Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 17.08.17

Coimbra: Cidade ECHO?

Assisti pela segunda vez, no passado domingo dia 4 de Junho, a um concerto dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

 Tive, agora, ocasião para tomar conhecimento da existência da ECHO (Europae Civitates Historicorum Organorum) que foi fundada em 1997 e tem como objetivo desempenhar um papel unificador em projetos a nível europeu das cidades com órgãos de valor histórico e de origem europeia.

 Integram esta rede Alkmaar (Holanda), Bruxelas (Bélgica), Freiberg (Alemanha), Fribourg (suíça), Innsbruck (Áustria), Mafra (Portugal). Toulouse (França), Treviso (Itália) e Trondheim (Noruega).

Universidade. Capela órgão 1.jpgÓrgão da Capela da Universidade

  Rede a que Coimbra por direito próprio podia e devia pertencer, porque:

 - Dispõe de quatro grandes órgãos históricos – Igreja de Santa Cruz, Universidade, Sé Nova e Seminário de Coimbra. Todos operacionais e alguns recentemente recuperados. Acresce mais um órgão, o do Colégio da Sapiência ou Colégio Novo cujo estado desconheço, mas que foi objeto de recuperação no início da segunda metade do século passado;

 - Existem ainda nos Concelhos limítrofes outros dois órgãos recentemente recuperados e de valor inestimável: o do Mosteiro do Lorvão (Penacova); e o do Convento de Semide (Miranda do Corvo);

 

Mosteiro de Lorvão. órgão.jpgÓrgão do Convento de Lorvão

 - Teve Coimbra duas escolas de música de referência do nosso País, com produção organística própria: a do Mosteiro de Santa Cruz; e a da Universidade.

Igreja de Santa Cruz. Orgão 2.jpgÓrgão da Igreja de Santa Cruz

  De tudo o que atrás refiro o seguinte conjunto de perguntas:

- Quantas cidades e regiões do Mundo se podem orgulhar de um património cultural desta dimensão?

 - Depois dos vultuosos investimentos feitos e sendo condição necessária para a boa manutenção destes instrumentos o seu uso regular, o que se tem feito para que a mesma aconteça?

 - Não seria muito importante a existência de um organista residente que assegure aquele uso regular e que divulgue a música por aqui composta?

 - Este não seria um elemento muito importante não só para a vida cultural de Coimbra e da Região onde se insere, bem como para o desenvolvimento do turismo cultural que todos defendem?

 - Não é possível a conjugação de vontades entre os Municípios de Coimbra, de Penacova, de Miranda do Corvo, da Diocese, da Universidade, da Direção Regional de Cultura do Centro e da Região de Turismo Centro de Portugal, tendo em vista a potenciação do património organístico aqui existente?

 Eu tenho as minhas respostas. Acho que todos devem ter as suas. Em especial os candidatos na pugna eleitoral que está em curso.

 Rodrigues Costa

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:47

Segunda-feira, 05.06.17

Petição à Câmara Municipal de Coimbra sobre o Cemitério da Conchada 2

Como divulgamos no passado dia 1, a petição referida em epígrafe foi nesse dia enviada à consideração das Entidades diretamente envolvidas.

 Informamos que:

 - No passado dia 2, recebemos do Senhor Vereador Dr. Carlos Cidade, responsável pela área dos cemitérios, um email a informar que era do seu conhecimento estar em curso o processo de classificação do cemitério da Conchada.

 

Evaristo Lopes Guimarães.jpg

 Jazigo de Evaristo Lopes Guimarães

 

- Hoje recebemos da Direção Regional da Cultura do Centro um email do seguinte teor:

 Relativamente ao assunto em epígrafe, informa-se V. Exª.s que, efetivamente, o conjunto do Cemitério da Conchada, de acordo com a área delimitada em planta, se encontra em vias de classificação por despacho de 2015.03.16 do Exº. Senhor então Diretor-Geral do Património Cultural, conforme publicação em Diário da República (Anúncio nº. 70/2015, publicado em DR, 2ª. série, nº. 78, de 22 de abril de 2015).

Desta forma, e atendendo ao valor patrimonial do referido conjunto, ao ser determinada a abertura do procedimento de eventual classificação pela DGPC, foi considerado que o processo em questão deveria prosseguir no sentido de uma eventual classificação de valor nacional (conjunto de interesse nacional/monumento nacional – MN, ou conjunto de interesse público - CIP).

