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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 22.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 7 de junho, às 18h00

 

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 6.jpgCasa da escrita
(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Estatutos da Igreja do Salvador a.jpg

Juizo da Paz da Sé Nova.jpg

Juízo da Paz da Sé Nova

Palestrante: Ana Maria Bandeira

Ana Maria 01.jpgTécnica superior no Arquivo da Universidade de Coimbra, desde 1983.

Tem desenvolvido trabalhos no âmbito do tratamento arquivístico dos seguintes fundos documentais: Universidade de Coimbra, Colégios da Companhia de Jesus, Mitra Episcopal de Coimbra, Julgados de Paz de Coimbra, Conservatória Britânica de Coimbra, Hospital Real de Coimbra, Hospital de São Lázaro, etc.
Tem tido a seu cargo a elaboração de exposições temáticas e respetivos catálogos publicados pela instituição.
Coordenadora, entre 1991 e 1994, do Inventário do Património Cultural Móvel: Bens Arquivísticos promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (para o distrito de Coimbra).
Dedica-se ainda à pesquisa na área da história do fabrico do papel.
Autora de uma extensa lista de publicações.

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

 

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por Rodrigues Costa às 09:45

Terça-feira, 21.05.19

Coimbra: Mitra Episcopal 1

A Mitra Episcopal de Coimbra representa essencialmente o conjunto de bens patrimoniais que estavam destinados ao sustento e provisão do bispo de Coimbra.
A diocese de Coimbra teve sede, primitivamente, em Conímbriga, no período de romanização da Península Ibérica, depois em Emínio (Aeminium), durante o domínio dos Suevos, tendo sido nestes períodos sufragânea de Mérida e depois de Braga, e por fim ficou sedeada na cidade de Coimbra, enquanto diocese isenta.
Os limites geográficos do bispado ficaram definidos em 1253, pela bula Provisionis nostrae de Inocêncio IV, de 12 de Setembro, tendo sido retirados a Coimbra os territórios entre o rio Douro e Antuã que foram anexados ao bispado do Porto.

Inocêncio IV 03.jpg

Inocêncio IV

A área geográfica do bispado de Coimbra sofreu alterações com a criação do bispado de Leiria, pela bula Pro excellenti apostolicae sedis de Paulo III, de 22 de Maio de 1545, no reinado de D. João III, que ditou a saída de seis paróquias (Caranguejeira, Colmeias, Espite, S. Simão de Litém, Souto da Carpalhosa e Vermoil) da diocese de Coimbra que passaram a pertencer ao novo bispado.

Paulo III 01.jpg

Paulo III

Idêntica situação ocorreu aquando da criação da diocese de Aveiro, desmembrando localidades diversas do bispado de Coimbra, por breve de Clemente XIV de 12 de Abril de 1774.

Clemente XIV 01.jpg

Clemente XIV

Com a nova circunscrição diocesana ditada pela bula Gravissimum Christi de 30 de Setembro de 1881, na diocese de Coimbra foi integrada parte dos bispados de Leiria e Aveiro, que só voltaram a ser restaurados pelo papa Bento XV em 1918 (Leiria) e 1938 (Aveiro).

As doações patrimoniais à Sé de Coimbra são anteriores à fundação da nacionalidade. A necessidade de sustentação dos bispos, cónegos e mais prelados esteve na origem de várias doações, nomeadamente, a importante doação do Mosteiro da Vacariça, em 1094, por D. Raimundo e D. Urraca, e do mosteiro do Lorvão, em 1109, que apenas por sete anos esteve na posse da Mitra.

Raimundo de Borgonha 01.jpg

D. Raimundo

No entanto, as propriedades de Santa Comba Dão, Couto do Mosteiro, Midões, Vila Cova e parte da Pedrulha, que eram do dito mosteiro do Lorvão, mantiveram-se na sua posse.
Em 1082, o conde D. Henrique e D. Teresa doam à Sé de Coimbra os castelos de Coja e Arganil, altura em que os bispos de Coimbra passam a designar-se Senhores de Coja.


