Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 15.02.18

Coimbra: Universidade e foro académico

O foro académico foi uma instituição, que muito enalteceu a Universidade medieval portuguesa, acolhendo sob a sua égide protetora os lentes, escolares e oficiais, e bem assim os respetivos familiares, que todos, de certa época em diante, eram isentos da jurisdição de quaisquer autoridades estranhas à Universidade, e só pleiteavam perante o tribunal benévolo, carinhoso e paternal dos seus Juízes privativos. Como autores e como réus, nas causas cíveis e nas causas crimes, a nenhum outro foto estavam sujeitos, nenhum outro Juiz tinha jurisdição para conhecer dos seus pleitos, a não ser que houvesse recurso, e salvo o caso de se dar motivo às intervenções do Corregedor.

Por isso toda a gente ambicionava entrar em o número dos «privilegiados» da Universidade, e os profissionais dos diversos mesteres suplicavam com grande empenho e honra e mercê de serem contados entre os fornecedores (como hoje se diria) da Universidade, comprometendo-se por vezes alguns a anda receber pela mão-de-obra dos fornecimentos e consertos que fizessem. Ourives, livreiros, impressores, e bem assim carniceiros, vinhateiros, padeiros, etc. etc., disputavam o grande benefício de serem inscritos no quadro do pessoal universitário, para gozarem os respetivos privilégios, entre os quais avultava o do foro académico.

 

Fundada a 1 de março de 1290 por diploma de D. Dinis, expedido de Leiria, a Universidade foi confirmada e privilegiada pela bula de Nicolau IV «de satu regni Portugaliae».

Na carta de fundação prometia el-Rei a sua proteção eficaz aos escolares do novo «Estudo geral», chegando a dizer-lhes que, se fossem por alguém ofendidos ou vexados, recorressem sem hesitação à sua «Alteza Real».

... Pelo seu lado o Papa, na bula citada, isentou do foro leigo ou comum, em todas as causas crimes em que fossem réus, não só os mestres e escolares, mas também os seus serviçais, ficando todos sujeitos ao foro eclesiástico.

... Foi no outono de 1308 que se realizou a transferência da Universidade para Coimbra.

D. Dinis. Compendio de crónicas de reyes (Bibliot

 D. Dinis. In: Compendio de crónicas de reyes

 A 15 de fevereiro de 1309, outorgou-lhe D. Dinis a «Carta magna privilegiorium», na qual a isenção do foro comum foi consideravelmente ampliada.

... 1.º Proíbe ao alcaide Coimbra e aos seus oficiais que, em qualquer ocasião e seja por que motivo for, obrigarem os estudantes a comparecer perante os tribunais seculares;

2.º Permite-lhes apenas que os prendam em delito de homicídio, ferimento, furto ou roubo, rapto de mulher, ou fabricação de moeda falsa; com a condição porém de, o mais breve possível e sem dificuldades, independentemente de qualquer requisição, fazerem entrega deles à autoridade eclesiástica para esta os julgar.

E assim ficaram as coisas nos primeiros tempos da Universidade em Coimbra. As pessoas universitárias eram isentas da jurisdição as autoridades comuns, tanto nas causas crimes como nas cíveis, e sujeitas à jurisdição de um Juiz próprio, que, por escolha e determinação del-Rei, era a autoridade eclesiástica.

Neste mesmo diploma é criado na Universidade... o novo oficio... da Conservatória do Estudo.

Universidade documento criação foro académico.j

 Documento da criação foro académico

 Diz o Rei, que quere que sejam escolhidos dois homens probos da cidade de Coimbra, que tenham por obrigação vigiar solicitamente pela honra e cómodo do Estudo e dos estudantes, que inquiram e relatem a el-Rei o que lhes parecer conveniente ao mesmo Estudo e estudantes; e que, enfim, se esforcem por conservar fielmente as imunidades, privilégios e liberdades da Universidade e de cada um dos seus alunos.

Verdeal prendendo estudante.jpg

 Verdeal prendendo um académico

 Manteve-se o foro privativo da Universidade, até ao advento do regime constitucional, implantado em Coimbra a 8 de maio de 1834.

A jurisdição deste foro privativo residia, como vimos, na Conservatória judicial da Universidade. Havia nesta, além do magistrado judicial, que era o Conservador, o pessoal seu subordinado: 2 almotacés, 1 meirinho de vara branca, 2 escrivães, e outros oficiais. Tinha o meirinho às suas ordens 10 homens armados com «suas chuças ou partezanas» (as atuais alabardas), homens que vulgarmente se chamavam «verdiais» (os archeiros de hoje) por serem de cor verde as casacas dos seus uniformes. O Conservador erguia a sua vara banca de um magistrado judicial, não só nos edifícios das Escolas, mas em toda a cidade de Coimbra; e casos havia em que lhe era licito alçar a vara «em todas as partes do Reino, onde a Universidade tem suas rendas ed dividas».

 Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 297-299, 302-304, do Vol. I

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:58

Quinta-feira, 01.02.18

Coimbra: Arco Romano e Torre de Belcouce

Há uma bela vista de Coimbra, desenhada pelo artista florentino Pieri Maria Baldi, que visitou Portugal vindo na comitiva do príncipe Cosme, herdeiro do soberano Gran-Duque da Toscana... demorando-se em Coimbra três dias, no mês de Fevereiro de 1669. Foi nestes dias que fez o desenho. 

Pier Maria Baldi 1669 02.jpg

 Gravura de Baldi

 Nele se sê a verdadeira feição do afamado arco romano de Belcouce, que é, pura e simplesmente, a porta principal do «oppidum» Emínio; as casas que lhe ficam por trás e ao lado, ocupando precisamente o local do velho palácio (que em 1537 pertencia ao Reitor Garcia de Almeida que mandou dar as lições das Faculdades jurídicas e médica em salas do seu próprio palácio, onde residia, sito à Estrela, próximo da torre e do arco romano «de Belcouce»), são casas vulgares apenas.

[Aquando da construção do Colégio de S. António da Estrela], das antigas edificações, que aqui havia, foi poupado o arco romano, que permaneceu a Sul do novo edifício, e a parte inferior, que restava, da célebre torre quinária de Belcouce, ficando mais de metade do seu corpo embebida na alvenaria da fachada ocidental, de modo que se conservou à vista, a salientar-se, o ângulo ocidental; aproveitou-se habilmente para mirante o terraço triangular que sobre ela ficou descoberto. Também pouparam a interessante inscrição comemorativa da construção da torre, que se edificou por ordem de D. Sancho I. Para datar esta construção, esculpiram-se na lápide comemorativa três elementos cronológicos, que não se adaptam bem entre si, embora a discrepância não seja grande: o início do reinado de D. Sancho I, a tomada de Coimbra aos mouros por Fernando Magno de Leão, e a era hispânica de 1249. Oscilam entre os anos de 1209 e 1211. Parece que aquela primeira data se reporta ao começo da obra, e esta ao assentamento da inscrição, quando se havia concluído a torre, na era de 1249 a.D. 1211. Muito se discreteou sobre a concordância destes três dados cronológicos.

Arco romano trabalho de Isabel Anjinho.jpg

 Arco romano, apresentação de Isabel Anjinho

 ... A 10 de Junho de 1778, mandou a Câmara demolir o arco romano da Estrela! Assim desapareceu estupidamente o monumento histórico mais precioso e interessante no seu género que Coimbra possuía; mas, em compensação, exultou a vereação por ter aumentado com esta desastrada medida a receita municipal deste ano, entrando em cofre a quantia de 30$000 reis, que pagou Miguel Carlos pela compra da pedra da demolição!

Hoefnagel arco romano.JPGPormenor da gravura de Hoefnagel, apresentação de Isabel Anjinho

 É possível marcar-se aproximadamente o local onde se erguia o arco, tendo em consideração que esse local foi depois da demolição aproveitado pelos frades para ali construírem uma casa suplementar ao Colégio, na extremidade sul deste, a qual se vê em estampas que ilustram este capítulo. Ainda existe, no jardim... um marco de referência precioso: um cubelo de suporte da muralha, que se encontra à mão esquerda, quando da Couraça se transpõe a porta de entrada do jardim. Este cubelo se vê nas respetivas estampas, marcando o vértice do ângulo S-O da dita casa.

Colégio de S. António da Estrela.jpg

 Colégio de S. António da Estrela

 As fachadas ocidental e meridional estende-se nesta estampa quase lado-a-lado, no 1.º plano, desde a parte posterior da igreja, à nossa esquerda (onde se salienta a pequena capela-mor, e ao lado a pequeníssima sacristia com as suas 2 janelas), até ao topo S, quase completamente escondido detrás duma casa com três filas de 5 janelas em cada um dos seus 2 andares, e por baixo destas mais outra fila de janelas simuladas. Esta casa foi construída, no último quartel do século XVIII, a ocupar o local onde se erguia o afamado arco romano ou de Belcouce; ficou quase encostada ao topo meridional do Colégio, construindo- entre um e outro edifício a porta larga e a passagem de entrada para o grande pátio do Colégio, e para esta nova casa. Um cubelo, que se vê no ângulo deste pequeno prédio, ainda hoje existe, e serve de marco para fixarmos o lugar da casa, e consequentemente do arco de Belcouce.

