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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 29.08.17

Coimbra: Colégio de Nossa Senhora da Graça

Fundou-o el-Rei D. João III em 1543 para os «Eremitas calçados de Santo Agostinho, sendo concluído, e por este monarca dotado, em 1548.

Incorporou-o na Universidade a carta-régia de 12 de Outubro de 1549.

Tinha o seu edifício na Rua da Sofia, a Ocidente do Colégio do Carmo, separados um do outro por uma viela, que depois se suprimiu.

Colégio de N. Senhora da Graça.jpg

Colégio de N. Senhora da Graça

 Foi muito favorecido por el-Rei com grandes privilégios. Eram apontados os seus colegiais como argumentadores subtis; o seu espirito combativo tornava-os por conflituosos e pouco simpáticos.

... É de todos os edifícios universitários aquele que melhor se conserva ainda hoje, quase intacta, a sua fachada, com as primitivas janelas, que iluminavam os escritórios de cada colegial, e ao lado de cada uma o postigo da alcova, onde dormia.

Em parte deste edifício esteve instalado, com consentimento dos religiosos, um hospital, no tempo da guerra miguelista.

Abandonado em 1834, logo a 10 de Janeiro de 1835 a Câmara de Coimbra representou ao Parlamento, pedindo o edifício para quartel. Foi concedido em 1836 com este destino, tomando dele posse a Câmara a 15 de Dezembro do mesmo ano. Nele se instalou o quartel militar.

Em 1857, o Comissariado dos Estudos requisitou da Câmara uma casa, para onde se mudasse a escola de ensino mútuo. Respondeu aquela que só tinha duas casas em condições, a do Colégio da Graça e a da torre de Almedina. Foi preferida a da Graça, devendo-se mudar para outra o quartel militar. Quando porém a Câmara mandou proceder às obras necessárias para a instalação da escola, opôs-se o oficial comandante do destacamento ali aquartelado. Deu isto lugar a vivas querelas jornalísticas.

Aloja-se atualmente (em 1938-1941) ali o quartel da Administração militar.

Colégio de N. Senhora da Graça igreja.jpg

Interior da Igreja do Colégio de N. Senhora da Graça

 Na igreja o culto esteve de princípio a cargo da Ordem terceira de Santo Agostinho; hoje é mantido pela Irmandade do Senhor dos Passos.

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 196-197, do Vol. I

 

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por Rodrigues Costa às 10:11

Quinta-feira, 27.10.16

Coimbra: a Brotero uma escola com passado e com presente 3

Até possuir edifício próprio, a Escola Brotero ocupou, desde a sua instituição, por empréstimo ou pagando renda, espaços cada vez mais amplos e diversificados, respondendo assim ao aumento crescente da sua massa estudantil e dos cursos ministrados.

... em 1884, a Câmara Municipal de Coimbra destinou para sua instalação a antiga Igreja da Trindade ... as obras (de adaptação) não foram de imediato realizadas (e nunca mais o seriam), de forma que a Associação dos Artistas resolveu dispensar provisoriamente a única sala que dispunha ... o refeitório do antigo Convento de Santa Cruz, emprestando também o mobiliário, até chegar o que havia sido encomendado para o efeito (o que começou a verificar-se em Março de 1885, ou seja, um mês após o início das aulas.

Em Dezembro de 1886... a Câmara Municipal cedeu à Escola, após obras de restauro e adaptação, as dependências do Mosteiro situadas por cima do antigo refeitório.

... em 23 de Fevereiro de 1889 ... «foram anexadas às antigas instalações,  numa primeira fase, o andar superior da fachada oeste do jardim da Manga e a antiga capela do noviciado e, posteriormente, a fachada sul do mesmo jardim, bem como o pavimento térreo das duas fachadas e o jardim da Manga.

... Para a instalação das oficinas... a Câmara em 1890/91, cedeu para o efeito  ... «a parte baixa do antigo cerco do noviciado». Mais tarde, com o aumento da frequência escolar, ferramenta e maquinaria para alargamento daquelas, foram construídos pavilhões sobre os tanques do jardim.

Nestas instalações funcionou a Escola durante anos. Instalações, no entanto, foram progressivamente beneficiadas. Sob a direção de Sidónio Pais, foi nelas erguida, em 1904, uma central elétrica privativa.

