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A' Cerca de Coimbra


Segunda-feira, 08.04.19

Coimbra: Cemitério da Conchada, visita guiada terça-feira, dia 9 de abril, ás 15h00

A Senhora Professora Doutora Regina Anacleto vai voltar a realizar uma visita guiada ao Cemitério da Conchada, na próxima terça-feira, dia 9 de abril, às 15h00.
Esta visita, com a duração prevista de uma hora, foi solicitada pelo Delegado da Servilusa em Coimbra, estando aberta a todos os que nela queiram participar, não sendo necessária inscrição prévia.
O programa da visita é o seguinte:

- Concentração dos participantes no jardim fronteiro à porta principal do cemitério da Conchada.

- Breve exposição: o culto dos mortos ao longo dos tempos e o estabelecimento dos cemitérios em Portugal; as particularidades do cemitério da Conchada; projeto inicial e aumentos.

- Percurso:
1. Portão principal: Anjo da Paz Eterna (Autor: Daniel Rodrigues, 1941)

Cemitério da Conchada Portão 1.JPG

Cemitério da Conchada Portão

2. Jazigo modernista da Família Brinca Esteves. Anjo (Autor: Ana de Gonta Colaço, 1950)
3. Jazigo neomanuelino da Família de Francisco Mendes da Silva (Alberto Caetano, 1924)
4. Jazigo dos condes das Canas. [Jazigo subterrâneo ou mausoléu de mármore (1865) transformado depois de 1879 em mausoléu-capela]
5. Jazigo neorrenascença de António José de Moura Basto (João Machado, 1898)
6. Jazigo neorromânico da Família de Antonio José Gonçalves Neves (João Machado, 1896)

Cemitério da Conchada jazigo 3.JPG

Cemitério da Conchada jazigo

7. Jazigo neogótico do Arcediago José Simões Dias e sua Família (J. C. Correa e C.ª (Primos) / 20 Rua do Corpo Santo 22 / Lisboa)
8. Jazigo da Família de Daniel Rodrigues (porta do jazigo: Daniel Rodrigues, 1938)
9. Jazigo neobarroco de José Barata da Silva (sem autor e sem data)
10. Jazigo arte nova de Evaristo Lopes Guimarães (João Machado, 1905)
11. Jazigo arte nova “À nossa Zira”. Família de Augusto F. Carvalho e Esposa Adelaide Eliseu Carvalho (Santos, Filho, 1931)
12. Mausoléu arte nova da Família Mattos Sobral Cid (João Machado, 1914)
13. Monumento funerário de homenagem a António Augusto Gonçalves (busto da autoria de Costa Mota, sobrinho) [depois de 1932, ano em que AAG morreu]
14. Arqueta neogótica da filha de Marques Ribeiro (João Machado, 1917)
15. Jazigo neoegípcio de João Jacintho da Silva Corrêa (João Machado, antes de 1925)
16. Jazigo neogótico dos condes do Ameal (Silva Pinto/Costa Mota Tio. c. 1890)
17. Jazigo neorrenascença de Maximino Augusto da Cunha (João Machado, 1915)
18. Jazigo neomanuelino de Luís de Sousa Gonzaga (José Barata, depois de 1921)

Cemitério da Conchada jazigo 4.JPG

Cemitério da Conchada jazigo

19. Jazigo neoclássico de Maria do Céu (Medalhão de João da Silva, 1933)
20. Mausoléu de João Machado [1862-1925] (João Machado, Filho (?), depois de 1925)

Nota: O autor da peça e a data da sua execução vai indicado entre parenteses

 

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por Rodrigues Costa às 12:26

Quarta-feira, 03.04.19

Coimbra: Cemitério da Conchada, visita guiada terça-feira, dia 9 de abril, ás 15h00

A Senhora Professora Doutora Regina Anacleto vai voltar a realizar uma visita guiada ao Cemitério da Conchada, na próxima terça-feira, dia 9 de abril, às 15h00.
Esta visita, com a duração prevista de uma hora, foi solicitada pelo Delegado da Servilusa em Coimbra, estando aberta a todos os que nela queiram participar, não sendo necessária inscrição prévia.
O programa da visita é o seguinte:

- Concentração dos participantes no jardim fronteiro à porta principal do cemitério da Conchada.