O processo encontra-se em fase final da instrução processual, nomeadamente para definição das restrições estipuladas no artigo 54º do Decreto-Lei nº. 309/2009, de 23 de outubro, e para a eventual ponderação da fixação de uma zona especial de proteção (ZEP), caso seja considerada indispensável para assegurar o enquadramento arquitetónico, paisagístico, a integração urbana e as perspetivas de contemplação. 

Ao dispor para eventuais esclarecimentos, com os melhores cumprimentos

 

Congratulamo-nos com o facto de o processo de classificação estar em curso e desejamos que o mesmo seja rapidamente concluído.

Os Promotores

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 22:29

Segunda-feira, 29.05.17

Coimbra: Manutenção Militar, reintegração no património municipal

 A comunicação social, noticiou, que o edifício onde estivera instalada a Manutenção Militar, sito na Avenida Sá da Bandeira, fora reintegrado no património da Câmara Municipal de Coimbra. Esse sucedimento ficou a dever-se, numa primeira conjuntura, ao facto de, na escritura assinada no ano de 1899 entre a edilidade aeminiense e o então Ministério da Guerra figurar uma cláusula que previa a reversão do imóvel para a posse da autarquia, no caso de o “antigo matadouro e respectivos terrenos contíguos” deixarem de ser utilizados para fins militares.

Manutenção. Anais. 1920-1939.TIF

Edificio primitivo da Manutenção Militar

 Na sequência da extinção das ordens religiosas acontecida em 1834, a Câmara de Coimbra tomou posse, em 15 de dezembro de 1836, dos edifícios, e não só, do extinto mosteiro de Santa Cruz que lhe haviam sido cedidos pelo Estado; contudo, devido a dúvidas e a abusos de diversa índole ... o governo fez publicar, a 30 de julho de 1839, uma carta de lei destinada a esclarecer que tinham sido concedidos ao município os edifícios do extinto mosteiro de Santa Cruz, com exclusão da igreja e suas dependências, o pequeno laranjal, a horta e a encosta que ficam contíguas aos mencionados edifícios e terminavam na estrada pública situada na zona da Fonte Nova.

 

Para além da rua que ligava a estrada de Montarroio à horta fradesca, mas ainda no âmbito dos terrenos pertencentes à Câmara, erguia-se o matadouro dos crúzios que, posteriormente, passou a funcionar como municipal. Esse terreno pertencia à edilidade que, após a retirada do matadouro cedeu, por escritura, o terreno, a fim de aí se ergueu o edifício da Manutenção Militar; o imóvel, ao longo dos anos, foi-se ampliando.

Manutenção Militar 1.jpgManutenção Militar, ainda se vislumbrando a antiga Viela do Hospício que

durante séculos serviu de saída da Cidade para Norte

 

Pretende, agora, a Câmara Municipal instalar no imóvel, para além de outras valências, os diversos núcleos do Arquivo Municipal que, ao presente, se encontram dispersos. Para além de dar vida a um imóvel que se encontrava inerte em pleno centro histórico vai facilitar o conhecimento e o estudo de um acervo muito valioso capaz de contribuir para o aprofundar do conhecimento histórico da nossa cidade.

Anacleto, R. In: Diário de Coimbra, 29563, Coimbra, 2017.05.26

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 22:16

Quarta-feira, 24.05.17

Hospital de S. Lázaro ou a história de uma demolição recente

Quando em 2005 integrei uma lista concorrente à Câmara Municipal de Coimbra uma das questões abordadas no decurso dessa campanha eleitoral foi a recuperação do que, então, restava no Hospital de S. Lázaro e que se pode observar na seguinte figura:          

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIF

 Hospital dos Lázaros, Fora de Portas

Das grandes promessas eleitorais então feitas nada resultou. O muito que ainda lá restava e que se podia ter recuperado... já foi demolido para alargar o parque de estacionamento de uma repartição pública. Sem comentários!!

No decurso do trabalho de investigação que venho realizando sobre a história da Herdade de Enxofães que foi comprada pelo Hospital de S. Lázaro em Fevereiro de 1212, encontrei no Arquivo da Universidade de Coimbra uma planta – que julgo inédita – das referidas instalações:

Hospital dos Lázaros.JPG

 Planta do Hospital de S. Lázaro existente no AUC

A planta está datada de 1852.09.11 e foi elaborada quando, após o Hospital de S. Lázaro ter passado a integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, se equacionou levar a cabo uma necessária reforma das referidas instalações.

Reforma que acabou por não se realizar tendo o hospital passado a funcionar, posteriormente, na alta da Cidade, no antigo Colégio dos Militares.