O Colégio era composto de 2 corpos contíguos, um com a orientação S-N, o outro E-O, formando assim um ângulo reto. No topo ocidental deste último corpo, divisa-se a parte restante da torre de Belcouce.

Esta fotografia foi tirada do areal do rio, a montante da ponte, alguns anos depois do incêndio que devorou o edifício em a noite de domingo, 27 de janeiro de 1895, deixando ficar somente as paredes.

 Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 274-276, 404 do Vol. I

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:07

Quinta-feira, 14.12.17

Coimbra: Claustro de Celas

É tão surpreendente a igreja de planta redonda do mosteiro cisterciense de Celas que quase ofusca a beleza do claustro e a originalidade da sua fonte central, cavada e escondida.

Celas claustro.jpg

 Convento de Celas, claustro

Mas neste quadrado ao ar livre, pouco estudado e ainda menos visitado, surge-nos, na fonte, o fascínio renascentista pela geometrização dos espaços. A disposição em planta do claustro, que se liga à igreja redonda, é o resultado criativo deste esforço de arrumação dos elementos construídos, deixados pela Idade Média neste ermo distanciado de Coimbra, conhecido por Vimarães.

Uma vez dentro do próprio claustro votamos a ter novo atrativo que desvia a atenção da fonte central: são os extraordinários capitéis, minuciosamente esculpidos e pintados com as cenas da vida de Cristo, cuja datação dos séculos XIII a XIV é insegura, mas que vieram do Paço Real da Coimbra, oferecidos por volta de 1533, por D. João III.

Celas Claustro fonte.jpg

 

Convento de Celas, fonte do claustro

 ... A originalidade da fonte reside no facto de ela estar afundada e mal se ver, apesar de respeitar a quadripartição por eixos e se encontrar no centro exato do claustro. De facto, a fonte redonda está abaixo  do plano do claustro e a ela se acede por escadas que descem cerca de 1,5 metros «Ao centro do jardim cava-se um tanque circular para onde se desce por quatro escadas de sete degraus dispostas segundo os eixos do claustro. Uma inscrição esclarece: ESTE . CHAFERIS . MANDOU / REIDIFECAR . A ILMª . SNRª . D / THEREZA . LUIZA . RANGEL . / SENDO . SGDª . VES . ABBADESA / DESTE MOSTRº . NO ANNO / DE 1761».

O espaço criado forma um cilindro e isola-se visualmente de quem está no claustro, oferece bancos redondos de pedra em circunferência assim criada, que escondem ainda mais quem neles se senta. A taça de água redonda com cerca de 40 centímetros de altura é cilíndrica e, do seu centro, a que corresponde também o centro geométrico do claustro, sai um repuxo. O conjunto não tem um único ornamento. Esta invenção pode ser uma simples resposta ao nível da água que se encontra, de facto, a 1,5 metro abaixo da cota do claustro com uma mina visível numa das paredes em arco deste cilindro vazio.  

Esta simplicidade revelou-se esteticamente genial: o desenho afundado, num claustro tão pequeno, aduziu-lhe a terceira dimensão, mas em negativo; conseguiu dar o efeito de espaço redobrado e, sem qualquer ornamento, consegue animar as paredes e as formas com efeitos de sombra projetadas nos degraus e nas paredes concavas. Interrogamo-nos, então, se este jogo de geometria a três dimensões e a total ausência de ornamento chegarão para confirmar o traço de um bom artista do Renascimento?

... Resta-nos assim apresentar – reconhece-se que um pouco a medo – a hipótese de poder ter sido João de Ruão o imaginário da fonte do claustro de Celas. 

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 175- 177

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 08:55

Terça-feira, 18.07.17

Coimbra: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, vicissitudes 1

A fundação do primeiro mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, foi obra de uma dama da nobreza, D. Mor Dias ... a escolha do local ... na margem esquerda do Mondego, estaria provavelmente relacionada com a proximidade do mosteiro franciscano que lhe deveria assegurar a assistência eclesiástica. Próximo ficava também o Mosteiro de Santa Ana ou das Celas da Ponte ... Obteve autorização para a fundação a 13 de Abril de 1283.

 ...a 2 de Dezembro de 1311 ...ocorre a extinção do mosteiro de Santa Clara.

... o interesse da Rainha D. Isabel no projeto de D. Mor subsistiu, tendo solicitado ao Papa a devida autorização para fundar uma casa de Ordem de Santa Clara, em Coimbra.
... Entre 1314 e 1318, o mosteiro iniciou um novo capítulo da sua história, graças à refundação conseguida pela Rainha.

