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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 01.12.16

Coimbra: a Baixinha 2

No final do século XVI, o arrabalde apresentava uma estrutura bastante consolidada e o seu poder económico superava já o da Alta, tornando-se num centro vital para a sobrevivência da cidade. Em relação à morfologia, foi a altura em que se finalizou a ligação entre os adros de Santa Justa, o largo de Sansão e a Praça do Comércio, formando-se um aglomerado contínuo. “A cidade afirmou urbanisticamente a sua determinação em se instalar na zona mais baixa e plana.” O território distinguia dois conjuntos urbanos que vieram evidenciar a polaridade entre a Alta e a Baixa. Os dois polos tinham funções diferentes no panorama citadino e não entraram por isso em colapso, uma vez que se completavam nas necessidades funcionais da urbe. Na cidade Alta, intramuros, vivia o clero, os cónegos da Sé e outros beneficiários eclesiásticos, a nobreza local, os seus servidores e algum povo. Na cidade Baixa, habitavam o povo miúdo, os comerciantes, os artesãos e alguns mesteres. Já no século XV, a praça do arrabalde tinha sido denominada pelo infante D. Pedro como a P r a ç a d a C id a d e, expressão que denota claramente a importância crescente da cidade Baixa no contexto urbano. O sistema já consolidado do arrabalde é composto sequencialmente pelo Largo da Portagem, Rua dos Francos, a Praça do Comércio e a Praça 8 de Maio. Todos estes elementos formalizam a estrutura principal da Baixinha e referenciam-na como espaço singular da urbe. O modelo de rua e praça, de cheios e vazios representa, assim a imagem da cidade medieval com estruturas agregadoras de lugar da vida comum e das atividades relacionais da sociedade. A condição central da praça funciona como “sala de estar” urbana de encontro e troca, pois faz confluir todos os percursos estreitos para um lugar amplo e espaçoso de desdensificação da malha construída e concentra programaticamente funções importantes no contexto urbano

 ... Era à volta da praça principal do arrabalde que se concentravam os principais serviços comerciais. Atualmente, com uma forma alongada, esta praça resultou da união das igrejas de S. Bartolomeu (o adro de trás) e de S. Tiago (o adro cemiterial fronteiro), da consolidação, em contínuo dos respetivos núcleos e da reconformação da estrutura viária Norte/Sul. Localizada próximo da porta principal da cidade e em zona ribeirinha, a praça serviu as necessidades mercantis e agregadoras da dinâmica urbana da cidade medieval. Por ser uma área plana de fácil acesso e ponto de transição do rio para a cidade intramuros, rapidamente ganhou um estatuto central e identificador para a comunidade urbana. Logo se tornou a Praça da cidade e o valor da sua propriedade superava o das restantes zonas. São características evidenciadas pela altura dos edifícios que, era térrea na cidade em geral e atingia os três pisos neste local. Inicialmente foi intitulada Praça de S. Bartolomeu como referência à igreja que a conformava. Mais tarde, passou a ser referido o seu papel de Praça do Comércio.  A transferência de poder e de funções da cidade Alta para a Baixa, mais especificamente para a Praça do Comércio, veio acentuar e potenciar a sua condição central no seio do restante tecido. O reconhecimento deste espaço como praça surgiu no século XV, quando foi transferido para o local o mercado que inicialmente se realizava na parte alta. Com melhores características espaciais e de acessibilidade para o efeito, a praça foi progressivamente palco de feiras, mercados e açougues da cidade. A ação de D. Manuel, no século XVI, instaurou um processo de reestruturação e consolidação na cidade de Coimbra. Os empreendimentos de renovação e requalificação urbana levaram a cabo o melhoramento dos pavimentos das ruas e a redefinição programática da praça, com a localização do pelourinho, da Casa da Câmara, do Hospital Real e da Misericórdia, na primeira ação global de modernização. Neste mesmo século, o Mosteiro de Santa Cruz promoveu uma intervenção urbanística de grande importância, pela reconformação do seu espaço fronteiro, potenciando o desenvolvimento da interação social de mais um espaço urbano. Foram instaladas fontes de abastecimento público de água e era o espaço preferencial para as atividades lúdicas. A denominação de Largo de Sansão viria a mudar no século XIX, adaptando-se a designação de Praça 8 de Maio. A Rua Visconde da Luz, que estabelecia a sua ligação com os restantes espaços do sistema, ganhou gradual importância na vida urbana, instalando-se aí ourives e latoeiros. O sistema de largos, ruas e praças estava assim conformado e interligado no novo zoneamento urbano. 

Ferreira, C. 2007. Coimbra aos Pedaços. Uma abordagem ao espaço urbano da cidade. Prova Final de Licenciatura em Arquitectura pelo Departamento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, orientada pelo Professor Arquitecto Adelino Gonçalves, p. 32-34

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por Rodrigues Costa às 16:58

Quarta-feira, 26.08.15

Coimbra, do Adro de Santa Justa ao Terreiro da Erva

Atualmente, ao pensarmos em Santa Justa de Coimbra, identificamos a igreja setecentista, localizada ao fundo da Rua da Sofia, no alto, precisamente, da Ladeira de Santa Justa. Devemos lembrar-nos, porém, que antes existiu uma igreja românica que resistiu cerca de 600 anos às cheias e enxurradas do Mondego e que representou, nos primeiros séculos da nacionalidade portuguesa, o núcleo central de uma paróquia estruturante para a evolução do urbanismo e para a definição da cidade em que habitamos hoje.

Santa Justa de Coimbra é referida na documentação, desde 1098. Por essa altura, talvez se tratasse ainda de uma herdade rural, na margem do rio, a norte da cidade. Em 1102, a sua igreja foi doada ao priorado Cluniacense de Sainte Marie de la Charité sur Loire, pelo bispo de Coimbra … Em 1139, Santa Justa é referida como sede de uma das paróquias da cidade e assim permaneceu até quase aos nossos dias, quando foi extinta e integrada na paróquia de Santa Cruz. Do ponto de vista material, refira-se que o edifício primitivo foi renovado durante o século XII, estando as suas obras concluídas em 1155 … Localizada no arrabalde Norte da cidade, esta paróquia viu o seu povoamento estender-se ao longo da atual Rua Direita. Território intermédio entre o núcleo urbano e o seu aro rural, foi morada de uma população diversificada, da qual se destacavam os artesãos e os trabalhadores agrícolas. Em meados do século XIV, a paróquia de Santa Justa recebia ainda a Judiaria da cidade (atual Rua Nova) e, mais tarde, reconhecem-se as referências à localização de uma mancebia que não seria longe da Gafaria (leprosaria), também aqui fixada. Porta de saída do núcleo urbano, esta, ao contrário de quase todas as outras paróquias de Coimbra, deteve, durante toda a Idade Média, a capacidade de se expandir territorialmente, e de albergar, no seu interior, aqueles que procurassem esta cidade para sua residência.
… ainda hoje se podem identificar alguns vestígios da igreja românica, num dos edifícios do Terreiro da Erva.

Campos, M. A. A. Terreiro da Erva ou Adro de Santa Justa. Reflexão sobre um espaço urbano e o seu futuro. Acedido em 30.07.2015, em http://cidadaosporcoimbra.pt/2014/11/24/terreiro-da-erva-ou-adro-de-santa-justa-reflexao-sobre-um-espaco-urbano-e-o-seu-futuro.

 

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por Rodrigues Costa às 19:12


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