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A' Cerca de Coimbra


Domingo, 05.07.15

Coimbra, a tração elétrica nos transportes urbanos 1

Elaboramos o texto abaixo apresentado … tendo por base um trabalho de investigação realizado aquando da nossa participação na criação do Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra – de que tivemos a honra de ser o primeiro Diretor -, iniciativa que se pretendia como o primeiro núcleo de um projeto, ainda tão necessário: o da criação de um Museu de Coimbra, polinucleado, que abranja as múltiplas facetas de que o passado da nossa Cidade se reveste.

Duas imagens marcam a minha meninice. A primeira – uma das minhas mais antigas memórias – é a de, pela mão de meu Pai, ir à Portagem ver passar o «pantufas» alcunha com que os troleicarros, à boa maneira de Coimbra, foram alcunhados aquando do seu surgimento. A segunda é de menino moço ver uns “ Senhores Engenheiros Suíços” a montar a linha aérea que iria realizar a circulação da Cidade, indo da Baixa, passando pelo Calhabé e pelos Arcos do Jardim.

Os primórdios dos transportes urbanos em Coimbra

A história dos transportes urbanos em Coimbra, inicia-se em Fevereiro de 1873 quando “Evaristo Nunes Pinto e Camilo Mongeon, concessionários do caminho-de-ferro americano, da estação do caminho-de-ferro do Norte a Coimbra, requerem que os carros passem através das ruas da Cidade apresentando planta do projeto”… a 17 de Setembro de 1874 a empresa entretanto criada – a Rail Road Conimbricense – comunica ao Município “a abertura da linha desde a Calçada (Rua Ferreira Borges) à estação de caminho-de-ferro do Norte”. A inauguração teve lugar em 15 de Setembro de 1874 e foi assim noticiada.

“Partiram da Calçada 3 carros americanos. No primeiro seguiam os diretores, as autoridades de Coimbra e demais convidados. No segundo carro seguia na Imperial (pelo que pelo menos um carro americano tinha segundo piso, a chamada Imperial) a Filarmónica Conimbricense que tocava o hino da Carta. Muita gente a assistir. Muitos foguetes. Pelas 3 horas da tarde foi servido um opíparo jantar na sala da Sociedade Terpshicore”.

… Com a abertura do ramal de ligação da linha do Norte ao centro da Cidade, a empresa de carros americanos, depressa entrou em declínio tendo deixado de circular em 1887.

Uma segunda fase foi iniciada em 30 de Outubro de 1902 quando “Augusto Eduardo Freire de Andrade pede a concessão de uma linha férrea, sistema americano, nas ruas da Cidade, para tração animal” … iniciativa concretizada – pela Companhia de Carris de Ferro de Coimbra, entretanto criada – em 1 de Janeiro de 1904 – com o “estabelecimento da ligação da atual estação de Coimbra-B com o Largo da Portagem, a que se seguiu, em 4 de Fevereiro a abertura de um novo traço entre a Praça 8 de Maio e a Rua Infante D. Augusto (atual Rua Larga, junto à Universidade).

As últimas notícias referenciadas sobre os carros americanos em Coimbra datam … de 3 de Fevereiro de 1916.

… A título de curiosidade refere-se a efémera existência – com início em Janeiro de 1907 – da primeira carreira de autocarros em Portugal, a qual ligava a Baixa à Alta, numa iniciativa da Empresa de Automóveis Tavares de Mello Coimbra que para o efeito utilizava carros de “4 cylindros com a força de 4 cavalos e transportavam 20 pessoas”.

Costa, A. F. R. 2007. Troleicarros: Um Património de Coimbra. In Troleicarros de Coimbra. 60 Anos de História. Coordenação de João d’Orey. Coimbra, Ordem dos Engenheiros – Região Centro, pg. 59 a 61

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por Rodrigues Costa às 11:07


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