- Breve exposição: o culto dos mortos ao longo dos tempos e o estabelecimento dos cemitérios em Portugal; as particularidades do cemitério da Conchada; projeto inicial e aumentos.

- Percurso:
1. Portão principal: Anjo da Paz Eterna (Autor: Daniel Rodrigues, 1941)

Cemitério da Conchada Portão 2.JPG

2. Jazigo modernista da Família Brinca Esteves. Anjo (Autor: Ana de Gonta Colaço, 1950)
3. Jazigo neomanuelino da Família de Francisco Mendes da Silva (Alberto Caetano, 1924)

Cemitério da Conchada jazigo 1.JPG

4. Jazigo dos condes das Canas. [Jazigo subterrâneo ou mausoléu de mármore (1865) transformado depois de 1879 em mausoléu-capela]
5. Jazigo neorrenascença de António José de Moura Basto (João Machado, 1898)
6. Jazigo neorromânico da Família de António José Gonçalves Neves (João Machado, 1896)
7. Jazigo neogótico do Arcediago José Simões Dias e sua Família (J. C. Correa e C.ª (Primos) / 20 Rua do Corpo Santo 22 / Lisboa)
8. Jazigo da Família de Daniel Rodrigues (porta do jazigo: Daniel Rodrigues, 1938)
9. Jazigo neobarroco de José Barata da Silva (sem autor e sem data)
10. Jazigo arte nova de Evaristo Lopes Guimarães (João Machado, 1905)
11. Jazigo arte nova “À nossa Zira”. Família de Augusto F. Carvalho e Esposa Adelaide Eliseu Carvalho (Santos, Filho, 1931)
12. Mausoléu arte nova da Família Mattos Sobral Cid (João Machado, 1914)

Cemitério da Conchada jazigo 2.JPG

13. Monumento funerário de homenagem a António Augusto Gonçalves (busto da autoria de Costa Mota, sobrinho) [depois de 1932, ano em que AAG morreu]
14. Arqueta neogótica da filha de Marques Ribeiro (João Machado, 1917)
15. Jazigo neoegípcio de João Jacintho da Silva Corrêa (João Machado, antes de 1925)
16. Jazigo neogótico dos condes do Ameal (Silva Pinto/Costa Mota Tio. c. 1890)
17. Jazigo neorrenascença de Maximino Augusto da Cunha (João Machado, 1915)
18. Jazigo neomanuelino de Luís de Sousa Gonzaga (José Barata, depois de 1921)
19. Jazigo neoclássico de Maria do Céu (Medalhão de João da Silva, 1933)
20. Mausoléu de João Machado [1862-1925] (João Machado, Filho (?), depois de 1925)

Nota: O autor da peça e a data da sua execução vai indicado entre parenteses

 

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por Rodrigues Costa às 19:40

Quinta-feira, 04.01.18

Coimbra: Fotografias antigas

Folheando, tempos atrás, dois catálogos impressos aquando da realização de exposições de fotografias antigas de Coimbra, pertencentes à coleção de Alexandre Ramires, escolhi, de entre muitas que ali observei, três que me pareceu interessante divulgar.

A primeira diz respeito à Sé Velha e foi retirada de Revelar Coimbra. Os inícios da imagem fotográfica em Coimbra. 1842-1900, Lisboa, Instituto Português de Museus, 2001, imagem 48.

Sé Velha antes do restauro.jpg

 Sé Velha antes do restauro

 A vetusta catedral conimbricense encontrava-se em franca deterioração e António Augusto Gonçalves, a alma, o mestre, o mentor da Escola Livre das Artes do Desenho tudo fez para que uma intervenção de fundo, capaz de preservar as velhas pedras de séculos, se viesse a concretizar.

As obras iniciaram-se a 30 de janeiro de 1893 e o portal principal foi intervencionado, já em 1898, por José Barata, que se encarregou de esculpir as colunas e por João Machado que tomou sob a sua responsabilidade o trabalho das almofadas. Eram dois artistas formados pela referida Escola e que integravam aquela “plêiade de rapazes que começavam a fazer lembrar a idade áurea da Coimbra artística do século XVI”.

