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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 19.09.23

Coimbra: Abastecimento de água 1

Começamos hoje a divulgar um texto do Professor Doutor Amado Mendes, inserido numa pequena, e muito interessante, brochura editada pelas, hoje, Águas de Coimbra, Empresa Municipal. O texto está dividido em duas partes, a que conta, de forma breve, a história do abastecimento de Água, em Coimbra e outra dedicada ao Reservatório do Botânico.

RB. capa.jpg

Op. cit., capa

Entre os maiores benefícios para o bem-estar das populações conta-se precisamente o abastecimento de água ao domicílio e, bem assim, a implantação do saneamento básico. Na sequência da invenção da máquina a vapor … viria a expandir-se por diversos países ao longo dos séculos XIX-XX, beneficiando não só a indústria, os transportes e comunicações e outro tipo de serviços como também o abastecimento de água ao domicílio.

Esta inovação, adotada por algumas grandes cidades nos anos de 1830-1850, viria depois a beneficiar muitos centros urbanos, inclusive em Portugal. Assim, Lisboa, teve acesso a esse melhoramento excecional em 1880, o Porto em 1886 e, Coimbra, pouco depois, ou seja, em 1889.

… A população da cidade, em1863, para se abastecer de água tinha que recorrer aos meios tradicionais. Nessa altura existiam em Coimbra 10 fontes, 2 poços e 2 cisternas. A situação era muito difícil, agravando-se com o desenvolvimento com o desenvolvimento urbano, espacialmente na parte alta da cidade e no verão, quando era mais frequente a ocorrência de incêndios. Por isso o abastecimento de água passou a ser um assunto prioritário, como se pode constar pelas notícias da imprensa local, com destaque para as de «O Conimbricense». Com efeito, neste podia ler-se, na sua edição de 05 de setembro de 1867:

“A primeira e, incontestavelmente, a mais urgente necessidade que há em Coimbra é a do abastecimento de águas. Pode-se mais ou menos suportar uma rua mal calçada; pode-se tolerar uma casa de residência municipal mais ou menos luxuosa e confortável – o que não se pode adiar, o que de forma nenhuma se pode sofrer é a falta de água.

E Coimbra está a esse respeito cada vez pior. Havia antigamente só no bairro baixo três chafarizes, um na Praça de S. Bartolomeu, hoje do Comércio, outro na Calçada e outro em Sansão, hoje Praça 8 de Maio; e até em épocas antigas, houve neste último local dois chafarizes. Atualmente não há nenhum, porque esse mesmo que se vê na Praça do Comércio é como se não existira, porque quase nunca tem água.

Se isto sucede no bairro baixo, no bairro alto é a situação dos habitantes muito mais deplorável. É certo que há um chafariz no Largo da Feira e outro na Sé Velha;

RB. Largo da Feira. Fonte dos Bicos 01.jpg

“Mãe" de água e chafariz do Largo da Feira

RB. Sé Velha. Archivo Pittoresco. 1866.09.jpg

Fonte da Sé Velha, in “Arquivo Pitoresco”. Col. RA

RB. Igreja de  Santa Cruz.jpg

Fontes do Largo de Sansão. “Estampas Coimbrãs.”, pormenor

mas de ano para ano vão cada vez mais diminuindo na porção de água que deitam; e; assim; aquele bairro, que se abastece quase exclusivamente de água as fontes, sofre das maiores inclemências pela falta deste género, indispensável à vida. As criadas aglomeram-se em número extraordinário junto dos dois chafarizes e ali se demoram longo tempo, até que possa achar vez para

encher os potes».

RB. Mulher de Coimbra com cântaros.jpg

“Estampas Coimbrãs. Mulher de Coimbra conduzindo água da fonte ou do Mondego”

… O primeiro projeto de abastecimento de água à cidade, cujo contrato, entre a Câmara Municipal de Coimbra e a dita empresa. [empresa londrina da especialidade, representada pelo Eng.º James Easton] foi publicado no «Diário do Governo» de 09 de agosto de 1982.

RB. pg. 4 e 5.jpg

Op. cit,, pg. 4-5

 Todavia, o projeto não se concretizou, pois houve atrasos sucessivos quanto ao início das obras. Entre outros entraves, verificava-se uma divergência relativamente ao avanço simultâneo do processo de abastecimento de água ao domicílio e do saneamento (“canalização dos esgotos”), defendido pela empresa, mas não aprovado pela Câmara Municipal. Não tendo sido possível ultrapassar o impasse, na sessão camarária de 21 de setembro de 1887, foi apresentada a escritura de rescisão do contrato.