220px-Mosteiro_de_Santa_Clara-a-Velha.jpgMosteiro de Santa Clara-a-Velha, planta

  ... A sagração da nova igreja do mosteiro ... realizou-se a 8 de Junho de 1330 ... No ano seguinte, a 18 de Fevereiro, uma grande cheia do Mondego, inundava o templo e submergia o túmulo, que já ali se encontrava. Por este motivo, D. Isabel mandou construir um piso sobrelevado que se estendia transversalmente, entre a igreja e o coro ... Ao centro, do lado da igreja, mandou colocar a sua arca tumular.

... No século XVI, o complexo monástico foi objeto de algumas intervenções de caracter estético que adequaram o espaço ao gosto da época. Na igreja, as paredes, e abside e os absidíolos foram revestidos com azulejos hispano-árabes.

... o nível dos pisos foi sendo alteado na igreja, no coro, no claustro e no refeitório, fazendo assim face à invasão das águas. O espaço do cadeiral, na nave central do coro, sofreu uma subida de sete degraus, utilizando-se esse aterro para o sepultamento das religiosas.

... Em princípios do século XVII, houve necessidade de tomar outras medidas ... Dentro da igreja, foi construído a meia altura um piso que se prolongou em toda a sua extensão o plano do coreto e da capela sepulcral da rainha ... No claustro procedeu-se, igualmente, à mudança das capelas que estavam na planta térrea, agora abandonada, e colocadas no novo terraço construído sobre os arcos e as abóbadas do claustro ... Outros espaços, como a sala do capítulo, foram também dotados de um piso superior.

... Em 12 de Dezembro de 1647, o rei emite um alvará, no qual manda “que se mude e tresllade o dito côvento” para o vizinho monte, chamado da Esperança.

Santa Clara a velha com cheia.jpg

 ... A transferência das Clarissas ficou concluída em Outubro de 1677, com a trasladação do corpo da Rainha Santa, em procissão solene, embora desde, pelo menos, 1672, a comunidade já se encontrasse as habitar o novo mosteiro ... A partir daqui Santa Clara (a-Velha) entrou em definitiva agonia ... “assim se vão desfazendo os maiores edifícios que pareciam eternos, representando todos, para nosso desengano, a semelhança da morte, que em nós não tem falência”.

Côrte-Real, A. (coordenação). 2009. Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. Do convento à ruína, da ruína à contemporaneidade. 2.ª edição. Coimbra, Direção Regional de Cultura do Centro, pg. 19-25 , 63-66

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:52

Sexta-feira, 14.07.17

Coimbra: a evolução da Cidade 2

 

Debalde aquele Rei (D. Afonso III) procurou acudir com remédio poderoso a esta despovoação da «cerca» de Coimbra, concedendo grandes privilégios e isenções, por carta de 10 de Fevereiro da era de 1307 (an.1269) aos moradores de almedina. Consistiam tais privilégios em não serem obrigados a executar serviços, nem a servir na guerra, ainda que vencendo soldo, a não ser que o Rei fosse em pessoa; ficarem dispensados de quaisquer tributos, inclusive da «anúduva», isto é, da contribuição de serviço braçal, ou pecuniária, para a construção e reparação dos castelos, torres, muros, cavas, fossos e outras semelhantes obras de defesa; serem garantidos de que jamais se lhes tomariam, contra vontade, as suas palhas, lenhas, camas, roupas, porcos, galinhas e mais haveres; se houvesse necessidade de se aproveitarem as suas camas, ser-lhes pago o respetivo aluguer, cuja taxa ficou expressamente estabelecida; não terem obrigação de dar hospedagem a ninguém, a não ser de sua livre vontade, e no caso de haver necessidade de nos seus prédios se recolherem cavalos ou jumentos, receberiam por cada um certa e determinada taxa diária.

ph_afonso3.jpg

Afonso III

 Era de prever que viessem a surgir conflitos, por causa destes privilégios, entre os moradores da Almedina, isentos de todos esses serviços e contribuições, e os seus vizinhos, habitantes do bairro baixo ou arrabalde, que estavam sujeitos a todos os encargos; por isso D. Afonso III cominou logo na referida carta que, se alguém atentasse contra estes privilégios, ou contra algum deles, pagaria o dano em dobro ao ofendido, e à coroa 6.000 soldos, ficando por inimigo do Rei, e sujeito a penas corporais e pecuniárias. Mas, para gozar tais benefícios, era condição impreterível a residências permanente em almedina de Coimbra; e tão rigorosa era esta clausula que, se algum morador tivesse uma casa dentro da muralha e outra fora, havia de habitar na da cerca, aliás perdia os privilégios, e no caso de alguém ter necessidade de sair, embora por breves dias, e ainda mesmo que fosse apenas para fazer a recolhença dos seus cereais, ou para vender os seus géneros, era obrigado a não fechar a casa, deixando nela sua mulher e filhos, e se os não tivesse, pelo menos os seus criados ou alguma outra pessoa.

