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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 06.06.17

Coimbra: Cidade ECHO?

Assisti no passado domingo, dia 4 de Junho, pela segunda vez, a um concerto dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

Tomei então conhecimento da existência da ECHO (Europae Civitates Historicorum Organorum) que foi fundada em 1997 e tem como objetivo desempenhar um papel unificador em projetos a nível europeu das cidades com órgãos de valor histórico e de origem europeia.

Integram esta rede Alkmaar (Holanda), Bruxelas (Bélgica), Freiberg (Alemanha), Fribourg (suíça), Innsbruck (Áustria), Mafra (Portugal). Toulouse (França), Treviso (Itália) e Trondheim (Noruega).

 

Igreja de Santa Cruz. Orgão 02.jpg

 Órgão da Igreja de Santa Cruz

Coimbra, por direito próprio, podia e devia pertencer a este Rede, porque:

- Dispõe de três grandes órgãos históricos – Igreja de Santa Cruz, Universidade e Sé Nova – recentemente recuperados, e ainda o órgão do Seminário de Coimbra de muito boa qualidade e operacional e o da Igreja do Colégio Novo que foi objeto de recuperação no início da segunda metade do século passado;

 

Capela Universidade Orgão.jpg

 Órgão da Capela da Universidade

- Existem ainda nos Concelhos limítrofes dois outros órgãos recentemente recuperados e de valor inestimável: o do Mosteiro de Lorvão (Penacova); e o do Convento de Semide (Miranda do Corvo);

- Teve Coimbra duas escolas de música de referência do nosso País, com produção organística própria: a do Mosteiro de Santa Cruz; e a da Universidade.

De tudo o que atrás refiro sugiro o seguinte conjunto de perguntas:

- Quantas cidades do Mundo se podem orgulhar de um património organístico desta dimensão?

- Depois dos vultuosos investimentos feitos e sendo condição necessária para a boa manutenção destes instrumentos o seu uso regular, o que se tem feito a Cidade para que a mesma aconteça?

- Não tem Coimbra capacidade económica para ter um organista residente que assegure aquele uso regular?

- Não será este um elemento muito importante não só para a vida cultural de Coimbra e da Região onde se insere, bem como para o desenvolvimento do turismo cultural que todos defendem?

- Não é possível a conjugação de vontades entre os Municípios de Coimbra, de Penacova, de Miranda do Corvo, da Diocese, da Universidade, da Misericórdia de Coimbra, da Direção Regional de Cultura do Centro e da Região de Turismo Centro de Portugal, tendo em vista a potenciação do património organístico aqui existente?

Eu tenho as minhas respostas. Acho que todos devem ter as suas.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 09:05

Segunda-feira, 08.05.17

Coimbra: Santa Comba, uma santa esquecida 1

Contavam as antigas tradições, que a Virgem cristã Comba (Columba-Coomba-Comba), em tempos em que esta região era dominada pelos mouros, fora requestada por um poderoso príncipe crente de Mafoma, a qual, para se escapar às suas ternuras e solicitações, fugira para estes sítios, então ocupados por floresta inextricável, onde conseguiu ocultar-se algum tempo. Descoberta um dia pelo príncipe apaixonado, quando ela ia ao fundo da colina, buscar água à fonte, que ainda hoje se chama da Santa, novas tentativas de sedução a envolveram.

Como fosse inabalável a resistência da donzela a apostar da fé em Cristo, e a romper o seu voto religioso de virgindade, arrastaram-na encosta acima até uma clareira, onde os cristãos haviam erguido uma grande cruz de madeira para aí se reunirem e orarem; nesta cruz a fixaram os do séquito do príncipe, e, assim exposta, foi alvejada com setas, até exalar o último suspiro, invocando, com os olhos no céu, o divino Esposo.

Depois os cristãos tiraram da cruz o corpo da Mártir, e sepultaram-no naquele mesmo local, onde sofrera o martírio, e que ficou a ser muito frequentado de gente piedosa, que vinha junto da sepultura suplicar as intercessões da Santa.

Tempos decorridos, passou Coimbra ao domínio dos cristãos, sendo então construída uma capelinha modesta, da invocação de S." Comba, que ficou a abrigar a sepultura.

Até aqui o que nos dizem as lendas.

Esta capelinha existia, é certo, no século XII ... nos princípios do 2.° quartel daquele século, foram procuradas as relíquias de S.ta Comba na cripta da sua capela, onde a tradição dizia haver sido sepultada. Lá encontraram o esqueleto, que pelos monges da Caridade foi trasladado para a sua igreja de S.ta Justa, de cujas ruínas ainda hoje restam vestígios no local conhecido pela denominação de terreiro da herva.

