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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 22.06.21

Coimbra: “Elogio de Coimbra”

O Dr. Mário Araújo Torres juntou mais uma pedra, a sétima, ao monumento que, à sua custa, vem erguendo dedicado a obras relacionadas com Coimbra, todas elas deslembradas no tempo.

Agora coube a vez ao “Conimbricae Encomium” ou “Elogio de Coimbra”, publicado em 1554, da autoria de Inácio de Morais.

Elogio, capa corrigida.jpg

Capa do livro ora editado

O livro em causa, ora editado, não se remete a uma mera reprodução do texto inaciano, pois Mário Araújo Torres, após uma cuidada e vasta investigação, anexa um alargado conjunto de notas, passíveis de permitir não só enquadrar o escrito, mas também de facilitar ao leitor hodierno e sua compreensão. Além disso, insere a tradução do poema para português, feita por Alberto da Rocha Brito, e completa o volume com a apresentação de uma detalhada biografia e bibliografia relacionada com Inácio de Morais.

Na Nota Prévia, Araújo Torres, elucida-nos que Augusto Mendes Simões de Castro num artigo escrito para a revista “Instituto” havia referido ter adquirido “num leilão em Lisboa”…  “um livro muito interessante, que temos na conta dos de maior raridade, intitulado Conmbricae Encomium.

A convicção de que se trataria do único exemplar existente em Portugal, fundava-se em não ter achado tal obra nas Bibliotecas Nacional de Lisboa, da Universidade de Coimbra ou Municipal do Porto, nem nas boas livrarias de muito bibliógrafos que consultou, descobrindo apenas uma cópia manuscrita na Biblioteca Pública de Évora.

… O exemplar adquirido por Simões de Castro deve ser o que se encontra atualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, único de que há registo nos catálogos disponíveis das bibliotecas portuguesas. 

Elogio, rosto.jpg

“Conimbricae Encomium”. 1544, rosto. Fl. 15

Elogio, dedicatória.jpg

“Conimbricae Encomium”. 1544, dedicatória. Fl. 16

elogio, primeira página.jpg

“Conimbricae Encomium”. 1544, página inicial. Fl. 17

Duas outras edições foram feitas do texto latino: a terceira, por Joaquim Alves de Sousa, em 1890; e a quarta por Mário Brandão, em 1938.

… “Encontram-se neste poema notícias curiosíssimas sobre a Coimbra do tempo de D. João III, quando este monarca transferiu para ali a Universidade então estabelecida em Lisboa. Referem-se vários usos e costumes da população académica, discente e docente, de alguns dos quais ainda hoje se conservam não poucos vestígios. Dá-se minuciosa informação das muitas casas religiosas de um e outro sexo ali existentes, de outros edifícios públicos notáveis e de alguns palácios de antigos fidalgos. Descreve-se a beleza dos horizontes, a salubridade dos ares, a fertilidade do solo, a amenidade dos arredores, a índole bondosa, pacífica e hospitaleira, e até a graça natural e folguedos populares dos habitantes da cidade ridente.

Da versão portuguesa apresentada no volume em apreço, de que Alberto da Rocha Brito é responsável, selecionamos um trecho que relata a lenda, mais uma, do brasão de Coimbra.

Elogio, rosto pormenor.jpg

Conimbricae Encomium. 1544, rosto, pormenor. Fl. 15

Em memória da sua Pirene ordenou aos conimbricenses que tivessem sempre na lembrança a sua história e um monumento da sua dor.

Por isso estão insculpidos nos muros urbanos as insígnias representando a urna, a coroa e o rosto da mutilada donzela, com a serpente de um lado e do outro o leão.  

Morais, I. Conimbricae Encomium. Elogio de Coimbra. Recolha dos textos e notas de Mário Araújo Torres. 2021. Lisboa, Edições Ex-Libris.

