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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 04.09.18

Coimbra: Reservatório do Botânico

Aquando dos primórdios do abastecimento domiciliário de água a Coimbra, cujo sistema primitivo foi instalado em 1888 e entrou em funcionamento em meados de 1889 … foram construídos dois reservatórios: um na Cumeada … outro (especial, segundo os termos do contrato), na Cerca de São Bento / Jardim Botânico, que desde há anos se encontra desativado.

…. Uma observação atenta do Reservatório do Botânico permite-nos observar, in loco, parte do que geralmente é referido nas publicações da especialidade e, bem assim, na própria legislação que enquadra este género de estrutura.

Comecemos pelo exterior.


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 Reservatório do Botânico, fachada da casa das maquinas virado a sul

Aqui destaca-se uma pequena construção … a “casa das máquinas”, na qual estava instalado o equipamento de controlo do Reservatório. Embora de pequenas dimensões, uma vez que já não alberga equipamento e que acaba de beneficiar de obras de consolidação, manutenção e restauro, esta pequena “casa” pode ser utilizada para diversas funções culturais.

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 Reservatório do Botânico, fachada da “casa das máquinas” virada a norte e parte superior do reservatório

 …. No amplo espaço envolvente, de terreno com alguma vegetação … observam-se pequenas estruturas, [que são] partes integrantes dos ventiladores/chaminés ou respiradouros. No total são 10, quatro um pouco maiores e seis mais pequenas.

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Reservatório do Botânico, pormenor de um ventilador

[Isto porque] “As coberturas dos reservatórios devem ser providas de uma ou mais chaminés de ventilação, a fim de que o nível d’agua fique sempre sob pressão atmosférica…”

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 Reservatório do Botânico, interior 1

Da casa das máquinas, por duas escadas íngremes … tem-se acesso às duas células ou câmaras, simétricas e que ocupam uma área considerável, cujas dimensões apenas são devidamente perspetivadas quando se acede ao seu interior. Aquelas encontram-se em estado razoável de conservação, não obstante no teto já se notarem certas fendas que podem denotar alguma fragilidade, em termos de futuro.

As paredes laterais assim como a parede divisória entre as duas células são em alvenaria rebocada. Em cada célula ou câmara encontram-se 6 pilares, também em alvenaria.

 

Reservatório do Botânico interior 2.jpg

 Reservatório do Botânico, interior 2

 …. Em suma: trata-se de um espaço amplo que, caso venha a ser devidamente restaurado e consolidado, bem poderá servir não só para visita turística, mas também para eventos culturais.

 Mendes, J.A. Sem data. Abastecimento de Água a Coimbra: Reservatório do Botânico. Coimbra, AC, Águas de Coimbra, EM.

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por Rodrigues Costa às 09:30

Quinta-feira, 02.08.18

Coimbra: Tipos de Coimbra 14

E para encerrar a galeria que apresentei sob um aspeto de notas a lápis na carteira de um curioso, resta falar do Norrim e do Almirante Rato.


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 O Norrim

 O Norrim é um curioso tipo de velho, por demais conhecido em Coimbra, uma primorosa cabeça de estudo perdida no enxurro das ruas, quando toda a gente sabe que, sendo um sapateiro aliás bastante habilidoso, jamais precisaria de pedir. No entanto, acha um prazer infinito em dividir o seu tempo entre as tabernas, onde bebe demasiadamente, e as ruas ou cafés onde lamenta a sua sorte, apertando o chapéu de feltro contra o peito e rindo ou chorando ao gosto de quem lhe paga. Para ele o riso e o pranto não traduzem a alegria e a tristeza, são apenas, simples e unicamente, a manifestação do interesse ao serviço de sua majestade o dinheiro…

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 O Almirante Rato

O Rato é o celebérrimo almirante do Centenário da Sebenta e dos festejos do Enterro do Grau, o barqueiro que, em tardes amenas, anda por perto da ponte de Santa Clara à espreita dos estudantes para lhes dizer numa voz melíflua de velhote amigo: –  Vá, senhores Doutores…um passeiozinho até à Lapa. E tantas coisas lhes diz que lá os leva quase sempre de barco, até à Lapa dos Esteios, que é um dos pontos mais pitorescos de Coimbra, não falando no Choupal ou na velha Fonte do Castanheiro, onde se ouve ainda um certo rumor dos beijos que os namorados de outros tempos aí trocavam nas luminosas e tradicionais manhãs de S. João… 

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 Uma tricana de Coimbra (Caricatura)

 Eis assim delineada em poucos traços a série funambulesca de tipos grotescamente raros que constituem só' por si um dos aspetos mais originais ela lendária Coimbra cheia ele amores e de mistério, eterna evocadora das notas maviosas daquele fado triste cantado pelo Hilário, em noites de boémia, sob as janelas das tricaninhas.  

