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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 28.09.17

Coimbra: Colégio de S. Bento

Fr. Diogo de Murça, monge de S. Jerónimo, fundou em 1555 um Colégio universitário para os «Monges-estudantes de S. Bento», dando-lhes pousada provisória no próprio edifício dos paços reais.

... Não se descuidaram porém os beneditinos de irem tratando de arranjar instalação propriamente sua.

Adquiriram fora da Almedina, no lugar chamado «Genicoca», a Este e Sul da muralha da cidade, umas propriedades, que com o decorrer do tempo foram ampliando, até atingirem a margem do rio. Terreno fertilíssimo, admiravelmente exposto, e que se prestava a grande variedade de culturas, e a plantações florestais. Na parte mais alta, de vistas largas e maravilhosamente belas, projetaram a construção dum grande edifício para o seu Colégio.

De 1568 a 1570 construiu-se o aqueduto de S. Sebastião, para abastecimento de água da cidade, e os arcos daquele aqueduto ficaram em parte situados dentro da propriedade dos colegiais beneditinos.

Colégio de S. Bento.jpg

 Colégio de S. Bento, na primeira metade do séc. XIX

 ... Em 1576 haviam começado as obras do edifício...

Colégio de S. Bento. Poente. Sec. XVI-XVII.bmp

 Colégio de S. Bento, ala poente

A última das projetadas obras a realizar-se foi a construção da igreja. Quando esta se deu por pronta, já havia muito que o Colégio era habitado definitivamente pelos colegiais, que no interior dele tinham uma capela provisória... Realizou-se com grande solenidade a sagração do magnífico templo... 19 de Março de 1634.

Colégio de S. Bento. Igreja. Sec. XVII.bmp

Colégio de S. Bento igreja

... O Colégio beneditino era o maior e mais importante dos edifícios colegiais universitários, exceto o de Jesus, da fábrica maior; mas numa coisa se lhe avantajava o de S. Bento, na situação privilegiada em que se achava, com a esplendida cerca contígua, e o panorama formosíssimo que dele se gozava.

Foi demolido há pouco anos o templo de S. Bento. Era muito vasto e de grande valor arquitetónico, de traça bastante parecida com o templo da Sé Nova, mas tendo a abóbada da capela-mor ricamente ornamentada com decoração escultural admirável.

... Quando se realizou a reforma da Universidade em 1772, os beneditinos do Colégio de Coimbra ofereceram espontânea e generosamente ao Marquês de Pombal a parte da sua cerca, que fosse preferida, para nela se constituir o Jardim Botânico da Universidade.

... Pela extinção das Ordens religiosas; em 1834, ficou abandonado o edifício de S. Bento... 21 de Novembro de 1848 ... ordenou que fossem entregues à Universidade ... para colocação dos estabelecimentos filosóficos, gabinete de agricultura ... com a respetiva cerca, destinada para ampliação do Jardim Botânico.

... Em 1849 foi destinada uma parte do edifício a quartel militar. As barbaridades, vandalismos selvagens e atos de rapinagem, que a soldadesca lá praticou, constituem uma das páginas vergonhosas da história daquele tempo.

... No fim do ano letivo de 1869-1870, realizou-se a transferência do Liceu de Coimbra, que até este ano inclusive funcionara no edifício do Colégio das Artes, para o Colégio de S. Bento.

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 243, do Vol. I


 

 

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por Rodrigues Costa às 13:08

Quinta-feira, 25.08.16

Coimbra: Chafarizes e fontes que desapareceram 1

No terreiro ou largo de Sansão teriam existido três chafarizes. Os dois primeiros estavam colocados nos extremos norte e sul, “como mostra a vista panorâmica da cidade de Coimbra, de Jorge Braunio, impressa em 1572”.

... Estes chafarizes chamados de Sansão e de S. João foram mandados construir no ano de 1400, por D. Afonso Martim, 19.º prior mor do mosteiro de Santa Cruz ... mandou alargar o terreiro de Sansão, para se realizarem as festas a cavalo, aproveitando a colocação dos chafarizes, como balizas, para se jogarem “canas” e “alcanzias”, antigos jogos portugueses.

O jogo das canas consistia em os cavaleiros se acometerem com canas, espécie de torneio brincalhão. E as alcanzias eram bolas de barro cheias de cinza, pó, flores, etc. que os cavaleiros lançavam. Esta brincadeira simulava as granadas ou panelas cheias de matérias acesas ou inflamáveis, com que na guerra arremessavam ao inimigo.