A imagem leva-nos ainda a reparar na atual falta de harmonia existente no edifício, resultado do desaparecimento do terraço. Gonçalves reduziu a área desta plataforma e os Monumentos Nacionais, na reforma levada a cabo em meados da centúria de XX, sumiram-na. Filosofias de restauro mais do que discutíveis que não cabe aqui analisar.

Uma chamada de atenção para a torre sineira, um acréscimo à construção primitiva, que albergava o chamado sino balão, levado para a Sé Nova e a existência de dois janelões laterais também abertos nas grossas paredes dos inícios. No interior da Sé acolhiam-se indivíduos fugidos à justiça régia, os homiziados, pois ali, tal como na zona das lajes, isto é no terraço que circundava o templo, existia o chamado “direito de asilo”.

 

A segunda imagem refere-se à Praça de Sansão, atual Praça 8 de maio e foi retirada de Passado ao espelho. Máquinas e imagens das vésperas e primórdios da photographia, Coimbra, Museu de Física da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2006, p. 60.

Praça de Sansão. Mercado.jpg

 Praça de Sansão mercado

 A Praça de S. Bartolomeu, Praça Velha ou Praça do Comércio era um dos locais onde, em Coimbra, se realizavam as trocas e a venda de produtos. A partir do momento em que este espaço se tornou exíguo para responder às necessidades da população aeminiense, a comercialização, sobretudo de aves e de grãos, transferiu-se, num primeiro momento, para a Praça de Sansão, atual 8 de maio. Posteriormente este “mercadinho” deslocou-se para a zona fronteira à esquadra da PSP e, e depois de 1867, instalou-se definitivamente mercado D. Pedro V.

À direita, a igreja de S. João, paroquial da freguesia de Santa Cruz (atual café), já se encontrava desativada, fora desamortizada e ali funcionava, ao tempo, um Armazem de Tecidos.

A fotografia é anterior a 1876, porque nesse ano se iniciou a construção do edifício da Câmara Municipal de Coimbra que aniquilou a parte esquerda do mosteiro, ainda intacta na imagem.

 

A terceira imagem que nos chamou a atenção é uma “Panorâmica de Coimbra” e encontra-se no catálogo Revelar Coimbra…, imagem 14. 

Vista geral 1860 c..jpg

 Vista geral, 1860 c.

 A foto, da autoria de Alfred Fillon, foi tirada c. de 1860. Numa rápida amostragem diremos que nela se pode ver, à direita, a ponte de pedra sobre o rio Mondego, o Largo da Portagem, a zona da Universidade com o Observatório Astronómico, riscado por Manuel Alves Macomboa, erguido na extremidade do Pátio e o complexo que pertencera outrora aos Jesuítas; mais para a esquerda fica a Torre de Anto, o Colégio da Sapiência e a Torre dos Sinos do mosteiro de Santa Cruz.

Visível ainda na imagem a Rua da Sofia com alguns dos seus muitos colégios e, mais em cima, uma estranha estrutura que deve ser constituída por muros da cerca de alguns colégios e suportes murados a formar socalcos que suportavam um frondoso olival outrora ali existente.

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:50

Segunda-feira, 05.06.17

Petição à Câmara Municipal de Coimbra sobre o Cemitério da Conchada 2

Como divulgamos no passado dia 1, a petição referida em epígrafe foi nesse dia enviada à consideração das Entidades diretamente envolvidas.

 Informamos que:

 - No passado dia 2, recebemos do Senhor Vereador Dr. Carlos Cidade, responsável pela área dos cemitérios, um email a informar que era do seu conhecimento estar em curso o processo de classificação do cemitério da Conchada.

 

Evaristo Lopes Guimarães.jpg

 Jazigo de Evaristo Lopes Guimarães

 

- Hoje recebemos da Direção Regional da Cultura do Centro um email do seguinte teor:

 Relativamente ao assunto em epígrafe, informa-se V. Exª.s que, efetivamente, o conjunto do Cemitério da Conchada, de acordo com a área delimitada em planta, se encontra em vias de classificação por despacho de 2015.03.16 do Exº. Senhor então Diretor-Geral do Património Cultural, conforme publicação em Diário da República (Anúncio nº. 70/2015, publicado em DR, 2ª. série, nº. 78, de 22 de abril de 2015).

