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A' Cerca de Coimbra



Quinta-feira, 13.09.18

Coimbra: Sé Velha, o retábulo-mor 2

Abaixo sob um baldaquino filigranado, dispõe-se a narrativa central de todo o retábulo – a Assunção da Virgem. Esta cena central constitui um conjunto muito característico da escultura do Norte da Europa. A Virgem está envolta numa auréola luminosa, espécie de nimbo de todo o corpo e mbolo de beatitude eterna. Apresenta-se em posição frontal, de pé sobre uma lua crescente, em atitude de oração. É uma figura de face gorda, cabelos frisados a cair pelos ombros e vestes de duras angulosidades, que está rodeada de anjos que a conduzem ao Paraíso. Aos pés da Virgem os Apóstolos, que vieram testemunhar a sua morte, dispõem-se num relevo em elevação e profundidade, aglomerados, cobrindo-se uns aos outros, gesticulantes, envoltos em roupagens de múltiplas pregas. elevando-se de um lado e do outro numa posição de equilíbrio. 

Sé Velha de Coimbra, retábulo-mor. Assunção da

 Sé Velha de Coimbra, retábulo-mor. Assunção da Virgem, pormenor

 … A Assunção da Virgem ocupa o pano central do políptico, que é duas vezes maior que os laterais, dois de cada lado, separados por contrafortes onde se abrem nichos, de diversos tamanhos, destinados a albergar esculturas de vulto, dentro de um espírito de horror ao vazio. Em cada um dos panos laterais, seguindo uma linha quebrada, dispõem-se sob baldaquinos, figuras de santos de vulto redondo. Os baldaquinos da folha seguinte à central que terminam num triangulo rendilhado albergam, o da direita S. Pedro de cabelos encaracolados, barba espessa e curta e vestes de pregas onduladas e com o manto levantado deixando ver os atributos, as chaves e o livro. O baldaquino da esquerda S. Paulo de fronte calva e barba longa e cujo manto é decorado com imitação de pedras incrustadas. Santos Universais que sustentaram os mesmos combates, que terão caminhado abraçados para a morte e que a Igreja festeja no mesmo dia. Nos panos seguintes, sob baldaquinos que terminam como se fossem uma coroa, os Santos Cosme e Damião, irmãos gémeos, que os hagiógrafos tornaram médicos e mártires. Santos milagrosos invocados pelos doentes de certas enfermidades e patronos dos médicos e farmacêuticos. Representados com barretes doutorais e com os seus atributos, o pote de unguento e o vaso das urinas.


«S. Jerónimo» - Museu Nacional Machado de Castr

 «S. Jerónimo» - Museu Nacional Machado de Castro – Coimbra


«S. Gregório» - Museu Nacional Machado de Castr

 «S. Gregório» - Museu Nacional Machado de Castro – Coimbra

 … Além destes Santos, outros deveriam ocupar nichos hoje vazios. No Museu Machado de Castro conservam-se três imagens de S. Jerónimo, S. Gregório e Santa Catarina que, muito provavelmente, pertencem a este retábulo. Pelas suas dimensões deveriam ocupar três dos seis nichos, situados nos contrafortes que delimitam os panos do políptico. Os outros três nichos deveriam ser ocupados pelos restantes doutores da Igreja, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, e, hipoteticamente, por Santa Catarina que é muitas vezes associada a Santa Bárbara.

 Macedo, F.P. 1988. O Retábulo-mor da Sé Velha de Coimbra. Separata das Atas do IV Simpósio Luso-Espanhol de História da Arte. Portugal e Espanha entre a Europa e Além Mar. Coimbra. Instituto de História da Arte. Universidade de Coimbra.

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:48


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