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A' Cerca de Coimbra



Quinta-feira, 29.04.21

Coimbra: Alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. 17

A burguesia citadina instala-se no Bairro de Santa Cruz (Continuação)

A Rua Venâncio Rodrigues abre-se paralelamente à praça de República e liga a confluência da Oliveira Matos com a Castro Matoso à Rua de Tomar, cortando, aproximadamente a meio da sua extensão, em ângulo reto, a Alexandre Herculano.

Nesta artéria erguem-se três moradias que se encontram documentadas.

A que primeiramente se levantou tem risco de Raul Lino, é posterior a 1908 e foi mandada construir por António Maria Pimenta, pai de Belisário Pimenta (1879-1969). Insere-se dentro das linhas normalmente utilizadas por aquele arquiteto.

Fig. 26. Casa de António Maria Pimenta. [Foto RA]

Fig. 26 – Casa de António Maria Pimenta. [Foto RA].

Casa de António Maria Pimenta. Pormenor [Foto RA]

Casa de António Maria Pimenta, pormenor. Foto RA.

A outra, pertencia ao capitão do exército Alcino Miguel Pereira Rodrigues; o pedido de autorização para a construção do edifício, que se situa na esquina das Ruas Oliveira Matos e Venâncio Rodrigues, deu entrada na Câmara Municipal de Coimbra a 20 de dezembro de 1926 e foi deferido três dias depois. Joaquim da Costa Netto, construtor civil, declarou-se responsável pela direção dos trabalhos. Penso poder apontar para a sua mão como autora do projeto.

Casa de Alcino Miguel Pereira Rodrigues. [Foto RA]

Casa de Alcino Miguel Pereira Rodrigues. Foto RA.

O requerimento para a construção da terceira, uma casa para habitação e a mais tardia, foi endereçado pela Carpintaria Mecânica Conimbricense, com sede na Avenida Fernão de Magalhães, à edilidade aeminiense, através do seu sócio gerente João Gaspar Marques Simões, em maio de 1932. É o próprio Marques Simões que se responsabiliza pela obra e, como ele era construtor civil diplomado, calculo que também foi da sua responsabilidade o risco do edifício, neste caso mais elaborado que o anterior, a inserir-se em linhas gramaticais Art Déco.

Fig. 27. Casa de habitação pertencente à Carpin

Fig. 27 – Casa de habitação pertencente à Carpintaria Mecânica Conimbricense. [Foto RA].

Casa de habitação da Carpintaria Mecânica Conim

Casa de habitação da Carpintaria Mecânica Conimbricense, pormenor. Foto RA.

Uma nota interessante que ressalta dos documentos assinados por Netto e por Simões passa pelo primeiro declarar que se responsabiliza “e nos termos do regulamento aprovado por decreto de 6 de Junho de 1895 para a segurança dos operarios em construção civil”, enquanto o segundo afirma que se responsabiliza “nos termos do regulamento de segurança dos operarios de 6 de Maio de 1909”. Sendo os dois termos bem posteriores a 1909, não se percebe a razão que os levou a regerem-se por regulamentos diferentes.

Desse largo centralizante que se abre no topo da Avenida Sá da Bandeira, verdadeiro núcleo aglutinador das mais diversas artérias viárias que ali desembocam, ou se se quiser, em sentido inverso, que dali partem, destaca-se a Rua Alexandre Herculano a estender-se até aos Arcos do Jardim (Largo João Paulo II).

Logo à esquerda de quem sobe, no início da via, deparamo-nos com um edifício neomanuelino.

Contrapondo-se ao lugar ocupado pelo neogótico na maioria dos países desenvolveu-se, em Portugal, o neomanuelino que teve a sua certidão de nascimento na janela que se inscreve no Paço da Pena, em Sintra, numa das paredes do Pátio dos Arcos, forrada com azulejos policrómicos que utilizam, na parte inferior, como motivo decorativo a esfera armilar. A ventana, riscada por D. Fernando II, resulta de uma aproximação e simultaneamente de uma recomposição de um comportamento artístico de outrora, pois o monarca inspirou-se na janela da impropriamente chamada Casa do Capítulo do Convento de Cristo de Tomar.

Anacleto, R. Coimbra: alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. In: Belas-Artes: Revista Boletim da Academia  Nacional de Belas ArtesLisboa 2013-2016. 3.ª série, n.ºs 32 a 34. Pg. 127-186. Acedido em https://academiabelasartes.pt/wp-content/uploads/2020/02/Revista-Boletim-n.%C2%BA-32-a-34.pdf.

 

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por Rodrigues Costa às 11:17



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