Logo no mês seguinte (outubro de 1887) foi publicado edital para abertura do concurso para o abastecimento de água a Coimbra (O Conimbricense, de 29-10-1887), bem como o respetivo regulamento.

… A proposta mais baixa foi a de Albert Nillus & C. (83 700$000 réis), pelo que as obras lhe foram adjudicadas.

Como previsto no contrato as obras terão começado no primeiro semestre de 1888, prolongando-se por cerca de ano e meio … até que «provavelmente na segunda quinzena de maio de 1889, Coimbra vê chegar o extraordinário melhoramento, que é o abastecimento de água por métodos modernos». O fenómeno é de tal relevância para a qualidade de vidas das confinidades que até já foi designado como “o Milagre da Torneira".

Op. cit. imagem do contrarosto.jpg

Op. ct., pg. de contra rosto

 … o abastecimento é suportado por uma estrutura bastante complexa, da qual fazem parte, fundamentalmente, os seguintes pilares:

. Processo da captação da água no rio Mondego (junto ao Parque Dr. Manuel Braga, de 1889 a 1956-58 e, desde então, na Boavista), sua adução e respetivo tratamento;

. Estação elevatória (instalada na Rua da Alegria, de 1889 a 1924, no Parque da Cidade, de 1924 a meados dos anos de 1950 e, desde então, na Boavista), que tem por função conduzir a água para os reservatórios, distribuídos por locais estratégicos da cidade;

. Sua distribuição, por força da gravidade, através de uma vasta rede de canalizações, pelos numerosos locais de abastecimento (doméstico, público, industrial, institucional, etc.);

- O apertado controlo de qualidade é efetuado em laboratório e por meio de tecnologia adequada, enquanto a medição da água captada, consumida ou desperdiçada é realizada por equipamento apropriado e, obviamente pelos conhecidos contadores de água que, ao longo do tempo, têm registados sucessivos aperfeiçoamentos.

 Mendes, J.A. Abastecimento de água a Coimbra: Reservatório do Botânico. Sem data. Coimbra, Águas de Coimbra E.M.

 

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por Rodrigues Costa às 22:17

Quinta-feira, 14.09.23

Coimbra. Órgão de S. Cruz, restauro

Em 21 de Junho de 2015 realizou-se um concerto destinado a apresentar, após o restauro a que, então, fora submetido, o “novo” órgão histórico da Igreja de Santa Cruz.

img20230628_20090770.jpg

Folha de sala, rosto

O organista Paulo Bernardino foi o responsável pela execução do concerto que teve como tema “A música para órgão na Europa Ocidental nos sécs. XVI a XVIII”.

Extraímos da “Folha de sala” desta memorável audição o texto que ora apresentamos.

Resenha técnica e intervenção de restauro

O grande órgão de tubos da igreja de Santa Cruz é um instrumento que pela sua idade, história e tamanho tem um lugar especial na organaria portuguesa. As partes mais antigas têm aproximadamente 480 anos.

Igreja de Santa Cruz. Interior 03.jpg

Igreja e órgão de Santa Cruz. Foto João Santos.

Foi construído ou teve intervenções de importantes organeiros (portugueses, espanhóis, flamengos) e possui 3 registos inteiros e 55 meios registos num total de 2920 tubos sonantes tendo na sua fachada um Flautado de 24.

É nas palavras de D. Dionísio da Glória, em 1726 "este Órgão um monstruo de

harmonia''.

A consola encontra-se na parte de trás do órgão, de forma que o organista não tem contacto visual direto com a ação litúrgica, mas por outro lado toda a superfície é aproveitada para colocar tubos.

Mosteiro de Santa Cruz. Órgão 02.jpg

Órgão de Santa Cruz. Acervo RA

O instrumento, apesar de ter um só teclado, está subdividido em 4 secções, designadas pelos respetivos registos mais graves: órgão de 24, de 12 e de 6 (palmos), sendo a quarta secção de cornetas. As secções podem ser controladas através da entrada de vento nos someiros.

Existe uma descrição do instrumento, com uma pequena resenha histórica do mesmo, feita numa linguagem peculiar, redigida logo a seguir ao final dos trabalhos de D. Manuel Benito Gomes de Herrera, feita pelo organista e Mestre-Capela D. Dionísio da Glória, na Páscoa de 1726.

Remetemos os interessados para esse capítulo.

A intervenção de restauro

Os trabalhos de restauro do instrumento tiveram lugar entre o verão de 2004 e a Páscoa de 2008.

