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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 06.06.19

Coimbra: Entrada do bispo D. Miguel da Anunciação na cidade de Coimbra

Nota: Este assento foi transcrito pelo Doutor Manuel Augusto Rodrigues como documento anexo da publicação abaixo referenciada.

Assento da primeira entrada publica do Sr. Bispo Conde
Em 17 de Junho de 1741, tendo escrito o Ex.mo nosso Prellado, Sr. D. Miguel da Anunsiasão ao R.do Cabido que pelas tres horas e meya da tarde determinava fazer a sua entrada publicamente nesta cidade … o que asim se observou, sahindo o R.do Cabido acompanhado de todo o Clero, Confrarias, e Irmandades do Santissimo desta cidade … indo tambem os Reitores de S. Francisco da Ponte, e do Convento de S. Domingos … e a qual se encaminhou pela rua de San Cristovam [Rua Joaquim António de Aguiar, anteriormente Rua do Correio], rua das Fangas [R. Fernandes Tomás], e da Calsada [Rua Ferreira Borges], ruas de Coruche [R. Visconde da Luz], e Sta. Sofia [R. da Sofia], the as portas de Santa Margarida [início da R. da Figueira da Foz],

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Itinerário para a entrada do bispo

aonde da parte de fora estava um Taburno com quatro degraus de altura, immediato às duas portas, e da parte do monte, e no meyo do dito o Solio do Sr. Bispo Conde, ficando aos seus lados os asentos para o R.do Cabido entre o qual foram alguns Conegos Doutoraes vestidos de sobrepelis, e murça.

Capela do Loreto 4.JPG

Capela de N. S. do Loreto, na atualidade

… Pouco depois de ter chegado o R.do Cabido chegou ao dito Citio o Sr. Bispo Conde, o qual sahio da Capella de N.ª. S.ª do Loretto, onde os seus Criados o vestiram, e ajudaram a montar a Cavallo em huma mula preta com gualdrapa, e arreyos cobertos de pano roixo, e dahi abalou no meyo de quatro Conegos deputados pelo R.do Cabido pera o virem acompanhando, os quais vinham todos montados em suas mullas com gualdrapas pretas, e elles com vestidos talares de murça negra; atras do dito Sr. vinha montado a Cavallo loam de Saa Pereira rogado pera seu caudatario, e o estribeiro do dito Sr. adiante dos quatro Conegos vinham os Capellaes, e Pagens do Sr. Bispo Conde, adiante destes, os ministros da cidade a que se seguião os fidalgos della, e alguns nobres … e seriam perto de quatro horas quando se chegou adonde estava o R.do Cabido e apeando-se o Sr. Bispo Conde ajoelhou em huma almofada posta sobre huma alcatifa estendida na rua junto ao Taburno, e ahi lhe deu a beijar a Cruz pequena de esgalhos …Logo vieram dous Conegos a servir de Diaconos asistentes, que alli o vestiram Pontificialmente, e o Rdo Deam lhe meteu o anel no dedo: Expedida na rua de Santa Sofia a Nobreza, Fidalguia e Ministros da Cidade, os foram seguindo as Irmandades, Confrarias, Clero e as ditas Religiões, que sahindo da rua de Santa Margarida [R. da Figueria da Foz], de dous a dous, foram passando por diante do Sr. Bispo Conde, e pondo-lhe hum joelho em terra. Seguia-se em ultimo lugar o Clero da Freguesia da See, Capellães, e muzicos delIa cantando hymnos, e logo o R.do Cabido se seguia fazendo inclinasam profunda ao dito Senhor paseando-se por elle dous a dous. Desceu o Ex.mo Prellado do seu solio, e montando em hum cavallo ruço com gualdrapa e arreyos cobertos de cettim branco, abalou pera as portas da, Cidade [portas de S.Margarida] adonde o vereador mays velho lhe representou da parte do senado e da cidade a alta estimação … Logo o receberam os Camaristas debaixo do Pallio, pegando na outava Vara hum veriador do anno antecedente, e chegando asim ao Terreiro de Sam Sam [Praça 8 de Maio], onde haviam feito paragem outo cavaleiros fidalgos, se entregaram a estes as ditas varas da ponte das portas da Igreja de Santa Crus, e dahi o acompanharam, e conduziram the as portas da See,


as portas da See.jpg

as portas da See

aonde da parte de dentro estava huma alcatifa estendida, sobre que parou o Sr. Bispo Conde, e o R.do Deão lhe deu agoa Benta, e incenso pera o dito Senhor fazer … sahio da See o dito Senhor pera o Seu Paço acompanhado do Cabido, Clero e Nobreza.