... Na madrugada do dia 13 de Janeiro de 1917, um violento incêndio destruiu parte das instalações, incluindo gabinetes, salas de Desenho, o laboratório de Química... após um período em que, provisoriamente, ocupou dependências contiguas ... a Brotero transferiu-se, em Dezembro de 1918, para a casa da Quinta do Mosteiro – antiga residência de verão do Prior – situada no espaço hoje ocupado pela Associação Académica ... as oficinas mantiveram-se no Jardim da Manga.

De 1919 a 1920, funcionou no mesmo edifício, por falta de sede própria, a Escola Comercial de Coimbra... a qual ... veio a ser transferida para o 1.º andar arrendado (ainda em 1919) de um prédio (hoje inexistente) na Rua da Sofia (n.º 157) ... tendo-se aí mantido até 1926, data em que se incorporou definitivamente na Brotero.

... Quando se criou o «Instituto Industrial e Comercial de Coimbra», a 5 de Dezembro de 1921, a Escola Brotero partilhou com ele as suas instalações... a morosidade verificada na construção do novo edifício, já iniciado junto à Praça da República, levaram a que se determinasse a mudança dos dois estabelecimentos de ensino para a antiga hospedaria do Convento de Santa Cruz e residência do seu Prior, então Hospício da Maternidade (afeto à Faculdade de Medicina desse 22 de Fevereiro de 1911), frente ao Mercado D. Pedro V, local onde hoje se encontra a «Escola Secundária de Jaime Cortesão».

Figueira, M. L. 2012. Escola Brotero. Memórias de Sempre. 2.ª edição revista e actualizada. Coimbra, Escola Secundária Avelar Brotero, p. 61-64

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por Rodrigues Costa às 22:15

Quarta-feira, 26.10.16

Coimbra: a Brotero uma escola com passado e com presente 2

A Brotero é uma escola de tradições. Uma escola que nasceu do nada e cresceu, valorizando o Coimbra e o País ... Atenta à evolução do mundo exterior, sempre foi uma escola de vanguarda ... Uma escola-Escola, de todos os tempos, de sempre, porque sempre em luta consigo própria. Para servir.

... Desde o século XVIII que o ensino profissional – até aí quase inteiramente da responsabilidade das corporações de artes e ofícios e de organismos religiosos – mereceu a atenção dos governantes nacionais. Contudo, só após o Liberalismo e face à necessidade de resposta ao avanço da Revolução Industrial foram tomadas as primeiras medidas sérias com vista à sua implementação.

...Em Coimbra, este estado de coisas fez surgir, em 1851, a «Sociedade de Instrução dos Operários» e, em 1862, a «Associação dos Artistas de Coimbra», que, sob o patrocínio de Olímpio Nicolau Rui Fernandes, visava «a difusão do Ensino Geral e Técnico das Artes e Ofícios, propagando os conhecimentos de economia, industrial e doméstica, necessários ao aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, e promovendo em tais atividades o uso e introdução de novos maquinismos», e deu origem ... em 1878, a criação da «Escola Livre das Artes do Desenho», por iniciativa de António Augusto Gonçalves, a qual obteve da Câmara Municipal a cedência da antiga Casa do Senado, no andar superior da Torre do Arco de Almedina.

... por Decreto de 3 de Janeiro de 1884, o Ministro ... António Augusto de Aguiar, criou oito Escolas de Desenho Industrial, verificando-se com agrado que uma delas era em Coimbra – a atual Escola Secundária de Avelar Brotero.

... A 20 de Fevereiro de 1885, ou seja, cerca de um ano depois da sua criação a Escola de Desenho Industrial Brotero, ainda equipada com mobiliário emprestado pela Associação dos Artistas e sem material didático, encomendado na Alemanha ... iniciou atividades ... Matricularam-se cento e cinquenta e dois alunos (cento e quarenta e nove do sexo masculino e três do sexo feminino), com idades compreendidas entre os seis e os quarenta anos e, na sua maioria, profissionais: «alfaiates, canteiros, carpinteiros, empregados, funileiros, marceneiros, ourives, paliteiros, pedreiros, pintores de louça, sapateiros, segeiros, serralheiros, tipógrafos». A única disciplina lecionada no primeiro ano de funcionamento foi a de «Desenho Elementar». E apenas no período noturno, dado que, por falta de alunos, a Escola não teve aulas diurnas, tal como pelo menos nos seis anos subsequentes.