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por Rodrigues Costa às 20:35

Terça-feira, 06.04.21

Coimbra: Evolução do Brasão do Concelho 4

Ainda como elementos interessantes para as armas de Coimbra, venho dizer que a pág. 74 da II parte da Crônica da Ordem dos Cónegos Regrantes do Patriarca S. Agostinho, de D. Nicolau de S. Maria, Lisboa, 1668, vem a descrição de uma procissão que da Sé de Coimbra seguia com relíquias de santos para o Mosteiro de Santa Cruz da mesma cidade, em 29 de outubro de 1595, onde existe um período, a pág. 78, que interessa às armas de Coimbra, que é o seguinte:

 «Neste dia estauão já aparelhadas diuersas estancias pellas ruas por onde hauia de passar a procissão das Santas Reliquias, & as ruas todas armadas, & juncadas de flores, &. eruas cheirosas, mas por nâo sermos compridos nesta relação, faremos só menção da primeira estancla, que pera receber tam precioso thezouro se offerecia no principio da rua junto á Sé. Estaua esta estancia ornada com dous arcos vestidos de varias sedas, semeadas com varios frutos de cera muito ao natural, no meio dos arcos estaua hua fermosa Dama posta no theatro de joelhos entre Serpe & Leão, com as mãos ao Ceo leuantadas, que representaua a nobre, &. sempre leal Cidade de Coimbra, em cujas mãos fazia Deos a entrega real de tam grande thesouro de Relíquias & estaua de joelhos, & com as mãos leuantadas, como dando as graças ao mesmo Deos, & Senhor, por tam alta mercê, & beneficio.»

 Nota – No intervalo que vai de 18 de maio de 1932, em que escrevi estes elementos foram apresentados, até agora, mais uma conjetura se me formou no espirito sobre a entrada do leão e do dragão nas armas de Coimbra.

Como foi em Coimbra que teve base uma nova orientação da política portuguesa, no momento em que naquela histórica cidade foi aclamado D. João I, não daria este facto notável da História de Portugal motivo a colocar nas respetivas armas, como que amparando e, portanto, protegendo a figura simbólica da cidade, os timbres das armas de D. João I (o dragão) e da Rainha D. Filipa de Lencastre (o leão)?

MNAA. D. João I. Autor anónimo.jpg

MNAA. D. João I. Autor anónimo. Acedido em https://pt.wikipedia.org/wiki/Cortes_de_Coimbra_de_1385

D. .João I, eleito rei de Portugal nas segundas C

D. João I, eleito rei de Portugal nas segundas Cortes de Coimbra. Acedido em https://www.infopedia.pt/$cortes-de-coimbra

Brasão de D. Filipa d Lancastre.jpg

Brasão de D. Filipa de LancastreAcedido em 5729471997_09d94099a3.jpg (375×500) (flickr.com)

Brasão de Armas e Bandeira Quadrada de D. João I

Brasão de Armas e Bandeira Quadrada de D. João I. Acedido em https://www.pinterest.pt/pin/524950900291616754/

Este meu novo pensamento sobre o assunto nasceu de muito ter lido e estudado a história de Coimbra com o desejo de encontrar uma razão satisfatória para a existência de um leão na composição das mesmas armas.

O dragão, enfim, poderia ser uma interpretação da cobra das antigas armas. É mais uma suposição que pode ser aceite, pelo menos, pelas pessoas que conhecem a organização e ordenação da heráldica.

Dornelas, A. Os Selos da Cidade de Coimbra. In: O Instituto, Vol. 88.º. 1935. Pg. 5-16. Acedido em https://digitalis-dsp.uc.pt

 

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por Rodrigues Costa às 19:25

Terça-feira, 30.03.21

Coimbra: Evolução do Brasão do Concelho 3

No parecer sobre as armas de Coimbra, que formulei em setembro de 1930, transcrevi umas referendas feitas pelo Sr. Dr. Simões de Castro num trabalho intitulado «O Brasão de Coimbra» e publicado em 1895 na revista «O Instituto».

Os dois últimos selos de Coimbra.jpg

Os dois últimos selos de Coimbra: à esquerda, o que se usou até 1930: à direita o atual.