Desta forma, e atendendo ao valor patrimonial do referido conjunto, ao ser determinada a abertura do procedimento de eventual classificação pela DGPC, foi considerado que o processo em questão deveria prosseguir no sentido de uma eventual classificação de valor nacional (conjunto de interesse nacional/monumento nacional – MN, ou conjunto de interesse público - CIP).

O processo encontra-se em fase final da instrução processual, nomeadamente para definição das restrições estipuladas no artigo 54º do Decreto-Lei nº. 309/2009, de 23 de outubro, e para a eventual ponderação da fixação de uma zona especial de proteção (ZEP), caso seja considerada indispensável para assegurar o enquadramento arquitetónico, paisagístico, a integração urbana e as perspetivas de contemplação. 

Ao dispor para eventuais esclarecimentos, com os melhores cumprimentos

 

Congratulamo-nos com o facto de o processo de classificação estar em curso e desejamos que o mesmo seja rapidamente concluído.

Os Promotores

 

 

 

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por Rodrigues Costa às 22:29

Terça-feira, 18.04.17

Coimbra e as suas personalidades: Daniel Rodrigues

Um outro artista do ferro, que não pode deixar de merecer uma referência específica é Daniel Rodrigues que nasceu a 26 de Março de 1886 no Largo das Ameias, em Coimbra, terra para onde os seus pais, oriundos de Penacova e de Figueira de Lorvão se haviam transferido.

... Iniciou a sua aprendizagem numa oficina de serralharia civil e a sua habilidade invulgar para o desenho e manejo do ferro terão despertado o interesse de António Augusto Gonçalves, que o levou a frequentar as aulas de Desenho Ornamental e de Modelação, ministradas na Escola Industrial Brotero ... Foi também aluno da Escola Livre.

Em 1933, conjuntamente com António Maria da Conceição e com Manuel de Jesus Cardoso, integra a direção daquela ‘universidade plebeia’, fazendo-se também sócio da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Coimbra.

Morreu, com 84 anos, quase à beira de cumprir mais um, a 11 ou 12 de Fevereiro de 1971.

Para além das obras já mencionadas, começou a executar, em 1928, uma artística grade para o palacete Sotto-Mayor que foi construído na Figueira da Foz. A fundição deste trabalho esteve a cargo da casa Alves Coimbra, Sucessores, desta cidade, e a cinzelagem e acabamento foram feitos na oficina do mestre serralheiro. A peça, que foi muito apreciada e mereceu rasgados elogios.

... em 1934, por iniciativa do pároco daquela freguesia (Santo António dos Olivais) fez o desenho e executou duas artística grades de ferro, no estilo gótico, destinadas às capelas laterais da escadaria da igreja . Quatro anos depois, bateu uns artísticos portões para a capela de Nossa Senhora da Conceição e do Senhor dos Passos, da mesma igreja , bem como o lustre central do templo.

Daniel Rodrigues. Anjo da Paz Eterna cor.JPG

Daniel Rodrigues. Anjo da Paz Eterna

De entre as obras de Daniel Rodrigues, com temática religiosa, destaca-se o Anjo da Paz Eterna, feito em 1941, feito para ser colocado no portão do cemitério da Conchada, a substituir o esqueleto que ali havia . Trata-se de uma estátua vultuosa que teve por modelo uma das suas filhas; dir-se-ia que o artista trabalhou o ferro com a mesma facilidade com que as mãos do oleiro modelam o barro. O anjo ergue as suas asas e, segurando a cruz, como que aponta o céu, num sinal de esperança e de evasão que é, afinal, o estigma de toda a arte. Neste trabalho deve salientar-se a perfeita nitidez das feições do rosto e a execução do cabelo, o subtil drapeado da túnica, apertada na cintura com um cordão, deixando aparecer, ligeiramente, os pés descalços, simbolizando a humildade que é, afinal, a deste artista e a fragilidade inerente ao ser humano.

