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A' Cerca de Coimbra


Domingo, 31.05.15

Coimbra árabe, dependência administrativa 2

Podemos então concluir que a fronteira da antiga Lusitânia se mantem quase inalterável durante o Islão … Sem nunca ter tido qualquer expressão administrativa sob o Islão, o Garb-al-Andaluz surge, no entanto, desde muito cedo como um território nitidamente individualizado, apesar da sua diversidade regional. Em todos os momentos de cariz descentralizador, o Garbe desempenha sempre no al Andaluz um papel ativo de constante cumplicidade entre os cinco territórios geo-históricos que o constituem: o termo de Coimbra com Montemor-o-Velho e todo o Baixo Mondego; o estuário do Tejo, constituído pelos centros agregadores de Lisboa-Sintra e Santarém; O Alto Alentejo que unifica Badajoz, Évora e Alcácer do Sal no mesmo eixo leste-oeste; O Baixo Alentejo com Beja, Aroche e Mértola; e finalmente o Algarve, antigo termo tardo-romano de Ossónoba, que mais tarde se vai repartir entre Santa Maria de Faro e Silves …

Torres, C. O Garb-Al-Andaluz. In Mattoso, J. (Coordenador) 1997. História de Portugal. 1 Antes de Portugal, pg. 335

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por Rodrigues Costa às 21:46

Sábado, 30.05.15

Coimbra árabe, dependência administrativa 1

Uma consideração geográfica do território hoje português, na época árabe, leva-nos à compreensão de um ”Garb al-Aqsâ” do Andaluz, com Silves e Lisboa, e de um “Garb al-Adnâ” com Algeciras, Sevilha e Mérida …. A história fala-nos da província de Ossonóba-Silves, muito ligada a Sevilha, de cidades como Évora, Lisboa e Santarém, intimamente unidas a Mérida-Badajoz, como intimamente unidas a estas se encontraram, durante algum tempo, Coimbra, Lamego e Viseu. E isto, não somente nas épocas de Amirato e do Califado, mas também das Taifas.
A partir do fim das Taifas, a história do Ocidente Extremo do Andaluz sofre uma modificação importante: a fronteira islamo-cristã, antes oscilante entre o Douro e o Mondego, fixa-se no Tejo.
Coimbra, Lamego e Viseu passa aos Cristãos. De resto, esta região nunca tinha sido profundamente islamizada. A influência moçárabe dominara, sempre, aqui.

Domingues, J.D.G. 1971. Aspectos da Cultura Luso-Árabe. Separata das Actas do IV Congresso de Estudos Árabes e Islâmicos pg. 4.

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por Rodrigues Costa às 23:03

Quinta-feira, 21.05.15

Coimbra e o Mondego

O Mondego não é apenas o mais importante dos rios nascidos em Portugal. É também o mais português por ter sido sentido e cantado por quase todos os grandes poetas portugueses …
«O Mondego (citamos Fernandes Martins), essa linha de água que, logo na origem, se vê ser ‘um rio de chorões e salgueirais’, talvez porque assim sucede, acorda nas almas – Portugal além – mesmo maquelas que nunca o viram, algo de inefável beleza, o ritmo doce de uma serenata!»
O grego Estrabão já se lhe refere, designando-o por Muliades. Munda ou Monda lhe chamaram os Romanos, enquanto Edrisi descreve o rio que banhava Colimbria, dando-lhe o nome poético e sonhador de Mondik. E já num documento de 946 do Mosteiro de Lorvão, surge a forma Mondeco, bem próxima da atual. Mas, nem uns nem outros foram os padrinhos, pois a raiz da palavra (Mond-) é seguramente pré-romana …
O Mondego, esse rio que dessedentou celtas, romanos, godos e mouros, foi também a linha de fronteira entra a cruz e o crescente, ao tempo da reconquista.

Borges, N.C. 1987.Coimbra e Região. Lisboa, Editorial Presença, pg. 18 e 19

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por Rodrigues Costa às 18:47

Sexta-feira, 15.05.15

Coimbra, o seu berço

… a arqueologia revelava – no Pátio da Universidade – os restos (apenas parciais) do que fora uma domus da Aeminium imperial dos primeiros séculos da era cristã – … um trecho das termas, um átrio e um pedaço de sala pavimentada de mosaico …  A própria casa, de resto ilustraria a reutilização tardo-antiga e medieval de velhos espaços … Sob ela, porém, pareceria poder vislumbrar-se, pela primeira vez na história da cidade, a ocupação pré-romana do território, sob a forma de muros destruídos pela implantação da domus, associados a materiais diversos da Idade do Ferro (cerâmicas, metais), mesmo que desprovidos de valor estratigráfico … Quanto ao espólio avulso e, em particular, cerâmico, geralmente comum, e tirando os fragmentos da Idade do Ferro, disseminava-se entre os períodos romano, islâmico (com destaque para o bordo e asa de uma jarrinha califal), da 2.ª Reconquista e medieval …
 
Pimentel, A.F. 2005. A Morada da Sabedoria. I. O Paço real de Coimbra. Das Origens ao Estabelecimento da Universidade. Coimbra, Almedina, pg.128 e 129

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por Rodrigues Costa às 20:55


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