Rodrigues, M.A. 1982. D. Miguel da Anunciação e o Cabido da Sé de Coimbra. Separata do Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra, vol. V.

 

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por Rodrigues Costa às 11:04

Quarta-feira, 05.06.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 7 de junho, às 18h00 - Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Segunda conversa aberta

 

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 5.jpg

Casa da escrita
(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Colegiada de S. Tiago - iluminura na capa.jpg

Colegiada de S. Tiago. Iluminura na capa

Cabido da Sé de Coimbra.jpg

Cabido da Sé de Coimbra. Série documental

Palestrante: Ana Maria Bandeira

Ana Maria 01.jpg

Técnica superior no Arquivo da Universidade de Coimbra, desde 1983.
Tem desenvolvido trabalhos no âmbito do tratamento arquivístico dos seguintes fundos documentais: Universidade de Coimbra, Colégios da Companhia de Jesus, Mitra Episcopal de Coimbra, Julgados de Paz de Coimbra, Conservatória Britânica de Coimbra, Hospital Real de Coimbra, Hospital de São Lázaro, etc.
Tem tido a seu cargo a elaboração de exposições temáticas e respetivos catálogos publicados pela instituição.
Coordenadora, entre 1991 e 1994, do Inventário do Património Cultural Móvel: Bens Arquivísticos promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (para o distrito de Coimbra).
Dedica-se ainda à pesquisa na área da história do fabrico do papel.
Autora de uma extensa lista de publicações.

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:45

Terça-feira, 04.06.19

Coimbra: O bispo D. Miguel da Anunciação

Natural de Lisboa, onde nasceu a 28 de Fevereiro de 1703, descendente de uma família nobre (seu pai era Tristão da Cunha e Ataide, primeiro conde de Povolide, e sua mãe pertencia à família dos Távoras), viria a escolher Coimbra para lugar dos seus estudos. Foi porcionista do Real Colégio de S. Paulo e frequentou Cânones na Universidade.

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D. Miguel da Anunciação. Pintura de Pascoal Parente

Mas depois resolveu entrar para o Mosteiro de Santa Cruz, tendo recebido o hábito a 26 de Abril de 1728, sendo em 1737 eleito geral da congregação.
Em 1739 era apresentado no bispado de Coimbra por D. João V, recebendo a sagração episcopal em Santa Cruz no dia 9 de Abril de 1741.
… Deixou várias Pastorais e atribui-se-lhe uma obra (com o pseudónimo de Pedro Bembo) sobre o sigilismo, intitulada Fundamentos... (Madrid,1768), impressa numa tipografia clandestina de S. Martinho do Bispo.
… Ao tempo de D. Miguel da Anunciação as coisas no Cabido não funcionavam da melhor maneira. Havia discórdias constantes entre o Cabido e os beneficiados, como aliás, embora em menor proporção, noutras diocese do reino.
… a questão só terminou quando Pio VI, pela Bula Christus Dominus Dei Filius, de 20 de Junho de 1778, a pedido do bispo de Coimbra, extinguiu e aboliu perpetuamente as meias conezias e tercenárias da sé de Coimbra e mandou erigir outra nova ordem de benefícios em que aqueles ficassem.

Seminário 01.jpg

Seminário de Coimbra

Seminário. Pormenor. Fachada.jpg

Pedra-de-armas de D. Miguel da Anunciação conservada no Seminário maior de Coimbra.
In: Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes, pg. 140