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 O Hilário

 A valiosíssima coleção de fotografias, que consegue dar um mérito real aos breves apontamentos que constituem o presente artigo, pertence ao distinto, fotógrafo José Gonçalves, que amavelmente a cedeu à Illustração Portugueza.

NOTA DA REDAÇÃO

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 Monteiro, M. Typos de Coimbra, In Illustração Portugueza, 40, Série II, Lisboa, 1907.01.28.

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:27

Terça-feira, 31.07.18

Coimbra: Tipos de Coimbra 13

 

O Luizinho das Pontas (Cliché Silva e Sousa).jpg

 O Luizinho das Pontas (Cliché de Silva e Sousa)

 O Luizinho das pontas! Outro tipo curioso...

Não precisava de pedir porque a família tem alguma coisa e não quer que ele peça, mas de tal forma se acostumou a andar pelas ruas, apanhando pontas de cigarro, que daí lhe veio o hábito de pedir uns dez réis a este e àquele com quem fala. De vez em quando aparece com papeletas para o público subscrever com qualquer quantia para a ajuda de um varino, de um colete ou de umas calças. Dele conheço eu várias partidas, mas a que vou contar, francamente é muito superior a todas elas. Assistia-se ao sarau que uma comissão de académicos realizou no teatro Circo nessa época em que apareceu a ideia da receção dos novatos com festas. Representava-se, nesse momento, uma peça qualquer, feita por um dos vogais da comissão, na qual se simulava um tribunal. Ora o público e as testemunhas que se nos apresentavam no palco eram a malta, a crápula das ruas, esses tipos sebentos e grotescos, ao vivo e o Luizinho que também lá estava, farto, como a plateia, de ouvir o pseudo-advogado a falar, a falar, a falar, levanta -se como um raio, perfila-se e exclama com uma cara das mais curiosas deste mundo, naquela sua voz meio fanhosa e entrecortada: Arre! Que chatice medonha! Eu não sei como o teatro não caiu com a gargalhada forte, retumbante. que se ouviu então! É que o Luizinho naquela sua frase, vinda a propósito, tinha conseguido concretizar a opinião de toda a plateia!... E o mais engraçado foi que o Beb’água quis atirar-se à pancada ao Luizinho! Que quadro! Que cena!

 


O Beb'Agua.jpgO Beb'Água

 O Beb’água, que por sinal bebe vinho e ás vezes o despeja pelas ruas é um distribuidor de prospetos, um magnífico exemplar ele transição, entre o homem e o macaco, sebento, mal alinhavado, todo ele a transpirar sabujice, que, por um defeito qualquer, fala somente por monossílabos. Aí vai uma frase para amostra quando vê um petiz a fumar: ai tu jà fú? Ló di tê pae!... Ainda assim de todos os tipos que conheço é precisamente o Luizinho das pontas o que dá menos sorte… 

Um archeiro... (Desenho Álvaro de Lemos).JPG

Um archeiro…que está dois furos acima do estudante e um abaixo de lente (Desenho de Álvaro de Lemos)

 E se entrarmos na Universidade, sagrado templo da sabedoria, onde em vez de nos formarmos apenas nos conseguimos deformar...lá vos mostrarei certo archeiro, boa pessoa, que dá sorte por lhe chamarem Estópido desde aquele dia em que se dignou dizer que o archeiro estava dois furos acima de estudante e um abaixo de lente! o que equivale a dizer, neste meio repleto ele prosápia científica, que estava milhões de léguas acima da terra e apenas um palmo abaixo do céu!... Outro archeiro conheço eu, boa pessoa também, (os archeiros são sempre boas pessoas...) que todo se abespinha quando lhe chamam S. Pedra aludindo ás barbas brancas que possui. Na verdade, ele parece-se muito mais com um Cerbéro do que com o meu grande amigo S. Pedro, chaveiro lá de cima, pois que este velho santo vive às portas do céu, que dizem ser o Paraíso, e o outro, o archeiro, pespega-se á porta das aulas, que são um verdadeiro inferno! 

Monteiro, M. Typos de Coimbra, In Illustração Portugueza, 40, Série II, Lisboa, 1907.01.28. 