D. Henrique e D. Teresa. Iluminura da Genealogia d

D. Henrique e D. Teresa

A partir do reinado de D. Afonso V, o bispo de Coimbra passa a acumular o título de conde de Arganil, na sequência do reconhecimento da participação do bispo D. João Galvão nas campanhas do Norte de África (conquista de Tânger e Arzila), em 1471… concedeu também a este prelado, por provisão régia de 18 de Agosto de 1472, a vedoria mor das obras e alcaidaria-mor das comarcas da Beira e Ribacôa, razão pela qual se intitulava alcaide-mor de Avô.

Bandeira, A.M.L., Silva, A.M.D., Mendes, M.L.G. 2007. Mitra Episcopal de Coimbra: descrição arquivística e inventário do fundo documental. Acedido em 2019.04.29, em
https://www.uc.pt/auc/fundos/ficheiros/DIO_MitraEpiscopalCoimbra 

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por Rodrigues Costa às 09:02

Quinta-feira, 16.05.19

Coimbra: Hospital Real 2

Quem, hoje, passar em Coimbra, pela Praça do Comércio, não vislumbra nada que denote o edifício do hospital.
Poucos saberão que o espaço que acolhe uma típica loja de comércio oriental revela, ainda, no seu interior, arcadas e colunas manuelinas.

Hospital real de Coimbra 02.jpg

Hospital Real de Coimbra, pormenor da abóbada da entrada na capela

Mas, pouco adiante, podem ver-se pedras que falam…

Reprodução fotográfica das iniciais HRC,.JPG

Reprodução fotográfica das iniciais HRC, a seguir às quais foi colocada, posteriormente, a identificação do sequente proprietário - V.DE – a Universidade de Coimbra, herdeira dos bens do Hospital, após a sua extinção, em 1772. (Foto gentilmente cedida pelo Prof. Doutor Henrique Carmona da Mota).

Sobre o umbral da porta de uma casa, na rua Direita da baixa coimbrã, que na verga tem o número 73, está [estava] o registo epigráfico com a sigla HRC, formada pelas iniciais do nome da instituição, com as quais se identificava a posse de seus bens, sendo usadas também nos marcos de demarcação de propriedades rústicas.

Sinete do Hospital Real de Coimbra.JPG

O sinete da instituição apresentava também as armas reais. Atente-se na marca do sinete
que se encontra aposto na capa do livro de entrada e saída de doentes
(1711-1713) (PT/AUC/HOSP/HRC/17/003).

O Hospital era administrado de acordo com o seu Regimento, sendo gerido por um provedor e um almoxarife, fazendo, ainda, parte do seu número de funcionários o recebedor dos enfermos, o hospitaleiro, o escrivão, o porteiro, o capelão, o solicitador, etc.
Dentro das suas instalações os espaços dividiam-se por duas enfermarias (de homens e de mulheres), capela, casa do despacho, hospedaria, refeitório, despensa, adega e cozinha, tendo recebido, inicialmente, apenas 17 doentes.
A botica hospitalar não existiu, logo, desde o início da sua fundação, sendo feito contrato com boticários da cidade para fornecimento do que fosse necessário. No entanto, pelo Alvará de 24 de junho de 1548, pelo qual se ordena ao físico que dê, da botica, todas as mezinhas necessárias para a cura dos colegiais da Ordem de São Jerónimo, fica-se a saber que ela existe a partir dessa data, pelo menos.
Havia, ainda, casas de hospedaria, para receber “pessoas de bem” que estivessem de passagem, assim religiosos, como “mulheres honradas” e alguns estrangeiros que de caminho passavam pela cidade.
Um outro espaço existente era o designado “hospital dos andantes” ou “casa dos pedintes andantes” destinado a acolher os peregrinos passantes pela cidade ou pessoas indigentes que não tinham onde se albergar.
Os pedintes andantes poderiam ali ficar um dia e uma noite, existindo para seu conforto, de acordo com inventários de 1523 e 1659, mantas velhas “com que se cobriam os andantes”, um candeeiro e candeias de azeite, uma caldeirinha de barro para água. As instruções dadas em Almeirim, em 4 de maio de 1508, referem já a existência da “casa dos andantes”, com leitos para os andantes pobres, tendo cada leito o seu enxergão de palha, um almadraque de lã, um cabeçal de lã, cabeceira e dois cobertores de burel. Também o mobiliário das enfermarias era muito simples e, de acordo com o Regimento, de 22 de outubro de 1508, cada cama tinha: um enxergão, um almadraque, um colchão, um par de lençóis, um cabeçal e uma manta ou um cobertor.
Informação adicional.

