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A' Cerca de Coimbra



Sexta-feira, 29.04.16

Coimbra: Incidente com a Milícia de Coimbra

Ao regimento de milícia de Coimbra, formado por habitantes da cidade e de numerosas povoações compreendendo a maior parte da Bairrada, tocou a obrigação (aquando das invasões francesas) de marchar para a praça de Almeida, e no aviso convocatório fora dada ordem para formar em parada, na força de 690 homens, no Rossio de Santa Clara, a 25 de Março de 1801.

A academia, que nesse ano atingira o número de 1648, entre alunos da Universidade e do Colégio das Artes … foi em grande número assistir à parada. Às tantas, porém, alguns dos seus membros entraram a dirigir chufas aos bisonhos milicianos… ridicularizando-os, numa provocação que chegou ao ponto de derrubarem algumas das armas que se encontravam ensarilhadas … um oficial mais assomadiço ou menos condescendente mandou calar baioneta à sua companhia e ordenou uma carga sobre os provocadores.

Fugindo tudo em debandada, nem por isso deixou de haver muita gente maltratada, tendo falecido um frade do Colégio de Santa Rita (vulgo Colégio dos Grilos), em consequência dos ferimentos recebidos. A noite chegou e os milicianos de fora tiveram de ser aboletados em casas particulares, como era de uso.

Os estudantes, ansiosos de um desforço, espalharam-se pelas ruas da cidade, preparados para a agressão aos milicianos, dirigindo-lhes ultrajes em altas vozes, tendo havido alguns conflitos e ferimentos … quando da partida do regimento para Almeida … os estudantes o fossem esperar no melhor ponto para o ataque, postando-se na Ladeira da Forca, sobranceira à moderna Rua da Figueira da Foz. Mas tendo-se feito constar que o regimento ia de armas carregadas, isso bastou para dissipar qualquer propósito de provocação, e pôde seguir pacificamente ao seu destino.

Para apurar responsabilidades, o conservador da Universidade logo instaurou uma devassa … Tempo depois, em 29 de Novembro, o reformador-reitor … remeteu a devassa ao ministro do reino, propondo que se expulsassem da Universidade três dos principais … Mas, o alvitre parece não ter sido aceite, pois o reitor repetiu dois anos mais tarde … como se nunca o houvesse apresentado anteriormente.

 

Loureiro, J. P. 1967. Coimbra no Século XIX. Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIII. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg.24 a 26

 

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por Rodrigues Costa às 10:14


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