Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A' Cerca de Coimbra



Sexta-feira, 15.01.16

Coimbra, agricultura e pecuária 2

A presença do gado lanígero (com mistura de algumas cabras) nos olivais da cidade aumenta, pode bem presumir-se, logo depois de 1540 … alguns cidadãos fazem-se criadores de ovelhas. Colégios e mosteiros multiplicavam os rebanhos.
A perda dos olivais passou a ser tanto «que se não podia sofrer». Isto resultava do número e grandeza dos rebanhos e do aproveitamento agrícola dos olivais. «A sombra e aro destes» foi sempre pequeno. O crescimento da população e o estrago dos campos do Mondego tornaram-no ainda menor: as necessidades obrigavam a semear os olivais, a pôr vinhas, pomares e hortas dentro deles.
Estes lugares foram sempre coutados. Mas os bois, por vezes, e muito mais, agora, as ovelhas e cabras, danificavam-nos. Considerando o facto, sob «o clamor do povo», os regedores da cidade, inovando, proibiram o gado lanígero e caprino de pastar ou ter curral dentro deles … O povo, ou pelo menos um dos seus representantes … embargou a sentença … Perante o facto … Coimbra tomou uma solução de compromisso em 26 de Abril de 1559: os olivais abertos serão anualmente demarcados em duas folhas; uma, para pastagem do gado «que à cidade bem parecer com licença dela»; a outra, para que os seus donos, se quisessem, a semeassem de pão e a «afrutassem de qualquer novidade».
… Um outro lugar de pastos comuns, de muita importância para a cidade, era o «campo» de Coimbra.
O campo devia ser guardado desde as sementeiras até ficar «solto». Se fossem cultivados trigos galegos ou cevadas temporãs a vigilância começaria em Janeiro. Por meados deste mês, pelo menos. Já muitos «pães» (cereais) temporãos estavam na terra. Os serôdios, pelo meio de Março, e as outras culturas igualmente no tempo «convinhável».
Até às colheitas o gado não podia entrar aqui: por disposições gerais e camarárias as pastagens eram proibidas em todos os terrenos fechados e, nos abertos, enquanto tivessem culturas.

Oliveira, A. 1971. A Vida Económica e Social de Coimbra de 1537 a 1640. Primeira Parte. Volume I. Coimbra, Universidade de Coimbra, pg. 98 a 101, 112

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 20:27


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Janeiro 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31