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:38

Quinta-feira, 26.07.18

Coimbra: O Pelourinho e as suas peregrinações pela cidade 2

Orgulhoso e altaneiro, bem cioso dos direitos que representa, o pelourinho não desvenda com facilidade a sua origem, mas verificamos que a sua existência se estendeu a toda a Europa ocidental, cronologicamente até à implantação das ideias liberais e que, nalguns países, ultrapassou mesmo esta época. Sabemos também que atravessou os mares e se implantou no Novo Mundo por influência de portugueses, espanhóis e ingleses.

Herculano pretende ver a sua origem associada ao direito itálico (jus italicum) que consignava uma total organização municipal e permitia levantar no forum a estátua de Marsyas ou de Sileno com a mão erguida, símbolo da liberdade burguesa.

Pinho Leal, filia a origem destes monumentos na columna moenia, colocada pelo cônsul romano Moenio na praça, isto é, no forum que se estendia frente à sua casa, onde se realizavam os julgamentos feitos pelos magistrados (triumviros), se aplicavam os castigos públicos e se faziam as festas populares.

Teófilo Braga vê no pelourinho a representação do Genius Loci romano, patrono da independência municipal.

Luís Chaves filia o aparecimento do pelourinho na antiga imagem do poste pessoal ou coletivo de um clã, de um povoamento ou de um agrupamento religioso.

Mas a sua origem, provavelmente, tem de se ir buscar em tempos ainda mais recuados.

Todas as picotas, mais ou menos esbeltas, mais ou menos ricas na sua decoração, têm um elemento comum: a coluna.

… Monsenhor Nunes Pereira, nos idos de Quarenta, escrevia que os pelourinhos “testemunham a autonomia (jurisdicional, digo eu) que a terra goza ou gozou noutros tempos. Devem ser estimados, conservados e reconstituídos onde isso possa fazer-se”.

*

 O pelourinho de Coimbra transferiu-se do adro da Sé Velha, onde se encontrava junto à Casa do "Vodo" (casa da audiência da Câmara que se erguia frente à igreja da Sé [Velha] para a praça do Comércio nos finais do século XV (1498).

Retirado deste lugar, deslocou-se para o Largo da Portagem (1611), tendo então sido adaptado a fontanário. Aí permaneceu até 1836, ano em que o desmontaram e armazenaram até 1894. 

Grimpa do pelourinho de Coimbra, original.jpg

Grimpa do pelourinho de Coimbra, original

 Do original resta apenas a grimpa, conservada no acervo do Museu Nacional de Machado de Castro.

*

Da sua reconstrução, ocorrida nos anos oitenta do século passado, posso dar testemunho.

Eu era, ao tempo, Chefe de Serviços de Turismo aos quais estava adstrito o Gabinete de Salvaguarda do Património, de que era responsável o arquiteto António José Monteiro.

Tendo sido determinado pelo então Presidente da Câmara, Dr. Mendes Silva, a recuperação da Praça do Comércio, na altura mais conhecida por Praça Velha, entendeu-se reinstalar ali uma reconstituição do Pelourinho, até porque ele, outrora, já estivera erguido naquele local.


Pelourinho de Coimbra na Portagem.jpg

 Pelourinho de Coimbra na Portagem

 

Baseado em desenhos que se pensam ser fidedignos, o arquiteto António José Monteiro riscou uma proposta reconstrutiva e o saudoso Mestre Pompeu Aroso bateu as partes metálicas, copiando-as do original, existente no Museu Machado de Castro. 

 

Pelourinho de Coimbra c.JPG

 Pelourinho de Coimbra reconstituição

 

Praça Velha com reconsituição do pelourinho.jpg

 

Praça Velha com reconstituição do pelourinho

 

 

Bibliografia

. Anacleto, R. 2008. Para que servem os pelourinhos? Conferência proferida nas I Jornadas de História local, Pampilhosa da Serra. Auditório Municipal, 2008.04.10 e 2008.04.11.

. Malafaia, E.B.A. 1997. Pelourinhos portugueses. Tentâmen de inventário geral. Col. Presenças de Imagens. Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda.

. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pelourinho_de_Coimbra. Acedido em 2018.07.17

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por Rodrigues Costa às 19:03

Terça-feira, 24.07.18

Coimbra: O Pelourinho e as suas peregrinações pela cidade 1

Oh, Pelourinho da Praça.

Travesseiro de quem ama.

Quantas vezes o meu amor

Lá terá feito a sua cama. (Quadra popular)

 

Os pelourinhos ou picotas, monumentos modestos e simultaneamente altivos, enxameiam Portugal de Norte a Sul e, desde sempre, atraíram sobre si as atenções de inúmeros estudiosos que, afora alguma pequena divergência, têm assumido uma enorme consonância quanto ao seu significado.

