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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 07.07.15

Coimbra, a tração elétrica nos transportes urbanos 3

O tempo dos carros troleicarros
À partida há que assinalar que a opção pelos troleicarros feita pelo Município de Coimbra resultou de uma luta inglória com a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses que, numa discussão de décadas, nunca autorizou a travessia da linha da Lousã, na Portagem, pelos carros elétricos.
Daí que face à necessidade de dotar Santa Clara de transportes públicos, quando no relatório referente ao ano de 1938 se escreveu: "sendo de desejar o aumento da rede de transportes, também é cada vez menos de aconselhar que ele se faça pelo sistema de carros elétricos sobre carris” estava a iniciar-se o caminho que conduziu àquela opção.

A primeira referência encontrada sobre a opção dos troleicarros data de 1943 quando se decide que “Nas novas extensões da rede de transportes urbanos a estabelecer quando houver oportunidade – Santa Clara, Calhabé e Bairro do Loreto – se deve adotar-se o sistema de «trolley-omnibus» em vez da via férrea”.
Tal projeto começou a ser concretizado em 1946, com o início da montagem da linha aérea para Santa Clara, que viria a ser inaugurada em 16 de Agosto de 1947 e que foi assim noticiada:
“… Portugal está a ser dotada duma primeira linha de «trolleybus». Para experimentar este novo modo de transporte os Serviços Municipalizados escolheram uma pequena linha de 2,5 km de comprimento.
... a encomenda de dois carros, foi dada à casa S.S. dos Ateliers de Sécheron de Genebre, Suíça, como empreiteira geral e fornecedora da parte elétrica, e à casa S.A. Adolphe Sauren, de Arbon, Suíça, como fornecedora do chassis e da carroçaria.”

A partir daqui a rede de troleicarros foi crescendo tendo atingido o seu auge no princípio dos anos noventa em que a frota era constituída por 43 troleicarros.
Iniciou-se, então, o período em que a opção pelos autocarros quase levou à extinção da rede de troleicarros a qual, ao iniciar o novo milénio, estava reduzida a duas linhas.
Como se depreende do que se afirma a opção por este meio de transporte não poluente não tem sido pacífica para os Responsáveis de Coimbra, sendo evidente a predominância – ao longo dos últimos anos – da opção pelos autocarros.

Aqui chegados – enquanto mero Cidadão e sem conhecimentos técnicos a profundados sobre o assunto – que conclusões tiramos desta pequena resenha histórica?
A primeira é a de que numa cidade com as características de Coimbra o recurso a sistemas de transportes públicos não poluentes, é de vital importância para a qualidade de vida dos seus Cidadãos.
A segunda é a de que um sistema de transportes urbanos assente na tração elétrica, deu provas em Coimbra, realidade a que acresce a constatação da eficácia e predominância, nomeadamente, nos cascos urbanos de muitas Cidades da Europa em que estamos integrados, de sistemas de transporte urbano deste tipo.

Costa, A. F. R. 2007. Troleicarros: Um Património de Coimbra. In Troleicarros de Coimbra. 60 Anos de História. Coordenação de João d’Orey. Coimbra, Ordem dos Engenheiros – Região Centro, pg. 63 a 65

 

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por Rodrigues Costa às 09:11


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