Pois, apesar destas vantagens e destes estímulos oferecidos por D. Afonso III, o abandono de almedina de Coimbra continuou a fazer-se sentir, como atestam vários documentos dos anos seguintes. Em tempo de D. Dinis havia «intramuros», especialmente na parte mais alta, muitos «pardieiros» a desabar em abandono, muitas casas «derribadas», assim como outras «de aluguer», para as quais parece que não abundavam inquilinos.

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 83-88, do Vol. I

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 08:17

Sexta-feira, 16.06.17

Coimbra: S. António dos Olivais, de ermitério a freguesia 3

A capela ficou novamente só, com o seu ermitão, naturalmente um pobre homem que tinha a chave, como outrora acontecia em qualquer capela de perdida aldeia.

Mas, na cidade, os acontecimentos que rodeavam a vida de António, o franciscano, colhiam eco e, quando foi conhecida a notícia da sua morte, dada a aura apoteótica que o envolvia, esperava-se uma glorificação rápida, acontecida logo no ano seguinte, em 1232.

Sto. António cónego regrante. Início s. XIX.jpg

 Sto. António cónego regrante. Início séc. XIX

O Santo, em Coimbra, tinha vivido em dois lugares: o abacial mosteiro de Santa Cruz e o ermitério de Santo António dos Olivais, onde então ainda permaneciam os frades; na igreja crúzia, a primeira capela da esquerda, passou a ostentá-lo por orago e nos Olivais, o próprio oratório conventual mudou de “dono”: de Santo Anton, o ermita, transmutou-se em Santo António, o pregador.

Contudo, em Coimbra, a capela dos Olivais constituiu-se sempre como o principal santuário antoniano ... A capelita ... deve ter continuado na posse do cabido, que, nos fins do século XV, em virtude do incremento do culto aí praticado, a mandou reformar e ampliar. Ficou com a área que atualmente ocupa, exceção feita à capela-mor que, no século XVIII sofre ligeiro aumento.

Em 12 de Maio de 1536 o cabido catedralício passou alvará de pagamento de 1.800 réis, a João de Ruão, pela cruz de Santo António que se encontrava albergada num pequeno alpendre, aberto por todos os lados. A estrutura, que apenas no século XVIII, aquando da aposição dos azulejos, temáticos... deve ter assumido a configuração atual, ocupava ... uma posição topográfica comum aos cruzeiros, pois erguia-se na confluência da estrada do Tovim com a Calçada do Gato, justamente nas proximidades do santuário antonino, então ainda pertença do cabido da sé.

Cruzeiro do Senhor Santo Cristo.tif

 Cruzeiro do Senhor Santo Cristo já transformado em capela

 O templete do Santo Cristo, quadrangular, apresenta nas esquinas, assentes sobre um embasamento, pilares dóricos lisos, com exceção dos da fachada principal que ostentam finos lavores renascentistas relacionados com a temática da paixão; decoram o friso enrolamentos em forma de S e cobre-o um coruchéu quadrado, revestido com tijolos de orelha, vidrados a verde e melado.

No interior destaca-se a imagem de Cristo crucificado, saída do cinzel de Ruão, com a data de 1536 gravada no pé ... a construção do templete do Santo Cristo se pode considerar como marco do final da primeira fase, ou seja, o período de ermitério.

Em 1540 ... o olival, a horta e as ofertas feitas à casa de Santo António, bem como o conjunto ermítico, transitaram do cabido para os franciscanos capuchos da província da Piedade e, anos depois, em 1763, como resultado de uma nova divisão de províncias levada a cabo pela ordem franciscana, fica adstrito à da Soledade.

Veio dos frades o aspeto pitoresco que o sítio apresenta e também deles ficou o conjunto construtivo, pois conservaram a mesma igreja e construíram a residência conventual ... contudo, na primeira metade de Setecentos, prolongando-se até ao final da centúria, levaram a cabo obras de envergadura que passaram pela modificação da frontaria da igreja, pela construção do escadório com as suas capelas e pela feitura da sacristia.

Encerrou-se, em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o ciclo monástico e, no ano seguinte, o convento foi vendido a um particular.

