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A' Cerca de Coimbra


Sexta-feira, 01.05.20

Coimbra: Lei das Sesmarias, o exemplar do AHMC 2

Extratos da versão para português atual

Lei das Sesmarias, folha 2 pormenor do Exórdio da

AHMC. Lei das Sesmarias, folha 2 pormenor do Exórdio da ordenação da lavoura

Exórdio da ordenação da lavoura
Por que segundo disseram os antigos sabedores entre todas as artes e obras da polícia e regimento do mundo não foi achada nenhuma melhor que a agricultura e pelo facto e pela razão natural se mostra que ela é mais proveitosa e necessária para a vida dos homens e das animálias … considerando como para todas as partes dos nossos reinos há desfalecimento de pão e da cevada … Esguardando como entre todas as razões para que este desfalecimento e carestia aconteça, a mais certa e especial é por míngua das lavras, que os homens deixam, e se partem delas entendendo em outras obras, e em outros mesteres, que não são tão proveitosos para o bem comum.

Lei das Sesmarias, folha 2 pormenor da Ordenação

AHMC. Lei das Sesmarias, folha 2 pormenor da Ordenação de como as herdades devem ser lavradas

Ordenação de como as herdades devem ser lavradas
Estabelecemos e ordenamos e mandamos que todos que hão herdades suas próprias, ou tiverem emprazadas, ou aforadas, ou por outra qualquer guisa, ou título, por que hajam direito em essas herdades, sejam constrangidos para as lavrar e semear.

Dos bois
E por que pode acontecer que aqueles que hão de ser constrangidos para lavrarem, e terem bois para a lavoura, não os puderam achar, para os comprar, se não por muito grandes preços, mais do que o que valeriam aguisadamente, temos por bem e mandamos que sejam constrangidos, aqueles que os tiverem para vender, para os darem àqueles que os mester houverem, e os hão de ter por preços aguisados, segundo for taxado pelas justiças dos lugares, ou por aqueles que forem postos por vedores para isto.

Lei das Sesmarias, folha 3 pormenor do item dos Ma

AHMC. Lei das Sesmarias, folha 3 pormenor do item dos Mancebos e Servidores

Dos mancebos e Servidores
E a muitos daqueles que usavam de lavrar e que serviam no mester da lavoura, deixaram esse mester da lavoura, e recolheram-se aos paços dos ricos homens e fidalgos por haverem vivenda mais folgada e mais solta… Porém temos por bem e mandamos que todos que foram, ou deviam ser lavradores, e outrossim os filhos e netos dos lavradores e todos os outros moradores, assim nas cidades e vilas como de fora delas, que houverem de seu, meor quantia de quinhentas libras … sejam constrangidos para lavrar e usar do dito mester e oficio da lavoura.

Dos pedintes e religiosos
E por que a vida dos homens não deve ser ociosa e a esmola não deve ser dada se não àquele que por si não pode ganhar, nem merecer por serviço de seu corpo porque se mantenha … sejam constrangidos para servirem aquelas obras que as ditas justiças, ou aqueles que para isto forem postos, virem que podem servir por seu mantimento e por sua soldada … E aqueles que acharem andar, ou viver em hábito de religiosos que não são professos dalguma das ordens aprovadas como sobredito é, digam-lhes e mandem que vão lavrar e usar do mester da lavoura.

Glossário: animálias = animais, bestas; desfalecimento = falta, engano, falha do preciso; esguardar = ter em consideração, acautelar-se; meor = menor; mester = ofício, ocupação, trabalho; mingua = falta, diminuição; outrossim = também, de outro modo; policia = governo, administração.

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Lei das Sesmarias, 1375. Transcrição paleográfica. Versão para português actual e Glossário de Termos. Coimbra, sem data.

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por Rodrigues Costa às 10:47

Quinta-feira, 30.04.20

Coimbra: Lei das Sesmarias, o exemplar do AHMC 1

Muitos de nós, especialmente os que têm mais de 60 anos, já ouviram falar da Lei das Sesmarias. Mas o que poucos sabem é que no Arquivo Histórico da Câmara de Coimbra se encontra guardado um exemplar dessa lei.

