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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 09.05.19

Coimbra: Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra 2

Entretanto, o Reitor, D. Francisco de Lemos (1735-1822), consciente do tempo que levaria a pôr de pé tal equipamento mandou construir para uso das aulas um pequeno observatório interino (de caracter provisório) no terreiro do Paço das Escolas.… A solução para o definitivo Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) passava por fixar a sua localização no topo Sul do Paço das Escolas.
…. No espaço de quatro anos (17881792) são conhecidos quatro projectos arquitectónicos (três deles em menos de meio ano): uma primeira versão em 1788; uma segunda versão em Setembro de 1790; uma terceira em Novembro de 1790; e uma quarta versão em Fevereiro de 1791 e Setembro de 1792 (que corresponde à versão construída).
… A forma final do edifício – o projecto final do OAUC é aprovado pela Junta da Universidade em 5-2-1791, estando em 1799 concluído o edifício – será constituída por um corpo horizontal com um piso e cobertura plana, e uma torre com três pisos definida a partir do vão central, também com cobertura plana.

Planta do Observatório Astronómico que a Univers

Planta do Observatório Astronómico que a Universidade mandou fazer dentro no seu pátio no anno de 1791. [BGUC Ms. 3377-44]

Prospecto ou vista do pátio a Universidade.jpg

Prospecto ou vista do pátio a Universidade. [BGUC Ms. 3377-44]

Prospecto ou fasia da rua da Trindade.jpg

Prospecto ou fasia da rua da Trindade e Expecato emtrior por A B. [BGUC Ms. 3377-45

Este edifício é um bom exemplo do desfasamento entre as ambições iniciais da Reforma Pombalina e a nova realidade. Pensado no seu início como um edifício destacado de todos os estabelecimentos científicos, o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra acabava no mais modesto de todos eles. Abdicava-se da carga simbólica e da função urbana iniciais e concentrava-se a atenção na criação de um estabelecimento astronómico [Martins & Figueiredo 2008].

Figueiredo, F.B. 2013. O Observatório astronómico (1772-1837). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2018.10.28, em http://hdl.handle.net/10316.2/38513. 

 

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por Rodrigues Costa às 10:14

Quarta-feira, 08.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 10 de maio, às 18h00. Fortificação de Coimbra com Isabel Anjinho

Casa da Escrita: Conversas abertas,
6.ª feira, 10 de maio, às 18h00
Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra. Proposta.jpg

Palestrante: Isabel Anjinho

transferir.jpg

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Local: Casa da Escrita

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 5.jpg

(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 11.jpg

Casa da Escrita. Teto

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 07.06.2019
Palestrante: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade
Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 09:56

Terça-feira, 07.05.19

Coimbra: Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra 1

A ideia de criar um Observatório Astronómico surge desde logo nos Estatutos Pombalinos (1772) a propósito da Faculdade de Mathematica e da respectiva cadeira de Astronomia (4.º ano). A sua criação tinha dois objectivos distintos, a leccionação e o desenvolvimento da ciência astronómica. Os Estatutos Pombalinos encaravam a ciência como a força motriz para uma mudança de mentalidades essencial à modernização do país e a astronomia desempenhava um papel fundamental pelas “consequências tão importantes ao adiantamento geral dos conhecimentos humanos, e à perfeição particular da Geografia, e da Navegação”. Por isso o Observatório Astronómico era representativo desse modo de ver a ciência, constituindo simultaneamente um meio para o seu desenvolvimento.
… Hoje, a maior parte dos muitos visitantes que franqueiam a Porta Férrea da Universidade e olham, ao entrar no Pátio das Escolas, à sua esquerda e se aproximam do varandim para desfrutar a imensa vista sobre a baixa da cidade e do rio Mondego, não faz ideia que aí era durante muitos anos (quase 150) o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) – um edifício de configuração rectangular, “constituído por três corpos contíguos em que o central é três vezes mais alto do que os laterais.” [Bandeira 1943-1947, p.129] –, e que foi demolido aquando das obras de requalificação da Universidade de Coimbra nos anos 50 do século XX.

