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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 08.11.18

Coimbra: Plantas mais antigas da Cidade

Em Coimbra a reforma pombalina da Universidade, implicou a transformação ou a construção de novos edifícios, exigindo a produção de vários documentos cartográficos, quer desenhos de levantamento, quer de projeto, incidindo não só na Alta mais intervencionada, mas também nos espaços mais importantes da Baixa, como o Largo da Portagem e o Largo de Sansão.

José Carlo Magne Mapa da Alta de Coimbra.jpg

José Carlo Magne, Mapa da Alta de Coimbra, c.1780

 Embora estes desenhos tenham ainda hoje uma importância fundamental para o conhecimento da cidade do final do século XVIII, no período liberal estavam na posse da Universidade e por isso não eram utlizados pelo município no planeamento da cidade.

Da mesma forma, existem hoje no Instituto Geográfico Português, três plantas do século XVIII representando a cidade, mas aparentemente nenhumas delas seria do conhecimento da Câmara Municipa

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 s/a, Planta de Coimbra e seus Contornos sobre o Rio Mondego, [final do século XVIII]

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 s/a,  esboço Mapa topográfico da cidade com a divisão das freguesias, final século XVIII]

 

Mappa Thopografico da cidade de Coimbra.jpg

s/a, Mappa Thopografico da cidade de Coimbra com a Divizão das Antigas Freguezias, final do século XVIII

A primeira referência que encontramos a uma planta da cidade data de 1857, quando o município presidido por António Augusto da Costa Simões viu rejeitado o pedido para Izidoro Emílio da Expectação Baptista rever e retificar a planta que tinha sido desenhada em 1845.

A Planta Topográfica da cidade e arrabalde tinha sido desenhada pelo futuro lente da Escola Politécnica, quando ainda era estudante de Matemática em Coimbra. Este documento, para além da planta apresenta uma série de dados complementares muito interessantes para o estudo da cidade. Como a relação das casas religiosas da cidade indicando a Ordem, localização, data de fundação e nome dos fundadores, bem como o nome das principais, a altimetria quer de algumas ruas, quer do rio Mondego, a latitude e a longitude em relação às principais cidades europeias. Ainda um quadro da população da cidade entre os anos de 1834 e 1839, indicando o número de fogos e o número de indivíduos divididos por sexo, estado civil e idade.

Embora imprescindível para o planeamento de qualquer cidade, a Câmara Municipal de Coimbra só no dia 13 de Outubro de 1865, impelida pela recém formada comissão do plano de melhoramentos, mandou fazer duas cópias da Planta Topográfica da cidade e arrabalde.

 

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 Izidoro Emílio Baptista, Planta Topográphica da cidade e arrabalde, 1845.

 … Na década seguinte, depois de cimentado o conhecimento da forma de projetação apreendida pelo contacto com as múltiplas obras das estradas municipais começou a surgir uma nova consciência do planeamento urbano. Neste sentido, o presidente Lourenço Almeida Azevedo … defendia como «uma imperiosa necessidade [a existência de] … uma planta topográfica», para o estudo e planeamento da cidade. O concurso para o levantamento atualizado a cidade pelos novos métodos de cartografia foi aberto a 11 de Julho de 1872 e o contrato assinado com Francisco e Cesar Goullard, em Outubro desse mesmo ano.

… Os trabalhos decorreram em 1873 e a Planta Topographica da Cidade de Coimbra foi apresentada em 1874, constituindo o primeiro trabalho de cartografia científica da cidade.

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 Francisco e Cesar Goullard, “Planta Topographica da Cidade de Coimbra”, montagem da cópia das 17 lâminas, 1874

 Desenhada à escala 1:500 em 19 lâminas de grandes dimensões (0,80x1,25 metros) denota o rigor e a minúcia da cartografia urbana oitocentista, mas ficou incompleta, sem curvas de nível, que a Câmara Municipal dispensou devidos aos alteamentos projetados para as margens.

 Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 228-237

 

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por Rodrigues Costa às 11:19

Terça-feira, 25.09.18

Coimbra: Abastecimento de água 1

A iniciativa de dotar a cidade de uma moderna rede de abastecimento de água a partir do Mondego surgiu em 1865, graças ao médico António Augusto da Costa Simões, antigo Presidente da Câmara. Dois anos antes, “O Instituto” tinha publicado a análise das águas das principais fontes da cidade e do rio, efetuadas pelo professor Francisco António Alves que concluía: «Para bebida devia preferir-se a agua do rio e da fonte do Cidral. Convinha construir poços a certa distância do rio, que por filtração dos terrenos recebessem a agua d’elle, tendo no fundo grossa camada d’areia para a tornar mais límpida, mormente durante as cheias do Mondego. D’estes poços poderia elevar-se a agua por meio de bombas e reservatórios, que tornassem mais commoda a sua distribuição pelos habitantes de grande parte da cidade».


António Augusto Costa Simões.jpg

António Augusto da Costa Simões (1819-1903)

Fonte: http://pt.ars-curandi.wikia.com/wiki/António_Augusto_da_Costa_Simões

No seguimento deste estudo, Costa Simões médico experiente e ciente da importância deste melhoramento urbano para a saúde pública, enquanto realizava uma viagem de estudo pela Europa apresentou à Câmara Municipal os “seus oferecimentos para tratar em Paris do projeto de abastecimento d’agua para esta cidade”. Para estudar este projeto, recorreu ao engenheiro Louis Charles Mary, e no início de 1866, já em Coimbra, apresentou à nova vereação o projeto de abastecimento de água à cidade aproveitando as águas do rio, mas na mesma data a vereação preferiu adicionar à rede existente, as águas da Quinta dos Sardões, em Celas, e talvez por esta razão ou por outros constrangimentos a questão da nova rede de abastecimento de águas foi sendo esquecida.

Só em 1870, sob a presidência de Anthero Augusto Marques de Almeida Araújo Pinto foi aberto o primeiro concurso para o projeto e construção de uma rede de abastecimento de água a partir do rio. Surgiram duas propostas, a primeira apresentada por Costa Simões em parceria com Cândido Xavier Cordeiro, a segunda de Louis Penny, de Londres. A escolha recaiu sobre a primeira mas dificuldades … levaram à rescisão do  contrato … Foi aberto novo concurso e voltou a ser assinado [outro] contrato … no dia 13 de Agosto de 1873, mas novamente não se conseguiu mobilizar investidores e este segundo contrato acabou por caducar.

… Costa Simões conseguiu estabelecer uma parceria com o empresário francês, Hermann Lachappelle … o contrato foi assinado a 28 de Fevereiro de 1879 … [mas Simões viu-se] obrigado a trespassar o contrato a 3 de Junho de 1881 para o engenheiro industrial inglês James Easton … [que, depois de analisar as cláusulas] confrontado com a sua pequena dimensão recusou-se a assinar o contrato definitivo “sem a conclusão da rede de esgotos”. Depois de uma série de tentativas e muitas divergências, em 1887 o contrato com o concessionário inglês foi rescindido.

Fonte do Largo da Feira ou dos Bicos 01.jpg

 Fonte do Largo da Feira

 

Fonte da Sé Velha.jpg

 Fonte da Sé Velha

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 Fonte de Sansão

 Vinte e dois anos depois de iniciado o processo [o problema da] distribuição de água mantinha-se com graves prejuízos para a cidade que continuava a depender da água de fontes e nascentes.

Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 264-271

 

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por Rodrigues Costa às 18:35


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