Lei das Sesmarias, capa.jpg

AHMC. Lei das Sesmarias, capa

Recordo que a palavra sesmarias, entre outros significados, diz respeito a terras não cultivadas ou abandonadas e que a Lei das Sesmarias foi promulgada em Santarém, em de maio de 1375, reinava D. Fernando.
Surgiu por força das grandes dificuldades decorrentes da peste negra que levou a uma forte redução da mão-de-obra nos centros urbanos, a uma subida dos salários dos artesãos e à consequente migração dos que trabalhavam a terra para as cidades.
O resultado foi que a seguir à peste, veio a fome por escassez de cereais. Daí o surgir de uma lei que tentava fixar os trabalhadores rurais e que tinha como a mais forte medida, a expropriação da terra se os seus donos a não trabalhassem.
De uma forma muito simplista é este o enquadramento da Lei das Sesmarias, cujos resultados efetivos se desconhecem.

Do exemplar coimbrão – que está guardado em Pergaminhos Avulsos e tem o número 29 – as Técnicas em serviço no AHMC fizeram:
. Transcrição paleográfica.
. Versão para português actual, complementada por um Glossário de Termos.

Trabalho que permite a qualquer um poder ler o documento, o qual se encontra dividido nos seguintes itens: Exórdio da ordenação da lavoura; Ordenação de como as herdades devem ser lavradas; Dos bois; Dos mancebos e Servidores; Dos pedintes e religiosos; Dos vedores e dos que hão de constranger para servir; Dos gados; Dos mercadores.
O exemplar coimbrão termina com o seguinte item.

Lei das Sesmarias, folha 12 pormenor.jpg

AHMC. Lei das Sesmarias, folha 12 pormenor

Item cuja versão para português atual é a seguinte

Publicação de Coimbra
Era de mil e quatro centos e treze anos, primeiro dia de Junho na cidade de Coimbra, presentes Gil Anes, vassalo d’el rei e sobre juíz na Casa do Civel e Corregedor em essa casa e na dita cidade e Gonçalo Miguéis, ouvidor do crime e Gonçalo Anes, sobrejuíz e Gonçalo Martins, procurador nos feitos d’el rei e Afonso Martins Alvernaz, juiz por esse senhor na dita cidade e Outros muitos homens bons chamados e ajuntados para isto foram publicadas e lidas estas ordenações suso escritas. Eu Estevão Anes, escrivão da chancelaria da dita casa isto escrevi.
Egidius Johanis (assinatura autógrafa)

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Lei das Sesmarias, 1375. Transcrição paleográfica. Versão para português actual e Glossário de Termos. Coimbra, sem data.

 

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por Rodrigues Costa às 10:03

Terça-feira, 28.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 3

1441, Março, 9, Lamego

Cartas Originais dos Infantes. 10.24.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 64
Cartas Originais dos Infantes. 10/24

Carta de D. Afonso, intitulando-se rei de Portugal e do Algarve e senhor de Ceuta, assinada pelo infante D. Pedro, seu tio, tutor e curador e regente do reino, para o Corregedor da Comarca da Estremadura, Mendo Afonso e para os contadores Álvaro Anes, Lourenço Anes, Afonso Vasques e Fernão Vasques, mandando apregoar e registar no respectivo livro da câmara, o novo valor dos leais de prata, lavrados por el rei D. Duarte, (com o valor de um leal equivalente a dez reais brancos), ficando a valer desde agora, um leal doze reais brancos, devendo ser esse o novo valor para calcular o pagamento das rendas e dívidas à fazenda real.
selo: vestígio de dois selos grandes redondos [de D. Afonso ?] e com uma assinatura abreviada, do chanceler?.
escrivão: Rui Vasques
assinatura autógrafa: uma cruz, Infante Dom Pero

1447, Novembro, 23, Soure.

Cartas Originais dos Infantes. 48.56.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 76
Cartas Originais dos Infantes. 48/56

Carta do infante D. Henrique, aos juízes, vereadores, procurador e homens bons da cidade de Coimbra, pedindo que guardassem os privilégios, aos caseiros encabeçados da Ordem de Cristo, em Quimbres, que os escusam dos cargos e servidões do concelho, desculpando se de não remeter prova dos ditos privilégios, por estar o tombo guardado no convento da sua vila de Tomar.
escrivão: o próprio infante?
assinatura autógrafa: I. d. a.[Infante Dom Anrique]
remetente: por o infante dom Amrique duc de Viseu e Senhor de Covilha

[1471], Novembro, 7, Lisboa.