Observatório Astronómico.jpg

Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra

Porém, este edifício não foi aquele que a Reforma Pombalina previu edificar. O sítio que se determinou primeiramente para a construção do Observatório foi o Castelo da cidade [Lemos 1777, p.260], que se situava na vertente da Alta de Coimbra oposta ao Paço das Escolas, onde hoje é o Largo D. Dinis (no cimo das Escadas Monumentais).
… O Castelo era constituído por duas torres: a de menagem quadrada, de construção afonsina, a que se chamava Torre Nova; e uma segunda, de configuração pentagonal que embora fosse de construção mais recente, pois havia sido erguida nos tempos de D. Sancho I, era designada por Torre Velha [Lobo 1999, p.4].

Planta do Castelo. Elsden, 1773.jpg

Planta do Castelo e Casas a ele contíguas em a Universidade de Coimbra (Elsden, 1773). [BGUC, Ms.3377/41]

Alçado do Observatório do Castelo.jpg

Alçado do Observatório do Castelo (Elsden, c.1773). [MNMC, Inv. 2945/DA 23]

Em 1775 (a partir do mês de Setembro) quando estava realizado o essencial do piso térreo, com o edifício erguido até ao 1.º piso, “a uma altura não inferior a 8 metros”, as obras param. O elevado custo dos trabalhos atingido em cerca de dois anos e meio, e quando estava ainda por realizar parte significativa da obra, é a principal causa para a interrupção de tão ambicioso projecto.

Figueiredo, F.B. 2013. O Observatório astronómico (1772-1837). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2018.10.28, em http://hdl.handle.net/10316.2/38513 

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por Rodrigues Costa às 09:44

Quinta-feira, 02.05.19

Coimbra: História de uma arca de pedra

Uma explicação breve, mas necessária. Escolhemos este texto pelo seu fino recorte literário, mas também por tratar um tema muito pouco conhecido.
Ao ser lido deve ter-se em consideração que quer o Museu Machado de Castro, quer o Convento de Santa Clara-a-Nova, atualmente não apresentam a configuração que o Autor descreve.

Há no Museu Machado de Castro uma sala em que ando sempre receosos, de vagar, o ouvido à escuta, como nos palácios maravilhosos dos meus contos de menino, comovido sem saber porquê, sempre à espera de ver começar a história de uma empresa grande.
Tudo ali tem para mim o ar de qualquer coisa que talvez tenha sonhado, confuso, misterioso, como o reflexo de um espelho mágico.
Nunca vi, senão uma vez, na primeira rosa de Alexandria que me mostraram, vermelho como o do tapete persa que ali se encostam as velhas esculturas de madeira que o tempo roeu, dando-lhe a leveza das rendas e da espuma, e do nevoeiro frio e dourado em que se embrulha às vezes o sol para morrer com ele.
Aquele tapete enche o ar de perfuma das rosas, que se não vêm, e cuja respiração cansada parece ter parado ali num espasmo de amor, como os reflexos de outo e púrpura do sol poente que a água fria dos lagos prende no brilho triunfante de um esmalte.
De fundo a um calvário de madeira, há ali um tapete de Arraiolos, precioso como um complicado esmalte verde sobre ouro, pálido como um sorriso que se desfaz.
Porque será que aquele velho e gasto tapete me comove, como as joias pequeninas e preciosas de outros tempos que irresistivelmente evocam em mim as cores delicadas de carne que nunca vi senão na adoração dos corpos delicados das flores?...
Aquele tapete foi dependurado com carinho por António Augusto Gonçalves para não se perderem as marcas dos pés pequeninos de mulher, que por ali passaram nus, mais levemente do que as pétalas das rosas que o perfume quente do incenso faz cair mortas das jarras dos altares num último gesto triunfante de beleza.
Sala de encantamento…
Um dia, encontrei ali, numa redoma simples de vidro, uma madeixa de cabelos loiros, com a indicação que fora de D. Isabel, mulher do infante D. Pedro, o duque de Coimbra que morreu em Alfarrobeira.
Dizia mais o letreiro haver sido encontrado num túmulo de pedra que para o mosteiro novo viera do mosteiro velho de Santa Clara.