Nas horas vagas, vai trabalhando na porta do jazigo da sua filha ... A peça revela a forte sensibilidade do artista, que retrata, através da imagem esculpida no ferro duro e frio, o real-irreal ou o tempo-não-tempo, que é a transição vida-morte, numa quase ausência de dimensões. Retratou, ao mínimo pormenor o quarto, com o seu mobiliário, a janela que já não dá para este mundo e a jovem, soerguida no seu leito, enfrentando o Anjo da morte. Em baixo, visualizam-se dois santos, a velar a caminhada eterna que Cristo e sua Mãe, insertos nos grandes medalhões que se situam a meio dos batentes, asseguram, entre lírios e rosas, uma ressurreição.

Ao longo da sua vida, Daniel Rodrigues ... executa “relevos erguidos no ferro forjado à força de buris e martelada”. É um trabalho verdadeiramente “toledano, grosso de aspecto, mas de um valor que atesta bem as possibilidades da forja e do martelo ao serviço da arte”.

... Os seus trabalhos encontram-se espalhados por todo o país, desde a Régua, a Odemira, passando por Braga, Porto, Aveiro, Figueira da Foz, Torres Novas, Beja, Lisboa, Covilhã, Belmonte, Figueiró dos Vinhos, Espinhal, Santa Comba, Mortágua ou Coimbra.

Anacleto, R. 1999. Ourives Conimbricenses do Ferro na primeira metade do século XX. Conferência nas I Jornadas da Escola do ferro de Coimbra. In publicado Munda, n.º 40, p. 25-29.

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por Rodrigues Costa às 08:46

Quarta-feira, 05.04.17

Coimbra: Visita Orientada ao Cemitério da Conchada

MEMÓRIAS DE VIDA: CEMITÉRIO DA CONCHADA

Visita orientada por Regina Anacleto, com o apoio de Rodrigues Costa                                                                          

Data do evento:

06.05.2017, sábado, às 10h30, com a duração prevista de 60 minutos

Organização:

A’Cerca de Coimbra (blogue)

Apoios:

Clube de Comunicação Social de Coimbra

Coimbra antiga e moderna (blogue)

Coimbra livre e aberta a todos (blogue)

"Cromos", Personalidades e Estórias de Coimbra (blogue)

Penedo da Saudade Tertúlia (blogue)

Público-alvo:

Todos os interessados na história e cultura coimbrã

Visita livre (sem prévia inscrição, ainda que agradecendo a manifestação de interesse na participação)

Objetivos:

- Integrar o espaço físico do conjunto cemiterial no tempo e no contexto socioeconómico

- Identificar alguns monumentos

- Sensibilizar os participantes para a necessidade de valorizar e preservar este tipo de património arquitetónico, artístico e cultural

Programa:

- Concentração dos participantes no jardim fronteiro à porta principal do cemitério da Conchada

- Breve exposição: o culto dos mortos ao longo dos tempos e o estabelecimento dos cemitérios em Portugal; as particularidades do cemitério da Conchada; o projeto inicial

Cemitério da Conchada. Projeto inicial.jpg

 Cemitério da Conchada projeto inicial

- Percurso

  1. Portão principal: o Anjo da Paz
  2. Jazigo da família Brinca Esteves.
  3. Jazigo neomanuelino
  4. Jazigo da condessa de Canas
  5. Jazigo neorrenascença
  6. Jazigo neorromânico
  7. Jazigo neogótico
  8. Jazigo de Daniel Rodrigues
  9. Jazigo neobarroco
  10. Jazigo arte nova
  11. Jazigo art déco
  12. Monumento funerário homenageando António Augusto Gonçalves
  13. Jazigo neogótico
  14. Arqueta neogótica
  15. Jazigo neorrenascença
  16. Jazigo arte nova
  17. Jazigo arte nova
  18. Jazigo neomanuelino
  19. Jazigo neoclássico
  20. Campa de João Machado

 

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por Rodrigues Costa às 09:50

Terça-feira, 04.04.17

Coimbra: Ourives Conimbricenses do Ferro 1

Coimbra, nos finais do século passado (XIX) e inícios deste (XX), apenas saía da pacatez que a envolvia, quando festejava qualquer santo da sua devoção, quando se realizavam as tradicionais feiras ou quando aqui se deslocavam personalidades, quase sempre, do foro político ou cultural. Nessa altura, o quotidiano das gentes do burgo sofria alterações.

