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Com a presente entrada chamamos a atenção dos leitores para um estudo, da autoria da Professora Doutora Maria do Rosário Barbosa Morujão, o qual nos permite conhecer como, nos seus tempos iniciais, se organizava a Sé de Coimbra.
Op cit., capa.

Pormenor do jacente do Bispo D. Tibúrcio (Sé Velha de Coimbra). Fotografia de Anísio Miguel de Sousa Saraiva .Op. cit., pormenor da capa
A obra que agora se dá à estampa tem como base a dissertação de doutoramento em História da Idade Média apresentada, em 2005, à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O tema que aborda encontra-se claramente definido no seu próprio título: A Sé de Coimbra: a lnstituição e a Chancelaria (1080-1318). Com efeito, o objeto do estudo elaborado é a catedral conimbricense, ao longo de uma cronologia que se estende desde a restauração da diocese, após a reconquista definitiva da cidade, até ao final do episcopado de D. Estêvão Eanes Brochardo, falecido em 1318.
A data de início da investigação explica-se por si mesma: começa precisamente quando a diocese é restaurada, no ano em que encontramos provas de que o primeiro bispo, D. Paterno (1080-1087) já ocupava a cátedra conimbricense, dezasseis anos depois de ter sido escolhido para o cargo pelo rei Fernando Magno e pelo conde Sesnando, mas só tendo podido assumir funções depois de Afonso VI se ter tornado imperador da Hispânia.
Já a escolha do «terminus ad quem» é menos óbvia justificando-se pelo desejo de incluirmos na análise realizada os episcopados de dois chanceleres de D. Dinis, D. Pedro Martins (1296-1301) e D. Estêvão Eanes Brochardo (1303-1318). Efetivamente, pareceu-nos que a prática adquirida pelos prelados no serviço de escrivaninha do monarca se poderia refletir na organização da chancelaria da catedral. Assim se explica a data de 1318, e fica definida a amplitude desta abordagem no tempo longo, que nos permitiu acompanhar a história da diocese desde a sua restauração até à primeira década do século XIV ou seja, do tempo em que Coimbra, recém-conquistada era sede de um condado no limite meridional do mundo cristão peninsular, até quase ao final do reinado de D. Dinis, quando Portugal adquiriu as suas fronteiras definitivas.

Antiga Sé de Coimbra em meados do séc. XIX. Acervo RA
…. [A] Primeira Parte, dedicada, como dissemos, ao estudo da Sé enquanto instituição, é composta por quatro capítulos. No primeiro, abordámos a restauração e a organização da diocese, traçando as linhas gerais da sua história desde os mais recuados tempos, analisando o processo de restauração que se seguiu à reconquista cristã, a integração de Coimbra na província bracarense e a definição das fronteiras do território diocesano.
No segundo capítulo, procedemos ao estudo dos bispos que Coimbra conheceu durante este período: ao todo contam-se dezoito prelados, cujas vidas, percursos e formas de atuação à frente da diocese procurámos reconstituir, no decurso de três períodos de características bem definidas, cuja existência se tornou evidente à medida que progredíamos na investigação.
O terceiro capítulo versou sobre a organização do cabido: a sua evolução ao longo dos séculos, desde o tempo em que os cónegos viviam em comunidade, em torno da Sé recém-restaurada, passando pelo processo de secularização ocorrido entre o século XII e as primeiras décadas de Duzentos, caracterizando-se, por fim, a estrutura da canónica tal como ficou definida pelos estatutos recebidos em 1229, que estabeleceram as suas bases para todo o restante período abrangido pela cronologia do nosso trabalho.
Morujão, M.R. B. Sé de Coimbra: A Instituição e a Chancelaria (1080-1318). 2010. Coimbra, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Técnica.
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