…. A acção pastoral de D. Miguel da Anunciação foi notável. Visitou amiúde a diocese e incrementou imenso a prática da vida cristã. A ele se deve a criação do Seminário Maior de Coimbra. um dos monumentos mais grandiosos levantados na cidade. e a publicação de várias pastorais. Foi ele o criador da Academia Litúrgica do Mosteiro de Santa Cruz.
Tendo publicado em 8 de Novembro de 1768 uma pastoral-em que condenava a leitura e o uso de certos livros· de autores franceses, isso serviu de pretexto para que em 8 do mês seguinte fosse preso e levado para Pedrouços, onde esteve detido até 1777.
… A 21 de Fevereiro de 1777, três dias antes de morrer, D. José por seu próprio punho escreveu uma ordem em que perdoava ao prelado e autorizava a sua libertação. A 7 de Julho dirigiu D. Maria I a D. Miguel da Anunciação uma carta muito honrosa.
A entrada solene em Coimbra teve lugar no dia 22 de Agosto de 1777. Foi um momento alto da vida de D. Miguel que se via de novo na diocese que Bento XIV lhe atribuira.
Enquanto estivera detido governou a diocese como bispo coadjutor e futuro sucessor, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, reformador-reitor da Universidade.
… D. Miguel da Anunciação veio a falecer no convento de Semide em 29 de Agosto de 1779, tendo sido sepultado em Santa Cruz.

Rodrigues, M.A. 1982. D. Miguel da Anunciação e o Cabido da Sé de Coimbra. Separata do Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra, vol. V.

 

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por Rodrigues Costa às 09:37

Quinta-feira, 30.05.19

Coimbra: Frei Paio de Coimbra 2

 

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Divus Pelagius Conimbricensis. Porta principal do Colégio de S. Tomás. Coimbra
Foto: Bernardino F. C. Marques

Portal. Museu 02.jpg

Pormenor da porta principal do Colégio de S. Tomás, Coimbra. Estilo renascentista, 1545. Museu Machado de Castro, Largo de S. Salvador, Coimbra
Foto: Bernardino F. C. Marques

Frei Paio de Coimbra ou ‘Frater Pelagius Parvus’ nasceu em Coimbra, provavelmente entre 1195 e 1200, vindo a falecer por volta de 1249. Foi sepultado no primitivo convento dominicano desta cidade.
Pouco conhecemos da sua vida, mas as informações que os seus biógrafos nos transmitiram dão-nos o perfil de um frade culto, humilde e milagreiro após a sua morte.
O primeiro cronista da Ordem dos Pregadores, Gerardo de Frachet, que deve ter conhecido Frei Paio quando visitou os conventos da parte ocidental da Hispânia, refere que «depois de este ter trabalhado fielmente durante muito tempo, com fervor e humildade no desempenho do cargo de pregador e de ouvir confissões, por fim, presentes os frades e orando por eles, descansou no Senhor no convento de Coimbra, reino de Portugal».
Relata em seguida «os prodígios que realizou Frei Pelágio, para honra e glória de Jesus Cristo», em favor daqueles que devotamente acorriam ao seu sepulcro, ou dele tomavam a terra.

Frei S. Paio.jpgS. Paio de Coimbra

O prodígio mais emblemático foi o ‘milagre da fundição do sino, que assim é narrado: «… encontrando que por um certo erro do fundidor, faltava muito cobre, levantou-se de orar um frade e tomando terra do sepulcro de Frei Pelágio, lançou-o ao forno e converteu-se imediatamente em cobre…».
Os próprios infiéis beneficiaram, por seu intermédio, das graças de Deus: «E o que foi mais admirável – diz o cronista -, dois sarracenos de Coimbra que padeciam de violentas febres, tomaram terra da sepultura de Frei Pelágio e, nesse instante, por misericórdia divina, ficaram plenamente curados».
A eficácia da sua pregação permanecia, pois, mesmo depois da sua morte.
Teria Frei Paio frequentado a escola episcopal de Coimbra ou a do mosteiro de Santa Cruz. Foi recebido na Ordem dos Pregadores, sendo já adulto, por Frei Sueiro Gomes, companheiro de S. Domingos e primeiro provincial da Hispânia. O historiador dominicano Frei António do Rosário lança a pergunta: - Donde provieram (est)as vocações (adultas)»? E responde com presteza: «O caso de Santo António, cónego regular que se fez mendicante franciscano, não ficaria único. Dos Mosteiros, das Colegiadas e da Cleresia proveio, sem dúvida, o melhor e o mais avultado contingente das primeiras vocações em Portugal, aliás como nas outras partes da Europa».