Cartas Originais dos Infantes. 50.56.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 77
Cartas Originais dos Infantes. 50/56

Carta da infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, aos juízes, vereadores, procurador, fidalgos, cavaleiros e povo da cidade de Coimbra informando da tomada das praças de Arzila e Tânger aos mouros, e da satisfação do rei e do príncipe D. João e recomendando também aos povos que fizessem preces e estivessem preparados para a guerra.
escrivão: a própria infante
assinatura autógrafa: Infante
remetente: por a infante

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC. 

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por Rodrigues Costa às 10:18

Quinta-feira, 23.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 2

1430, Abril, 11, Camarate.

Cartas Originais dos Infantes. 34.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 15
Cartas Originais dos Infantes. 34/44

Carta do Infante D. Duarte, ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra, pedindo que escusassem dos encargos do concelho, Gil Gonçalves, morador em Coimbra, criado do Bispo de Maiorca, durante a ausência do Bispo, em Roma, em serviço do Rei.
escrivão: Garcia Rodrigues
assinatura autógrafa: Infante [D. Duarte]
remetente: por o infante [D. Duarte]
destinatário: Ao concelho e homens bons cidade de Coimbra.

 

1437, Fevereiro, 18, Paços de Tentúgal.

Cartas Originais dos Infantes. 24.428.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 38
Cartas Originais dos Infantes. 24/428

Carta do infante D. Pedro, aos homens bons da cidade de Coimbra, recomendando aos vereadores que acordassem onde melhor poderia ficar o caneiro real, e também que cumprissem a ordenação, quanto à eleição de Luís Geraldes, para o cargo de juiz, pois fora vereador no ano anterior, devendo por isso ser escusado de servir novamente.
selo: vestígio
escrivão: Bento Anes
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero

1440, Dezembro, 1, Almeirim.

Cartas Originais dos Infantes. 2.24.jpg

PT/AHMC/COI/ nº 53
Cartas Originais dos Infantes. 2/24

Carta da rainha D. Leonor, aos fidalgos e cavaleiros, juízes, vereadores, procurador e homens bons da cidade de Coimbra comunicando a todos os lugares o seu bom entendimento com o infante D. Pedro, duque de Coimbra e que com ele faria a regência do reino, na menoridade de D Afonso V.
selo: selo de chapa bem conservado com as armas da rainha
escrivão: Luís Eanes
assinatura autógrafa: a treste reynha
remetente: [por a reynha]

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC

 

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por Rodrigues Costa às 18:53

Terça-feira, 21.04.20

Coimbra: Cartas Originais dos Infantes no AHMC 1

No Arquivo Histórico Municipal de Coimbra existe uma coleção de 79 manuscritos originais às quais foi atribuída a designação de Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485.
Sendo as Cartas Originais maioritariamente subscritas pelo Infante D. Pedro, nela estão também incluídos manuscritos subscritos por D. João I (1), D. Duarte (3), D. Afonso V (1), Rainha D. Leonor (1), Infanta D. Joana filha de Afonso V (3) e Infante D. Henrique (2)
Dessa coleção foi elaborado pelas Técnicas que ali prestam serviço, em 2009, um Catálogo da Coleção do qual retiramos os textos referentes aos exemplos que apresentamos desta valiosíssima coleção.

 

[1418], Fevereiro, derradeiro dia, Évora.

Cartas Originais dos Infantes. 6.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 1
Cartas Originais dos Infantes. 6/44

Carta d’el rei D. João I, ordenando que para as cortes, que se realizarão em Santarém, no dia 1 de Maio seguinte, elegessem dois procuradores. As cortes eram convocadas para decidir sobre como proceder se o rei de Castela (D. João II) não jurasse o tratado de paz acordado entre as duas coroas.
escrivão: Martim Anes
assinatura autógrafa: não tem
remetente: por el rey
destinatário: Ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra

 

1429, Janeiro, 9, Benavila

Cartas Originais dos Infantes. 8.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 2
Cartas Originais dos Infantes. 8/44

Carta do Infante D. Pedro recomendando aos juízes e homens bons da cidade de Coimbra que escusassem do cargo de procurador do concelho, Pedro Domingues, pedido feito por intercessão de Bento Martins, capelão do Duque.
selo: vestígio
escrivão: Bento Peres
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero
remetente: [por o infante Dom Pedro]