O chafariz de S. João era de água doce e “maravilha de se contemplar o engenho enganoso com que lançava nove tornos de água, não sendo os tornos verdadeiros mais de três”.

Apesar desta maravilha, o chafariz de S. João foi demolido quando el-rei D. Sebastião, ao mandar construir o aqueduto de S. Sebastião, precisou desta e doutras águas que estavam na posse do mosteiro de Santa Cruz, mandando-as retirar, para as encaminhar para o referido aqueduto ...

No centro do chafariz de Sansão foi colocada, em 1592, num pedestal quadrangular, a estátua de Sansão imaginada pelo mestre Manuel Fernandes. As mulheres cobiçavam muito a água que, “por ser um bocado salôbra”, era muito aproveitada para amassar o pão e para lavar o rosto, dizendo-se que o tornava mais alvo.

A estátua de Sansão, hercúleo juiz dos hebreus, foi derrubada e feita em pedaços, pelo embate de umas traves transportadas por um carro, no mês de Setembro ou Outubro de 1819. Parece que o destino desse chafariz estava marcado, porque o deixaram deteriorar e, como tal, a Câmara mandou-o demolir em 1838.

Dessa demolição beneficiou o terceiro chafariz, na medida em que a água do demolido mais a água do Claustro do Silêncio deram para as duas bicas desse novo chafariz sem nome, construído em 1839, na frontaria do antigo mosteiro de Santa Cruz.

... Em 1870, quando foram construídos os novos paços municipais, o chafariz acabou por ser demolido.

 

Lemos, J.M.O. 2004. Fontes e Chafarizes de Coimbra. Direção de Arte de Fernando Correia e Nuno Farinha. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 159 a 161

 

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por Rodrigues Costa às 09:32

Quarta-feira, 24.02.16

Coimbra, origens 2

A ocupação pré-romana da cidade é provável, ainda que não provada.

… Na área da cidade, mesmo da cidade alargada do nosso tempo, não se encontraram nunca vestígios pré-romanos. Os mais próximos são os da Caverna dos Alqueves.
Fica situada entre as aldeias da Póvoa e Bordalo, a poente de Coimbra, nas traseiras do mosteiro novo de Santa Clara. Descoberta pelo Dr. Santos Rocha, que aí fez explorações em 1898, foi escavada também por A. Mesquita de Figueiredo, em 1900 e 1901. O espólio encontrado é neolítico.

É provável que o festo da colina onde, no nosso tempo, se instalou a cidade universitária, tenha sido ocupado desde épocas recuadas. O sítio é excelente. Dois vales profundos cavam um fosso natural em redor da colina. O primeiro corresponde à atual Avenida de Sá da Bandeira. Por ele corria um ribeiro chamado ‘torrente de balneis Regis’ no documento de 1137 demarcatório da freguesia de Santa Cruz. O ribeiro, que tomava a direção da Rua da Moeda, tinha caudal suficiente para moer, na Idade Média, as azenhas instaladas nesta rua … O segundo vale corresponde ao Jardim Botânico e à sua mata. Uma rampa natural, que o aqueduto de S. Sebastião, ou dos Arcos do Jardim acompanha, separa os dois vales … Este morro é ainda fendido a meio por aquilo que Fernandes Martins chamou expressivamente uma «cutilada»: um valeiro que, saindo do antigo Largo da Feira, «e seguindo pelo Rego de Água em direção à Rua das Covas, ganha declive cada vez mais rápido, para se despenhar por Quebra-Costas, a caminho da Porta de Almedina». Em 14 de Junho de 1411, segundo revela Nogueira Gonçalves, uma enxurrada de tal sorte se precipitou por este córrego, que arrancou as portas chapeadas de ferro da cidade…
Um sítio naturalmente defendido e cómodo para assento de povoado fica assim definido entre a Couraça de Lisboa e o córrego da Rua das Covas ou de Borges Carneiro. Se nenhuns vestígios de épocas pré-históricas foram aí encontrados, isso se deve, certamente, ao facto de os trabalhos para a instalação da cidade universitária não terem sido acompanhados por arqueólogos.

Na área da atual cidade, outro ponto que os povos pré-históricos poderiam ter ocupado, é o morro da Conchada; não se conhecem aqui, porém, vestígios arqueológicos. Uma «necrópole com sepulturas antropomórficas abertas em rocha», provavelmente medieval, foi descoberta no vale de Coselhas.


Alarcão, J. 1979. As Origens de Coimbra. Separata das Actas das I Jornadas do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro. Coimbra, Edição do GAAC. Pg. 25 a 27

 

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por Rodrigues Costa às 10:10


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