Anacleto, R. 2005. Santo António dos Olivais: De Ermitério a Freguesia. Conferência na cerimónia comemorativa do aniversário da criação da freguesia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:18

Quarta-feira, 14.06.17

Coimbra: S. António dos Olivais, de ermitério a freguesia 2

Em torno de 1217-1218 chegaram a Coimbra os primeiros franciscanos, mendigos por voto, quiçá pouco cultos; o impacto causado na população, contrariamente ao que se diz e se tem escrito, não deslumbrou, mas o clarão da fé iluminava o seu rasto. O cabido cedeu-lhes a capela e o tugúrio e aí se instalaram precariamente, até que, cerca de 1247 abandonaram o local e transferiram-se para o convento de São Francisco da Ponte. Ainda durante a estada dos monges, o titular foi mudado para Santo António, falecido em 1231 e canonizado no ano seguinte.

Num qualquer dia do ano de 1219 entraram em Coimbra cinco franciscanos que, certamente, estanciaram algum tempo em Santo António; dirigiam-se para o Norte de África e “queriam esta coisa infantil e estupenda, a um tempo, alucinatória e heroica: serem mártires de Cristo!”. Conseguiram o seu intento.

Decapitação dos Cinco Mártires de Marrocos.jpg

Decapitação dos Cinco Mártires de Marrocos (Livro de Milagres dos Santos Mártires, séc. XV. Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra)

Nessa altura, encontrava-se homiziado em terras marroquinas D. Pedro, irmão de Afonso II que, não podendo ou não querendo regressar ao país, a fim de trazer os despojos dos cinco mártires, enviou a Coimbra com essa preciosa carga o seu fiel vassalo, Afonso Pires de Arganil. Como o capelão do infante era monge de Santa Cruz, as relíquias vieram para o mosteiro onde vivia Fernando de Bu­lhões que já tinha contacto com os frades franciscanos.

De acordo com as prescrições regulamentares das nascentes “Ordens mendican­tes”, os irmãos deviam viver da caridade e a verdade é que, no início da instituição, este voto foi integralmente cumprido. Os primeiros frades que ocuparam Santo António tinham grandes privações, minoradas, por vezes, pelos seus irmãos pedintes, que desciam a esmolar humildemente até aos bairros da cidade, trazendo dali, sobretudo do opulento Mosteiro Real de Santa Cruz, alguns meios de conforto para as suas refeições frugalíssimas.

Fernando de Bulhões havia sido designado para desempenhar as funções de Reverendo Cónego Porteiro, cargo que implicava a obrigatoriedade de, como constava do regulamento, distribuir esmolas; foi neste contexto que ele teve ensejo de falar, no seu Mosteiro, com os irmãos pedintes dos Olivais.

Portaria do mosteiro de Santa Cruz, Magne.tif

Portaria do mosteiro de Santa Cruz. José Carlos Magne. Planta topográfica da Praça de Sansão. Pormenor. 1796

Identificar as relíquias chegadas de Marrocos, relacioná-las com os frades mendigos dos Olivais e apaixonar-se pelo ideal franciscano que passava pela busca do mundo eterno e pela doação total de si mesmo, foi obra de um momento.

E um dia, os franciscanos dos Olivais que iam mendigar à portaria de Santa Cruz regressaram com mais um companheiro.

Percorreram um caminho entre muros e verduras: saíram do terreiro de Santa Cruz, subiram a rua das Figueirinhas, passaram a Fonte Nova, a fonte do antigo bairro judaico, e continuaram a caminhar no lado poente da atual Sá da Bandeira, passando pelas traseiras da Associação Académica; desembocaram nos Arcos, que então ainda não existiam, mesmo ao lado da estrada que descia das portas do Castelo.

O trajeto, a partir daí, começava a ser mais arejado. Da garganta dos Arcos subiram à Eira das Patas e cortaram para Celas. Arrabaldes distantes da cidade, caminho longo conducente a mais do que pobre aldeia.

Os franciscanos, nesse dia longínquo do verão escaldante de 1220, traziam consigo mais uma alma, mais um prosélito do seu ideal e, ultrapassada a zona de Celas rapidamente atingiram o colo da colina, coroada pela capelinha que apresentava anexa, no alto do pequeno morro, o rude abrigo.

Foi precisamente nesse dia, igual a tantos outros, mas único para os Olivais, que Fernando de Bulhões ali chegou e mudou o seu nome para António.

O Santo conservou-se pouco tempo nos Olivais, partiu em demanda da África, talvez à procura de um martírio que não chegou, e, até mesmo os frades abandonaram o ermitério em 1247.

