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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 10.02.16

Coimbra e as suas personalidades: Pompeu Aroso

Antes de concluir apenas gostaria de prestar a minha singela homenagem a um grande mestre do ferro forjado, que foi José Pompeu Aroso (13.7.1910-26.2.1986). Trabalhou o ferro desde os 14 anos de idade e dedicou-se à arte do ferro forjado até ao fim dos seus dias. Em 1984 fora-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade de Coimbra. Foi para mim uma experiência inesquecível ter visitado a sua oficina, tendo-o como guia, em Fevereiro de 1982. Ao tempo, o Mestre Pompeu Aroso ainda alimentava uma esperança, embora ténue, de os seus colaboradores poderem vir a manter a oficina em laboração, mesmo após o seu desaparecimento. Isso, infelizmente, não se verificou. Entretanto ofereceu-me, gentilmente, uma síntese da sua biografia, em verso, datada de 4-7-1978, à qual deu o título «É assim uma vida». É com esse testemunho, que considero de relevância para o conhecimento do homem e do artista, no seu percurso por este mundo, que termino este trabalho.

É ASSIM UMA VIDA

Sou de Coimbra de ferro torto
Tenho os brasões em pessoa

Mestres Machados e Gonçalves
Pioneiros de Belas Artes
Chaves de Almeida e Rodrigues
E saudoso Albertino Marques

Com amor e sacrifício
De muitos anos vincados
Este serralheiro de ofício
Aquém dos seus antepassados

Autor de vários cinzeiros
O carro de mão e o gato
É do signo dos caranguejos
E do bacalhau sem pataco

Ferro frio mal tratado
Quando se pensa em casa
Para ser bem forjado
Só obedece estando em brasa

Nada tenho nada valho
Por tudo aquilo que fiz
De bigorna martelo e malho
Neste século dos xis-xis

O’ Coimbra minha terra
Da cultura e da arte
Da tradição o que se espera
É deixar morrer a “Forjarte”
Eu trabalho sim senhor
Quando não tenho que fazer
Luto sempre com amor
Sempre e sempre até morrer

4-7-78
José Pompeu Aroso

Mendes, J.A. 2000. O Ferro na História: Das Artes Mecânicas às Belas-Artes. In Gestão e Desenvolvimento, 9 (2000), 301-318. Pg. 312 e 313

Uma nota pessoal.
Tive ocasião de conviver com Pompeu Aroso e de visitar diversas vezes a sua oficina. Aquando da homenagem que lhe foi prestada pela Cidade e da consequente organização da exposição "Serralharia Artística. Homenagem da CMC a José Pompeu Aroso", esse conhecimento transformou-se em amizade. Fui, também, testemunha da sua esperança que a Forjarte continuasse.
Tinha já adquirido os atrás referidos cinzeiros “O carro de mão … o signo dos caranguejos … e o bacalhau sem pataco”. Um dia, menos de uma semana antes da sua morte, fui surpreendido no meu gabinete por Mestre Aroso que me disse que fazia questão de me oferecer uma peça.
A peça – uma simples mas muita bela candeia – ainda hoje está em local destacado em minha casa.

 

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por Rodrigues Costa às 11:16

Segunda-feira, 25.05.15

Coimbra e o coreto 2

 

A Ínsua dos Bentos, que a Câmara Municipal desta cidade comprou em 5 de Abril de 1888 por onze contos, veio a ser transformada em Parque da Cidade. Foi encarregado da execução e concretização do projeto, a meio da década de 20, o paisagista de floricultor Jacinto de Matos.
Em 1925, quando a conceção de Passeio Público já se encontrava totalmente ultrapassada, em Coimbra ainda se falava nesses termos e a «urbanização» da Ínsua obedeceu a um esquema que aí se enquadrava … na sessão de 29 de Agosto de 1934 deliberou (a Câmara), a pedido da Comissão de Iniciativa e Turismo, concordar com a transferência do coreto da Avenida Navarro para a antiga Ínsua dos Bentos, onde atualmente se encontra.
Ainda não há muito tempo este bonito Parque era iluminado por vistosos candeeiros que condiziam com o coreto … Passados que são oitenta anos sobre a sua construção, o coreto lá continua … a lembrar aos vindouros que outrora, nesta «cidade de grades», floresceu a arte do ferro forjado.

Anacleto, R., 1983. O Coreto do Parque Dr. Manuel Braga em Coimbra. Coimbra, Separata de Mundo da Arte, 14, pg. 17 a 30, pg. 25 e 26

 

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por Rodrigues Costa às 11:39

Domingo, 17.05.15

Coimbra, a cidade da pedra e do ferro

A tradição artística coimbrã assentava as suas bases na pedra, não no ferro. Deste, nos alvores do nosso século (séc. XX), poucos testemunhos significativos se encontravam na cidade … Em 1900, a Exposição Universal de Paris atraía sobre si as atenções do mundo civilizado … António Augusto Gonçalves … ei-lo a caminho da Cidade das Luzes … A secção de serralharia fascinou-o! … Ele que na sua Escola Livre “exigia” aos que a frequentavam a manutenção e desenvolvimento de uma criativa própria … De regresso à cidade questionava-se acerca do caminho a trilhar para modificar este estado de coisas e sonhava desenvolver em Coimbra, com o ferro, uma arte que atingisse nível similar ao da pedra … A indústria contemporânea do ferro forjado nasceu em Coimbra com a nova centúria, viveu na cidade, mas espalhou-se por todo o país.

Anacleto, R., 1983. O Coreto do Parque Dr. Manuel Braga em Coimbra. Coimbra, Separata de Mundo da Arte, 14, pg. 17 a 30, pg. 21 a 24

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por Rodrigues Costa às 17:01


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