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Santo frei Payo. Frontispício da Primeira Parte da História de S. Domingos, de Frei Luís Cácegas e Frei Luís de Sousa – 1623. Museu de Aveiro, inv. nº 9/L. In Frei António José de Almeida, O.P.,
Disponível na WWW, <portugaldominicano.blogspot.com/>

«Era Frei Paio, quando veio à religião - diz Frei Luís de Sousa -, entrado já em dias, e conhecido por letras, e virtude. E como tal foi o primeiro Prior do Convento, e ficando em Coimbra morador contínuo». Foi este o primitivo Convento Dominicano construído no lugar da Figueira Velha, ao Arnado, em 1227, sob o mecenato de duas filhas de D. Sancho I, a princesa D. Teresa, que fora casada com D. Afonso, rei de León, a qual comprou os terrenos necessários, e a princesa D. Branca, que financiou a construção.
Afirma Frei Luís de Sousa que o ‘Santo frei Payo’ «faleceo, segundo a conta dos mais dos autores, que d’elle escrevem polos annos do Senhor de 1257, pouco mais ou menos». Mas logo refere que, numa inscrição tardia da lápide tumular na capela-mor da igreja do Colégio, estava registava a data de 1240: «Primus huius Conventus Prior morum sanctitate ac miraculorum gloria insignis Pelagius hic situs est. Obiit circa annum 1240».
No entanto, quem mandou gravar tal data foi induzido em erro, pois no registo da abertura do testamento de D. Sancho II, em 1248, consta a presença de Frei Pelágio Abril, nome pelo qual era também conhecido, à data prior do convento da cidade do Porto: «Pelagius Aprilis Portugalensis et frater Fernandus Petri».

Marques, B.F.C. 2010. Mundividência cristã no Sermonário de Frei Paio de Coimbra : edição crítica da "Summa Sermonum de Festiuitatibus" Magistri Fratris Pelagii Parui Ordinis Praedicatorum, A. D. 1250, Cod. Alc. 5/CXXX - B.N. de Lisboa. Tese de doutoramento em Letras, área de Filosofia (História da Filosofia), apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, Faculdade de Letras. Acedido em 2019.05.3, em https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/17440?mode=full 

 

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por Rodrigues Costa às 11:08

Quarta-feira, 29.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 7 de junho, às 18h00

 

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 9.jpg

Casa da escrita
(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Hospital Real de Coimbra Livro de Receituário Mé

Hospital Real de Coimbra Livro de Receituário Médico 1622

Hospital de São Lázaro Livro de Receita e Despes

Hospital de São Lázaro Livro de Receita e Despesa

 

Palestrante: Ana Maria Bandeira

Ana Maria 01.jpg

Técnica superior no Arquivo da Universidade de Coimbra, desde 1983.
Tem desenvolvido trabalhos no âmbito do tratamento arquivístico dos seguintes fundos documentais: Universidade de Coimbra, Colégios da Companhia de Jesus, Mitra Episcopal de Coimbra, Julgados de Paz de Coimbra, Conservatória Britânica de Coimbra, Hospital Real de Coimbra, Hospital de São Lázaro, etc.
Tem tido a seu cargo a elaboração de exposições temáticas e respetivos catálogos publicados pela instituição.
Coordenadora, entre 1991 e 1994, do Inventário do Património Cultural Móvel: Bens Arquivísticos promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (para o distrito de Coimbra).
Dedica-se ainda à pesquisa na área da história do fabrico do papel.
Autora de uma extensa lista de publicações.

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Outras Conversas Abertas, depois da pausa de verão
6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

 

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por Rodrigues Costa às 09:35

Terça-feira, 28.05.19

Coimbra: Frei Paio de Coimbra 1

No passado mês de abril publiquei uma entrada sobre o primitivo Convento de S. Domingos.
Entretanto chegou ao meu conhecimento uma imagem das escavações realizadas e a que ali me referi a qual, a dado o seu interesse, ora reproduzo.

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Descoberta das estruturas do Convento medieval (primitivo) de São Domingos (1227) no Centro Histórico de Coimbra
LUSA - Agência de Notícias de Portugal, 23 de Fevereiro de 2009

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No texto publicado era feita uma referência a Frei, ou, Dom, ou São Paio de Coimbra.
Pouco ou nada sabendo sobre esta figura da nossa terra foi, entretanto, possível recolher as informações que agora se divulgam.