Era o seguinte

No «Catalogo dos bispos de Coimbra» de Pedro AIvares Nogueira (manuscrito existente no cartório da Sé d'esta cidade, hoje publicado nas «Instituições Christãs» por diligencia do sr. Cónego Prudêncio Quintino Garcia) havíamos lido a pág. 7: As armas de que usava esta cidade não eram as que agora vemos comummente pintadas; mas era somente um rosto de uma mulher com uma touca grande, e as pontas da touca lhe chegavam até ao ombro de cada parte e com uma coroa de rainha na cabeça … Depois. disto usaram de outras armas, que eram um vaso no qual aparecia uma mulher dos peitos para riba com uma coroa na cabeça. E ao pé do vaso estava uma cobra que parece que andava… Depois se mudaram estas armas da maneira por que vemos, porque puseram neste vaso de uma parte uma serpente, da outra um leão; a razão destas mudanças e das armas deixamos aos curiosos.

primeiro dos treze selos citados por Pedro Alvares Nogueira, consistia apenas n'um busto de uma «Mulher com uma touca grande, as pontas da touca lhe chegavam até ao ombro de cada parte e com uma coroa de rainha na cabeça.» [Este selo foi casualmente encontrado pelo] Sr. Dr. Rui de Azevedo, quando procedia a buscas de assuntos diferentes, no Arquivo da Torre do Tombo, Caixa 25 da Coleção Especial, 2.ª parte.

Dos documentos assim selados, segundo a amável leitura do Sr. Dr. Laranjo Coelho, consta o seguinte:

Carta de venda de urna vinha, no sitio denominado Algeara, termo de Coimbra, que fazem Egídio Salvador e sua mulher D. Maria, a Domingos Fernandes, clérigo, datada do mês de novembro da era de 1278. Tem pendente um sêlo de cera vermelha com a inscrição que parece dizer – Sigillum Concilie Colimbrie – Maço 3. Caixa 25, Parte II da Coleção Especial.

Carta de venda de uma casa com sobrado que fazem Pedro Gonçalves Chasco e sua mulher, a João Fernandes, clérigo, de Coimbra, datada do mês de julho da era de 1283 (1245). Tem pendente um selo de cera vermelha no qual parece ler-se a inscrição Sigillum Concilie Colimbrie – Maço 3. Caixa 25, Parte II da Coleção Especial.

Sigillum Concilie Colimbrie.jpg

Sigillum Concilie Colimbrie

 Por aqui se demonstra que até 1245 era usado este selo.

O Dr. Simões de Castro, mais adiante, no seu trabalho citado, refere-se a um escrito de 1265 que já descreve o selo com a cobra e a taça, ou seja, o selo que aparece no documento da aclamação de D. João I em 1385. Esta referência é tirada de um manuscrito de D. José de Cristo, existente na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Este elemento será verídico? De facto, em 1265 já teria aparecido este selo? Por enquanto, o único documento conhecido com tal é de 1365, e assim atribuir poderíamos atribuir os acrescentamentos feitos às armas de Coimbra, ou a factos da vida do Rei D. Dinis e de sua mulher a Rainha Santa Isabel, ou à vida de D. Inês de Castro.

MNMC6344, E594 a.jpg

© DGPC| Arquivo do MNMC. 6344, E594

MNMC6347, E597 b.jpg

© DGPC| Arquivo do MNMC. 6347, E597

É este outro ponto que falta esclarecer: saber a data exata em que foi acrescentado o selo de Coimbra com a cobra, a taça, as flores e os escudetes das quinas acompanhando o busto que já vinha do selo anterior.

Dornelas, A. Os Selos da Cidade de Coimbra. In: O Instituto, Vol. 88.º. 1935. Pg. 5-16. Acedido em https://digitalis-dsp.uc.pt

 

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por Rodrigues Costa às 20:05

Terça-feira, 23.03.21

Coimbra: Evolução do Brasão do Concelho 2

Eu concordo que muitos autores, copiando-se, tenham repetido que a dama sai da taça, mas no selo que existe no célebre documento das Côrtes de Coimbra em que D. João é feito Rei de Portugal, é que nem por sombras a representação da taça tem tal atribuição e, além disso, antes deste selo, houve outro (como abaixo demonstrarei) em que a taça nem aparece.

Os dois mais antigos selos de Coimbra.jpg

Os dois mais antigos selos de Coimbra: à esquerda, o primitivo; à direita o que autentica o acto de aclamação de D. João I.

 A minha opinião é que, na desarrumação que fizeram depois de D. João I ao mesmo selo, procuraram arranjar melhor simetria, colocando a taça ao centro e, então, o busto que estava em chefe, passou a figurar sainte da taça, sendo isto um erro facílimo de suceder.