Nota
Deslocamo-nos ao local e fotografamos o espaço. Assinalando que alguns dos capiteis foram mutilados, deixo à consideração dos leitores as imagens que então recolhi.

IMG_8383.JPGHospital Real. Vista exterior na atualidade

IMG_8376.JPGHospital Real. Loja chinesa 1

IMG_8379.JPGHospital Real. Loja chinesa 2

IMG_0735.JPG

Hospital Real. Loja fechada

Bandeira, A.M.L. O Hospital Real de Coimbra: acervo documental de uma instituição assistencial (1504-1772). In: Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Volume XXVIII. 2015. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2019.01.29 em
https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/37775/1/O%20Hospital%20Real%20de%20Coimbra.pdf

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:39

Terça-feira, 14.05.19

Coimbra: Hospital Real 1

«… E vendo quão necessária coisa era, em a dita cidade, haver um bom hospital, segundo o requer a nobreza dela e a grande passagem que por ela fazem as gentes de todas as partes e, muito principalmente, nos tempos do Jubileu de Santiago e como os pobres e miseráveis não acham na dita cidade, nos hospitais que nela havia tal recolhimento…».
Através destas palavras, ficamos a conhecer a origem do Hospital Real de Coimbra, instituição assistencial hoje quase ignorada na cidade, mas que foi o porto de abrigo de tantos peregrinos, pobres e doentes. A sua fundação surge integrada num processo de revitalização da assistência médica, levada a cabo por D. Manuel.

Manuel_I1.jpg

D. Manuel I

Atendendo à dispersão de pequenas unidades hospitalares que funcionavam, mais como asilos para pobres, do que para assistência aos doentes, o rei entendeu por bem fazer a sua reunião e anexação em um só hospital.
Foi, isso mesmo, que se passou também em Lisboa, com a extinção de dezenas de albergarias e a sua anexação ao Hospital de Todos os Santos que recebeu Regimento em 1504, apesar de as medidas de unificação já terem sido encetadas por D. João II. Em Coimbra, foi também em 1504 que se iniciou a construção do novo Hospital, tendo-lhe sido anexados, em 1508, os antigos hospitais e albergarias da cidade. Por sua vez, em Évora, a reunificação de doze pequenos hospitais ocorreu em 1515.

Hospital Real de Coimbra. Foto mais antiga.JPG

Hospital Real de Coimbra

O ritmo de vida da instituição era marcado pelo som da sua campa, que era tangida para dar início à visitação dos professores da Faculdade de Medicina (das cadeiras de Prima, Tertia e Avicena) e seus alunos, logo pelas seis horas e meia da manhã (no verão) e pelas sete horas e meia (no inverno).
Enquanto a Universidade não teve o seu próprio hospital, o que só viria a acontecer depois da Reforma Pombalina, em 1772, a prática médica era exercida no hospital da cidade.
A visita diária aos doentes, nas enfermarias, demorava três quartos de hora, sendo obrigatória para todos os alunos da Faculdade de Medicina. Tinha lugar na presença do administrador do hospital e de seus enfermeiros, decorrendo desta visita a observação dos doentes, aos quais os médicos prescreviam as receitas necessárias, que eram escritas pelos enfermeiros, em tábuas engessadas de branco.
Depois desta primeira visita, seguia-se uma outra, numa sala à parte das enfermarias, para receber todos os enfermos da cidade que ali acudissem, em busca de lenitivo para os seus males. Se se verificasse que havia necessidade de internamento de algum destes doentes pobres, o professor determinaria esse internamento, mas se houvesse oposição do médico da instituição “o lente se conformará sempre com o regimento do próprio hospital”.

Desenho inserido no Regimento manuelino.JPG

Desenho inserido no Regimento manuelino do Hospital Real de Coimbra (1508),
apresentando as armas reais, testemunhando a fundação régia da instituição. (PT/AUC/HOSP/HRC/02/001).

