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A' Cerca de Coimbra



Quarta-feira, 23.09.15

Coimbra, deixa de ser a capital do reino 3

No interior da velha cerca islâmica, três séculos volvidos sobre a sua edificação, surgia pois, do «palatium» primigénio sesnandino, um organismo novo, materializando a função, nova também, que ao antigo recinto se outorgara: um «Paço Real da Alcáçova». E se era, inquestionavelmente, a cabeça da urbe, pousado na colina, pretendia-se também que dela fosse o coração. De facto, afastado, pouco a pouco, o perigo muçulmano, que ainda em tempos de D. Teresa e do próprio D. Sancho I ameaçara os muros da cidade; estabilizada com Leão e Castela, a linha da fronteira; esbatida a importância militar do recinto fortificado, a moradia régia inaugurava uma relação crescente aberta com a cidade envolvente e as suas necessidades vitais. É desse modo que, em 1273, D. Afonso III estabelece que a feira semanal, cuja tradição remontaria a seu avô D. Sancho, se fizesse “nas minhas casas n’Almedina”, por reputá-lo de interesse comum seu e de todos. Apesar disso, quatro anos mais tarde o mercado mudaria de local e é D. Fernando I que, em 1377, volta ao tema, instituindo uma feira franca, todos os anos, de 15 de Setembro a 15 de Outubro … “Com entendimento que a dicta feira se faça dentro da cerca da dicta cidade no curral dos nossos paaços e arredor deles se dentro nom couberem”
… De facto, a estabilização paulatina da Corte no eixo Lisboa-Santarém, remontando, justamente, a D. Afonso III, tivera como corolário a lenta decadência da Almedina, que a valorização do «curral do paço» como espaço vital da antiga urbe, cada vez mais centrada no arrabalde, parecia pretender contrariar. Antes disso, porém, a perda do valor militar da estrutura castrense da Alcáçova refletira-se na ereção de casas junto ou adjacentes aos muros ou porta da própria cidadela, parte dos quais propriedade régia, albergando repartições ou servidores e que agora ruíam, também elas, dia a dia, ante a escassez de moradores.


Pimentel, A.F. 2005. A Morada da Sabedoria. I. O Paço real de Coimbra. Das Origens ao Estabelecimento da Universidade. Coimbra, Almedina, pg. 283 e 284

 

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por Rodrigues Costa às 10:10


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