… Nas nossas aldeias, que se espalham a esmo por esse Portugal “quase incógnito”, frequentemente, são estas pedras velhas e enegrecidas de séculos o único elo que liga o presente com o passado; e se outras razões não houvesse, esta já nos permitiria chamar a atenção para a necessidade de preservar esses monumentos que se erguiam outrora, preferencialmente, frente à Casa da Câmara, ao palácio do Senhor, à Sé ou ao Mosteiro.

… “Ces poteaux [qui] auraient un charme trés grand” como afirma o Conde de Raczynski, não se podem considerar “padrões ou symbolos da liberdade municipal”, mas funcionavam como o sinal da jurisdição, da administração autónoma da justiça, face à autoridade central. …Os habitantes do aglomerado populacional deviam viver uns com os outros observando a ordem jurídica estabelecida e se algum, de entre eles, violava as normas, logo a assembleia municipal ou os seus magistrados … aplicavam justiça e faziam executar as penas em locais públicos, a fim de, pelo terror, impedir a repetição de atos criminosos.

… a de Coimbra [a Câmara] não lhe fica atrás: no titolo das coimas e das vynhas que se encontra no Livro da Correia e que foi coordenado em 1554, determinava-se que, quando o condenado não pudesse pagar a pena pecuniária esta fosse substituída por huma ora ao pee do pelourjnho, e desde as novas atee as dez horas com a fruyta com que foj tomado ao pescoço. A mesma Câmara, em novas posturas promulgadas em meados de seiscentos voltou a insistir na pena de exposição no pelourinho.

As Ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas não se eximem de legislar no sentido da utilização do pelourinho como local do cumprimento de penas.

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 Folha do rosto das Ordenações Afonsinas

… Na opinião de Paulo Pereira, o pelourinho, lugar onde se aplicava a justiça, a partir do século XV, pode ter deixado de estar associado à execução judicial, porque passou a ser o local do costume, onde se fixavam alvarás e éditos, defendendo mesmo aquele autor que a picota vai perdendo o cariz prático e utilitário que lhe esteve na origem para, no reinado de D. Manuel, conhecer uma revitalização capaz de lhe permitir adquirir um carácter prioritariamente simbólico e artístico.

Na realidade, a análise da documentação existente permite constatar que as notícias de aplicação de penas nos pelourinhos foram escasseando paulatinamente. No entanto, no século XVIII, ainda encontramos referências à aplicação de açoites naquele local.

…Os pelourinhos são, na realidade, o símbolo da administração autónoma da justiça local ou da jurisdição feudal e o ponto onde os criminosos, expostos à vergonha pública, sofriam os castigos.

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 Instrumento de tortura 1

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Instrumento de tortura 2

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 Instrumentos de tortura 3

… A voz do povo também vem corroborar a nossa suspeição de que as picotas são verdadeiros postes de justiça. Não é verdade que frequentemente se ouve dizer: que venha a este pelourinho, ou então, hei-de levá-lo ao pelourinho?

… Pensa-se, por vezes, que o pelourinho desempenhava a dupla função de forca e de poste de castigo, mas, se assim fosse, não se compreenderia que os documentos aludissem de forma individual a estas duas estruturas e que permanecesse na toponímia a referência ao local onde a primeira se situava, sempre fora do centro populacional.

Em Coimbra, por exemplo, sabemos que o pelourinho, segundo uns, se encontrava na Portagem mesmo frente à cadeia e, se nos guiarmos por outras indicações, no largo da Sé Velha, mas a forca, essa estava implantada na zona da Conchada, onde ainda hoje existe a Ladeira da Forca.

… O pelourinho não servia apenas para nele se castigarem os delinquentes, mas também o pregoeiro aí dava publicidade a certos atos do concelho, o porteiro executava decisões de jurisdição civil ordenadas pelo alcaide e pelos outros magistrados, afixavam-se éditos, faziam-se até leilões; e, lá nos confins deste nosso Portugal, era ainda junto do pelourinho que o vizinho, quando recém-chegado da cidade ou de longínquas paragens para onde emigrara, contava as novas e punha a população em contacto com as realidades de um outro mundo em que eles viviam, mas do qual não faziam parte.

Bibliografia: . Anacleto, R. 2008. Para que servem os pelourinhos? Conferência proferida nas I Jornadas de História local, Pampilhosa da Serra. Auditório Municipal, 2008.04.10 e 2008.04.11. 