Data de 1704, o livro mais antigo de registo de entrada de doentes que hoje existe. Estes livros são testemunhos da maior relevância para o conhecimento de quem eram estes doentes e de onde vinham. Seguramente, terão existido para datas muito anteriores, sendo de lamentar que não tenham sobrevivido.
Os professores visitavam ainda, diariamente, os designados doentes de cirurgia, observando todos “os feridos e chagados” e dependia também da opinião dos professores a manutenção do boticário e do sangrador do Hospital, se estes não cumprissem as suas obrigações. O mesmo se diga quanto aos boticários da cidade que forneciam “as mezinhas” necessárias ao curativo dos doentes.
Assim se revela a estreita relação entre o Hospital Real de Coimbra e a Universidade, unindo-se na assistência e na boa formação dos futuros médicos.

Livro de receituário médico.jpg

Folha de rosto do Livro de receituário médico (cirurgia) de 1622 (PT/AUC/HOSP/HRC/13/133)

… Foi neste hospital que se iniciou, em Coimbra, a prática da anatomia, em casa apropriada para esse fim, assistindo os alunos da Faculdade de Medicina a duas “anatomias universais”, anualmente, de acordo com o que ficou estabelecido em Estatutos da Universidade, de 1559. Alonso Rodrigues de Guevara foi o primeiro professor de Anatomia, na Universidade de Coimbra, a partir de 1556, tendo sido convidado por D. João III. Pouco tempo residiu em Coimbra, tendo-se ausentando, por descontentamento, segundo se tem afirmado, por ainda não serem permitidas as anatomias em corpos humanos, o que de facto só mais tarde veio a acontecer.

Bandeira, A.M.L. O Hospital Real de Coimbra: acervo documental de uma instituição assistencial (1504-1772). In: Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Volume XXVIII. 2015. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2019.01.29 em
https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/37775/1/O%20Hospital%20Real%20de%20Coimbra.pdf 

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por Rodrigues Costa às 10:55

Quinta-feira, 09.05.19

Coimbra: Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra 2

Entretanto, o Reitor, D. Francisco de Lemos (1735-1822), consciente do tempo que levaria a pôr de pé tal equipamento mandou construir para uso das aulas um pequeno observatório interino (de caracter provisório) no terreiro do Paço das Escolas.… A solução para o definitivo Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) passava por fixar a sua localização no topo Sul do Paço das Escolas.
…. No espaço de quatro anos (17881792) são conhecidos quatro projectos arquitectónicos (três deles em menos de meio ano): uma primeira versão em 1788; uma segunda versão em Setembro de 1790; uma terceira em Novembro de 1790; e uma quarta versão em Fevereiro de 1791 e Setembro de 1792 (que corresponde à versão construída).
… A forma final do edifício – o projecto final do OAUC é aprovado pela Junta da Universidade em 5-2-1791, estando em 1799 concluído o edifício – será constituída por um corpo horizontal com um piso e cobertura plana, e uma torre com três pisos definida a partir do vão central, também com cobertura plana.

Planta do Observatório Astronómico que a Univers

Planta do Observatório Astronómico que a Universidade mandou fazer dentro no seu pátio no anno de 1791. [BGUC Ms. 3377-44]

Prospecto ou vista do pátio a Universidade.jpg

Prospecto ou vista do pátio a Universidade. [BGUC Ms. 3377-44]

Prospecto ou fasia da rua da Trindade.jpg

Prospecto ou fasia da rua da Trindade e Expecato emtrior por A B. [BGUC Ms. 3377-45

Este edifício é um bom exemplo do desfasamento entre as ambições iniciais da Reforma Pombalina e a nova realidade. Pensado no seu início como um edifício destacado de todos os estabelecimentos científicos, o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra acabava no mais modesto de todos eles. Abdicava-se da carga simbólica e da função urbana iniciais e concentrava-se a atenção na criação de um estabelecimento astronómico [Martins & Figueiredo 2008].

Figueiredo, F.B. 2013. O Observatório astronómico (1772-1837). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2018.10.28, em http://hdl.handle.net/10316.2/38513. 