 

[1429], Abril, 13, Aveiro

Cartas Originais dos Infantes. 18.44.jpgPT/AHMC/COI/ nº 7
Cartas Originais dos Infantes. 18/44

Carta do Infante D. Pedro ao concelho e homens bons da cidade de Coimbra, comunicando o resultado do acordo realizado entre si e o prior do Mosteiro de Santa Cruz sobre o abastecimento de água das Fontes d’el Rei e da Fonte da Rainha, Fonte Nova e Fonte de Sansão, ficando apenas a água desta última para o Mosteiro.
selo: vestígio
escrivão: Elias Gonçalves
assinatura autógrafa: Infante Dom Pero

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Colecção. Cartas Originais dos Infantes. [1418]-1485. 2009. Coimbra AHMC

 

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por Rodrigues Costa às 11:16

Quinta-feira, 12.09.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 4

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil)

Um exemplo da nossa internacionalização é: um Livro de Receita e Despesa de um engenho de açúcar do Brasil, entre 1574-1578.

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe capa 1 a.JReceita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil), 1574-1578, manuscrito papel, encadernação com fragmento de pergaminho com notação musical. AHMC

Pela análise do conteúdo verifica tratar-se do registo das receitas e despesas que António da Serra, procurador dos herdeiros do Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, falecido em 1572, enviam para tomar conta dos engenhos de açúcar, de Sergipe e Santana, nos Ilhéus, e fazer o levantamento dos bens do governador.

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe fl. 6 a.JP

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil), 1574-1578, folha com anotação das despesas. AHMC fl. 6

O livro está transcrito e publicado já foi divulgado em Portugal e no Brasil. Existe sobre este engenho mais informação, no século seguinte, quando transita para o património da Companhia de Jesus, por doação da filha de Mem de Sá. Há mais documentos sobre ele no conjunto da documentação dos Jesuítas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

xxx

O documento não possui termo de abertura, ou encerramento que nos dê pistas sobre o seu autor.
… Nas folhas finais, 64 e 64v encontra-se o traslado de um documento … dado em Lisboa a 9 de Dezembro de 1573, diz que os seus herdeiros [do 3.º Conde de Linhares] nomeiam António da Serra «pera feitorizar nossa fazenda» no Brasil.
… António da Serra «Cavaleiro fidalgo d’el-Rei» embarca para a colónia no ano seguinte.

xxx

Ruínas da casa grande do Engenho Pedras e capela.

Ruínas do Engenho Pedras. Foto: Silvio Oliveira.

Ruínas da casa grande do Engenho Pedras.jpg

Ruínas do Engenho Pedras

"Ruínas do Engenho Pedras - Maruim (SE) fica na zona rural de Maruim. É símbolo do apogeu da época canavieira, onde o açúcar era exportado para os principais centros da Europa. A casa grande teve como base o Palácio do Governo de Sergipe. Pedras foi o principal engenho em termos de escravos e tamanho de propriedade. Primeiramente era do proprietário Gonçalo Prado Rollemberg, hoje pertence a família Franco". (Fonte: Facebook/Tô No Mundo).

França, P. Documentos de Arquivos Privados no espólio do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Sécs. XIV-XIX. Acedido em 2019.05.25, em
http://arquivoshistoricosprivados.pt/wp-content/uploads/2016/12/6-Paula-Franca.pdf

França, P.C.V. e Pereira, I.M.B. Um Livro do Brasil no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra: Engenho de açúcar em Sergipe. (1574-1578). In: Revista Portuguesa de História. T. XXXIII (1999)

Ruínas do Engenho Pedras – Maruim. Acedido em 2019.05.27, em
https://sergipeemfotos.blogspot.com/2014/02/ruinas-do-engenho-pedras-maruim.html

 

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por Rodrigues Costa às 22:15

Quinta-feira, 05.09.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 3

Coleção Pergaminhos da Inquisição de Coimbra

É constituída por um conjunto de Cartas de Familiar do Santo Ofício, 1676-1793.
Estas Cartas eram os exemplares originais, que findo o processo de inquirição de testemunhas, era atribuído ao titular, como prova da sua honorabilidade e limpeza de sangue. São por isso documentos particulares.
Terão sido doados ao AHMC.

