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A' Cerca de Coimbra



Quinta-feira, 01.07.21

Coimbra: Alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. 26

Os estabelecimentos prisionais de Coimbra – Cadeia Comarcã

Mais tarde, já em meados dos anos vinte, a Cadeia Comarcã da cidade, destinada aos presos comuns, também se vem a erguer num terreno que integrava a cerca da Penitenciária.

Colégio de Tomar. Fachada Meridional. Desenho.jpg

Penitenciária. Vista Geral e Cadeia Comarcã.JPG

Penitenciária e Cadeia Comarcã, vista geral

A sua construção constituía uma necessidade premente, porque desde o século XVI que, em Coimbra, todos os que se encontravam privados de liberdade viviam em calabouços, no mínimo, indignos.

De referir que, a partir de Quinhentos, a prisão da cidade ocupava um lúgubre edifício situado na Portagem, mesmo por baixo do colégio da Estrela. Aí esteve preso, antes de fugir, o poeta Brás Garcia de Mascarenhas.

Em consequência das leis da desamortização, depois de ter sido entregue à Câmara o complexo monacal que pertencera aos crúzios, a edilidade, goradas que viu as várias hipóteses relacionadas com a obtenção de um outro espaço destinado a colocar os prisioneiros, espaços esses que passavam sempre por adaptações, transferiu os reclusos, em 1856, para uma “nova” estrutura prisional situada no piso térreo do antigo celeiro dos frades, ou seja, para o piso térreo da chamada ‘Casa Vermelha’, ‘Casa dos Meninos de Palhavã’ ou ‘Casa dos Moços Fidalgos’.

Mas as condições de higiene, de segurança e até o aspeto que os prisioneiros conferiam a um espaço considerado como nobre, ombreando com os Paços do Concelho e mais do que pegado com a Praça 8 de Maio, levaram a pensar na construção de uma cadeia comarcã.

Foi encarregado de riscar o projeto do edifício, em 1926, Manuel de Abreu Castelo Branco (1890-1957), natural de Fornos de Algodres, que assinava os seus trabalhos como engenheiro civil, embora também se saiba que era oficial do exército e engenheiro militar.

Fig. 46. Projeto do edifício da Cadeia Comarcã.

Fig. 46 – Projeto do edifício da Cadeia Comarcã. Manuel Castelo Branco. 1926. [AHMC. Repartição de obras municipais. Pasta 11, B-14].

Na cidade do Mondego, entre outros edifícios, foi ele que projetou o colégio da Rainha Santa e a fachada principal do Palácio da Justiça; aqui, no antigo colégio de S. Tomás, pensado num primeiro momento para residência dos condes do Ameal e reformulado pelo arquiteto Silva Pinto, alterou a fachada principal proposta por aquele alarife, inserindo-lhe uma estrutura pesada, severa, de gosto neoclassicizante, apenas engrandecida pelos magníficos portões de ferro forjado saídos das oficinas dos ourives do ferro, ligados à Escola Livre das Artes do Desenho.

A Cadeia Comarcã que Castelo Branco projetou, tal como a Penitenciária, encontrava-se já, esta até mais do que aquela, desfasada da então “moderna” filosofia prisional.

 

Anacleto, R. Coimbra: alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. In: Belas-Artes: Revista Boletim da Academia  Nacional de Belas Artes.

Lisboa 2013-2016. 3.ª série, n.ºs 32 a 34. Pg. 127-186. Acedido em https://academiabelasartes.pt/wp-content/uploads/2020/02/Revista-Boletim-n.%C2%BA-32-a-34.pdf

 

Tags: Coimbra séc. XIX, Coimbra séc. XX, Alargamento do espaço urbano, Colégio de Tomar, R. de Tomar, R. Garrett, R. Pedro Monteiro, R. Infantaria 23, Cadeia Penitenciária, Cadeia Comarcã, Manuel de Abreu Castelo Branco,

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:29



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