Custa a subir esta ladeira de Santa Clara!

Santa Clara-a-Nova. Bilhete Postal.jpgMas, quando se chega ao cimo, é de encantar olhar para Coimbra, branca, como nela tivessem pousado todas as pombas de Vénus.

Vista de Coimbra. 1907.jpgCoimbra, vista geral em 1907

A igreja é fresca e alegre.
Ao fundo, lá está o tumulo de pedra a que serve de decoração. Um brasão em que se leem as armas de Portugal com a cruz de Avis, o banco de pinchar e as barras de Aragão.

01bb.jpgArca tumular de D. Catarina, filha de D. Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra

… Fr. Manuel da Esperança, que a princípio supôs, como era natural, pudesse ser esta a sepultura de D. Isabel, filha dos condes de Urgel e mulher de D. Pedro, o de Alfarrobeira … [depois considerou que] este tumulo seria o de D. Maria. filha de D. Pedro, o cru, e de D. Constança … O Sr. Dr. Ribeiro de Vasconcelos … discorda … e atribui a sepultura à mulher de D. Pedro, o de Alfarrobeira.
…. Ora a arca de pedra é de pequenas dimensões próprias para sepultura de uma criança …. É pequenina a arca … Dentro do túmulo encontrou-se o esqueleto de uma criança, de lindos cabelos loiros que o tempo conservara.
Quem seria?
As barras de Aragão, o banco de pinchar, a cruz de Avos, os carateres da escultura circunscrevem as investigações à família de D. Isabel, duquesa de Coimbra, e mulher do infante D. Pedro.
A princesinha conservada na arca de pedra do mosteiro de Santa Clara de Coimbra não pode ser senão D. Catarina, filha de D. Pedro, o de Alfarrobeira e da duquesa, sua mulher.
… A 16 de Dezembro de 1466 devia ter morrido já porque … tem essa data o testamento da mãe, a duquesa de Coimbra que não se refere a ela … É a morte de D. Catarina que explica ainda a saída da duquesa, sua mãe, de Coimbra e a sua ida para as partes de Lisboa, aonde foi enterrar-se viva, na frase … de Fr. Manel da Esperança.

Nota: o banco de pinchar é uma figura da heráldica utilizada para diferenciar os brasões dos filhos de pessoas brasonadas ao utilizarem o brasão dos pais.

Carvalho, J.M.T. História de uma arca de pedra e de uma madeixa de cabelos loiros. In Atlantida. Mensário Artístico Literario e Social para Portugal e Brazil. Ano II, n.º 18, 15 de Abril de 1917.

 

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por Rodrigues Costa às 09:53

Quarta-feira, 01.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, a participação de Isabel Anjinho adiada para 10 de maio, às 18h00

Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra. Proposta.jpg

Palestrante: Isabel Anjinho

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A INTERVENÇÃO DE ISABEL ANJINHO, SOBRE A FORTIFICAÇÃO DE COIMBRA FOI ADIADA UMA SEMANA, POR RAZÕES TÉCNICAS, PELO QUE TERÁ LUGAR NA 6.ª FEIRA, DIA 10 DE MAIO, ÀS 18H00
Após a intervenção inicial que ocupará aproximadamente 20 minutos, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes, com a duração máxima de 60 minutos.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Local: Casa da Escrita

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 4.jpg

(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 8.jpg

Casa da Escrita. Jardim interior

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 07.06.2019
Orador: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Orador: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Orador: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Orador: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 10:26

Terça-feira, 30.04.19

Coimbra: Petições de grau na Universidade

No Arquivo da Universidade de Coimbra encontram-se guardadas cinco pastas forradas a veludo que, até à entrada em vigor da “Lei da Separação do Estado das Igrejas”, publicada a 20 de abril de 1911, depois da implantação da República, eram utilizadas nas cerimónias de imposição dos graus de Bacharel, de Licenciado e de Doutor.