... Em 1889 ... o ministro Emídio Navarro elevou a Escola de Desenho Industrial Brotero a Escola Industrial.

... em 1914, ano a partir do qual a Escola passaria, em consequência, a Escola Industrial e Comercial.

... Nos finais do ano (1918) ... a Secção Comercial existente na Brotero foi-lhe retirada, para formar uma escola independente – a Escola Comercial de Coimbra, que, por não ter sede própria se estabeleceu no edifício da Escola (novamente apenas) Industrial, de Outubro de 1919 até Junho de 1920, data em que, por escassez de espaço, foi transferida para um andar na Rua da Sofia.

... em 1926 ... a 4 de Setembro ... foi decretada a integração da Escola Comercial de Coimbra na Escola Brotero, adotando esta – e por largos anos – a denominação de Escola Industrial e Comercial de Brotero .

... Em suma, a «Brotero», de início uma escola de modestas dimensões, foi ampliando e diversificando ao longo dos tempos o seu efetivo curricular com a introdução sucessiva de cursos profissionais tecnológicos e artísticos ... ligados a variadíssimas áreas, como Comércio, Serralharia, Mecânica, Serralharia Artística, Carpintaria, Talha (em madeira) e Marcenaria, Cerâmica, Vitrais, Eletrotecnia, Mecanotecnia, Construção Civil, Costura e Bordados, Mecânica de Automóveis.

 

Figueira, M. L. 2012. Escola Brotero. Memórias de Sempre. 2.ª edição revista e actualizada. Coimbra, Escola Secundária Avelar Brotero, p. 13, 17-20, 25, 28, 32

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por Rodrigues Costa às 09:44

Quinta-feira, 20.10.16

Coimbra: o Regimento de 1740 para os Concelhos do seu termo 3

Item, encartados os Juizes ... teráõ particular cuidado na taixa, e almotaçaria dos vinhos, e azeites, por ser notório, e mostrar a experiencia, que nos lugares do termo desta Cidade se vendem os ditos géneros pelo miúdo, por preço mais excessivo, do que corre nesta mesma Cidade ... de que ha, e tem havido gravíssimas queixas, principalmente nas estalagens.

... esta mesma regra se observará ... a respeyto das Padeyras; e das pessoas, que venderem paõ ... averiguar se tem o pezo, q deve ter segundo a Estiva ... valendo o alqueyre de trigo por sete vinténs, hade ter de peso cada pan de dez reis, dezoito onças, e quatro oitavas; e o de sinco reis, terá de pezo nove onças, e duas oitavas.

... nas vendas dos vinhos feitos debaixo do ramo em tabernas publicas, devem haver medidas aferidas em cada anno.

... terão especial cuidado sobre as medidas dos moleyros ... e se lhes dará Correição todos os meses, para que se evitem os roubos ... tendo maquias avantajadas.

... com os Estanqueiros haverá a mesma vigilancia a respeito dos pesos, e balanças ... nos Concelhos ... haveraõ os pesos seguintes, a saber arroba, meya arroba, oito arrates, quatro, dous, hum, e meyo, e quarto. E bem assim, balanças grandes, e as medidas de medir, a saber meyo almude de vinho, meyo alqueire para azeite, alqueire, quarta, e raza, que tudo será aferido por todo o mez de Janeiro.

... depois de haverem tomado posse, e estarem servindo, faraõ eleição, convocadas todas as pessoas do Povo, de recebedores para cobrarem o tributo de quatro e meyo pro cento, siza, jugada, e as mais fintas do costume.

... na correnteza dos caminhos públicos tambem haverá grande vigilancia, concertando-se, e reparando-se pelo modo pussivel, convocado o povo como sempre até agora se praticou.

... tambem deve haver cuidado nas agoas de rega, e se repartiraõ pelo Juiz, com assistencia  de dous louvados, que seraõ eleitos em Concelho, convocados os moradores delle.

... em cada Concelho deve haver huma casa, em que se faça audiencia, e as convocações, e conselho do costume.

... teraõ especial cuidado na limpeza, e asseyo das fontes.

... deve ter cuidado sobre os forateyros, e homens, q não foram conhecidos.

... se se puzerem alguns fogos, que façaõ danno, ou posto que o naõ façaõ, se se queimarem montados, que sejaõ postos de propósito, quer por caso fortuito, se virá dar conta ao Doutor Juiz de Fora.