 

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por Rodrigues Costa às 10:14

Quarta-feira, 08.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 10 de maio, às 18h00. Fortificação de Coimbra com Isabel Anjinho

Casa da Escrita: Conversas abertas,
6.ª feira, 10 de maio, às 18h00
Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra. Proposta.jpg

Palestrante: Isabel Anjinho

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Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Local: Casa da Escrita

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 5.jpg

(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 11.jpg

Casa da Escrita. Teto

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 07.06.2019
Palestrante: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade
Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 09:56

Terça-feira, 07.05.19

Coimbra: Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra 1

A ideia de criar um Observatório Astronómico surge desde logo nos Estatutos Pombalinos (1772) a propósito da Faculdade de Mathematica e da respectiva cadeira de Astronomia (4.º ano). A sua criação tinha dois objectivos distintos, a leccionação e o desenvolvimento da ciência astronómica. Os Estatutos Pombalinos encaravam a ciência como a força motriz para uma mudança de mentalidades essencial à modernização do país e a astronomia desempenhava um papel fundamental pelas “consequências tão importantes ao adiantamento geral dos conhecimentos humanos, e à perfeição particular da Geografia, e da Navegação”. Por isso o Observatório Astronómico era representativo desse modo de ver a ciência, constituindo simultaneamente um meio para o seu desenvolvimento.
… Hoje, a maior parte dos muitos visitantes que franqueiam a Porta Férrea da Universidade e olham, ao entrar no Pátio das Escolas, à sua esquerda e se aproximam do varandim para desfrutar a imensa vista sobre a baixa da cidade e do rio Mondego, não faz ideia que aí era durante muitos anos (quase 150) o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) – um edifício de configuração rectangular, “constituído por três corpos contíguos em que o central é três vezes mais alto do que os laterais.” [Bandeira 1943-1947, p.129] –, e que foi demolido aquando das obras de requalificação da Universidade de Coimbra nos anos 50 do século XX.

Observatório Astronómico.jpg

Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra

Porém, este edifício não foi aquele que a Reforma Pombalina previu edificar. O sítio que se determinou primeiramente para a construção do Observatório foi o Castelo da cidade [Lemos 1777, p.260], que se situava na vertente da Alta de Coimbra oposta ao Paço das Escolas, onde hoje é o Largo D. Dinis (no cimo das Escadas Monumentais).
… O Castelo era constituído por duas torres: a de menagem quadrada, de construção afonsina, a que se chamava Torre Nova; e uma segunda, de configuração pentagonal que embora fosse de construção mais recente, pois havia sido erguida nos tempos de D. Sancho I, era designada por Torre Velha [Lobo 1999, p.4].

Planta do Castelo. Elsden, 1773.jpg

Planta do Castelo e Casas a ele contíguas em a Universidade de Coimbra (Elsden, 1773). [BGUC, Ms.3377/41]

Alçado do Observatório do Castelo.jpg

Alçado do Observatório do Castelo (Elsden, c.1773). [MNMC, Inv. 2945/DA 23]

Em 1775 (a partir do mês de Setembro) quando estava realizado o essencial do piso térreo, com o edifício erguido até ao 1.º piso, “a uma altura não inferior a 8 metros”, as obras param. O elevado custo dos trabalhos atingido em cerca de dois anos e meio, e quando estava ainda por realizar parte significativa da obra, é a principal causa para a interrupção de tão ambicioso projecto.

Figueiredo, F.B. 2013. O Observatório astronómico (1772-1837). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2018.10.28, em http://hdl.handle.net/10316.2/38513 

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por Rodrigues Costa às 09:44

Quinta-feira, 02.05.19

Coimbra: História de uma arca de pedra

Uma explicação breve, mas necessária. Escolhemos este texto pelo seu fino recorte literário, mas também por tratar um tema muito pouco conhecido.
Ao ser lido deve ter-se em consideração que quer o Museu Machado de Castro, quer o Convento de Santa Clara-a-Nova, atualmente não apresentam a configuração que o Autor descreve.

