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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 05.06.18

Coimbra: Catedral Histórica, um monumento a revisitar 1

Há dias fui mostrar a Sé Velha ao meu neto Alexandre.

À entrada foi-me disponibilizado um excelente guia para uma visita, editado pela Comissão Fabriqueira da Sé Velha de Coimbra que, pelo seu interesse, aqui se reproduz integralmente. Isto, no propósito de lembrar a todos a importância de, quando em vez, revisitar os locais onde se encontram as raízes de Coimbra.

Catedral Histórica de Coimbra

A Catedral mais Portuguesa de Portugal (Século XII)

GUIA PARA VISITA À CATEDRAL E CLAUSTRO 

Sé Velha antes do restauro.jpg

 Sé Velha antes da primeira intervenção de restauro

A Sé Velha de Coimbra foi edificada no século XII (c. 1139-1184), durante o reinado de D. Afonso Henriques. A fase construtiva mais acelerada aconteceu no bispado de D. Miguel Salomão (1162-1176), prelado que se assumiu como um importante mecenas. No local onde atualmente se ergue existiu, desde o século IX, um outro templo com a invocação “Mariae Virginis” (conserva-se a sua pedra fundacional no interior da Sé Velha). A cidade de Coimbra foi definitivamente conquistada aos muçulmanos, a 9 de julho de 1064, por intermédio de Fernando Magno (Rei de Leão e Castela) e de Sesnando Davides (moçárabe natural da região de Tentúgal); este último tornou-se o primeiro Governador cristão da cidade.

Dedicada a Santa Maria de Coimbra, a construção da Sé Velha deve ser entendida dentro de uma estratégia de afirmação da autonomia e da independência nacional. Coimbra, «cidade Real», onde estava instalada a Corte de D. Afonso Henriques, via-se assim dotada de uma catedral digníssima, que honrava não só a cidade como também a primeira geração de portugueses que então se afirmava.

De estilo românico, uma verdadeira «Catedral Fortaleza», erguida com técnicas construtivas de elevada execução tanto na forma como nos materiais, conhecem-se apenas o nome de 3 dos seus mestres pedreiros: Roberto (de Clairmont), Bernardo e Soeiro. Coimbra, capital do novo reino, ganhava um baluarte de fé capaz de ombrear com as melhores catedrais europeias.

 

EVANGELIZAR PELAS FORMAS

PERCORRENDO NOVE SÉCULOS DE HISTÓRIA

 

Sé Velha, planta.jpg

 Planta da Catedral e do Claustro Gótico

 

  • INTERIOR DA CATEDRAL

Planta em cruz latina; 3 naves; 12 pilares; 5 tramos; cruzeiro; torre lanterna e transepto. 3 capelas: principal com retábulo Gótico Flamejante dedicado à Assunção da Virgem; capela de São Pedro (esquerda); capela do Santíssimo Sacramento (direita). Trifório (galerias superiores), característico das igrejas de peregrinação do Caminho de Santiago.

 

1- Conchas Tridácmas, originárias do Oceano Índico (Indonésia). Oferta do Governador de Timor Loro-Sae em 1930.

2- Azulejo "mudéjar". Adquirido em Sevilha (bairro de Triana) no princípio do século XVI por Olivier de Gand sob mecenato do Bispo D. Jorge de Almeida. Imagem barroca de Nossa Senhora do Rosário. Século XVIII.

3- Túmulo do bispo D. Vasco Rodrigues (século XIV). Antigo bispo da Guarda e de Coimbra.

4- Interior da «Porta Especiosa». Autoria de João de Ruão. No exterior é possível contemplar este portal renascentista com o seu belíssimo medalhão da Virgem com o Menino. A sua denominação deriva da antífona medieval "Speciosa Maria est" que se
cantava nas procissões. O tema principal é a Anunciação da Virgem.

5- Pinturas barrocas de Santa Úrsula e de Santo António. Final do século XVII, autor desconhecido.

6- Túmulo da princesa bizantina Vataça Lascaris. Dama de Corte da Rainha Santa Isabel. Túmulo apresenta várias águias bicéfalas (símbolo do seu sangue real). Este túmulo (século XIV) é da autoria de Mestre Pêro, também ele responsável pela construção do túmulo da Rainha Santa Isabel.

7- Túmulo do bispo D. Egas Fafes (século XIII). Único bispo de Coirnbra nomeado arcebispo de Santiago de Compostela.

8- Altar de Santa Clara (final do século XVI). Resta apenas a imagem de São Cristóvão

com o Menino Jesus ao ombro.

9- Capela de São Pedro. Retábulo renascentista da autoria de Nicolau de Chanterene. Ao centro (em cima) representação da cena Quo Vadis. Na parte inferior do retábulo (ao centro) o momento da morte de São Pedro, crucificado de cabeça para baixo. Aos pés do retábulo sepultura em campa rasa do bispo D. Jorge de Almeida. Para além de ser o bispo que na História de Portugal mais tempo assumiu uma diocese (1483-1543) foi também o primeiro Inquisidor-mor do reino.

10- Retábulo gótico flamejante (inícios do século XVI). Concebido na Flandres por Olivier de Gand e Jean D'Ypres. Motivo central: Assunção da Virgem Maria. O mecenas da obra foi o bispo D. Jorge de Almeida e o seu escudo de armas encontra-se representado por 3 vezes.

11- Pedra fundacional do templo dedicado a Santa Maria que anteriormente existiu neste local e foi, supostamente, destruído por um ataque árabe em 1117. Pode ler-se nela a inscrição Mariae Virginis.

12- Capela do Santíssimo Sacramento, da autoria de João de Ruão. Datada de 1566.  Representação de Cristo ao centro, em concílio, a dialogar com os 12 apóstolos presentes na Última Ceia. Em baixo, à direita, os 4 evangelistas. No lado oposto, a Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo acompanhada por São José. O mecenas desta magnífica capela foi o bispo D. João Soares que esteve presente no Concílio de Trento.

13- Pia Baptismal (séc. XVI). Concebida em pedra de Ançã por Diogo Pires-o-Moço (artista régio). Possui 3 motivos centrais: o Baptismo de Cristo no rio Jordão; Moisés, ainda criança, a ser salvo nas margens do rio Nilo; e o escudo de armas de D. Jorge de Almeida.

14-Túmulo com jacente do bispo D. Pedro Martins.(final do século XIII).

15- Pintura barroca da Rainha Santa Isabel com a representação do Milagre das Rosas. Natural do reino de Aragão tornou-se Rainha de Portugal devido ao seu casamento com D. Dinis. Foi canonizada em 1625. Em baixo, arca tumular de D. Tibúrcio (século XIII), o primeiro bispo a ser sepultado no interior da Sé de Coimbra.

16- Pintura de São Sebastião (final séc. XVII). Em baixo, arca tumular de D. Estêvão Anes Brochado (séc. XIV).

17- Escultura barroca da Imaculada Conceição. Da autoria de Frei Cipriano da Cruz (séc. XVIII). Em baixo, réplica do documento que instituiu a primeira missa celebrada em Portugal, em 1320, dedicada à Imaculada. Esta missa decorreu na Catedral de Santa Maria de Coimbra (Sé Velha).

Comissão Fabriqueira da Sé Velha de Coimbra. Guia para a visita à Catedral e Claustro.

 

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por Rodrigues Costa às 21:55



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