Anacleto, R. 2005. Santo António dos Olivais: De Ermitério a Freguesia. Conferência na cerimónia comemorativa do aniversário da criação da freguesia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:13

Segunda-feira, 12.06.17

Coimbra: S. António dos Olivais, de ermitério a freguesia 1

No início do século XIII o local onde atualmente se ergue a igreja de Santo António dos Olivais já era conhecido pelo nome de Olivais, mas ignora-se a partir de que data se agregou ao sítio o epíteto de Santo António ou Santo Anton. Tratava-se do António ou Antão, um ermita que tinha a sua capela numa zona deserta. O templo situa-se a nordeste da antiga ci­dade, assenta numa pequena elevação, domina subdivisões de velhos caminhos e pertence ao tipo dos “santuários dos altos”.

Santo António dos Olivais. Bilhete-postal antigo.

Santo António dos Olivais. Bilhete-postal antigo

A mais antiga referência documental que lhe diz respeito encontra-se na Vita Sancti Antonii, escrita no século XIII.

As grandes ondulações laterais dos terrenos antigos, integrantes do forte e largo maciço da meseta peninsular, a que se encostam ro­chas mais recentes, da época terciária, vêm morrer pela altura dos Tovins e o seu pregueado, a partir daí, vai-se desdobrando em curvas menos acentuadas e em alturas cada vez menores. 

Desses mesmos Tovins desenvolve‑se uma linha de cimos que, elevando‑se em São Sebastião, tem o ponto dominante na igreja de Santo António. Corre depois pela Cumeada até ao Penedo da Saudade, descai à garganta dos Arcos e sobe, para o alto do antigo castelo. Ergue aí a cabeça como que a despedir‑se das serras de onde veio e passa a olhar o rio em que se vai sumir, quer deslizando pelas linhas do morro da Sé Nova, quer pelas da antiga alcáçova real.

Do ponto de vista geomorfológico, Santo António nunca foi um ermo perdido, pois situava-se num local obrigatório de passagem para os que, descendo do Roxo ou do Agrelo, buscavam os vales húmidos de Coselhas ou do Calhabé. Os caminhos trilhados hoje, coincidem, grosso modo, com os de outrora e as linhas naturais de trânsito vinham divi­dir-se na base do pequeno morro da igreja: a principal, cortava ao lado para nordeste, descendo a calçada e a outra, voltava-se para noroeste.

Certamente que, também e desde sempre, o morro arredondado se impôs ao espírito religioso, até porque os altos são, naturalmente, pousadouros de culto, sítios que o homem consagra à divindade, talvez porque assim lhe pareça que se aproxima mais de Deus. Neste contexto, não se mostra despiciendo tentar desvendar qual teria sido a latria que acampara neste cimo, antes de se haver erguido a capelita de Santo António ermita.

... a charneira dos séculos XII-XIII não funcionou como um começo, mas como uma continuidade, pois luso-romanos e visigodos já ali devem ter feito subir as suas preces ao Ser Supremo.

Nos primórdios da nacionalidade existiu nesta pequena e destacada elevação uma capelinha dedicada a Santo António, o ermita, e, ao lado, erguer-se-ia um tugúrio para o ermitão, certamente homem pobre, sem recursos, que se prontificava a guardar o oratório a troco de alguma esmola e de um teto que o protegesse das intempéries.

O conjunto pertencia ao cabido catedralício, tal como acontecia com um outro modesto templo, o do Espírito Santo, que se erguia um pouco mais abaixo, logo ali no vale; a este, nem mesmo os brasões de D. Fernando e de Leonor Teles, apostos na fachada, lhe conferiam grandeza.

E se, a capela de Santo António marcava o cimo, a do Espírito Santo assinalava o talvegue penumbroso.

Anacleto, R. 2005. Santo António dos Olivais: De Ermitério a Freguesia. Conferência na cerimónia comemorativa do aniversário da criação da freguesia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:51

Quarta-feira, 24.05.17

Hospital de S. Lázaro ou a história de uma demolição recente

Quando em 2005 integrei uma lista concorrente à Câmara Municipal de Coimbra uma das questões abordadas no decurso dessa campanha eleitoral foi a recuperação do que, então, restava no Hospital de S. Lázaro e que se pode observar na seguinte figura:          

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIF

 Hospital dos Lázaros, Fora de Portas

Das grandes promessas eleitorais então feitas nada resultou. O muito que ainda lá restava e que se podia ter recuperado... já foi demolido para alargar o parque de estacionamento de uma repartição pública. Sem comentários!!