O objetivo foi devolver a este instrumento a sua integridade histórica, técnica, estética e musical, de acordo com o estado concebido em 1719-24, pelo organeiro Manuel Benito de Herrera.

Igreja de Santa Cruz. Órgão. Pormenor 07.j

Órgão de Santa Cruz, pormenor. Acervo RA

Igreja de Santa Cruz. Órgão. Pormenor 02.j

Órgão de Santa Cruz, pormenor. Acervo RA

 O sistema de vento foi objeto de uma solução nova, tendo em conta que as condições espaciais (local original dos foles) foram alteradas desde essa data (1724) até aos nossos dias.

Atualmente possui 3 foles novos, colocados atrás do órgão. Para além de funcionarem com motor, que lhes fornece o vento, é ainda possível manobrá-los manualmente...

 Pedro Guimarães von Rohden

Mestre Organeiro

 Von Rohden, P.G. Concerto. Órgão Histórico de Santa Cruz. Folha de sala. 2015. Coimbra.

 

 

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por Rodrigues Costa às 16:55

Quarta-feira, 02.08.23

Coimbra: Arvores das suas ruas

Em 1999, a Câmara de Coimbra editou, através do Departamento de Cultura, Turismo e Espaços Verdes, com conceção, design, textos e ilustrações de N. Farinha e F. Correia e produção de Gradientes & Texturas, Lda, uma belíssima coleção de 12 postais ilustrados que intitulou Árvores de Coimbra. Um Património de Todos.

No verso do suporte onde estão guardados os postais ilustrados, surge um texto que contrasta, de uma forma dolorosa, com o que no presente se passa com tantas árvores, algumas centenárias, da nossa Cidade.

As árvores são elementos indispensáveis nas paisagens rurais e urbanas, constituindo um garante de vida, uma mais valia económica e um património natural pertença de todos. Com esta coleção de ilustrações botânicas, a Câmara Municipal de Coimbra convida-o a conhecer alguns dos tesouros naturais que adornam as suas ruas e jardins, numa viagem por interessantes cambiantes e forma naturais.

 Texto este que, entre outras reflexões, me colocou as seguintes questões.

- Como foi possível, como é possível continuar a acontecer o abate de árvores sem uma procura séria de alternativas a sua possível manutenção?

- Será que uma qualquer empresa mais ou menos majestática, pode, segundo os seus interesses economicistas e de progresso a todo o custo, dispor de um património natural pertença de todos?

Realidades que me diminuem como cidadão e que me causam uma grande amargura e tristeza.

Entre os 12 postais escolhi 3 para ilustrar o que é dito. Acrescentei uma quarta, árvore, jacarandá, por ser a minha preferida e não constar da referida coleção. Acrescento algumas informações sobre cada espécie.

- Carvalho-cerquinho (Quercus faginea broteroi)

Carvalho cerquinho.jpg

Árvore de folha marcescente – as folhas secam na copa e permanecem até à primavera. Pode alcançar os 20m de altura, tem uma copa arredondada com ramificações e folhagem abundante e o tronco é rugoso com casca acinzentada ou parda-acinzentada.

As folhas são simples, alternas, oblongas a obovadas … página superior da folha é lisa e a inferior apresenta longos pelos estrelados.

As flores surgem entre março a maio. As masculinas estão dispostas em grupos sobre largos amentilhos de 4-8cm, pendurados, mas pouco firmes. As femininas são solitárias, estando dentro de uma cúpula.

Os frutos são bolotas cilíndricas que nascem em pedúnculos curtos, com uma cúpula com escamas triangulares. Amadurecem e disseminam-se em setembro e outubro.

Originário da Península Ibérica, sudeste de França, Marrocos e Argélia.

Texto acedido em: https://gulbenkian.pt/jardim/garden-flora/carvalho-cerquinho-3/.

 

- Pitósporo (Pittosporum undulatum)

Pitosporo.jpg

É um arbusto ou arvoreta, resistente, de aroma marcante, com folhas espatuladas de coloração verde ou verde-acinzentada com bordas claras na cultivar “variegata“. Excelente para a formação de cercas vivas altas (2 metros), o pitósporo ainda produz eventualmente florzinhas brancas muito perfumadas. De crescimento lento, pode ser cultivado isolado, ou em grupos.