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por Rodrigues Costa às 09:29

Terça-feira, 17.07.18

Coimbra: Igreja de São Tiago cronologia

- Nos finais do séc. XI/ início de XII, existia uma edificação romano-bizantina, da qual ainda estavam inteiros dois pórticos, em 1894. Em 1131 aparece referida tendo por prior um D. Onorio. Até 1183 esteve sujeita ao Arcebispo de Compostela, e a partir daí passou a pertencer ao bispo conimbricense. 

- Foi sagrada sob a designação de basílica em 1206, devido a profanação, reparação ou reconstrução.  

- Em 1500, D. Manuel funda a Misericórdia em Coimbra. E, em 1526, esta muda-se para o celeiro da Igreja Paroquial de São Tiago. Em 3 de Junho de 1546 é lançada a primeira pedra da Igreja Velha da Misericórdia sobre uma das naves de S. Tiago, concluída em 1549, com capelas, retábulos e varanda de João de Ruão. No entanto acontecem divergências com a paróquia, e saem, e em 1571 começam mesmo a construir outro edifício na mesma praça, mas em 1587 suspendem os trabalhos. Voltam a S. Tiago em 1589. São retomadas as obras. Deu-se a deformação da frontaria com o acrescento de dois pisos. A rosácea é rasgada e convertida em janela de sacada. Em 1772 vão para a Sé Velha, mas pouco depois voltam para São Tiago. De facto, a Misericórdia tinha tido várias localizações, mas acabava sempre por voltar. No séc. XVIII nova reforma desfigurou-lhe completamente as naves interiores, tendo as suas paredes sido todas estucadas. 

- Em 1841 a Misericórdia vai definitivamente para o Colégio da Sapiência, junto com o Colégio dos Órfãos.

Igreja da S. Tiago e Misericórdia 02. Boletim.JPG

 S. Tiago antes das obras

 - Em 1858, quando a Câmara procede ao alargamento da “tortuosa, escura e estreitíssima” Rua do Coruche, para a converter na atual Visconde da Luz, as absides da capela-mor e laterais foram cortadas e, portanto, as proporções da planta inteiramente alteradas. Além disso não se respeitou a disposição da antiga escadaria que dava acesso à porta principal, tendo sido introduzida como que uma escadaria “em trono”.

Igreja de Santiago obras.jpg

S. Tiago durante as obras

- Em 1861, é demolida a Capela-mor de São Tiago e parte do Adro da Misericórdia Velha. Para restabelecer o acesso às instalações, constroem-se umas escadas e um patim gradeados.


S. Tiago depos obras 1.JPG

 S. Tiago depois das obras

 A antiga Igreja da Misericórdia vem a ser demolida em 1908. Em 1930, a igreja é visitada por um conjunto de especialistas, no sentido de serem tomadas opções para o restauro. No entanto o restauro só se conclui em 1935, pelos Monumentos Nacionais.

 

Anjinho, I. 2006. Da legitimidade da correção do restauro efetuado na Igreja de S. Tiago em Coimbra. Acedido em 2018.01.23, em https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/31091/1/

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por Rodrigues Costa às 09:33

Terça-feira, 03.07.18

Coimbra: Tipos de Coimbra 11

E a Marrafa, a Maria, essa bela quarentona, bem fornidinha de carnes, que também foi lembrada no aludido Centenário? Isso é que é uma mulher! Servente de estudantes, portadora de sebentas, lá no intimo amiga dos que usam capa e batina, interessa-se por eles todos e já me constou, não sei se com fundamento, que não raras vezes lhes vale com dinheiro nos momentos críticos, nas suas aflições. De grossos cordões de ouro ao pescoço, sempre sorridente, há quem diga que para um estudante se formar é preciso ter algumas relações com ela. Eu é que não sei se isto é verdade, mas, pelo sim pelo não, como sou estudante… não vá o diabo tecê-las!... 

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 O Hermínio

 Mas se por acaso alguns académicos se envergonham de ir pedir-lhe qualquer quantia emprestada, pelo que ela nada leva de juros, aparece-lhes logo o Herminio dos óculos, um rapaz franzino, magistral troca-tintas, que passa a vida inteira a transportar para as casas de penhor ou de prego, usando do calão, tudo quanto os estudantes lhe entregam para empenhar,… ou a trazer dessas casas para a rua grandes pechinchas, como ele diz para intrujar os papalvos, e que afinal não passam de fazenda avariada, duns monos sem extração que os penhoristas lá têm para um canto e dos quais se querem ver livres seja por que preço for…

Quer na Baixa quer na Alta, ele dia ou de noite, a cada passo se encontra uma criatura destas.