Há no Museu Machado de Castro uma sala em que ando sempre receosos, de vagar, o ouvido à escuta, como nos palácios maravilhosos dos meus contos de menino, comovido sem saber porquê, sempre à espera de ver começar a história de uma empresa grande.
Tudo ali tem para mim o ar de qualquer coisa que talvez tenha sonhado, confuso, misterioso, como o reflexo de um espelho mágico.
Nunca vi, senão uma vez, na primeira rosa de Alexandria que me mostraram, vermelho como o do tapete persa que ali se encostam as velhas esculturas de madeira que o tempo roeu, dando-lhe a leveza das rendas e da espuma, e do nevoeiro frio e dourado em que se embrulha às vezes o sol para morrer com ele.
Aquele tapete enche o ar de perfuma das rosas, que se não vêm, e cuja respiração cansada parece ter parado ali num espasmo de amor, como os reflexos de outo e púrpura do sol poente que a água fria dos lagos prende no brilho triunfante de um esmalte.
De fundo a um calvário de madeira, há ali um tapete de Arraiolos, precioso como um complicado esmalte verde sobre ouro, pálido como um sorriso que se desfaz.
Porque será que aquele velho e gasto tapete me comove, como as joias pequeninas e preciosas de outros tempos que irresistivelmente evocam em mim as cores delicadas de carne que nunca vi senão na adoração dos corpos delicados das flores?...
Aquele tapete foi dependurado com carinho por António Augusto Gonçalves para não se perderem as marcas dos pés pequeninos de mulher, que por ali passaram nus, mais levemente do que as pétalas das rosas que o perfume quente do incenso faz cair mortas das jarras dos altares num último gesto triunfante de beleza.
Sala de encantamento…
Um dia, encontrei ali, numa redoma simples de vidro, uma madeixa de cabelos loiros, com a indicação que fora de D. Isabel, mulher do infante D. Pedro, o duque de Coimbra que morreu em Alfarrobeira.
Dizia mais o letreiro haver sido encontrado num túmulo de pedra que para o mosteiro novo viera do mosteiro velho de Santa Clara.

Custa a subir esta ladeira de Santa Clara!

Santa Clara-a-Nova. Bilhete Postal.jpgMas, quando se chega ao cimo, é de encantar olhar para Coimbra, branca, como nela tivessem pousado todas as pombas de Vénus.

Vista de Coimbra. 1907.jpgCoimbra, vista geral em 1907

A igreja é fresca e alegre.
Ao fundo, lá está o tumulo de pedra a que serve de decoração. Um brasão em que se leem as armas de Portugal com a cruz de Avis, o banco de pinchar e as barras de Aragão.

01bb.jpgArca tumular de D. Catarina, filha de D. Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra

… Fr. Manuel da Esperança, que a princípio supôs, como era natural, pudesse ser esta a sepultura de D. Isabel, filha dos condes de Urgel e mulher de D. Pedro, o de Alfarrobeira … [depois considerou que] este tumulo seria o de D. Maria. filha de D. Pedro, o cru, e de D. Constança … O Sr. Dr. Ribeiro de Vasconcelos … discorda … e atribui a sepultura à mulher de D. Pedro, o de Alfarrobeira.
…. Ora a arca de pedra é de pequenas dimensões próprias para sepultura de uma criança …. É pequenina a arca … Dentro do túmulo encontrou-se o esqueleto de uma criança, de lindos cabelos loiros que o tempo conservara.
Quem seria?
As barras de Aragão, o banco de pinchar, a cruz de Avos, os carateres da escultura circunscrevem as investigações à família de D. Isabel, duquesa de Coimbra, e mulher do infante D. Pedro.
A princesinha conservada na arca de pedra do mosteiro de Santa Clara de Coimbra não pode ser senão D. Catarina, filha de D. Pedro, o de Alfarrobeira e da duquesa, sua mulher.
… A 16 de Dezembro de 1466 devia ter morrido já porque … tem essa data o testamento da mãe, a duquesa de Coimbra que não se refere a ela … É a morte de D. Catarina que explica ainda a saída da duquesa, sua mãe, de Coimbra e a sua ida para as partes de Lisboa, aonde foi enterrar-se viva, na frase … de Fr. Manel da Esperança.