Quando um dia se encontrar um documento ou uma referência ao acrescentamento que fizeram às armas de Coimbra, então se verá qual foi a intenção do ordenador dessas armas e talvez se demonstre que nunca houve a intenção de meter o busto da mulher dentro da taça.

O que é possível é que houvesse a ideia de fazer desaparecer a taça, passando a representar-se o busto com o respetivo pedestal.

Enfim, é uma investigação que ainda não está terminada, sendo provável que só termine quando aparecer o tal documento ou referência que nos diga quando entrou o leão nas armas de Coimbra, portanto, quando lhe deram essa arrumação pondo a taça ao centro. Infelizmente, no Museu de Machado de Castro, só aparecem esculturas posteriores a D. João I; portanto, todas têm já o leão.

Também foi transformada outra peça das mesmas armas; a primitiva cobra, que aparece no selo que está no documento da aclamação do Rei D. João I, passou depois a ser uma serpe alada.

Nas esculturas do Museu de Machado de Castro, reproduzidas nos estudos referidos dos srs. António Gonçalves e Simões de Castro, só aparece a cobra em duas das esculturas; nas outras, já esta figuração é fantástica, com asas e cabeça de formas esquisitas, e até com braços e garras.

MNMC710; E589 a.jpg

© DGPC| Arquivo do MNMC. 710; E589

MNMC6345, E595 (em madeira) a.jpg

© DGPC| Arquivo do MNMC. 6345, E595 (em madeira)

Dornelas, A. Os Selos da Cidade de Coimbra. In: O Instituto, Vol. 88.º. 1935. Pg. 5-16. Acedido em https://digitalis-dsp.uc.pt

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por Rodrigues Costa às 19:02

Terça-feira, 16.03.21

Coimbra: Evolução do Brasão do Concelho 1

Formulado o parecer sobre a evolução porque tem passado as armas da cidade de Coimbra e sobre a forma de as ordenar presentemente, colhendo do estudo feito os dados que mais salientam o brilho histórico e sentimental de tão notável cidade, apresentei-o à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, que o aprovou em setembro de 1930, sendo imediatamente enviado à Câmara Municipal daquela cidade, que também concordou com o mesmo parecer, conseguindo do Governo a seguinte confirmação:

«Portaria n.º 6956 - Manda o Governo da Repüblíca Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que a constituição heráldica das armas daquele município seja a seguinte: De vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro, armados e lampassados de púrpura. Em chefe, um busto de mulher coroado de ouro, vestido de púrpura e com manto de prata, acompanhado por doís escudetes antigos das quinas, Colar da Torre e Espada.

Brasão de Coimbra.png

Brasão de Coimbra. Acedido em https://pt.wikipedia.org/wiki/Coimbra#/media/Ficheiro:CBR.png

Bandeira com um metro quadrado, quarteado de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas, Cordões e borlas de ouro e púrpura. Lança e haste de ouro

Bandeira de Coimbra.gif

Bandeira de Coimba. Acedido em https://pt.wikipedia.org/wiki/Coimbra#/media/Ficheiro:CBR.png

Regulado o assunto por esta forma e baseado nos elementos que constitulrarn o referido parecer, posso hoje confirmar que um dos principais argumentos que fortalecem o critério da representação do busto de mulher nas mesmas armas, nada tem com a taça que em certa altura começou a aparecer na composição do selo de Coimbra.

No n.º 3 do ano 1.º da Revista do Conselho de Arte e Arqueologia, vêm incluídos dois interessantes artigos, a que me vou referir:

O primeiro intitula-se «O brasão da cidade apôsto em casas foreiras» e é da autoria do ilustríssimo arqueólogo Antonio Augusto Gonçalves, tão notável por variados méritos.

Começando por relatar o facto criminoso de no primeiro terço do século XIX ter sido permitido pela Câmara Municipal de Coimbra que um sonhador de tesouros escondidos escavacasse uma escultura existente no arco de Almedina, que representava o busto de mulher coroada que sempre apareceu nas armas de Coimbra, por supor ali escondido um rico tesouro,

Torre de Almedina, sendo perceptíval a mutilaçã

Torre de Almedina, sendo perceptíval a mutilação do brasão. Acedido em https://pt.wikipedia.org/wiki/Porta_e_Torre_de_Almedina.

passa a citar o facto interessante de já vigorar em 1503 a obrigação dos enfiteutas colocarem frontaria dos prédios Ioreiros à cidade.