... toda a pessoa, a saber, homem mulher, mosso, mossa, escravo, ou escrava, que entrem em vinhas, hortas, pomares, e meloaes alheyos sem licença de seus donos, desde vinte de Junho em diante até o fim dos recolhimentos, sendo achados em fragante delicto, seráõ trazidos à Cadea publica desta Cidade.

... as bestas, e gado vacaril, que forem achados nas vinhas ... pagará o danno, e de coyma, por cada cabeça, cem reis.

... haverá hum curral do Concelho, que terá só a chave, e fichadura, no qual se enserraraõ os ditos gados.

Câmara Municipal de Coimbra. 1740. Novo Regimento para os Concelhos do Termo da Cidade de Coimbra. Coimbra, Oficina de Antonio Simoens Ferreyra, p. 9-29.

 

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por Rodrigues Costa às 09:11

Quarta-feira, 19.10.16

Coimbra: o Regimento de 1740 para os Concelhos do seu termo 2

Item, tambem se entregará na mesma occaziaõ, com a dita Pauta o importe da Juradia, que he hum direyto antiquíssimo, que se paga à Camera desde tempo sem memoria, como sabem os presentes ... se declara, que cada Concelho na fórma da posse, e dos assentos antigos dos livros da Camera, paga o que se contém cada hum em sua verba, e saõ do theor seguinte, pela ordem das letras de cada Concelho.

Avenal, quatrocentos e sincoenta (reis)