No decurso do trabalho de investigação que venho realizando sobre a história da Herdade de Enxofães que foi comprada pelo Hospital de S. Lázaro em Fevereiro de 1212, encontrei no Arquivo da Universidade de Coimbra uma planta – que julgo inédita – das referidas instalações:

Hospital dos Lázaros.JPG

 Planta do Hospital de S. Lázaro existente no AUC

A planta está datada de 1852.09.11 e foi elaborada quando, após o Hospital de S. Lázaro ter passado a integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, se equacionou levar a cabo uma necessária reforma das referidas instalações.

Reforma que acabou por não se realizar tendo o hospital passado a funcionar, posteriormente, na alta da Cidade, no antigo Colégio dos Militares.

O documento, cujo interesse julgamos evidente, tem a seguinte legenda:

Planta das instalações do hospital de S. Lázaro com os seguintes dizeres:

Mapa do Hospital dos Lazaros em exbosso: per Coito fes

A cor preta he o lucal donde sequer fazer as duas emfermarias pª doenças agudas, o qual necessita de solho escada portas e janelas feitas de novo, e algumas traves.

A cor amarela reprezenta casas q tem o madeiramento cahido

A cor emcarnada são as cazas q servem actualm.te.

À margem está a seguinte nota manuscrita:

Pela medição feita em 11 de Setembro de 1852 contem o Edificio, quintal e insua os palmos designados em cada linha, comprehendendo, feita a medição pela parte onde se acham os numeros, em toda a circunferencia – 1470 palmos – incluindo o angulo de 16 palmos da parte da estrada reconhecendo q o desenho se acha errado.

Coimbra 14 de Setembro de 1852

O Admd.or do  Concl.º

Antonio dos Santos Pereira Jardim

Hospital dos Lázaros portal.TIF

Fica para memória do que nunca devia ter sido destruído no século XXI: uma construção que vinha do século XIII, que foi restaurada no século XVI e que podia e devia, hoje, constituir mais um marco visível da história da Cidade.

Rodrigues Costa

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:45

Quinta-feira, 23.02.17

Coimbra: Hospital de S. Lázaro

Atribui-se a criação do hospital de S. Lázaro, ou «gafaria de Coimbra», à munificência de D. Sancho I, que o dotou convenientemente em seu testamento do mês de Outubro de 1209. Parece ter sido esta herança o fundo primitivo, com que se abriu a primeira gafaria em Coimbra, de que o hospital de s. Lázaro representa hoje a continuação, depois de ter passado por muitas fases administrativas e por diferentes mudanças de local. Se antes da instituição de D. Sancho I já existia na cidade algum pequeno estabelecimento desta ordem, que aquele testamento viesse aumentar em rendas, não o pode afirmar.

... Nos arquivos do hospital ... alguns documentos originais de graças e mercês, concedidas a esta instituição por diferentes monarcas, citando com especialidade o «regimento do hospital dos lázaros» de 1329 por D. Afonso IV; outro regimento, sem data, por D. Afonso V; e ambos adicionados em Coimbra por D. Manuel em 1502, constituindo um novo regulamento com esta ultima data.

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIFRuinas do Hospital dos Lázaros, hoje demolidas

Hospital dos Lázaros portal.TIF

... Em 1774 foi incorporado na fazenda da universidade a administração do hospital de S. Lázaro, «em cumprimento do decreto d’el-rei D. José de 15 de Abril de 1774 e da provisão do marquez de Pombal de 19 do mesmo mez e anno, como consequencia da reforma da universidade de 1772; ficando sujeita aos mesmos regulamentos da administração do hospital Geral, ou hospital de Conceição.

Mais tarde seguiu a sorte d’este ultimo hospital, na mudança da administração dos seus bens para o governo civil, em repartição especial por effeito da portaria do ministério do reino de 22 de setembro de 1851; e ultimamente, na constituição d’uma administração immediatamente subordinada ao referido ministério, por decreto de 22 de junho de 1870.

Consistiam os rendimentos d’este hospital em rendas e fóros de propriedades rusticas e urbanas, rações e laudémios de prasos e casaes, nos logares de Condeixa, Falla, Trouxemil, Zouparria, Enxofães, Alfóra, etc. D’esses direitos foram abolidos os provenientes de doações regias, por decreto de 13 de agosto de 1832; de que resultou grande cerceamento nos recursos d’este hospital».

... De Fora de Portas foi transferido o estabelecimento para o colégio de S. José dos Marianos, em 5 de Dezembro de 1836 ... Deste último edifício foram mudados os lázaros para o colégio de S. Jerónimo, por decreto de 21 de Junho de 1851 ...

Hospital dos Lázaros antigo.TIF

De S. Jerónimo foram transferidos os lázaros para o colégio dos Militares ... em 10 de Novembro de 1853.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 7, 10-11, 56.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:50


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2018

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031