Texto acedido em: https://plantemais.com/product/pitosporo-m/

- Azevinho (Ilex aquifolium)

Azevinho.jpg

O azevinho é a única espécie da família das Aquifoliaceae que surge espontaneamente na Europa. É um arbusto de médio porte, de crescimento muito lento, que pode atingir até 20 metros de altura. De tronco liso e esverdeado, apresenta uma forma piramidal e é muito ramificado. Com a idade, o tronco torna-se acinzentado e rugoso … tem flores unissexuadas, masculinas e femininas, que ocorrem em indivíduos distintos. As flores são pequenas, solitárias ou em ramalhetes, de cor branca ou ligeiramente rosada. A floração ocorre entre março e junho, frutificando entre outubro e dezembro.

O fruto, que se mantém na árvore durante um longo período de tempo, é globoso, liso e ligeiramente carnudo. Embora muitas vezes mencionado como baga, o fruto do azevinho é uma drupa, ou seja, fruto com caroço. Apresenta cor vermelha escarlate, alaranjada ou amarela e brilhante, tem geralmente menos de 1 cm de diâmetro, contém cerca de 4 a 5 sementes e surge apenas nos exemplares femininos.

As folhas do azevinho são persistentes, de cor-verde-escuras e brilhantes, muito rígidas e têm margens onduladas e espinhosas. Nos ramos mais velhos, as folhas tendem a ficar mais lisas e sem espinhos.

Texto acedido em: https://www.wilder.pt/diversoes/o-que-procurar-no-outono-o-azevinho/

- Jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia, D. Don)

Jacaranda2_1000x523.jpgImagem acedida em: https://www.bing.com/images/search?q=%c3%a1rvores+de+coimbra

 Árvore de porte médio, que atinge cerca de 15 metros.  De copa rala, arredondada a irregular, folhagem delicada … No inverno, o jacarandá-mimoso perde suas folhas, que dão lugar às flores na primavera. Suas flores são duráveis, perfumadas e grandes, de coloração azul ou arroxeada…. A floração se estende por toda a primavera e início do verão.

Texto acedido em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacarand%C3%A1-mimoso.

 Rodrigues Costa

Nota: A minha idade e a saúde cada vez mais débil, impõem-me a redução da minha atividade não só física, como intelectual. Tenho que reconhecer que já é um sacrifício, fazer a investigação em que assenta este blogue.

Para já vou interromper no corrente mês de agosto as minhas publicações. Espero voltar em setembro, com publicações, mais espaçadas. Quero tentar chegar às mil entradas ainda este ano.

RC

 

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por Rodrigues Costa às 09:57

Quinta-feira, 15.06.23

Coimbra: Oficina Museu Nunes Pereira, exposição temporária

Anteontem, terça-feira, dia 14 de junho, nos baixos do Seminário Maior de Coimbra, local onde Monsenhor Nunes Pereira teve a sua última oficina, foi inaugurada mais uma exposição temporária, a décima, relacionada maioritariamente com a obra do artista, subordinada ao tema “Santos da Casa [não] Fazem Milagres”.

NP. Exposição, capa.jpgOp. cit., capa

NP. Exposição, contracapa.jpg

Op. cit., contracapa

 “Tu és o início de um grande santo”, frase retirada do poema “Conselhos” que se encontra no seu livro de versos “Pedra d’Ara”, ao integrar o subtítulo da mostra, dá-lhe o mote.

 A pequena brochura, com a reprodução de 19 das peças apresentadas, releva também os quatro padroeiros de Coimbra: S. Teotónio, S. António, Sto. Agostinho e a Rainha Santa.

Obviamente que no dia dedicado a Santo António, o Taumaturgo não podia deixar de estar presente, nem se podia olvidar que Fernando de Bulhões fez toda a sua formação no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, nem que foi nesta cidade que ele mudou o seu nome para António, com tudo o que esses dois episódios significam.

NP. Exposição, pg. 8.jpg

Op. cit., pg. 8

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Op. cit., pg. 13

De entre as peças expostas, face à sua raridade no contexto da obra de Nunes Pereira, destacamos a que representa S. José a ensinar ao Menino Jesus a sua profissão de carpinteiro.

NP. Exposição, pg. 7.jpg

Op. cit., pg, 13

E uma outra que evoca o Rei David como santo e profeta.

NP. Exposição, pg. 17.jpg

Op. cit., pg. 17

A exposição teve como curadora a responsável pela Oficina-Museu Nunes Perira, Dr.ª Cidália Maria dos Santos, e foi apresentada pelo Reitor do Seminário, Padre Doutor Nuno Santos.