Amial, oito centos e sincoenta

Arzilla, trezentos e sincoenta

Alquarraques, quatrocentos

Antozede, cento e sincoenta

Ardazube, seiscentos e sincoenta

Antes, quatrocentos e sincoenta

Almalaguez, cento e sincoenta

Aljazede, cento e sincoenta

Almeiler, seiscentos e sincoenta

Alvorge, quatrocentos e sincoenta

Alcabideque, cento e sincoenta

Arrifana de Poyares, cento e sincoenta

Algaça, cento e sincoenta

Alfafar, seiscentos e sincoenta

Alcouce, setecentos e sincoenta

Abrunheyra, e Asafarge, seiscentos e sincoenta

Anobra, mil e sincoenta

Barreyra, quatro centos e sincoenta

Brafemes, quatro mil e sincoenta

Bolho, setecentos e sincoenta

Bera, dous mil duzentos e sincoenta

Beyçudo, duzentos e sincoenta

Bendafé, quinhentos e sincoenta

Bruscos, seiscentos e sincoenta

Condeyxa a nova, mil e sincoenta

Casconha, mil trezentos e sincoenta

Condeyxa a velha, cento e cincoenta

Cruz dos Marouços, quatro centos e sincoenta

Curogeyra, cento e sincoenta

Carregaes, trezentos e sessenta

Casaes do campo, seiscentos e sincoenta

Casas novas do campo, setecentos e sincoenta

Casais de Eyras, seiscentos e sincoenta

Canedo, duzentos e sincoenta

Cordinham, setecentos e sincoenta

Conraria, cento e sincoenta

Ceyra, seiscentos e sincoenta

Castelloviegas, quinhentos

Casas novas do Alvorge, setecentos e sincoenta

Falla, dous mil e sincoenta

Figueyra de Lorvão, quinhentos e sincoenta

Fassalamim, cento e sincoenta

Freyxo, duzentos e sincoenta

Fonte coberta, quatro centos e sincoenta

Féteyra, quatro centos e sincoenta

Friumes, cento e sincoenta

Hombres, cento e sincoenta

Loago de Deos, mil e sincoenta

Lorvão, quinhentos e sincoenta

Larsan, quinhentos e sincoenta

Levira, trezentos e sincoenta

Legação, duzentos e sincoenta

Loureyro, trezentos e sincoenta

Lamaroza, mil quinhentos e sincoenta

Montesaõ, mil e sincoenta

Marneleyra de Botaõ, quinhentos e sincoenta

Murtede, cento e sincoenta

Matos de Façalamim, cento e sincoenta

Moura Santa, cento e sincoenta

Mucella, cento e sincoenta

Orvieyra, cento e sincoenta

Outeyro de Botam, mil e sincoenta

Pãoquente, trezentos e sincoenta

Palha cana, quinhentos e sincoenta

Pé de caõ, seiscentos e cincoenta

Pampilhoza, quatro centos e sincoenta

Pedrulha, dous mil e duzentos

Palheyra, quinhentos e sincoenta

Quimbres, quinhentos e sincoenta

Ribeyra de Frades, cento e sincoenta

Rio da Galinhas, quatro centos e sincoenta

Sobreyro, trezentos e sessenta

Sébal grande, quatro centos e sincoenta

Sébal pequeno, quatro centos e sincoenta

Segonheyra, quinhentos e sincoenta

São Martinho do Bispo, mil e sincoenta

Souzellas, mil cento e sincoenta

Sioga do Monte, quatro centos e sincoenta

Saõ Paulo, oito centos e sincoenta

Sendelgas, trezentos e sessenta

Saõ Martinho de Arvore, três mil trezentos e sincoenta

Saõ Sylvestre, oito centos e sincoenta

Sazes, quinhentos e sincoenta

Sepins grande, seiscentos e sincoenta

Sepins pequeno, quinhentos

Sobral, seiscentos e sincoenta

Sarzadella, quinhentos e sincoenta

Taveyro, quinhentos e sincoenta

Trouxomil, seiscentos e sincoenta

Travaço, cento e sincoenta

Traveyra, oito centos e sincoenta

Ventoza de Condeixa, setecentos e sincoenta

Villapouca de Sarnache, cento e sincoenta

Villella, mil quinhentos e sincoenta

Ventoza do Bayrro, setecentos e sincoenta

Villa nova de Outil, seiscentos e sincoenta

Val de Boy, duzentos

Villa cham de Poyares, cento e sincoenta

Villa pouca do Campo, quinhentos e sincoenta

Zouparria do Monte, quinhentos e sincoenta

Zouparria do Campo, quinhentos e sincoenta

Cujas importâncias satisfazem os Concelhos cada hum o que lhe toca, e vay repartido nas verbas acima declaradas, sahindo do rendimentos dos mesmos Concelhos, e na falta dele se cobra dos moradores pelos Juizes.

Câmara Municipal de Coimbra. 1740. Novo Regimento para os Concelhos do Termo da Cidade de Coimbra. Coimbra, Oficina de Antonio Simoens Ferreyra, p. 4-8

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por Rodrigues Costa às 10:35

Quinta-feira, 13.10.16

Coimbra: o Regimento de 1740 para os Concelhos do seu termo 1

O Doutor Juiz de Fora, Vereadores, Procurador geral e Misteres desta muito nobre, e sempre leal Cidade de Coimbra, e seu termo, por Sua Magestade, q Deos guarde, etc. Fazemos saber, q por nos incumbir a boa regencia dos povos, e utilidade publica, averiguando que o Regimento antigo que foy dado em outro tempo aos Concelhos do termo da mesma Cidade, necessitava de reforma, tanto no substancial de sua disposição por se acharem alteradas as cousas do seu estado, pela mudança dos tempos, como porque em muitos dos ditos Concelhos havia falta delle, e em outros era de letra antiga, pouco legivel, e já lacerado, defeyto, que tambem tinhaõ outros, que eraõ imprecisos; porque o curso dos anos, junto o máo trato, lhe tinhaõ causado aquelle estrago, e se achavaõ assim os ditos Concelhos sem Regimento para a sua observancia, de que com effeyto resultavaõ muitos incómodos na Républica; querendo atalhallos, como nos incumbe, por cumprimento tambem [?] Capitulo de Correyçaõ do ano de setecentos e trinta e nove[?]  que por   haver a mesma informação, se mandou fazer a dita ...., para que os povos vivaõ ajustados em tudo com o que deve ser, e em tranquilidade, se lhes da o presente Regimento para a sua observancia, debaixo das penas nelle contheúdas.

Eleyção do Juiz, e mais Officiaes, e factura das Pautas

O Juiz de cada Concelho será obrigado a trazer, e entregar em cada anno até ao último do mez de Novembro, o mais tardar, a Pauta, e eleyçaõ das Justiças, q haõde servir o anno seguinte, sem esperar aviso, ou ordem alguma; porque se assim o fazerem resulta evidente utilidade aos povos, nas custas, que se lhe evitaõ da despeza da Ordem, e Caminheyro, que todos os anos se lhe mandava ao mesmo fim.

... Item na dita Pauta, que deve ser feyta pelo Escrivaõ do Concelho, por elle assinada, e pelo Juiz, e Produrador, que estiveram servindo; nem deve entrar nella pessoa alguma, que nos dous anos próximos tiver servido no mesmo Concelho, salvo para Escrivães, nas terras somente, em que não houverem pessoas, que saybaõ ler, e escrever.