O documento, cujo interesse julgamos evidente, tem a seguinte legenda:

Planta das instalações do hospital de S. Lázaro com os seguintes dizeres:

Mapa do Hospital dos Lazaros em exbosso: per Coito fes

A cor preta he o lucal donde sequer fazer as duas emfermarias pª doenças agudas, o qual necessita de solho escada portas e janelas feitas de novo, e algumas traves.

A cor amarela reprezenta casas q tem o madeiramento cahido

A cor emcarnada são as cazas q servem actualm.te.

À margem está a seguinte nota manuscrita:

Pela medição feita em 11 de Setembro de 1852 contem o Edificio, quintal e insua os palmos designados em cada linha, comprehendendo, feita a medição pela parte onde se acham os numeros, em toda a circunferencia – 1470 palmos – incluindo o angulo de 16 palmos da parte da estrada reconhecendo q o desenho se acha errado.

Coimbra 14 de Setembro de 1852

O Admd.or do  Concl.º

Antonio dos Santos Pereira Jardim

Hospital dos Lázaros portal.TIF

Fica para memória do que nunca devia ter sido destruído no século XXI: uma construção que vinha do século XIII, que foi restaurada no século XVI e que podia e devia, hoje, constituir mais um marco visível da história da Cidade.

Rodrigues Costa

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:45

Sexta-feira, 19.05.17

Coimbra. A Fonte do Gato e a Capela de S. Romão

Partindo do largo fronteiro à Igreja de Santo António dos Olivais vai-se pela Calçada do Gato – uma das mais íngremes de Coimbra – em direção ao lugar de S. Romão de onde se pode escolher ou ir para a circular externa ou ir na direção de S. Paulo de Frades.

A Fonte do Gato encontra-se na Calçada do Gato, a meio caminho... Construída em 1771, a fonte tem uma só bica sobre um pequeno tanque de forma oval, muito deteriorado, e a sua água tem a nascente numa quinta próxima.

No frontispício, as armas da cidade são rematadas, na parte inferior, pelo vulto de um gato. A pedra que contém este vulto está muito desgastada pela ação do tempo, ou destruída pela mão de «vândalos», e o vulto mal se distingue ... foi remodelada no século XIX, nas a inscrição primitiva (ANNO 1771) não foi alterada.

fonte do gato 2.JPG

 Fonte do Gato, na atualidade

 Lemos, J.M.O. 2004. Fontes e Chafarizes de Coimbra. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 55.

 

Continuando a descida, ao chegar ao vale deparamo-nos com a capela se S. Romão.

 

Capela de S. Romão 1.JPG

 Capela de S. Romão, na atualidade

Perto de Santo António dos Olivais, ao fundo da Calçada do Gato, fazendo parte duma quinta que foi dos marqueses de Pomares, está encostada e anexa à incaracterística casa da quinta. Pertence ao séc. XVIII.

É circular e pequena. A porta tem um aspeto simples e termina em frontão triangular, ficando-lhe acima um óculo, em oval, deitado. O teto é de estuque, com singelas molduras. O arco (de tijolo) em que se abriga o simulacro de altar tem todo a aparência de arco de entrada de capela-mor, a qual já se devia encontrar dentro da casa.

A escultura do padroeiro é obra popular; mostra na direita uma palma e um cutelo e tem aos pés um elmo.

Está em começo de ruína.

A escultura do padroeiro é obra popular; mostra na direita uma palma e um cutelo e tem aos pés um elmo.

Está em começo de ruina.

Gonçalves, A.N., Correia, V. 1947. Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra. Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, p. 194-195

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:44

Terça-feira, 16.02.16

O passado e o presente da Canção de Coimbra como Oferta Turística, 6.ª feira 18h00

 

Ciclo de conversas: Canção de Coimbra – Cultores e Repertórios
No âmbito da animação do Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra do Museu Municipal, instalado na Torre de Anto, promovida pela Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra

Primeira sessão: 19 de Fevereiro de 2016, 6.ª feira, pelas 18h00, na Torre de Anto

Tema: O passado e o presente da Canção de Coimbra como Oferta Turística
A decorrer em dois tempos: o primeiro em que será abordada, de uma forma necessariamente muito simples o que se julga ser a informação teórica mínima para uma discussão adequada do tema; um segundo tempo, o de debate, em que se procurarão alcançar algumas conclusões.

Responsável pela reflexão e animação do debate: Rodrigues Costa
Nascido na Alta de Coimbra, liderou a equipa que organizou e realizou os primeiros Seminários de Fado. Professor jubilado do ensino superior, na área do turismo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:38


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2020

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31