 

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 O Gaspar Engraxador

 O agarotado Gaspar, engraxador, hoje em busca de uma casa para servir, falador dos quintos, que se aperaltava ao domingo para embarrilar certa incauta donzela que o foi surpreender um dia, em plena calçada, a engraxar as botas de um freguês...

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 O Santos Cego

 O Santos cego, vendedor de cautelas, enjeitado, que concluiu o curso dos Liceus em 1868, segundo ele diz, à custa de uma família amiga e cegou nesse mesmo ano. Conhece todas as moedas apalpando-as, bem como os caloiros pelo pano da capa e fala de matemática como se estivesse sentado numa cátedra…

 Monteiro, M. Typos de Coimbra, In Illustração Portugueza, 40, Série II, Lisboa, 1907.01.28.

 

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por Rodrigues Costa às 09:53

Quinta-feira, 28.06.18

Coimbra: Tipos de Coimbra 10


O vendedor de Cristos (Cliché de Joaquim Olavo).j

 O vendedor de Cristos (Cliché de Joaquim Olavo)

 O Homem dos Cristos passeava todas as ruas e becos da cidade sobraçando uma enorme quantidade de Cristos, trabalhados em barro, muito toscos, mas que conseguia vender depois ele os ter lambido todos, de alto a baixo, para provar que não largavam a tinta, que eram fixes como ele dizia. E quantas e quantas vezes nos atirava com o Cristo quase à cara e bradava num misto de raiva e de troça: quem me compra este diabo?!...

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 Poeta Maximiano Veiga (Cliché de Joaquim Olavo)

 Maximiano Veiga, irmão do grande poeta operário Adelino Veiga, era um impagável ratão que se dedicava a compor guarda-sóis e a trabalhar em metal amarelo. Nunca lhe deu na bolha para fazer versos, troçava até do irmão nas

suas horas de bom humor, mas uma vez, como o Adelino Veiga não dispusesse de ocasião para escrever uma poesia que lhe tinha sido pedida pelo António Portugal, mais tarde o tenor Portugal, que fez parte da companhia do teatro da Trindade e foi morrer ao Pará, o Maximiano quis suprir a falta e saiu-se todo ancho com esta versalhada que ainda hoje corre de boca em boca:

 Do rio Zêzere o Barão

É cunhado da liberdade;

Os soldados são fenómenos,

São filhos da santidade.

 

Vou cantar de Mahomerio,

Qu'as trombas do rhinoceronte

Cantigas do Oriente

Nas barbas do despautério,

Nas campas do cemitério

Norbargue de Norbão

Terrónicos do trovão

Famílicos da humanidade

E' um machucho da maldade

Do rio Zêzere o Barão.

…………………………………

…………………………………

 

?!...

 

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 O Pedra do Pifano

 Agora mesmo acabo eu de ler que morreu o Pedro do pifano, supondo-se que envenenado pela mulher com quem vivia. Era galego e mudava de nome à medida que as gerações académicas lho trocavam. Para uns foi o Manuel da Sanfona, quando apanhou um par de bofetadas do lente dr. Pedro Penedo por se lhe pôr á porta cantando versos alusivos á sua pessoa, feitos expressamente pelos discípulos. Para outros foi o homem do realejo, por trazer um instrumento que há anos deixou numa tasca de Dameiras empenhado por meio litro de vinho... Agora era o Pedra do pifano, por se fazer acompanhar desse instrumento que tocava por qualquer preço. Como tivesse um grande reportório, o Pedro perfilava-se e perguntava com uma certa pose: – O que quer Vossa Senhoria que eu toque?! O Hymno dos Caloiros... diziam-lhe, por ser uma coisa que não existe... O Hymnodos Caloiros... dos caloiros... dos caloiros... começava ele entoando numa voz cantarolada que vinha a terminar com meia dúzia de sons arrancados desalmadamente do pifano e pronto… eis como executava todas as músicas que lhe pediam... Era um pobre diabo este Manuel Fortunato Lopes, usando do seu verdadeiro nome!

E julgo terminada assim a vasta galeria dos mortos.

 – Se, entre eles, nos aparecem tipos interessantes, entre os vivos, que apontarei a largos traços, não os há, decerto, menos curiosos e menos dignos de estudo ...