Decorridos alguns anos, foram as venerandas relíquias segunda vez trasladadas, agora para a igreja de S. João, contígua ao templo de S.ta Cruz.

Ainda há anos se via numa parede da casa, que atualmente está transformada em café ou restaurante, uma lápide com inscrição a designar o local, onde as relíquias estiveram depositadas. Dizia em belos caracteres do século XII, onciais de mistura com capitais: HIC QVIESCVNT OSSA BEATE COLVMBE

Mais tarde, no século XIII, fez-se nova trasladação, desta vez para o templo do mosteiro crúzio, donde vieram a ser cedidas relíquias para algumas igrejas, indo uma relíquia insigne para a Catedral, onde se erigiu um altar na nave da Epístola em honra de S." Comba.

 

Sé Nova St. Comba.jpgPor fim as relíquias restantes da Virgem e Mártir de Coimbra foram recolhidas no Santuário de S.ta Cruz, e ali se guardam.

... Considerava-se S.ta Comba especial advogada contra as maleitas ou sezões, doença que atacava e dizimava os habitantes dos campos do Mondego, então pantanosos e muito insalubres.

Vasconcelos, A. A ermida de Santa Comba. In “Correio de Coimbra”, 227, Coimbra, 1926.09.25.

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por Rodrigues Costa às 11:34

Quinta-feira, 09.03.17

Coimbra: Cemitério da Conchada, ou o caminho para a sua existência 2

Depois de bastantes hesitações sobre a escolha do terreno para o cemitério de Coimbra, a câmara adotou o alto da Conchada na quinta do Pio por indicação de peritos, nomeados em comissão pelo governo civil em 12 de Agosto de 1851. Outra comissão demarcou o terreno, que deveria ser expropriado, em 25 de Setembro do mesmo ano.

...“As nove freguesias da cidade tem nas suas igrejas, nos claustros da Sé Nova, e nos péssimos cemitérios de S. Pedro e Salvador, 972 sepulturas; e, tendo sido de 302 por ano o termo médio dos óbitos nos últimos dez anos, devem ter-se aberto as sepulturas com intervalos de 38 meses e meio (Costa Simões – Relatório da gerência municipal de Coimbra nos dois annos decorridos desde o 1.º de janeiro de 1856 até ao último de dezembro de 1857).

... Com todos estes trabalhos do meu plano do cemitério, começou a construção no cunhal SO, do mesmo cemitério em 30 de Setembro de 1852.

Cemitério da Conchada, planta.jpg

Cemitério da Conchada, planta primitiva

... Entrando, mais tarde ... na presidência da Câmara, para o biénio de 1856 e 1857, encontrei construída uma porção e muro do mesmo cunhal SO, a maior parte da muralha que sustenta o tabuleiro norte e os alicerces em quase todo o perímetro do cemitério.

Durante a minha gerência ativei os trabalhos; e, no fim do primeiro ano, tinha já concluído toda a muralha que sustenta o tabuleiro inferior, quase toda a que devia sustentar o tabuleiro imediato, grande parte dos muros de topo daquele primeiro tabuleiro, parte dos muros do tabuleiro sul e o respetivo movimento de terras. Estavam construídos os alicerces da capela e de todo o perímetro do cemitério, e ainda outras obras de menor custo por todos os tabuleiros e alameda contígua. A estrada ficou aberta ao transito em toda a sua extensão, desde o largo da Fonte Nova, por Montarroio, cerca da Graça, até ao cemitério.

Nestas alturas uma grande trovoada, em Dezembro de 1856, fez desabar uma parte da muralha norte; e arruinou quase todo o paredão do segundo tabuleiro.

Coincidiu este facto com desinteligências que, pouco antes, se tinham levantado entre a câmara e o governador civil ... e daí por diante as influências políticas ... procuravam por todos os meios o descrédito de tudo o que se tinha feito em favor do cemitério.

Pretendeu-se que a fosse a câmara responsável por todos os prejuízos causados por aquele desabamento.

... Malogrado este meio de agressão à câmara, recorreu-se ao descrédito do plano do cemitério ... o presidente da nova câmara propôs que se abandonasse o cemitério em construção, e que se adotasse novo plano em novo local.

Contra o cemitério em construção alegou-se: 1.º que era absurdamente grande e mal colocado; 2.º que ficaria excessivamente caro.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 112-113, 119-122

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por Rodrigues Costa às 14:18

Terça-feira, 22.12.15

Coimbra. Os órgãos mais relevantes existentes na Cidade

O órgão surge associado a festas e manifestações de caracter profano durante o período greco-romano.

