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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 23.04.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal, um lugar a visitar

Frequento com alguma assiduidade do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra e tenho para mim que se trata de um local que não pode ser ignorado por todos aqueles que se interessam pela história da cidade.
Alicerço a minha convicção em virtude do vasto e valioso acervo que ali se encontra depositado, constituído, em boa parte, pelos documentos fundacionais da nossa cidade. Além disso, pode sempre visualizar-se uma exposição temporária de médio ou longo prazo que mostra documentação original e contextualizada, na medida em que se encontra especialmente vocacionada para centrar, num discurso claro e integrado, uma mensagem relacionada com a cidade.

Também se pode observar a imagem de S. Jorge, montado num cavalo, a fim de participar na procissão do Corpus Christi, a festa maior que, durante muitos séculos, acontecia em Coimbra.

S_Jorge.pngImagem de S. Jorge

Não posso, nem quero, deixar de chamar a atenção para a grande competência, disponibilidade e simpatia das Técnicas responsáveis pelo aquivo e que atendem personalizadamente (o que é muito importante para quem investiga) todos quantos ali se deslocam.
Podemos ainda observar as varas que os vereadores outrora levavam nas mãos quando participavam em atos oficiais, bem como peças de vestuário que então utilizavam

obj20.JPGVaras dos vereadores da Câmara de Coimbra

A exposição temporária de médio ou longo prazo é periodicamente renovada e nela podem ser observados, quando integram a mostra, alguns destes documentos:

- Carta de Sentença
1297, Julho, 8, Coimbra. Carta de Sentença do Ouvidor da Corte, Estêvão Peres, ordenando ao alcaide de Coimbra, João Arrais, que restituísse a dízima, indevidamente cobrada ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, “atendendo ao Costume de Coimbra, sobre que foram perguntados os alvazis e homens bons”.
É o documento original mais antigo que se encontra no AHMC.

Carta de Sentença.png

 

- Carta partida por ABC
1299, Maio, 20, Coimbra. Instrumento de composição amigável feito entre o concelho de Coimbra, representado pelos seus procuradores Domingues Esteves e Martim Anes, mercadores, e o concelho de Penela, pelo procurador António Anes, sobre a jurisdição e direitos a cobrar nos lugares de Pousafoles-o-Velho, Pousafoles-o-Novo (conc. Miranda do Corvo); Pereiro (conc. de Penela); Cabeça de Boi e Lavarrabos (actual Rabarrabos, conc. de Penela).
O acordo alcançado referia que os moradores dos lugares pagariam “irmãmente a metade” de todos os serviços e tributos que aí fossem lançados quer pelo concelho de Coimbra, quer pelo de Penela.

Carta partida por ABC.jpg

Nota: Uma carta partida por ABC, era um pergaminho no qual era escrito um original e uma cópia fiel do mesmo, ambos devidamente assinadas. O pergaminho era cortado na forma que se vê na imagem, sendo cada uma das metades entregue às partes subscritoras. Se fosse necessário confirmar a veracidade de uma das partes, juntavam as duas e verificavam se o corte coincidia.

Lei das Sesmarias
1375, Junho, 1, Coimbra. “Exórdio da ordenação da lavoura”, conjunto de medidas decretadas por D. Fernando e posteriormente conhecidas por “Lei das Sesmarias”, para que “haja maior abundância no reino”, tentando recuperar a produção agrícola, após uma época de grave crise económica, provocada pela epidemia da “peste negra”. É um dos poucos originais do texto fernandino que hoje se conhece.

Lei das Sesmarias.jpg

Acordãos e Vereações
1491, 23 de Março a 31 de Dezembro, Coimbra. “Livro dos Acordos e Verações do ano de mil iiijc LRj”em que foram oficiais: João de Barros, cavaleiro e João Pessoa, juízes; Pedro Brandão, cavaleiro, Aires Alvelo e Álvaro Vasques, vereadores; Garcia Rodrigues Pacheco, procurador da cidade. É o mais antigo livro de registo das reuniões da vereação que se preservou até à actualidade.

Acordãos e Vereações.png

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra ali na Rua Pedro Monteiro, no edifício da Casa da Cultura, ao cimo da Sereia. Vá por lá que vai gostar.

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Exposição. 2018

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por Rodrigues Costa às 09:46

Segunda-feira, 29.05.17

Coimbra: Manutenção Militar, reintegração no património municipal

 A comunicação social, noticiou, que o edifício onde estivera instalada a Manutenção Militar, sito na Avenida Sá da Bandeira, fora reintegrado no património da Câmara Municipal de Coimbra. Esse sucedimento ficou a dever-se, numa primeira conjuntura, ao facto de, na escritura assinada no ano de 1899 entre a edilidade aeminiense e o então Ministério da Guerra figurar uma cláusula que previa a reversão do imóvel para a posse da autarquia, no caso de o “antigo matadouro e respectivos terrenos contíguos” deixarem de ser utilizados para fins militares.