Petição de grau. Faculdade de.jpg

Pasta das petições de grau, utilizada na Faculdade de Medicina

A diferença existente entre elas residia na cor do veludo que correspondia a cada uma das Faculdades. De notar que as cores mencionadas diferem das atualmente usadas.

- amarelo para Teologia,
- vermelho para Direito,
- castanho claro para Medicina,
- azul escuro para Matemática e Filosofia.

Dentro da cada pasta podem observar-se dois documentos impressos, escritos em latim, com as fórmulas que seguidamente se referem.
No primeiro pode ler-se:

Quid petis.jpgQuid Petis?

Os Quid Petis? – o que pedes – são todos de teor similar e eram usados na atribuição do Grau de Bacharel, Grau de Licenciado, Grau de Doutor (Quando há um só doutorando) e Grau de Doutor (quando sam dois os mais doutorandos).

No segundo documento encontra-se o texto do juramento que o candidato tinha de proferir antes de lhe ser entregue o respetivo documento comprovativo da concessão do grau.

Professio Fidei Catholicae.jpg

Professio Fidei Catholicae

Trata-se da atribuição do canudo, como é designado na gíria coimbrã.

Canudo, porque o comprovativo do grau, escrito em latim sobre pergaminho e assinado pelas entidades competentes, incluindo o Magnífico Reitor, fixa ainda umas fitas da cor da respetiva Faculdade presas a uma caixa de prata que contém, no seu interior, o selo da Universidade. O documento encontra-se enrolado e inserido numa caixa de lata com forma tubular.

Canudos e diplomas.jpg

Canudos e comprovativos de curso

Carta de curso Letras selo.JPG

Comprovativo de um curso da Faculdade de Letras, pormenor do selo

Carta de curso Direito selo.jpg

Comprovativo de um curso da Faculdade de Direito, pormenor do selo

Deste ritual resta, atualmente, a cerimónia da imposição de insígnias que concede ao candidato, de forma solene e oficial, o grau de doutor. É evidente que o Quid Petis? se encontra adaptado aos tempos hodiernos.

Doutoramento. 1959.jpg

Cortejo de um doutoramento. 1959

Agradeço à Senhora Dr.ª Ana Maria Bandeira, Técnica do Arquivo da Universidade de Coimbra a ajuda para chegar aos documentos citados.

Fonte: Arquivo da Universidade de Coimbra (Quota: Petições de Graus V-3.ª-Mov. 8-Gav. 1)

 

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por Rodrigues Costa às 10:56

Sexta-feira, 26.04.19

Casa da Escrita: Conversas abertas. Primeira Conversa Isabel Anjinho: Fortificação de Coimbra

Ciclo de “Conversas abertas” vai acontecer nas primeiras sextas-feiras de cada mês, às 18h00.
Após a intervenção inicial do orador convidado, que ocupará aproximadamente 20 minutos, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes, com a duração máxima de 60 minutos.
Entrada livre.

Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Casa da Escrita.jpg

Casa da Escrita
Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)


Primeira conversa aberta, 6.ª feira, 03.05.2019, às 18h00

Isabel Anjinho

Isabel Anjinho.jpg

Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra.jpgFortificação de Coimbra

 

Casa da Escrita. Jardim interior.jpg

 


Casa da Escrita. Jardim interior

Outras Conversas Abertas

6.ª feira, 07.06.2019
Orador: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Orador: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Orador: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Orador: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:13

Quinta-feira, 25.04.19

Coimbra : Gaius Sevius Lupus Aeminiensis, um arquiteto romano

Em 2015.08.28 publicámos uma entrada com o título “Coimbra: arquiteto romano natural da cidade”.
A entrada foi idealizada quando, no decurso de uma deslocação que fizemos a La Coruña, altura em que tivemos ocasião de visitar a Torre de Hércules.