A propósito deste facto, refere-se aos 12 exemplares destas esculturas existentes actualmente no Museu de Machado de Castro, dos quais reproduz 10, tendo todos o busto de mulher sainte duma taça.

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Pedra colocada sobre a porta de uma foreira da Câmara. © DGPC| Arquivo do MNMC. 708, E587

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Pedra colocada sobre a porta de uma foreira da Câmara. © DGPC| Arquivo do MNMC. 6348, E598.

Estas referências são da maior importância para o estudo das armas de Coimbra, pois que estando determinado que os enfiteutas colocassem uma lápide com as armas da cidade na frontaria do prédio foreiro, ficamos sabendo que essas armas eram esculpidas por qualquer artista medíocre, que trabalhasse mais barato, e então, desde que um pôs o busto de mulher sainte duma taça, é natural que, inconscientemente, todos o copiassem, e, por tal forma este processo foi repetido, que o costume quási passou a ser lei.

O Senhor Antônio Augusto Gonçalves, referindo-se aos autores dessas esculturas, diz:

Pertencem à produção desses grupos de artifices desalumiados, a que se atribuem as obras destituídas de intenção e de carácter, sem rumo e sem norte, à mercê das sugestões do momento. Por isso a classificação cronológica não é fácil, visto que lhe faltam lndtcíos definidos e acentuados. Com raras excepções, só hipotetícamente se poderão descobrir lnflüências de estilo.

… Vendo as reproduções das ingénuas esculturas citadas, e não se sabendo que houve tempo em que nas armas de Coimbra apareceu uma taça, qualquer pessoa dirá que se trata apenas de um busto com seu pedestal e não de uma taça tendo um busto de mulher sainte.

A ligação do peito da mulher à taça, foi feita inconscientemente, e naturalmente os diferentes artistas estavam convencidos de que se tratava efectivamente de um busto com o respectivo pedestal para se colocar sôbre um móvel.

Vejamos agora o segundo artigo publicado no citado número da revista intltulada «Arte e Arqueologia»: «Brasões de Coirnbra no Museu Machado de Castro pelo erudito escritor Augusto Mendes Simões de Castro, que tantos trabalhos já tem sôbre o selo e armas da histórica cidade de Coimbra.

Começo por transcrever o 3.° período deste interessantíssimo artigo:

No «Indice Chronologíco dos Pergaminhos e Foraes existentes no archivo da Camara Municipal de Coimbra» por João Correia Ayres de Campos, 2.ª edição (1875), pags. 57 e 58, vem citada uma sentença datada de 29 de Maio de 1503, [onde é referido] «dentro de dous meses da Ieitura d'este em diamte poer na parede sobre ho portall da dita casa hua pedra de dous palmos de lomguo e dous de larguo q sera assy emlleuada ê que sse ponhã as armas da dita cidade E teera letras q dlguã esta casa he da cydade de Coimbra …»

O Sr. Dr. Sirnões de Castro transcrevendo esta interessantíssima referência sôbre a utilidade da heráldica de domínio, trata, no seu artigo, das esculturas existentes no Museu de Machado de Castro, e referentes à sinalização dos prédios foreiros à cidade de Coimbra, dando a entender que, nas armas de Coimbra, a taça não tem outra representação que não seja a de servir para dela sair o busto da mulher.

Dornelas, A. Os Selos da Cidade de Coimbra. In: O Instituto, Vol. 88.º. 1935. Pg. 5-16. Acedido em https://digitalis-dsp.uc.pt

Em ordem às imagens das pedras estavam colocadas sobre as portas das casas foreiras da Câmara de Coimbra e hoje estão guardadas no Museu Nacional de Machado de Castro, agradecemos aos Técnicos daquele Museu, Drs. Pedro Ferrão e Jorge Venceslau, a ajuda na sua localização.

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por Rodrigues Costa às 11:22


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