Na urbe, grosso modo, intelectuais e artífices movimentavam-se em quadrantes espaciais diferentes e, enquanto os primeiros gravitavam em torno da velha alcáçova, os segundos haviam-se instalado na zona baixa, já fora de portas, em ruas estreitas, que se desenrolavam circularmente em torno dos já inexistentes muros, apenas a adivinharem-se no perímetro urbano da cidade.

Mas, em Coimbra, o desenvolvimento industrial era lento e penoso, até porque se tratava de uma terra quase provinciana, de parcos recursos económicos, onde muito pouco havia para investir.

Mesmo assim, nos finais de Oitocentos, existiam na cidade fábricas de fiação e tecelagem, de sabão, de lanifícios e de cerâmica e, para além destas, O Conimbricense, ainda referia as de massas, as de moagem e as padarias.

A fundição e a serralharia apresentavam então um certo desenvolvimento, não só porque os estabelecimentos existiam em número considerável, como eram credenciados, uma vez que recebiam “numerosas encomendas para esta cidade, e para fora d’ellla”. Contudo, parece-me que estas oficinas gravitavam em torno de trabalhos que se relacionavam, essencialmente, com as necessidades do quotidiano, com a lavoura e com os transportes.

... A tradição artística coimbrã assentava as suas bases na pedra, não no ferro. Deste, nos alvores do nosso século, e, pese embora, a existência de vários estabelecimentos ‘industriais’ deste ramo.

Palácio da Justiçaa. Portico.tif

 Palácio da Justiça. pórtico

... a Exposição Universal de Paris atraía sobre si as atenções de todo o mundo civilizado. António Augusto Gonçalves não podia ficar indiferente a esta manifestação... A secção de serralharia fascinou-o!

...No regresso, questionava-se acerca do caminho a trilhar, a fim de modificar este estado de coisas e sonhava desenvolver, em Coimbra e com o ferro, uma arte que atingisse nível similar ao da pedra; acabou por confiar o desejo ao Dr. Joaquim Martins Teixeira de Carvalho, o bom Quim Martins, que tanto ajudou, com a pena e com a amizade, os artistas mondeguinos e transmitiu-o também a João Machado, o burilador para quem a pedra não tinha segredos.

A ideia foi germinando e o artista, um belo dia, com quatro pedras, improvisou, ao canto da sua oficina, uma incipiente forja, a fim de tentar manufaturar um florão, destinado a servir de puxador de gaveta. O ferreiro a quem pedira emprestados os utensílios necessários, veio ver e ensinou-o a bater o ferro. Machado entusiasmou-se e pôs de parte, durante algum tempo, o seu amor pela pedra; chegou mesmo a debuxar e a forjar algumas peças.

Assim ressurgiu, em Coimbra e acalentada pela Escola Livre das Artes do Desenho, uma arte que, durante longos anos, sofrera as consequências do desprestígio; a sua certidão de batismo, que não a de nascimento, foi passada quando Manuel Pedro de Jesus bateu, segundo um desenho e com direção de António Augusto Gonçalves, uma grade para o monumento funerário que então se erigiu no cemitério da Conchada em memória de Olímpio Nicolau Rui Fernandes.

Anacleto, R. 1999. Ourives Conimbricenses do Ferro na primeira metade do século XX. Conferência nas I Jornadas da Escola do Ferro de Coimbra. In publicado Munda, n.º 40, p. 1, 4, 7-9

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por Rodrigues Costa às 10:23

Quinta-feira, 09.03.17

Coimbra: Cemitério da Conchada, ou o caminho para a sua existência 2

Depois de bastantes hesitações sobre a escolha do terreno para o cemitério de Coimbra, a câmara adotou o alto da Conchada na quinta do Pio por indicação de peritos, nomeados em comissão pelo governo civil em 12 de Agosto de 1851. Outra comissão demarcou o terreno, que deveria ser expropriado, em 25 de Setembro do mesmo ano.