Edificio da Inquisição frente pátio 1.JPG

Edifício da Inquisição em Coimbra, na atualidadeEdificio da Inquisição claustro.jpgEdifício da Inquisição em Coimbra, claustro

No Arquivo Nacional, Torre do Tombo é possível encontrar os processos de atribuição das cartas de familiar a estas pessoas.
Na inventariação recente deste conjunto realizamos essa pesquisa on line. Essa consulta fornece muitos mais elementos sobre os titulares das cartas desta coleção.

Pergaminhos da Inquisição, n.º 1.jpg

Pergaminhos da Inquisição, n.º 1, 1676. AHMC

1676, Dezembro, 22, Lisboa.
Carta de Familiar do Santo Ofício, concedida pela Inquisição, a João Baptista, do lugar de Vilela (conc. de Coimbra), casado com Catarina da Costa.
Contém anotações no verso sobre a família do titular do documento, (antepassados de José de Seabra da Silva).

Pergaminhos da Inquisição, n.º 4.jpg

Pergaminhos da Inquisição, n.º 4, 1728. AHMC

1728, Maio, 25, Lisboa.
Carta de Familiar do Santo Ofício, concedida pela Inquisição ao Doutor António de Andrade do Amaral, opositor às cadeiras de Leis, na Universidade de Coimbra, solteiro, filho de João de Lima, natural e morador na cidade de Viseu.

França, P. Documentos de Arquivos Privados no espólio do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Sécs. XIV-XIX. Acedido em 2019.05.25, em
http://arquivoshistoricosprivados.pt/wp-content/uploads/2016/12/6-Paula-Franca.pdf 

 

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por Rodrigues Costa às 20:19

Terça-feira, 27.08.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 2

Um Tombo de propriedades de 1759, depositado no Arquivo Municipal de Coimbra em Maio de 1759 por indicação do proprietário “para que não haja dúvida nos registos”.

Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Capa.jpg

AHMC/ Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Manuscrito, papel, 1453 folhas, encadernação de couro com fivela.

Aqui ficou desde essa altura e é o primeiro exemplar que vos apresentamos. Associam-se geralmente os tombos, registo de propriedades pertencentes a um senhorio, à documentação reportada como de origem privada e pertencente a arquivos de famílias e que, às vezes, nas heranças e sucessões, é vendida a alfarrabistas.

Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Fl .1.jpg

AHMC/ Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Fl .1

Este tombo foi elaborado em 1688, por instância de D. Manuel Coutinho, possuidor da Quinta de São Silvestre, em Coimbra.
Todavia, ao longo do tempo o tombo danificou-se e em 1759 D. Francisco Manuel Cabral de Moura e Horta de Vilhena manda reformulá-lo e deposita-o à guarda do Juiz de Fora da cidade.

Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Fl .17.jp

AHMC/ Tombo da Quinta de São Silvestre, 1759. Fl .17

Que informação nos pode dar este conjunto documental?

O tombo descreve todas as propriedades pertencentes a este senhorio, identificando-as confrontando-as, indicando os nomes dos seus foreiros, as culturas que aí praticam, os pagamentos que recaem sobre todas as parcelas, as datas de cobrança e as obrigações para com o senhor.
São valiosos repositórios de informação para a história das localidades, das famílias, das comunidades rurais.

Nota:
Segundo as informações recolhidas tratar-se-á da propriedade que tinha como cabeça a casa apalaçada – tem sobre o portão uma pedra de armas – provavelmente do séc. XVIII, localizada perto da igreja de S. Silvestre onde, hoje, funciona um hotel.

Palacio São Silvestre-Boutique Hotel.jpg

Palácio São Silvestre – Boutique Hotel

Palacio São Silvestre-Boutique Hotel 2.jpg

Palácio São Silvestre – Boutique Hotel pormenor

França, P. Documentos de Arquivos Privados no espólio do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Sécs. XIV-XIX. Acedido em 2019.05.25, em
http://arquivoshistoricosprivados.pt/wp-content/uploads/2016/12/6-Paula-Franca.pdf 

 

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por Rodrigues Costa às 17:33

Terça-feira, 13.08.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 1

O Arquivo Histórico Municipal de Coimbra para além do vasto património relativo à história da cidade e do seu termo, detém um conjunto de documentos que, face ao seu interesse, iremos divulgando, sobre a epígrafe acima referida.
Nesta entrada iremos abordar:
- um desafio para a confeção das receitas apresentadas;
- uma reflexão sobre a politiquice local que já vem de há muito tempo como se pode constatar.