Manutenção. Anais. 1920-1939.TIF

Edificio primitivo da Manutenção Militar

 Na sequência da extinção das ordens religiosas acontecida em 1834, a Câmara de Coimbra tomou posse, em 15 de dezembro de 1836, dos edifícios, e não só, do extinto mosteiro de Santa Cruz que lhe haviam sido cedidos pelo Estado; contudo, devido a dúvidas e a abusos de diversa índole ... o governo fez publicar, a 30 de julho de 1839, uma carta de lei destinada a esclarecer que tinham sido concedidos ao município os edifícios do extinto mosteiro de Santa Cruz, com exclusão da igreja e suas dependências, o pequeno laranjal, a horta e a encosta que ficam contíguas aos mencionados edifícios e terminavam na estrada pública situada na zona da Fonte Nova.

 

Para além da rua que ligava a estrada de Montarroio à horta fradesca, mas ainda no âmbito dos terrenos pertencentes à Câmara, erguia-se o matadouro dos crúzios que, posteriormente, passou a funcionar como municipal. Esse terreno pertencia à edilidade que, após a retirada do matadouro cedeu, por escritura, o terreno, a fim de aí se ergueu o edifício da Manutenção Militar; o imóvel, ao longo dos anos, foi-se ampliando.

Manutenção Militar 1.jpgManutenção Militar, ainda se vislumbrando a antiga Viela do Hospício que

durante séculos serviu de saída da Cidade para Norte

 

Pretende, agora, a Câmara Municipal instalar no imóvel, para além de outras valências, os diversos núcleos do Arquivo Municipal que, ao presente, se encontram dispersos. Para além de dar vida a um imóvel que se encontrava inerte em pleno centro histórico vai facilitar o conhecimento e o estudo de um acervo muito valioso capaz de contribuir para o aprofundar do conhecimento histórico da nossa cidade.

Anacleto, R. In: Diário de Coimbra, 29563, Coimbra, 2017.05.26

 

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por Rodrigues Costa às 22:16

Quinta-feira, 15.09.16

Coimbra: a Feira das Neves

Ao consultar no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra as Vereações n.º 78, 1839-1842, encontrei a folhas 189, a seguinte notícia:

Os Arrematantes da obra da Fonte da Feira das Neves pedem se lhes dê o primeiro pagamento do seu contracto. A Câmara ordenou se lhe passasse mandado conforme determinado no auto d’adjudicação. Da mesma ata consta, ainda, o pagamento de 18$333 rs. aos referidos Arrematantes.

 

Ora a Feira das Neves era do meu total desconhecimento, bem como de outros Estudiosos das coisas de Coimbra. Tendo solicitado a ajuda da Dr.ª Paula França, arquivista do AHMC, a qual tendo pesquisado o assunto me transmitiu as seguintes informações:

. No trajeto da antiga estrada real junto a Trouxemil, identificou uma capela da Senhora das Neves que tinha uma fonte próxima;

. Que em pesquisas anteriormente realizadas se tinha apercebido que na época da deliberação a Câmara estava a ser chamada a fazer reparações na estrada real, na zona da sua responsabilidade.

 

A partir destas informações foi possível obter junto de pessoas idosas de Enxofães e de Trouxemil as seguintes informações complementares:

– A Capela de Nossa Senhora das Neves está localizada no lugar mais elevado de Trouxemil, com uma vista magnífica para sul, à qual se acede por uma rua estreita, a meio da rua principal da povoação.

Junto à capela existe um amplo terreiro que já serviu como campo de futebol e que hoje está amplo, existindo um polidesportivo ao fundo do mesmo.

A festa de Nossa Senhora das Neves realiza-se, anualmente, a 5 de Agosto.

 

– Naquele local realizava-se, desde tempos remotos, a Feira das Neves a qual tinha grande relevância para os povos gandareses, a norte do local.

A Feira funcionou até uma data indeterminada quando, por motivo de uma peste do gado bovino, foi proibida a circulação deste naquela área.

 

– Aproveitando esse facto a população de Barcouço – freguesia contígua à de Trouxemil, para norte, e que já pertence ao concelho da Mealhada e distrito de Aveiro – começou a realizar a feira no local de Santa Luzia, pois o mesmo não estava abrangido pelo referido embargo.

E assim se mantem a Feira de Santa Luzia até aos dias hoje, com o consequente desaparecimento da Feira das Neves.

 

Resumindo: A Feira da Neves realizava-se em Trouxemil, logo no espaço geográfico do concelho de Coimbra e era relevante para a economia não só deste Concelho, bem como para as populações da região gandaresa.

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por Rodrigues Costa às 12:46


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