 

O Manuel das Barbas (Cliché Silva e Sousa).jpgO Manuel das Barbas (Cliché de Silva e Sousa)

 É ver o velho litógrafo de sebentas, o conhecido Manuel das Barbas, que figurou no Centenário da Sebenta, e a quem com uma louvável antecedência fizeram já o epitáfio:

Aqui jaz Manuel das Barbas,

Trabalhou muito e bebeu…

Litografava «sebentas»,

Mas foi feliz…nunca as leu…

 

Monteiro, M. Typos de Coimbra, In Illustração Portugueza, 40, Série II, Lisboa, 1907.01.28.

 

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por Rodrigues Costa às 11:39

Quinta-feira, 21.06.18

Coimbra: Tipos de Coimbra 9

O França Rolié.jpg

 O França Rolié

 O França Rolier-Catecnemaquilitanas, como ele se dizia, era um cocheiro que estava encarregado de conduzir as malas do correio á estação do caminho de ferro e por tal forma se desempenhou da sua missão que tenho aqui à vista todos os atestados que por várias vezes lhe foram passados pelo diretor dos correios, enchendo-o de louvores. Mesmo no pino do verão, o França andava sempre vestido com quanto fato possuía, acrescentando a isso tudo, no inverno, um capote com certeza maior do que a arca de Noé. Tendo a seu cargo, todos os anos, o segurar o S. Jorge na procissão do «Corpus Christi», fazia nisso imensa gala e apresentava-se impávido aos olhos de toda a gente que via lá ele alto da sua magnanimidade. Chegava a levar a sua autoridade ao ponto de dizer ao comandante da força quando se deviam dar as descargas! Homem robusto, que numa voz grossa, mascando o seu charuto, metia palão de meia noite, depois de ter desempenhado o glorioso papel de lente da faculdade das tretas pelo Centenário da Sebenta, jamais largou a chapa que então mandara fazer para ornamentar o bonnet. Dias depois da sua morte, lembro-me de ter visto o seu perfil em O Cauterio, que dizia pouco mais ou menos isto:

 

Da Lusa-Atenas o mais popular,

E também, decerto, o mais intrujão:

Na boca sempre um charuto a chupar,

Olhando todos com ar refilão.

 

Vários empregos tem, duvidosos,

O nosso herói, este velho traquinas;

E se non hay - negócios rendosos

O ... coça d'encontro às esquinas.

 

É alto bastante, obeso e pançudo,

E só tem esse defeito massudo

De pregar mentiras, blagues e petas. 

 

Que mais direi? É um pobre coitado,

E ele próprio se chama e é chamado,

O Rolié ou o França das Tretas.

 

Acima de tudo, o França era um homem fiel, muito honrado e não foram poucas as carteiras e os valores importantes que ele encontrou perdidos e fez chegar às mãos dos seus donos. Ouvi dizer que esta palavra Rolié, que adotava como nome, teve a sua origem na porta do Hotel dos caminhos de ferro quando um francês, ao subir para a sua carruagem, pôs nas mãos do corretor urnas moedas de prata para o França que lhe tinha tratado da bagagem, com o roulier (carroceiro). Apanhada esta palavra no ar, ei-la na boca dos garotos para designar o França e daí a resolução que tomou em a adotar como sobrenome…

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 O Quatorze

Disse eu há pouco que o França era um homem honrado, mas já não direi o mesmo do célebre intrujão que dava pelo nome de Quatorze. Muito alto, magro, ora aparecia de chapéu de abas largas, de grosso bengalão, ora de carapuça, de facha preta à cinta, de calças justas e esguias, a fazer-se amigo íntimo e conhecido velho de quantos bacharéis formados pressentia de visita a Coimbra, sempre importuno, à mira de uns vinténs, capaz de, por dez réis de mel coado, prestar-se a qualquer patifaria. Outras vezes apresentava-se carregando um cesto de verga repleto de ananases, cocos e bananas, que vendia lançando o pregão em voz forte e retumbante: ananás! ananás! coco! coco! Ah, rica bánâna da ilha da Mádéra!... 

Monteiro, M. Typos de Coimbra, In Illustração Portugueza, 40, Série II, Lisboa, 1907.01.28.

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:16

Terça-feira, 19.06.18

Coimbra: A igreja de Santiago de Eiras

Às portas da cidade de Coimbra e da Bairrada se situa a antiga vila de Eiras.

Foi concelho extinto em 1836, com sua câmara, vereadores, juiz, escrivães, meirinhos e todas as usuais burocracias. Nos últimos tempos Eiras cresceu quase sem medida, encontrando-se praticamente ligada a Coimbra. Mas o seu centro histórico mantém carácter aprazível, detendo ainda um apreciável número de casas antigas, por vezes nem sempre bem intervencionadas, com trechos sugestivos e encantadores.