Torre de Hércules na atualidade.jpg

Torre de Hércules na atualidade

Embora a sua origem se encontre envolta em lendas, sabe-se, com base nos achados de terra sigillata e de vasos de paredes finas encontrados em escavações, que a sua reconstrução pelos romanos, como farol de navegação, data dos anos 40 a 80 da nossa era, isto é, entre os reinados de Nero e de Vespasiano.
Esta original construção assenta numa base quadrangular e as suas quatro fachadas mostram grande austeridade.

Desenho localizado nun manuscrito de Cornide (Real

Desenho localizado num manuscrito de Cornide (Real Academia de Historia, Madrid)
In: https://www.coruna.gal/castroelvina/gl/detalle/torre-de-hercules/contenido/1453614280400?argIdioma=gl

A Torre de Hércules, na atualidade mede 55 metros, correspondendo 34 à construção romana e 21 à reforma dirigida em 1789 pelo arquiteto militar Eustáquio Giannini, com o fim de equipar o velho farol de uma nova lanterna a que, em 1806, foi acrescentado o fanal.
A Torre é o único farol romano ainda em funcionamento e que conserva uma parte importante da sua estrutura original, embora, devido às diversas intervenções esta se encontre oculta por um “forro externo” neoclássico.
A UNESCO, a 27 de junho de 2009 declarou, na cidade de Sevilha, a Torre de Hércules como Património da Humanidade.

Ara votiva.jpg

Ara votiva
In: https://www.coruna.gal/castroelvina/gl/galaicos-e-romanos/obxectos/detalle/torre-de-hercules/contenido/1453614280400

Ao lado da Torre de Hércules encontra-se uma ara votiva onde, de acordo com diversos autores, se pode ler

MARTI /
AUG[USTO] SACR[UM] /
C[AIUS] SEVIUS /
LUPUS /
ARCHITECTUS /
AEMINIENSIS /
LUSITANUS EX VO[TO]

Ou seja, “Consagrado a Marte Augusto. Caio Sévio Lupo, arquiteto de Aeminium (Coimbra) Lusitano em cumprimento de uma promessa”.
Do arquiteto Gaius Sevius Lupus, nada mais se sabe a não ser o nome e o lugar do seu nascimento; no entanto, alguns historiadores apontam-no como sendo o possível autor do criptopórtico que se encontra sob o Museu Nacional Machado de Castro.
Gaius Sevius Lupus, uma figura de Coimbra, entre tantas outras, a lembrar.

Escadas interiores da Torre de Hércules.jpg

Escadas interiores da Torre de Hércules
In: http://ridenroad.com/blog/wp-content/uploads/2016/02/escaleras-torre-hercules.jpg

Gaius Sevius Lupus, uma figura de Coimbra, entre tantas outras, a lembrar.

Gostaríamos de chamar a atenção para o site
https://www.youtube.com/watch?x-yt-ts=1422579428&x-yt-cl=85114404&v=SyK79YGTlQM 
onde se poderá ver um excelente trabalho onde é apresentada uma proposta explicativa da construção daquela obra.

Referências: as indicadas no texto e https://es.wikipedia.org/wiki/Torre_de_H%C3%A9rcules
http://www.torredeherculesacoruna.com/index.php?s=58&l=pt 

 

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por Rodrigues Costa às 09:09

Terça-feira, 23.04.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal, um lugar a visitar

Frequento com alguma assiduidade do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra e tenho para mim que se trata de um local que não pode ser ignorado por todos aqueles que se interessam pela história da cidade.
Alicerço a minha convicção em virtude do vasto e valioso acervo que ali se encontra depositado, constituído, em boa parte, pelos documentos fundacionais da nossa cidade. Além disso, pode sempre visualizar-se uma exposição temporária de médio ou longo prazo que mostra documentação original e contextualizada, na medida em que se encontra especialmente vocacionada para centrar, num discurso claro e integrado, uma mensagem relacionada com a cidade.