No ato inaugural estiveram presentes cerca de trinta pessoas, com destaque para o Senhor Presidente da Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra que, em breves palavras, manifestou, em seu nome e em nome dos munícipes do concelho, o regozijo por ver mais uma personalidade nascida naquelas terras serranas ser justamente homenageada.

Contrariamente, e tanto quanto nos apercebemos, não esteve presente nem se fez representar nenhuma Entidade oficial de Coimbra, cidade onde Monsenhor Nunes Perira viveu a maior parte da sua vida e onde, a par com o múnus apostólico, desenvolveu o seu engenho artístico.

Confirma-se, infelizmente, a velha afirmação: Coimbra é uma cidade madrasta para os seus filhos.

Rodrigues Costa

 

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por Rodrigues Costa às 16:09

Quarta-feira, 29.03.23

Conversa Aberta: Terras do aro de Coimbra

É já depois de amanhã, 6.ª feira que a partir das 18h00, decorrerá mais uma Conversa Aberta que conforme o habitual terá lugar na Sala D. João III do Arquivo da Universidade de Coimbra (por baixo e nas traseiras da Biblioteca Geral), com entrada pela Rua de S. Pedro.

A entrada é livre e após a apresentação do tema segue-se o debate, no qual todos poderão colocar as suas questões e pedir esclarecimentos.

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Desta vez o tema a ser tratado será As Terras do Aro de Coimbra nos documentos e objetos do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra

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A palestrante. Dr.ª Paula França é a responsável pelo Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, profundamente conhecedora do mesmo e sempre pronta a ajudar aquele que ali fazem as suas investigações.

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Aliás o Arquivo Histórico Municipal de Coimbra merece uma visita. Quanto mais não seja, pelas pequenas exposições, periodicamente renovadas, que ali são apresentadas.

Participe no debate e ajude por favor na divulgação do evento.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 11:15

Sexta-feira, 17.03.23

Conversa Aberta: Terras do aro de Coimbra

De hoje a 15 dias vai realizar-se mais uma Conversa Aberta que conforme, o habitual, decorrerá na Sala D. João III, do Arquivo da Universidade de Coimbra (junto ao Instituto Justiça e Paz, antigo CADC), na última sexta-feira de cada mês, a partir das 18h00, com entrada livre.

CartazA3_31.03 a.jpg

Desta vez o tema a ser tratado será As Terras do Aro de Coimbra nos documentos e objetos do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra.

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A palestrante, Dr.ª Paula França que é a responsável pelo Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, profundamente conhecedora do mesmo e sempre pronta a ajudar aquele que ali fazem as suas investigações.

Flyier 2 a.jpg

Aliás, o Arquivo merece uma visita. Quanto mais não seja, pelas pequenas exposições, periodicamente renovadas, que ali estão patentes.

Participe no debate e ajude por favor na divulgação do evento.

Rodrigues Costa

 

 

 

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por Rodrigues Costa às 21:17

Quarta-feira, 25.01.23

Conversas abertas. Recomeçam depois de amanhã, 6.ª feira

É já depois de amanhã, 6.ª feira, dia 27 de janeiro que às 18h00, se iniciam as Conversas Abertas deste ano que irão decorrer na Sala de D. João III, do Arquivo da Universidade de Coimbra.

E para bem começar o Dr. Mário Araújo Torres irá falar de três personalidades ligadas a Coimbra, que se tornaram marcantes na vida cultural nacional na segunda metade do século XIX, todos autodidatas.

Folha de sala.png

AUC. Pormenor da Folha de Sala

Sobre o Palestrante já tivemos ocasião de escrever, em 17 de fevereiro de 2022

Mário de Araujo Torres.png

Dr. Mário de Araújo Torres

Sendo a importância da reedição de textos, há muito esquecidos e esgotados, de autores que escreveram sobre Coimbra, inquestionável, lembra-se, mais uma vez, que após a sua jubilação o Dr. Mário de Araújo Torres, se dedicou à recolha e reedição – à sua custa, hoje, com mais de 10 títulos publicados – de autores que em Coimbra desenvolveram a sua atividade.

É exemplo um dos primeiros que editou: a produção etnológica e pedagógica do poeta Afonso Duarte.

Embora sabendo que Mário Araújo Torres é avesso a agradecimentos, temos repetidamente afirmado, e mais uma vez o fazemos, que Coimbra lhe deve um institucional: OBRIGADO.

Na modéstia do conimbricense que somos, pelo nosso lado, aqui fica esse reconhecimento, acrescentando que o Dr. Mário Araújo Torres é credor de todos os conimbricenses de uma palavra simples, mas que diz muito: OBRIGADO.