No entanto, na Baixa Idade Média começa a assumir um papel fundamental nas cerimónias religiosas, sendo autorizada a sua utilização pelo Papa Vitalino, eleito em 657.

A produção destes instrumentos musicais alcança a sua máxima expressão durante o século XVII, época em que também surge a talha dourada e policromada indispensável à exuberância e teatralidade das cerimónias religiosas.

Os órgãos mais relevantes existentes em Coimbra são a seguir enumerados.

Igreja de Santa Cruz
Órgão do século XVIII, executado por D. Manoel Benito Gomez Gerrera, com reaproveitamento de elementos decorativos de um outro exemplar mais antigo, da autoria do entalhador Francisco Lorete.

 

Misericórdia
Órgão do século XVIII, de autor desconhecido, projetado para as antigas instalações da Misericórdia, alvo de grandes restauros, o último dos quais em 2001, pelo mestre organeiro George Jann.

 

Sé Nova
Órgãos do século XVIII, de autor desconhecido, onde desponta já o gosto neoclássico apesar de apresentar ainda bastantes elementos da linguagem artística anterior.

 

Capela de S. Miguel
Órgão do século XVIII, executado pelo organeiro Frei Manuel de S. Bento, destinado ao ensino da música na Universidade e também às várias celebrações religiosas e académicas.

 

Seminário Maior
Órgão do século XVIII, executado pelo organeiro Frei Manuel de S. Bento …

 

Neves, P. Sem data. Órgãos. Roteiros de Coimbra. Coimbra, Turismo de Coimbra, E.M.

 

 

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por Rodrigues Costa às 12:44

Domingo, 19.07.15

Coimbra, transferências da Sé e da Misericórdia e instalação da Imprensa da Universidade e de O Instituto

Transferência da Sé Episcopal para a Sé Nova

… o rei, através de uma carta assinada em Mafra a 11 de Outubro (de 1772) … fizesse “applicação da sumptuoza Igreja (atual Sé Nova) e de tudo o mais necessário que necessário fosse em benefício da Sé Catedral, que para ella deve ser transferida”.

Transferência da Misericórdia para a Sé Velha e instalação da Imprensa da Universidade e do Instituto

… o Marquês de Pombal, por Provisão de 15 de Outubro de 1772, concedeu ao provedor e irmãos da confraria da Misericórdia de Coimbra, até aí instalados na igreja de S. Tiago, o edifício da Sé Velha e destinou o claustro para nele ser montada, depois das necessárias adaptações, a Imprensa da Universidade.

A Universidade comprou, para o efeito, várias casas nas ruas da Ilha e do Norte, tendo construído, com desenho de Elsden, o edifício onde funcionou O Instituto.

Anacleto, R., 2009. Universidade de Coimbra: Primeiras Propostas Arquitetónicas da Reforma Pombalina. Separata das  Actas do do IV Congresso Histórico de Guimarães. Do Absolutismo ao Liberalismo, pg. 15 e 31

 

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por Rodrigues Costa às 23:27

Domingo, 12.07.15

Coimbra, transferências da Sé e da Misericórdia e instalação da Imprensa da Universidade e de O Instituto

Transferência da Sé Episcopal para a Sé Nova

… o rei, através de uma carta assinada em Mafra a 11 de Outubro (de 1772) … fizesse “applicação da sumptuoza Igreja (atual Sé Nova) e de tudo o mais necessário que necessário fosse em benefício da Sé Catedral, que para ella deve ser transferida”.

Transferência da Misericórdia para a Sé Velha e instalação da Imprensa da Universidade e do Instituto

… o Marquês de Pombal, por Provisão de 15 de Outubro de 1772, concedeu ao provedor e irmãos da confraria da Misericórdia de Coimbra, até aí instalados na igreja de S. Tiago, o edifício da Sé Velha e destinou o claustro para nele ser montada, depois das necessárias adaptações, a Imprensa da Universidade.

A Universidade comprou, para o efeito, várias casas nas ruas da Ilha e do Norte, tendo construído, com desenho de Elsden, o edifício onde funcionou O Instituto.

Anacleto, R., 2009. Universidade de Coimbra: Primeiras Propostas Arquitetónicas da Reforma Pombalina. Separata das  Actas do do IV Congresso Histórico de Guimarães. Do Absolutismo ao Liberalismo, pg. 15 e 31

 

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por Rodrigues Costa às 23:55


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