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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 15.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra 4

Fernando Assis Pacheco

Olivais. R. Capitão Luís Gonzaga 2 (2).jpgAcedido em: http://www.citador.pt/poemas/a/fernando-assis-pacheco

eu vivia num lento bairro da periferia a.JPG

eu vivia num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos


LOUVOR DO BAIRRO DOS OLIVAIS

Não tive nunca nada a ver com as
guitarras estudantes: eu vivia
num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos das

pessoas de regresso as suas casas
fazia compras na mercearia
e algum livro mais forte que então lia
já era para mim como um par d’asas

amigos vinham ver-me que eu servia
de ponche ou de Madeira malvasia
para soltar as línguas livremente

um que bramava um outro que dormia
eu abria a janela e só dizia
ao menos estas ruas têm gente

XXX

Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira.jpgAcedido em: https://www.bing.com/images/search?q=alberto+de+oliveira&id=60600D43006A6B62507E0F9E9E411134D80CA9A2&FORM=IQFRBA 

 

Chama por nós o sino diligente.jpgChama por nós o sino diligente. Foto Maluisbe

O SINO DA UNIVERSIDADE

Chama por nós o sino diligente,
Todos os quartos de hora, com voz clara,
E distribui-nos paulatinamente
A moeda do tempo, antiga e rara.

Da torre de vigia permanentemente
De onde vela por nós e nos ampara,
O sino diz: - Ó perdulária gente,
O tempo voa, voa, voa, mas não para!

Dai mais lento compasso à vossa vida,
Não a desperdiceis nem deiteis fora,
Não se torna a ganhar a hora perdida!

Assim repete, em sua voz sonora,
À nossa mocidade distraída,
O velho sino, cada quarto de hora…

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 111, 182.

 

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por Rodrigues Costa às 18:19

Quinta-feira, 10.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Coletânea de Poesia sobre Coimbra 3

José Viale Moutinho

José Viale Moutinho.jpgAcedido em: https://www.wook.pt/autor/jose-viale-moutinho/3029

eis o declive do beco da anarda.JPGeis o declive do beco da anarda

 BECO DA ANARDA

 como se tratasse de encontrar

a torre de anto ou o poetísico

na palavra azeda daquele meu

amigo na esplanada do «tropical»

 

eis o declive do beco da anarda

desde casais novos que o não via

à beira da estrada janela aberta

a tudo quanto quero esquecer

 

por isso no beco da anarda sou

 primeiro a dizer «ai do lusíada»

ó torre de anto ó António nobre

é alberto de oliveira ó beco oh

XXX

Alberto de Oliveira

 

Alberto de Oliveira.jpgAcedido em: https://www.infoescola.com/escritores/alberto-de-oliveira/

Na avenida cismática e sozinha.JPGNa avenida cismática e sozinha.

 PELO JARDIM BOTÂNICO

Pelo Jardim Botânico, à tardinha…

É a hora ritual do sol poente,

Quando as tílias rescendem docemente

Na avenida cismática e sozinha.

 

Quisera ver raiar na minha frente

Alguma namorada «Teresinha»,

Cruzar no dela o meu olhar ardente,

Ter enlaçado a sua mão na minha …

 

Amam em cada ninho as toutinegras,

Chamejam, ao passar, as capas negras,

Como se a luz do amor as penetrara…

 

Tange um sino suave no convento…

E o sol exausto, em seu ocaso lento,

Acaba de morrer em Santa Clara.

 

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 85, 91.

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por Rodrigues Costa às 12:16


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