...“As nove freguesias da cidade tem nas suas igrejas, nos claustros da Sé Nova, e nos péssimos cemitérios de S. Pedro e Salvador, 972 sepulturas; e, tendo sido de 302 por ano o termo médio dos óbitos nos últimos dez anos, devem ter-se aberto as sepulturas com intervalos de 38 meses e meio (Costa Simões – Relatório da gerência municipal de Coimbra nos dois annos decorridos desde o 1.º de janeiro de 1856 até ao último de dezembro de 1857).

... Com todos estes trabalhos do meu plano do cemitério, começou a construção no cunhal SO, do mesmo cemitério em 30 de Setembro de 1852.

Cemitério da Conchada, planta.jpg

Cemitério da Conchada, planta primitiva

... Entrando, mais tarde ... na presidência da Câmara, para o biénio de 1856 e 1857, encontrei construída uma porção e muro do mesmo cunhal SO, a maior parte da muralha que sustenta o tabuleiro norte e os alicerces em quase todo o perímetro do cemitério.

Durante a minha gerência ativei os trabalhos; e, no fim do primeiro ano, tinha já concluído toda a muralha que sustenta o tabuleiro inferior, quase toda a que devia sustentar o tabuleiro imediato, grande parte dos muros de topo daquele primeiro tabuleiro, parte dos muros do tabuleiro sul e o respetivo movimento de terras. Estavam construídos os alicerces da capela e de todo o perímetro do cemitério, e ainda outras obras de menor custo por todos os tabuleiros e alameda contígua. A estrada ficou aberta ao transito em toda a sua extensão, desde o largo da Fonte Nova, por Montarroio, cerca da Graça, até ao cemitério.

Nestas alturas uma grande trovoada, em Dezembro de 1856, fez desabar uma parte da muralha norte; e arruinou quase todo o paredão do segundo tabuleiro.

Coincidiu este facto com desinteligências que, pouco antes, se tinham levantado entre a câmara e o governador civil ... e daí por diante as influências políticas ... procuravam por todos os meios o descrédito de tudo o que se tinha feito em favor do cemitério.

Pretendeu-se que a fosse a câmara responsável por todos os prejuízos causados por aquele desabamento.

... Malogrado este meio de agressão à câmara, recorreu-se ao descrédito do plano do cemitério ... o presidente da nova câmara propôs que se abandonasse o cemitério em construção, e que se adotasse novo plano em novo local.

Contra o cemitério em construção alegou-se: 1.º que era absurdamente grande e mal colocado; 2.º que ficaria excessivamente caro.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 112-113, 119-122

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por Rodrigues Costa às 14:18

Terça-feira, 07.03.17

Coimbra: Cemitério da Conchada, ou o caminho para a sua existência 1

Como se não bastassem as más condições interiores para condenação de um hospital tão pequeno para tantos doentes (as primitivas instalações dos Hospitais da Universidade de Coimbra), acrescia ainda a má vizinhança que lhe fazia o cemitério. Davam para ele as janelas das enfermarias do lado norte; e a distância entre esta face do edifício do hospital e o muro do cemitério era apenas de 8 metros. (distância que corresponde, grosso modo, à atual rua Inácio Duarte, uma vez que o cemitério estava instalado entre esta rua e a antiga “estrada dos jesuítas”, hoje rua António Vieira. De notar que este cemitério poderá ter sido o primeiro em Coimbra – e por certo um dos primeiros do País, senão o primeiro –, na época moderna, a existir não ligado a uma igreja, nos adros, no interior ou em terrenos anexos à mesma.

Hospital da Conceição novo e cemitério.jpg

 ... Achando-me a uma destas janelas em janeiro de 1852 com o facultativo interno ... notou este que se estava a abrir uma sepultura em sítio do cemitério, onde já tinha visto abrir outra ... concluímos que não tinha decorrido o tempo suficiente para a renovação daquela sepultura ... Terminei, ponderando a urgente necessidade de se escolher com prontidão, qualquer terreno que se prestasse a um cemitério suplementar e provisório, enquanto não se construísse o cemitério geral da cidade, de que então se tratava com bastante cuidado.