Livro de Receitas e Despesas … de um estabelecimento comercial do século XIX [1852-1879] da cidade Coimbra, importante para o conhecimento da nossa história local.
Regista a receita e despesa corrente de uma indústria de licores. O autor que não está identificado explicitamente no livro, vem da Figueira da Foz para Coimbra, tomar conta do negócio de uma sua tia.
Regista a receita e despesa corrente de uma indústria de licores. O autor que não está identificado explicitamente no livro, diz qe veio da Figueira da Foz para Coimbra, tomar conta do negócio de uma sua tia.
Livro de Receita e Despesa, de um estabelecimento



No meio dos pagamentos e recebimentos de uma contabilidade apurada, na gestão corrente da casa de família e com o empréstimo de dinheiro a juro sobre penhores de pequenos bens, regista receitas de licor de canela, de licor de rosas, licor de marrasquino; receitas de pudim de batata; pudim de leite; receitas de mézinhas para cura de doenças, receita de tinta de escrever.
Além disso, o autor utiliza o livro como uma espécie de diário: regista episódios do seu quotidiano familiar, do que acontece no país e na cidade, crises e doenças; noticia a morte do rei Dom Pedro V, a inauguração da ponte de ferro de Coimbra em 8 de maio de 1875, entre outros eventos.

Transcrição paleográfica
[fl. 65] Licor de Rozas
Fiz hoje 14 quartilhas do Licor de Rozas, e levou aguardente regular 9 quartos; assucar 2 e meio arrattes, Essencia e Coxenilha.


[fl. 153] Receita para fazer Podim [de batata]

Livro de Receita e Despesa Fl. 533.JPGLivro de Receita e Despesa, de um estabelecimento comercial de venda de licores em Coimbra, 1852-1879, fl. 153. AHMC

Hum arratte de assucar muito fino; hum quarto manteiga ingleza;
Meio arratte batata cozida
Dezoito gemmas de ovos
Faz se da seguinte maneira

Parte primeira
Cozem-se as batatas, dispois de bem cozidas, passão se pella peneira, peza se dispois d’esta massa o meio arratte asima ditto.

Parte segunda
Poem se o assucar a ponto de espedana e nelle emquanto esta quente lansa se lhe o resto da manteiga que subejar dispois de untada a lata; Feito isto em seguida, vai-se lhe lançando a batata pouco a pouco, devendo mecher-se sempre com a colher, em seguida vão-se lançando tambem os ovos, mais devagar devendo sempre mecher-se com a colher; dispois de tudo muito bem disfeito, aquese-se hum pouco ao lume, depois lansa se dentro da lata e vai para
o forno.

[fl. 553] Inauguração da ponte de Coimbra.

Ponte de ferro. Final da construção. Fotografia.

Ponte de ferro. Final da construção

Livro de Receita e Despesa fl. 153.jpg

Livro de Receita e Despesa, de um estabelecimento comercial de venda de licores em Coimbra, 1852-1879, fl. 533. AHMC

Em 8 de Maio deste anno foi que se fez a inauguração da nova Ponte mas nem Camera nem Dereção das Obras Publicas se prestarão a couza nenhuma por cauza da politica do Penacho que então governava, cuja politica trazia muitos e muitas pessoas desgostozas, e para as auctoridades desse tempo não sofrerem alguma disfeita nada fezerão, mas o Illustrissimo Senhor Director serião 5 horas da manhãa mandou deitar os tapumes abaixo, e declarou podia entrar quem quizesse, sem mais etiqueta, foi como se costuma dizer foi feita a Capucha. Só os molleiros de Sernache entrarão pello meio dia em grande pandega vindo todos a cavallo em sima das mesmas cargas com bandeiras e gaita de folles, andando precorrendo as ruas. Houve então muzica e muito foguetorio feito pella Assuciação Liberal que fizerão a inauguração da Ponte hindo ali tucar e lançando muitas girandollas de foguetes mas tudo de porpozito cauzando isto muitas zangas.