Agradecimento, que é feito perante o silêncio do Município já tantas vezes alertado para este seu dever.

Coimbra não pode, nem deve, continuar a ser madrasta quer para os seus filhos, quer para quantos fizeram de Coimbra a sua cidade.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 10:49

Terça-feira, 10.01.23

Coimbra: Do Cadeiral de Santa Cruz 1

Na preparação desta série de entradas, ao concluir a leitura do livro Do Cadeiral de Santa Cruz, 2.ª edição datada de 2007, de Monsenhor Nunes Pereira, desabafei para mim mesmo: quanto mais aprofundo o conhecimento sobre a sua obra mais admiração tenho pelo Artista!

Do Cadeiral SC capa.jpg

Do Cadeiral de Santa Cruz, capa

O P.e Anselmo Ramos Dias Gaspar na Abertura desta obra conta a história do surgimento da primeira edição.

De 1977 a 1981, Mons. Nunes Pereira … deu-se ao labor de estudar cada um dos motivos esculpidos por Machim e por Lorete, desenhando à pena, minuciosamente, cada um deles … resolveu, a partir de outubro de 1978, publicar os seus desenhos, com a respetiva explicação iconográfica, no “Correio de Coimbra” … Muitos foram os leitores, alguns deles com conhecimento na matéria, sugeriram ao padre-artista que reunisse em volume, a série dos apreciados artigos … com o apoio da paróquia de Santa Cruz, a obra foi publicitada em 1984.

Um dos leitores que fez aquela sugestão foi o Professor Manuel Lopes de Almeida, como se depreende da carta publicada no prefácio da primeira edição.

Do Cadeiral, carta de Manuel Lopes de Almeida.jpg

Carta do Professor Doutor Manuel Lopes de Almeida, datada de 22 de dezembro de 1978.

O livro, nas suas mais de duzentas páginas é, ele próprio, uma verdadeira obra de arte, resultante de um gigantesco trabalho realizado pelo Autor.

Do Cadeiral SC,  pg. 37.jpg

Op. cit., pg. 37

Acresce que a obra, nesta edição, é enriquecida com um Prefácio à segunda Edição, da autoria do Doutor Marco Daniel Duarte.

Ali e num primeiro tempo que intitulou, O cadeiral de Santa Cruz, obra de arte do presente construída no passado, começa por sublinhar que o cadeiral do mosteiro de Santa Cruz, ex-libris da casa monástica que o abriga, ex-libris da cidade do Mondego e, não menos importante, ex-libris da própria história da arte portuguesa, é o mais antigo cadeiral que trespassou eras históricas e chegou, mais ou menos incólume, à pós-contemporaneidade.

Cadeiral 02.jpg

Cadeiral de Santa Cruz, na atualidade. Foto Augusto Ferreira

Levantado, no segundo e terceiro decénios de mil e quinhentos, como grande móvel para enquadrar um dos esteios mais importantes dos habitantes de um complexo monacal, foi vivido pelos cónegos regrantes de Santa Cruz como um especial lugar até ao apartamento destes do mosteiro. Continuou, nas datas seguintes, a ser vivido no meio de vicissitudes várias e, porque toda a obra de arte se faz eternamente presente, ele é arte de hoje, sustentando ainda significado para os que habitam o tempo presente.

Ao longo de um pouco mais de três séculos, sucessivas gerações de religiosos ali tomaram assento para cumprirem um dos fundamentais pilares da instituição conventual que, juntamente com o altar, dá o sentido litúrgico a uma vida de canonicato regular.

D. Pedro de Cristo. Acedido em httpspt.wikipedia.o

Pedro de Cristo, cónego regrante de Santa Cruz, compositor português do Renascimento. Ele é um dos mais importantes polifonistas portugueses dos séculos XVI e XVII. Acedido em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Cristo

 Segundo o rito vivencial do catolicismo monástico, mas também, “mutatis mutandis”, catedralício, o coro é, por excelência, o lugar do mais puro louvor, onde escorrem horas em repetições de orantes melopeias, substanciadas em cantochão simples ou em “alternativo” com as polifonias que, no caso de Santa Cruz, eram, inclusivamente, ali nascidas ou com a voz do órgão que, desde muito cedo, também naquele espaço religioso havia entrado.

 Pereira, A. N. Do cadeiral de Santa Criz, 2.ª edição. Introdução de Mário Nunes. Abertura de Anselmo Ramos Dias Gaspar. Prefácio à segunda Edição, de Marco Daniel Duarte. 2007. Coimbra, Câmara Municipal.