... Item, as Pautas devem ser escritas originalmente no livro do Concelho, aonde tambem se devem tomar os votos, escrevendo-se com separação deles, que he o que se chama Pauta, tomando-se três pessoas das mais votadas, tanto para Juiz, como para Escrivão, e Produrador.

... Item com a dita Pauta se entregará o Rol dos Lagares, como vay determinado em outra parte deste Regimento, declarando-se quem he o Senhorio, e o seu administrador, ou arrendatário.

 

Câmara Municipal de Coimbra. 1740. Novo Regimento para os Concelhos do Termo da Cidade de Coimbra. Coimbra, Oficina de Antonio Simoens Ferreyra, p. 3-4

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:21

Terça-feira, 20.09.16

Coimbra: as artes e ofícios

O exercício de uma profissão “arte ou ofício mecânico” exigia um período de aprendizagem prolongado ficando o aprendiz a viver com o mestre. Colaborava em todas as atividades de fabrico na oficina sem auferir salário, até estar apto a realizar a sua obra-prima.

Esse objeto era submetido à apreciação dos juízes do ofício eleitos entre os mestres. O certificado, “carta de examinação e aprovação”, era a condição para poder montar oficina própria. Após o seu registo na Câmara, obtinha-se licença para ter “loja aberta”.

O fabrico e a qualidade dos produtos eram rigorosamente controlados pelas Corporações dos Ofícios, através de um regulamento específico designado por Regimento... encontram-se no AHMC alguns exemplares de Regimentos: dos sombreireiros (séc. XVI), dos Sirgueiros (1582), dos Alfaiates (1596), dos Caldeireiros (1600), dos Cordoeiros (1659), etc.

Os ofícios agrupavam-se por afinidades profissionais escolhendo um santo protetor comum para a bandeira da sua corporação, daí a designação de embandeirados. Cada um desses doze conjuntos embandeirados elegia dois representantes, constituindo a Casa dos Vinte e Quatro dos Mesteres de Coimbra. Desta instituição saía o Juiz do Povo e os Misteres da Mesa que assistiam às reuniões da Câmara. A sua existência está bem documentada para o século XVII, e seguintes possuindo as atas das suas reuniões.

... O arruamento dos mesteres, medida controladora da produção e da concorrência desleal, em Coimbra deixou os seus vestígios na toponímia da cidade, embora não tenha sido observado com tanto rigor como noutras cidades. Ainda é possível encontrar, atualmente, as Ruas dos Oleiros, da Louça, das Padeiras, dos Sapateiros, em zonas onde outrora se fixaram estas profissões.

Outros ofícios localizavam-se em áreas outrora desertas e hoje densamente urbanizadas... Esse é o caso dos fogueteiros que no séc. XVIII se sediavam fora de portas entre a Ladeira da Forca e a Ponte de Água de Maias. É também o exemplo dos Cordoeiros que naquela mesma época possuíam as suas oficinas nos terrenos baldios que iam da Capela de Nosso Senhor do Arnado (entretanto demolida) até ao rio, pela atual Avenida Fernão de Magalhães.

... Entre a documentação compulsada ... surgiram várias referências a Mulheres no exercício dos seus ofícios ... Num breve levantamento encontramo-las a exercer os ofícios mais diversos, desde os que tradicionalmente estão associados à condição feminina e às artes domésticas como parteira, lavadeira, tecedeira, alfaiata, padeira, forneira, etc. como noutros mais invulgares em que partilham o universo masculino. É o caso da profissão de Algebrista, antepassada do endireita e do moderno ortopedista, definida como o ofício de “consertar brasos e pernas e outros quaisquer membros desmanados e bem assi para curar feridas simplises, chaguas, apestemas, entrasas leves que não forem de má qualidade”.

Nota: A Ladeira da Forca é hoje designada, a meu ver mal, por Escadas de Santa Justa; a Ponte de Água de Maias refere-se à ponte que existiu onde agora está a Rotunda da Casa do Sal.

França, P. 1997. Catálogo. Exposição Artes & Ofícios de Outras Eras. 27 Set. a 17 Out.1997. Coimbra, Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, Trabalho fotocopiado, pg. 2-4.

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por Rodrigues Costa às 11:28


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