Nota: o banco de pinchar é uma figura da heráldica utilizada para diferenciar os brasões dos filhos de pessoas brasonadas ao utilizarem o brasão dos pais.

Carvalho, J.M.T. História de uma arca de pedra e de uma madeixa de cabelos loiros. In Atlantida. Mensário Artístico Literario e Social para Portugal e Brazil. Ano II, n.º 18, 15 de Abril de 1917.

 

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por Rodrigues Costa às 09:53

Quarta-feira, 01.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, a participação de Isabel Anjinho adiada para 10 de maio, às 18h00

Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra. Proposta.jpg

Palestrante: Isabel Anjinho

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A INTERVENÇÃO DE ISABEL ANJINHO, SOBRE A FORTIFICAÇÃO DE COIMBRA FOI ADIADA UMA SEMANA, POR RAZÕES TÉCNICAS, PELO QUE TERÁ LUGAR NA 6.ª FEIRA, DIA 10 DE MAIO, ÀS 18H00
Após a intervenção inicial que ocupará aproximadamente 20 minutos, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes, com a duração máxima de 60 minutos.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Local: Casa da Escrita

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 4.jpg

(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 8.jpg

Casa da Escrita. Jardim interior

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 07.06.2019
Orador: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Orador: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Orador: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Orador: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 10:26

Terça-feira, 30.04.19

Coimbra: Petições de grau na Universidade

No Arquivo da Universidade de Coimbra encontram-se guardadas cinco pastas forradas a veludo que, até à entrada em vigor da “Lei da Separação do Estado das Igrejas”, publicada a 20 de abril de 1911, depois da implantação da República, eram utilizadas nas cerimónias de imposição dos graus de Bacharel, de Licenciado e de Doutor.

Petição de grau. Faculdade de.jpg

Pasta das petições de grau, utilizada na Faculdade de Medicina

A diferença existente entre elas residia na cor do veludo que correspondia a cada uma das Faculdades. De notar que as cores mencionadas diferem das atualmente usadas.

- amarelo para Teologia,
- vermelho para Direito,
- castanho claro para Medicina,
- azul escuro para Matemática e Filosofia.

Dentro da cada pasta podem observar-se dois documentos impressos, escritos em latim, com as fórmulas que seguidamente se referem.
No primeiro pode ler-se:

Quid petis.jpgQuid Petis?

Os Quid Petis? – o que pedes – são todos de teor similar e eram usados na atribuição do Grau de Bacharel, Grau de Licenciado, Grau de Doutor (Quando há um só doutorando) e Grau de Doutor (quando sam dois os mais doutorandos).

No segundo documento encontra-se o texto do juramento que o candidato tinha de proferir antes de lhe ser entregue o respetivo documento comprovativo da concessão do grau.

Professio Fidei Catholicae.jpg

Professio Fidei Catholicae

Trata-se da atribuição do canudo, como é designado na gíria coimbrã.

Canudo, porque o comprovativo do grau, escrito em latim sobre pergaminho e assinado pelas entidades competentes, incluindo o Magnífico Reitor, fixa ainda umas fitas da cor da respetiva Faculdade presas a uma caixa de prata que contém, no seu interior, o selo da Universidade. O documento encontra-se enrolado e inserido numa caixa de lata com forma tubular.

Canudos e diplomas.jpg

Canudos e comprovativos de curso

Carta de curso Letras selo.JPG

Comprovativo de um curso da Faculdade de Letras, pormenor do selo

Carta de curso Direito selo.jpg

Comprovativo de um curso da Faculdade de Direito, pormenor do selo

Deste ritual resta, atualmente, a cerimónia da imposição de insígnias que concede ao candidato, de forma solene e oficial, o grau de doutor. É evidente que o Quid Petis? se encontra adaptado aos tempos hodiernos.

Doutoramento. 1959.jpg

Cortejo de um doutoramento. 1959

Agradeço à Senhora Dr.ª Ana Maria Bandeira, Técnica do Arquivo da Universidade de Coimbra a ajuda para chegar aos documentos citados.

Fonte: Arquivo da Universidade de Coimbra (Quota: Petições de Graus V-3.ª-Mov. 8-Gav. 1)

 

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por Rodrigues Costa às 10:56


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