 

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por Rodrigues Costa às 10:26

Domingo, 08.01.23

Coimbra: Personalidades. Carlos Santarém Andrade

Soube hoje através de As Beiras.pt que Carlos Santarém partiu.

Fica aqui a minha despedida publica de um Amigo.

Carlos

Já se passaram alguns anos sobre o tempo em que, todas as semanas, nos encontrávamos para procurar soluções e resolver problemas. Umas vezes acertávamos, outras vezes decidimos de forma que se veio a mostrar menos conseguida. Mas trabalhamos sempre com lealdade e estima um pelo outro.

Depois a vida separou-nos. Segui, sempre e de longe, o teu labor, o trabalho em que ias, pacientemente, procurando descobrir mais e mais da história da nossa Coimbra.

Agora partiste e muito ficou por dizer entre nós. Resta-me dizer-te: descansa, finalmente, em paz.

O velho amigo, Rodrigues Costa.

Carlos Santarém.jfifCarlos Santarém Andrade (Gouveia 1941-Coimbra 2023). Imagem acedida em www.asbeiras.pt/2023/01/faleceu-carlos-santarem-andrade/

É mais um Amigo que parte. As nossas vidas cruzaram-se quando ele era Chefe de Divisão da Biblioteca Municipal e eu Diretor de Departamento.

O trabalho em comum e o respeito mútuo geraram em nós uma amizade que persistiu mesmo quando a vida separou os nossos caminhos.

A Carlos Santarém ficamos a dever muitas entradas publicadas neste blogue, sobre trabalhos seus, nomeadamente os da série “Passear na Literatura”.

A parte final da sua vida, marcada pela doença, foi difícil, mas também foi um exemplo. Pesquisou e publicou quase até ao dia da partida.

Conimbricense por adoção foi Autor de uma vasta bibliografia que iniciou, ainda com estudante como redator da “Vértice”.

Dessa extensa bibliografia, em que Coimbra estava quase sempre presente, destacamos seis obras onde a mesma é ainda mais visível:

Camilo capa.jpg

Coimbra na Vida e na Obra de Camilo Castelo Branco, capa. 1995

A Coimbra de Eça.webp

A Coimbra de Eça de Queirós, capa. 1995. Imagem acedida em www.wook.pt/livro/coimbra-de-eca-de-queiros-carlos-santarem-andrade/44831

A envolvência.jpg

A Envolvência Coimbrã de Régio e Nemésio, capa. 2001. Imagem acedida em https://www.bing.com/images/search?

Coimbra e a República 1.JPG

Coimbra e a República. Da propaganda à proclamação, capa. 2022, www.wook.pt/autor/carlos-santarem-andrade/8542/122

Obras a que juntamos: Os dias de Coimbra na Criação de Miguel Torga, 2003; e Coimbra à Minha Procura: O Percurso Coimbrão de Ruben A. 2005.

Para além das palavras do Senhor Vereador da Cultura, fica a faltar a homenagem que Coimbra e, nomeadamente, o seu Município lhe deve.

Nesta singela homenagem fica o clamor, na esperança de que Coimbra não continue a ser madrasta para aqueles que se destacaram no seu engrandecimento.

Até sempre Carlos Santarém Andrade.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 19:57

Quinta-feira, 01.12.22

Coimbra: Museu dos Transportes Urbanos. Reflexões 4

Os eléctricos centenários de Coimbra estão há 20 anos à espera de futuro é o artigo a que nos referimos na primeira entrada desta série, assinado pelo jornalista Camilo Soldado, com fotografias de Paulo Pimenta e publicado no jornal “Público” a 20 de agosto de 2022. Aos seus autores agradecemos a autorização para citarmos o texto e para reproduzir as fotografias.

Artigo Museu 1. Foto Paulo Pimenta b.jpg

O eléctrico 15 foi recuperado e é frequentemente colocado à frente da antiga central. Foto Paulo Pimenta

Vários eléctricos que serviram o sistema de transportes públicos de Coimbra até à década de 1980 estão fechados, na sua antiga remise, desde a década de 2000. Entre os nove veículos que ainda se encontram na antiga central da Alegria, ao fundo da mata do Jardim Botânico, há carros centenários, que são testemunha do nascimento do serviço de transportes públicos de Coimbra.

Entre 1984 e a viragem do milénio, os veículos históricos podiam ser visitados no Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, que funcionava no mesmo edifício. Desde que o espaço fechou as portas, houve planos para as voltar a abrir, mas nunca saíram do papel.