O largo principal é de fazer inveja a algumas cidades.

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Igreja de Santiago de Eiras

 Para ele voltam a fachada a igreja matriz, a fonte e a capela do Espírito Santo. Merece especial destaque o chafariz, ao lado da igreja, composição de grande efeito, mandado fazer por D. João V, em 1743. Lá se podem ver as armas do reino e o selo da vila, envolvidos no corpo central, rematado por pirâmides.

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 Fonte de Eiras

A igreja paroquial domina o largo, com a sua fachada monumental de duas torres, tendo, do lado oposto, a não menos interessante capela do Sacramento ou do Espírito Santo. É dedicada ao apóstolo Sant’Iago. Sobre a porta principal, entre o frontão curvo interrompido, vêem-se as armas reais, tendo, no escudete das quinas, gravada a legenda Vivat Rex Ioseph, que elucida a época da construção.

Trata-se de um edifício edificado na segunda metade do século XVIII para substituir a antiga igreja que, em 1721, ainda se encontrava fora da povoação e em estado de avançada degradação, no sítio hoje chamado Passal. O antigo templo remontava aos alvores da nacionalidade, pois fora mandado edificar por D. Afonso Henriques, sendo bispo de Coimbra D. Vermudo. Em 1306 D. Dinis concedeu ao mosteiro de Celas a vila de Eiras, por troca com a terça parte da vila de Aveiro, que as monjas detinham por doação da sua fundadora, Santa Sancha. Assim ficaram as monjas de Celas como donatárias da igreja e do território, cabendo-lhes a jurisdição cível e a apresentação do pároco.

Em dezembro de 1728 o cabido autorizou a demolição da velha igreja e construção da atual. Porém, o processo arrastou-se durante muitos anos, com incidentes vários que se podem ver na excelente monografia de João Pinho. Só por meados do século se teria iniciado a construção, com planta delineada por Gaspar Ferreira, virtuoso arquiteto e entalhador, com muitas obras espalhadas pela região e Beiras. A obra de pedraria foi arrematada por Manuel Francisco, de lugar de Sá (Esgueira). Em 13 de abril de 1758 foi benzida a parte da igreja que já estava capaz. O edifício deveria estar pronto no essencial em 1767, pois, em 19 de outubro desse ano, o carpinteiro Manuel Gonçalves contratou fazer toda a obra interior: retábulo da capela-mor, dois retábulos colaterais, dois retábulos no corpo da igreja, conforme planta e risco, com muita probabilidade também de Gaspar Ferreira, e ainda cinco portas, um púlpito e grades da comunhão.

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 Igreja de Santiago de Eiras interior

 Manuel Gonçalves não era um banal carpinteiro, pois sabemos da sua intervenção na feitura de outros retábulos, com riscos de Gaspar Ferreira e Domingos Moreira para as igrejas de Taveiro, S. Pedro de Coimbra e mosteiro de Lorvão. Era natural de Adães (Barcelos) e morador na rua da Trindade, em Coimbra.

No vasto espaço da nave única e luminosa desta igreja impressiona o conjunto dos retábulos marmoreados, numa unidade estilística deveras invulgar. De quatro colunas o principal e duas os restantes, todas de fuste liso e belos capitéis compósitos. Os remates, de movimentados frontões interrompidos, contrastam com as linhas calmas e clássicas dos corpos inferiores. Decoram-se com glórias solares, mas, no retábulo-mor, esta zona é obviamente enriquecida com figuras de anjos sentados, segurando palmas, e outros elementos. Rasga-se nele a boca da tribuna, outrora preenchida por uma tela com o martírio de Sant’Iago e agora exibindo o trono eucarístico de cinco degraus curvos.

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 Igreja de Santiago de Eiras imagem de S. Tiago

 Ainda se conservam algumas imagens, vindas da igreja antiga. De salientar é o Sant’Iago, no altar colateral esquerdo, boa e expressiva obra da renascença coimbrã.

O estilo retabular do rococó coimbrão, gerado a partir do retábulo de Santa Cruz, tem em Eiras um cunho deveras interessante, a merecer cuidados na sua preservação, porque expressão estética de uma época em que os artistas de Coimbra deixaram a sua marca em todo o centro do país.

Nelson Correia Borges

 

In: Correio de Coimbra, n.º 4695, de 07 Junho 2018, p. 8.

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por Rodrigues Costa às 10:12


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