Também se pode observar a imagem de S. Jorge, montado num cavalo, a fim de participar na procissão do Corpus Christi, a festa maior que, durante muitos séculos, acontecia em Coimbra.

S_Jorge.pngImagem de S. Jorge

Não posso, nem quero, deixar de chamar a atenção para a grande competência, disponibilidade e simpatia das Técnicas responsáveis pelo aquivo e que atendem personalizadamente (o que é muito importante para quem investiga) todos quantos ali se deslocam.
Podemos ainda observar as varas que os vereadores outrora levavam nas mãos quando participavam em atos oficiais, bem como peças de vestuário que então utilizavam

obj20.JPGVaras dos vereadores da Câmara de Coimbra

A exposição temporária de médio ou longo prazo é periodicamente renovada e nela podem ser observados, quando integram a mostra, alguns destes documentos:

- Carta de Sentença
1297, Julho, 8, Coimbra. Carta de Sentença do Ouvidor da Corte, Estêvão Peres, ordenando ao alcaide de Coimbra, João Arrais, que restituísse a dízima, indevidamente cobrada ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, “atendendo ao Costume de Coimbra, sobre que foram perguntados os alvazis e homens bons”.
É o documento original mais antigo que se encontra no AHMC.

Carta de Sentença.png

 

- Carta partida por ABC
1299, Maio, 20, Coimbra. Instrumento de composição amigável feito entre o concelho de Coimbra, representado pelos seus procuradores Domingues Esteves e Martim Anes, mercadores, e o concelho de Penela, pelo procurador António Anes, sobre a jurisdição e direitos a cobrar nos lugares de Pousafoles-o-Velho, Pousafoles-o-Novo (conc. Miranda do Corvo); Pereiro (conc. de Penela); Cabeça de Boi e Lavarrabos (actual Rabarrabos, conc. de Penela).
O acordo alcançado referia que os moradores dos lugares pagariam “irmãmente a metade” de todos os serviços e tributos que aí fossem lançados quer pelo concelho de Coimbra, quer pelo de Penela.

Carta partida por ABC.jpg

Nota: Uma carta partida por ABC, era um pergaminho no qual era escrito um original e uma cópia fiel do mesmo, ambos devidamente assinadas. O pergaminho era cortado na forma que se vê na imagem, sendo cada uma das metades entregue às partes subscritoras. Se fosse necessário confirmar a veracidade de uma das partes, juntavam as duas e verificavam se o corte coincidia.

Lei das Sesmarias
1375, Junho, 1, Coimbra. “Exórdio da ordenação da lavoura”, conjunto de medidas decretadas por D. Fernando e posteriormente conhecidas por “Lei das Sesmarias”, para que “haja maior abundância no reino”, tentando recuperar a produção agrícola, após uma época de grave crise económica, provocada pela epidemia da “peste negra”. É um dos poucos originais do texto fernandino que hoje se conhece.

Lei das Sesmarias.jpg

Acordãos e Vereações
1491, 23 de Março a 31 de Dezembro, Coimbra. “Livro dos Acordos e Verações do ano de mil iiijc LRj”em que foram oficiais: João de Barros, cavaleiro e João Pessoa, juízes; Pedro Brandão, cavaleiro, Aires Alvelo e Álvaro Vasques, vereadores; Garcia Rodrigues Pacheco, procurador da cidade. É o mais antigo livro de registo das reuniões da vereação que se preservou até à actualidade.

