de Leça do Balio (1515), do de D. Diogo de Azambuja (c. 1518) que se conserva intacto na igreja do convento de Nossa Senhora dos Anjos, em Montemor-o-Velho, e do de D. Luís Pessoa (c. 1525) que se pode ver na mesma vila.

Convento de Nossa Senhora dos Anjos. Túmulo de Di

Convento de Nossa Senhora dos Anjos. Túmulo de Diogo da Azambuja

Da sua oficina saíram ainda, entre outras obras, a lápide brasonada outrora aposta na ponte de pedra de Coimbra, assinada e datada de 1513; as pias batismais de Leça do Balio (1514-1515) e a da igreja de S. João de Almedina (atualmente na Sé Velha de Coimbra); bem como os dois anjos heráldicos que apresentam o escudo de D. Manuel e a esfera armilar e se destinavam a guarnecer a guirlanda da igreja do mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.

Anjo Heráldico.jpgAnjo Heráldico

Anacleto, R. El arte en Portugal en la época de Isabel La Católica, em Isabel La Católica, Reina de Castilla. Madrid-Barcelona, Lunwerg, 2002, p. 451-499.

 

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por Rodrigues Costa às 09:05

Terça-feira, 18.06.19

Coimbra: Oficinas de Coimbra nos séc. XV e XVI 1

Na segunda metade do século XV e nos primeiros trinta anos do XVI assiste-se a um impressionante surto construtivo, passível de permitir afirmar que entre 1490 e 1530 foram levantados no território português mais edifícios do que nos dois séculos anteriores.
O facto pode explicar-se através de fatores de ordem económica concatenados com o enriquecimento da burguesia; com o acesso da nobreza aos rendimentos da expansão; com o aumento demográfico; com aspetos socioculturais relacionados com a laicização da sociedade; com o aparecimento de uma certa prosápia cívica das comunidades urbanas; e com a afirmação individual, embora simbólica, do peso relativo dos senhorios que se materializa especialmente através da arquitetura.

Mosteiro de S. Marcos. Túmulo de Fernão Teles deMosteiro de S. Marcos. Túmulo de Fernão Teles de Meneses

… Diogo Pires-o-Velho e Diogo Pires-o-Moço trabalhavam em Coimbra e, das suas oficinas, saíram algumas obras notáveis.
O primeiro esculpiu, prenunciando já, na decoração, a estética manuelina, o túmulo parietal edicular de Fernão Teles de Meneses (c. 1490) que se encontra na igreja do mosteiro de S. Marcos, próximo de Coimbra; o arcossólio apresenta uma solução incomum em Portugal, pois do interior da ogiva, pendem, saídos de um dossel, panejamentos apanhados lateralmente por ‘homens selvagens’ que, se repetem no friso inferior da arca, ladeando, a par de ramos e folhas, a máscara de um negro com guizos ao pescoço.
… Ao seu cinzel é também devida a arca funerária de D. Afonso, 3.º conde de Ourém (1485-1487), que ostenta uma notável decoração naturalista, bem como a imagem policromada, esculpida em calcário de Coimbra, da Virgem com o Menino, que D. Afonso V, antes de morrer (1481) ofereceu à igreja matriz de Leça da Palmeira e que revela grande naturalismo no tratamento da cabeça, de onde saem cabelos lisos a cobrir os ombros.

Leça da Palmeira. Nossa Senhora da Conceição.jpLeça da Palmeira. Nossa Senhora da Conceição

Das estátuas de Diogo Pires-o-Velho pode destacar-se a maneira como trata os panejamentos, o surgimento de um certo naturalismo e a utilização de um convencionalismo mais atenuado.
Será ainda possível, num primeiro momento, enquadrar Diogo Pires-o-Moço numa estética medieval, onde o gosto tardo-gótico se faz sentir, mas o artista acaba por evoluir para uma linguagem que se vai aproximar da utilizada pelo renascimento transalpino.

Túmulo de Mateus da Cunha.jpg

Pombeiro da Beira. Túmulo de Mateus da Cunha

Está-lhe atribuída a arca feral de Mateus da Cunha, 7.º senhor de Pombeiro da Beira (antes de 1500), em cuja igreja se encontra o monumento.

Anacleto, R. El arte en Portugal en la época de Isabel La Católica, em Isabel La Católica, Reina de Castilla. Madrid-Barcelona, Lunwerg, 2002, p. 451-499.

 

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por Rodrigues Costa às 08:46


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