Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 28.03.24

Coimbra: Sé de Coimbra, os seus primórdios

Com a presente entrada chamamos a atenção dos leitores para um estudo, da autoria da Professora Doutora Maria do Rosário Barbosa Morujão, o qual nos permite conhecer como, nos seus tempos iniciais, se organizava a Sé de Coimbra.

Sé de Coimbra, os seus primórdios 1.jpgOp cit., capa.

Sé de Coimbra, os seus primórdios 2.jpg

 Pormenor do jacente do Bispo D. Tibúrcio (Sé Velha de Coimbra). Fotografia de Anísio Miguel de Sousa Saraiva .Op. cit., pormenor da capa

A obra que agora se dá à estampa tem como base a dissertação de doutoramento em História da Idade Média apresentada, em 2005, à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O tema que aborda encontra-se claramente definido no seu próprio título: A Sé de Coimbra: a lnstituição e a Chancelaria (1080-1318). Com efeito, o objeto do estudo elaborado é a catedral conimbricense, ao longo de uma cronologia que se estende desde a restauração da diocese, após a reconquista definitiva da cidade, até ao final do episcopado de D. Estêvão Eanes Brochardo, falecido em 1318.

A data de início da investigação explica-se por si mesma: começa precisamente quando a diocese é restaurada, no ano em que encontramos provas de que o primeiro bispo, D. Paterno (1080-1087) já ocupava a cátedra conimbricense, dezasseis anos depois de ter sido escolhido para o cargo pelo rei Fernando Magno e pelo conde Sesnando, mas só tendo podido assumir funções depois de Afonso VI se ter tornado imperador da Hispânia.

Já a escolha do «terminus ad quem» é menos óbvia justificando-se pelo desejo de incluirmos na análise realizada os episcopados de dois chanceleres de D. Dinis, D. Pedro Martins (1296-1301) e D. Estêvão Eanes Brochardo (1303-1318). Efetivamente, pareceu-nos que a prática adquirida pelos prelados no serviço de escrivaninha do monarca se poderia refletir na organização da chancelaria da catedral. Assim se explica a data de 1318, e fica definida a amplitude desta abordagem no tempo longo, que nos permitiu acompanhar a história da diocese desde a sua restauração até à primeira década do século XIV ou seja, do tempo em que Coimbra, recém-conquistada era sede de um condado no limite meridional do mundo cristão peninsular, até quase ao final do reinado de D. Dinis, quando Portugal adquiriu as suas fronteiras definitivas.

Coimbra. Sé Velha, c. 1862.jpg

Antiga Sé de Coimbra em meados do séc. XIX. Acervo RA

…. [A] Primeira Parte, dedicada, como dissemos, ao estudo da Sé enquanto instituição, é composta por quatro capítulos. No primeiro, abordámos a restauração e a organização da diocese, traçando as linhas gerais da sua história desde os mais recuados tempos, analisando o processo de restauração que se seguiu à reconquista cristã, a integração de Coimbra na província bracarense e a definição das fronteiras do território diocesano.

No segundo capítulo, procedemos ao estudo dos bispos que Coimbra conheceu durante este período: ao todo contam-se dezoito prelados, cujas vidas, percursos e formas de atuação à frente da diocese procurámos reconstituir, no decurso de três períodos de características bem definidas, cuja existência se tornou evidente à medida que progredíamos na investigação.

O terceiro capítulo versou sobre a organização do cabido: a sua evolução ao longo dos séculos, desde o tempo em que os cónegos viviam em comunidade, em torno da Sé recém-restaurada, passando pelo processo de secularização ocorrido entre o século XII e as primeiras décadas de Duzentos, caracterizando-se, por fim, a estrutura da canónica tal como ficou definida pelos estatutos recebidos em 1229, que estabeleceram as suas bases para todo o restante período abrangido pela cronologia do nosso trabalho.

 Morujão, M.R. B. Sé de Coimbra: A Instituição e a Chancelaria (1080-1318). 2010. Coimbra, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Técnica.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:34

Quinta-feira, 04.06.15

Coimbra, os bispos dos primeiros tempos

No primeiro concilio de Braga, do ano de 561, aparece a assinar as respetivas atas «Lucentius Conimbriensis». Daqui pode inferir-se que, não obstante ter sido, segundo a tradição, conquistada e arrasada a cidade de Conímbriga no ano de 409, século e meio mais tarde funcionava ainda a sua igreja …
Lucêncio era natural da cidade que posteriormente tomou a denominação de Coimbra, e é talvez a mais antiga notabilidade aqui nascida, de que haja notícia certa, pois que foi o primeiro abade do mosteiro do Lorvão, fundado possivelmente no meado do século VI, e foi o primeiro bispo de Conimbriga, de que resta memória nos documentos autênticos …
Pela divisão de Teodemiro, no concílio de Lugo do ano de 569, a paróquia de Emínio teria ficado a pertencer à sé conimbrigense («Conimbricensis sedes teneat ipsam Conimbriam, Eminio, Selio, Insula, Astrucion, et Portugali Castrum antiquum»)…
Pela divisão eclesiástica de Wamba, do ano de 675, Emínio continuou sujeita à Sé de Conimbriga …
No terceiro concílio de Toledo, celebrado no ano de 589, registou-se, pela primeira vez, a assinatura de um bispo de Emínio, que subscreveu «Posidonius eminiensis ecclesiae episcopus …
E esta – a Igreja -, nem sempre esteve organizada, já que, por muito tempo, a diocese de Coimbra esteve sem bispo ou com ele residente em Oviedo ou Compostela …
As atas do concílio ovetense do ano de 873 encontram-se subscritas pelo bispo de Conimbriga («Naustus episcopus conimbrigensis») e pelo conde de Emínio («Arias filius ejus - de Hermenegildo – Eminio comes»).
E pouco depois, no ano de 876, Naústo ascendeu a bispo de Emínio …
No primeiro quartel do século X, distinguiram-se três prelados naturais de Coimbra que mereceram as honras da canonização e de cujos méritos e virtudes ficou pertinaz, imorredoiro registo.
O primeiro foi S. Gonçalo Ossório (ou Orósio) bispo de Coimbra no ano de 908 … Este prelado teria sucedido a Froarengo I no sólio episcopal conimbricense.
O sucessor – S. Froarengo II – foi também bispo de Coimbra, nos anos de 914-915 …
O terceiro foi Santo Hermógio, bispo de Tui.

Loureiro, J.P. 1964. Coimbra no Passado, Volume I. Coimbra, Edição da Câmara Municipal, pg. 23 a 26, 28, 29

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 19:19


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2024

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031