França, P. Documentos de Arquivos Privados no espólio do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Sécs. XIV-XIX. Acedido em 2019.05.25, em
http://arquivoshistoricosprivados.pt/wp-content/uploads/2016/12/6-Paula-Franca.pdf

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por Rodrigues Costa às 22:45

Terça-feira, 23.04.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal, um lugar a visitar

Frequento com alguma assiduidade do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra e tenho para mim que se trata de um local que não pode ser ignorado por todos aqueles que se interessam pela história da cidade.
Alicerço a minha convicção em virtude do vasto e valioso acervo que ali se encontra depositado, constituído, em boa parte, pelos documentos fundacionais da nossa cidade. Além disso, pode sempre visualizar-se uma exposição temporária de médio ou longo prazo que mostra documentação original e contextualizada, na medida em que se encontra especialmente vocacionada para centrar, num discurso claro e integrado, uma mensagem relacionada com a cidade.

Também se pode observar a imagem de S. Jorge, montado num cavalo, a fim de participar na procissão do Corpus Christi, a festa maior que, durante muitos séculos, acontecia em Coimbra.

S_Jorge.pngImagem de S. Jorge

Não posso, nem quero, deixar de chamar a atenção para a grande competência, disponibilidade e simpatia das Técnicas responsáveis pelo aquivo e que atendem personalizadamente (o que é muito importante para quem investiga) todos quantos ali se deslocam.
Podemos ainda observar as varas que os vereadores outrora levavam nas mãos quando participavam em atos oficiais, bem como peças de vestuário que então utilizavam

obj20.JPGVaras dos vereadores da Câmara de Coimbra

A exposição temporária de médio ou longo prazo é periodicamente renovada e nela podem ser observados, quando integram a mostra, alguns destes documentos:

- Carta de Sentença
1297, Julho, 8, Coimbra. Carta de Sentença do Ouvidor da Corte, Estêvão Peres, ordenando ao alcaide de Coimbra, João Arrais, que restituísse a dízima, indevidamente cobrada ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, “atendendo ao Costume de Coimbra, sobre que foram perguntados os alvazis e homens bons”.
É o documento original mais antigo que se encontra no AHMC.

Carta de Sentença.png

 

- Carta partida por ABC
1299, Maio, 20, Coimbra. Instrumento de composição amigável feito entre o concelho de Coimbra, representado pelos seus procuradores Domingues Esteves e Martim Anes, mercadores, e o concelho de Penela, pelo procurador António Anes, sobre a jurisdição e direitos a cobrar nos lugares de Pousafoles-o-Velho, Pousafoles-o-Novo (conc. Miranda do Corvo); Pereiro (conc. de Penela); Cabeça de Boi e Lavarrabos (actual Rabarrabos, conc. de Penela).
O acordo alcançado referia que os moradores dos lugares pagariam “irmãmente a metade” de todos os serviços e tributos que aí fossem lançados quer pelo concelho de Coimbra, quer pelo de Penela.

Carta partida por ABC.jpg

Nota: Uma carta partida por ABC, era um pergaminho no qual era escrito um original e uma cópia fiel do mesmo, ambos devidamente assinadas. O pergaminho era cortado na forma que se vê na imagem, sendo cada uma das metades entregue às partes subscritoras. Se fosse necessário confirmar a veracidade de uma das partes, juntavam as duas e verificavam se o corte coincidia.

Lei das Sesmarias
1375, Junho, 1, Coimbra. “Exórdio da ordenação da lavoura”, conjunto de medidas decretadas por D. Fernando e posteriormente conhecidas por “Lei das Sesmarias”, para que “haja maior abundância no reino”, tentando recuperar a produção agrícola, após uma época de grave crise económica, provocada pela epidemia da “peste negra”. É um dos poucos originais do texto fernandino que hoje se conhece.

Lei das Sesmarias.jpg

Acordãos e Vereações
1491, 23 de Março a 31 de Dezembro, Coimbra. “Livro dos Acordos e Verações do ano de mil iiijc LRj”em que foram oficiais: João de Barros, cavaleiro e João Pessoa, juízes; Pedro Brandão, cavaleiro, Aires Alvelo e Álvaro Vasques, vereadores; Garcia Rodrigues Pacheco, procurador da cidade. É o mais antigo livro de registo das reuniões da vereação que se preservou até à actualidade.

Acordãos e Vereações.png

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra ali na Rua Pedro Monteiro, no edifício da Casa da Cultura, ao cimo da Sereia. Vá por lá que vai gostar.

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Exposição. 2018

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por Rodrigues Costa às 09:46


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