... Surgiram dúvidas sobre a escolha do terreno; hesitando-se entre o cerco dos jesuítas, contíguo ao laboratório químico, o cerco de S. Jerónimo, ou as igrejas, então fora de culto, de S. Jerónimo, de S. Bento ou do colégio de Tomar.

Concluiu-se por dar preferência ao terreno da Conchada, oferecido pela câmara municipal, por se achar então já demarcado para cemitério público.

Correu tudo com tanta celeridade, que, tendo chegado a minha reclamação ao conselho da faculdade de 28 de Janeiro, passados seis dias já se abria a primeira sepultura no cemitério provisório da Conchada. Teve lugar esse enterramento no 1.º de Fevereiro de 1852.

Aquele pequeno recinto da Conchada, ainda mesmo depois de resguardado com tapume de madeira, ficou pouco decente para os enterramentos do hospital; mas desviou-se do estabelecimento a insalubridade que lhe provinha do antigo cemitério; e preparou-se a opinião para receber depois, com menos repugnância, a mudança dos enterramentos das igrejas para o cemitério municipal.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 108-112

 

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por Rodrigues Costa às 17:34

Quarta-feira, 08.02.17

Coimbra e a Arquitetura Revivalista 2

Em Coimbra seguir a moda seria, por exemplo, restaurar Santa-Clara-a-Velha, o que por várias razões, incluindo as de ordem técnica, era inviável; mas a Sé Velha, românica, mesmo no coração da velha urbe, carecia de obras.

... António Augusto Gonçalves bateu-se com firme determinação para que o seu restauro se transformasse de utopia em realidade. Apoiado pelo Bispo-Conde e pela imprensa local, mas olhado com estranheza e desconfiança pelo grande público ... O Mestre podia, com certa segurança, abalançar-se a obra de tamanha envergadura, porque à sua volta gravitavam todos aqueles artistas que desde há alguns anos frequentavam a Escola Livre e aí tinham adquirido maturidade e conhecimentos. De entre eles ressaltava o nome de João Machado, que devido à sua grande intuição e habilidade conseguiu reconstruir com relativa segurança o desenho das almofadas laterais em que assentam as impostas da primeira arquivolta da porta principal do templo e o dos fustes das colunas[1]. Tanto umas como outros se encontravam profundamente corroídos não só pelo salitre como, e principalmente, pelo uso. Com efeito, ao longo de muitos séculos, os fiéis, quando amontoados saíam dos atos litúrgicos, roçavam na pedra friável e foram fazendo com que os desenhos se sumissem.

António Augusto Gonçalves conseguiu transformar o sonho em realidade: a Sé Velha foi restaurada. Os artistas que frequentavam a Escola Livre das Artes do Desenho deram a sua colaboração.

 

Portal da Sé Velha.jpg

 Portal da Sé Velha

O restauro do vetusto templo não podia, no entanto, deixar de influenciar o mundo artístico mondeguino e o neorromânico aparece ligado a outras construções. Os jazigos, tão em voga na época, deram possibilidade aos artistas de soltar a sua imaginação criadora. Utilizaram este estilo, quer alargando-o a toda a construção, quer incluindo apenas alguns elementos em conjuntos heterogéneos mas harmoniosos; e assim, podemos vê-lo um pouco por toda a parte, tanto no Cemitério da Conchada ...

Jazigo Antonio A Gonçalves.jpg

 Cemitério da Conchada. Jazigo da Família António Augusto Gonçalves

... como espalhado por outros pontos do país, embora saído de oficinas coimbrãs. Os capitéis de tipo românico, que foram também esculpidos em profusão, sustentavam muitas vezes entablamentos de varandas e arquivoltas de portas, em moradias de certo aparato.

Anacleto, R. 1982. Arquitectura Revivalista de Coimbra. In Mundo da Arte, 8-9. Coimbra, 1982, p. 3-29.

 

[1] Em fase posterior à publicação do artigo, a Autora verificou que nos fustes se verificara intervenção vultuosa de José Barata, também artista ligado à Escola Livre.

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por Rodrigues Costa às 10:12


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