Acordãos e Vereações.png

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra ali na Rua Pedro Monteiro, no edifício da Casa da Cultura, ao cimo da Sereia. Vá por lá que vai gostar.

Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Catálogo da Exposição. 2018

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por Rodrigues Costa às 09:46

Quinta-feira, 18.04.19

Coimbra: Edifício ACM em Coimbra

Já antes de 1915 se perfilava a possibilidade de, em Coimbra, se vir a construir um edifício que servisse de sede à Associação Mundial de Académicos; o local escolhido situava-se no gaveto formado pelas ruas Alexandre Herculano e Venâncio Rodrigues, em pleno bairro de Santa Cruz, projetado no final de Oitocentos para dar resposta à necessidade de alargamento do espaço urbano da cidade, mas vítima de um processo de lentidão, bem de acordo com o fraco poder económico da urbe. As publicações periódicas que então saiam dos prelos mondeguinos, em dezembro do referido ano, previam a inauguração do imóvel para o mês outubro seguinte, mas a verdade é que Raul Lino, o arquiteto escolhido, só começou a riscar o projeto em janeiro de 1916.

Raul Lino.jpg

Raul Lino

ACM. Atlantida, 18, Lisboa, 1917.04.15.jpg

Desenho do edifício publicado em Atlantida, 18, Lisboa, 1917.04.15
…Ainda antes de conceber o edifício da ACM [Raul Lino], riscou o do Jardim-Escola João de Deus [que se ergue na Alameda Júlio Henriques], inaugurado a 2 de abril de 1911.
… A inauguração da sede da ACM foi protelada, certamente por razões óbvias e, em meados de 1917, era exposta numa das montras da filial conimbricense dos Grandes Armazéns do Chiado uma maqueta aguarelada que dava uma perspetiva do edifício destinado a sede da Federação Mundial de Académicos; parece que a feitura do imóvel fora custeada pelo International Comittee of Young Man's Christian Associatons de Nova Iorque.

ACM. Antes das obras b.jpg

O edifício na sua forma original

… Nos edifícios construídos para sede da coletividade, o ginásio já então constituía uma das partes essenciais do edifício e o átrio funcionava como verdadeiro motor da mesma, pois a par com os bilhares e os cueroques (os jogos de azar encontravam-se interditos) a dependência, graças a um confortável mobiliário, convidava a que se ouvisse música ou se conversasse amenamente. Nas proximidades encontrava-se instalado um pequeno bar de apoio, que não servia bebidas alcoólicas.
No salão nobre realizavam-se palestras, relacionadas sobretudo com a educação cívica e moral, e sessões de cinema, onde, a par com películas cómicas e dramáticas, passavam filmes instrutivos e científicos. Existia ainda uma sala de leitura em que se podia encontrar, para além de revistas e jornais nacionais e estrangeiros que “facilitassem ao estudante um meio de se conservar ao corrente dos acontecimentos sociais, científicos e literários”, uma pequena biblioteca.
… De acordo com a imprensa que se publicava na época, o edifício projetado por Raul Lino era “um dos ornamentos do Bairro de Santa Cruz” e o arquiteto, no interior, interpretou “admiravelmente o princípio utilitário e filantrópico da instituição e, ao dar ao exterior o estilo português modernizado, manifestou o seu espírito de adaptação ao meio particular em que cada grémio se estabelece, num perfeito equilíbrio entre o nacionalismo e o cosmopolitismo exagerados”.
Finalmente, no dia 20 de junho de 1918, procedeu-se à inauguração do edifício, ato que se revestiu de uma enorme solenidade e imponência e que contou com a presença de quase todos os ministros e embaixadores estrangeiros acreditados junto do governo português.


ACM. Depois das obras.jpg

O edifício na atualidade

Anacleto, R. O edifício da ACM em Coimbra, In: Diário de Coimbra, n.º 22229, Coimbra, 1997.05.25.

 

 

 

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por Rodrigues Costa às 12:32


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