A viatura mais rara da remise da Alegria é o carro americano, um veículo que andava sobre carris mas era de tracção animal. O “chora”, como ficou conhecido, começou a circular em 1874.

 

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O Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra esteve aberto entre 1984 e a viragem do milénio. Foto Paulo Pimenta

 Nova candidatura

É difícil apontar uma data de fecho com precisão. A autarquia não tem essa informação … Certo é que, entre 2004 e 2008, o antigo museu teve novos inquilinos: a companhia O Teatrão, que ali se instalou depois da Capital Nacional da Cultura (CNC) de 2003 … pelo que o museu já tinha sido desmantelado nesse ano.

… Em Fevereiro deste ano, poucos meses depois de tomar posse, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), José Manuel Silva, visitava o edifício. “Vamos trabalhar para que possa ter melhores dias”, escrevia o autarca, numa declaração de intenções com que legendava uma publicação nas redes sociais.

Ao PÚBLICO, o gabinete de comunicação da autarquia refere que “o actual executivo pretende criar um núcleo dedicado ao carro elétrico em Coimbra e à sua relação com o crescimento e com a história da cidade”. Para isso, submeteu já “uma candidatura ao programa [de fundos comunitários] 2030 neste sentido”.

… Pelo meio, em 2016, o primeiro director do museu, António Rodrigues Costa, diz ter sido encarregue pelo então presidente da câmara, Manuel Machado, de elaborar um documento que fizesse um ponto de situação do museu. No relatório, há um inventário e breve história de cada veículo, mas há também uma menção a quatro itens em falta: um chassi e motor do eléctrico número 19, que permitiria compreender o funcionamento do veículo; o troleicarro número 21 (o primeiro do género a circular em Coimbra; o autocarro número oito, da marca Volvo, e um carro torre da marca Hansa-Lloyd, utilizado para a manutenção da rede eléctrica.

Desses elementos, sabe-se que o chassi terá sido cedido ao Museu de Sintra e que o troleicarro estaria resguardado nas instalações dos SMTUC. A autarquia não conseguiu responder em tempo útil ao pedido de informação do PÚBLICO sobre a localização dos restantes.

 Manter a memória

… No seu site, Kers publicou a mais completa informação sobre o serviço de eléctricos que circulou em Coimbra, com várias linhas que foram abrindo entre 1911 e 1934 e que chegaram a ligar o centro da cidade como Santo António dos Olivais, o Calhabé e Coimbra B.

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Autarquia tem um projecto para recuperar o espaço e voltar a abrir portas. Foto Paulo Pimenta

 O último eléctrico circulou em Coimbra na noite de 8 para 9 de Janeiro de 1980, perto da uma da madrugada, escreve Ernst Kers, no site onde disponibiliza a informação compilada.

Uma relação complicada

…  Em 2014, o processo é recuperado e o executivo de Machado aprova o traçado da linha, que ligaria a Rua da Alegria à rotunda das Lages, na margem esquerda.

O investimento necessário, estimava a autarquia em 2016, rondava 4,9 milhões de euros. Desde que, em 2016, a câmara aprovou um protocolo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes a proposta não voltou à praça pública. Questionada pelo PÚBLICO, a CMC responde através do gabinete de comunicação que essa questão está “ainda a ser estudada, não havendo ainda uma decisão do actual executivo”.

Perante tudo “isto”, repetimos o nosso apelo.

Elaborem e planejem os projetos que entenderem, mas façam-no faseadamente.

Num primeiro momento reabram o Museu, o Núcleo, ou que lhe quiserem chamar, porque embora mutilado, ainda ali existem peças únicas a nível mundial.

A reabertura deve ter em linha de conta as novas técnicas museológicas relacionadas com o património industrial, o que está, perfeitamente, ao alcance do Município de Coimbra, sem lhe seja necessário recorrer a subsídios de qualquer Entidade.

Este é, quiçá, o único caminho a trilhar, para tentar redimir, minimamente, os erros do passado.

 

Soldado, C. Os eléctricos centenários de Coimbra estão há 20 anos à espera de futuro. Fotografias de Paulo Pimenta. Acedido em https://www.publico.pt/2022/08/20/local/noticia/electricos-centenarios-coimbra-estao-ha-20 anos-espera-futuro-2017719?access_token=7DA9PSwHVE2PY%2BV2Uq0vzjR8mXXZzKG4s7HJzVdEqM8W9R05xizcUcxDIhPdgDsy

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por Rodrigues Costa às 09:52


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