Há trinta anos, pelo menos, quando nos pusemos a estudar um por um, todos os códices alcobacenses da Biblioteca Nacional de Lisboa, respeitantes à Idade Média … vieram ao nosso encontro estes sermões [o Sermonário de Frei Paio de Coimbra, o Cód. Alc. 5/cxxx], ou melhor, esquemas de sermões, escritos em pergaminho, em letra de transição do séc. XIII, com iniciais a vermelho e azul, filigranadas … Só desejamos acentuar que todo o códice (e não unicamente os sermões de Frei Paio) se destinava a pregadores mais ou menos incipientes. Era um manual teórico e prático de oratória cristã.

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Frontispício do Sermonário. Cod. Alc. 5/cxxx Fotocópia de microfilme: Hill Monastic Manuscript Library, 1980

Tornando aos sermões, foi seu autor o dominicano Frei Paio de Coimbra ou Pelagius Parvus. E conforme a nota final, da mesma letra, foi copista deles o monge alcobacense Frei Domingos Pires ou Peres (Dominicus Petri), no ano de 1250, a pedido de Dom Pedro Eanes, abade do Mosteiro de Tarouca.
Frei Luís de Sousa [refere] a data duvidosa da morte de Frei Paio de Coimbra, [citando uma lápide que dizia] «Aqui jaz Frei Paio, primeiro prior deste convento [de S. Domingos-o-Velho de Coimbra] e notável pela santidade de costumes e pela glória dos seus milagres».
Morreu à volta de 1240. E acrescenta Frei Luís de Sousa: «foi sua vida e morte surda e sem rumor». Talvez isto explique a ignorância do ano exato em que morreu um dos maiores pregadores do séc. XIII.
… Outros autores apontam o ano de 1257 (e não o de 1240), o que faz supor a inexistência de lápide antiga com ano certo. De contrário, talvez a levassem quando trasladaram o túmulo ou as ossadas.
O cónego coimbrão Pedro Álvares Nogueira (f 1598) fala-nos também de Frei Paio, assim como do «mosteiro de sam Domingos o velho». Nele esteve muitos anos a sepultura do grande pregador, até que «os frades levarão tudo pera o mosteiro novo e não deixarão mais que hum sino, em lembrança do milagre» que, na fundição do mesmo sino, realizou «o bemaventurado sam Payo».

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São Frei Paio. Capela do Espírito Santo, Carapinheira, Montemor-o-Novo. Testemunho do culto popular
Foto: Bernardino F. C. Marques

… Que nos dizem de Frei Paio os informadores (diretos ou indiretos) de Frei Gerardo? Pois bem, dizem que ele confessou e pregou durante largo tempo e partiu deste mundo no convento de Coimbra, rodeado pelos outros frades postos de joelhos e a rezar.
Passado algum tempo (notemos a frase) morreu outro frade e enterraram-no junto do seu coval... Ora, tanto o coveiro como os frades sentirem evolar-se dele um perfume maravilhoso e uma espécie de névoa. E estando bastante doente a filha do coveiro e sem poder levantar-se, de regresso a casa ofertou-a a Frei Paio… isto é, fez por ela uma promessa. Logo se levantou a moça, pegou no cântaro e foi buscar água ao rio, sem doença nenhuma.
... A fama de santidade, julgamos nós, espalhou-se mais a partir do povo … Segue o famoso milagre da fundição do sino; mais outro duma mulher com dores no estômago; um escudeiro dos arredores de Coimbra e um frade dominicano do convento, ambos eles curados da febre; a confissão dum pecador empedernido; a cura dum cego que dantes se confessava a Frei Paio; cinco endemoninhados salvos da sua aflição … enfim, duas mulheres sarracenas, dos arredores de Coimbra, atacadas de febre e livres da doença, por tomarem terra do sepulcro de Frei Paio … Milagre deveras notável… por se tratar de muçulmanas, gente doutra religião.
… Ora bem, este frade, cuja morte foi «surda e sem rumor», deixou-nos uma coleção de sermões que podemos colocar, sem vergonha ao lado dos que escreveu Santo António de Lisboa, seu contemporâneo. Nada menos de quatrocentos e sete sermões, quase todos panegíricos de santos. Entre eles, dois sermões em louvor de Santo António, o que faz de Frei Paio um dos panegiristas antonianos mais antigos — e muito desejaríamos nós que fossem estes os mais recuados sermões ainda existentes, em honra do grande santo de Lisboa.
…Que os sermões de Frei Paio sejam de importância para a história da eloquência medieval, salta aos olhos, sobretudo para o caso português. E não só.
…Já provámos ter Frei Paio estado em Santarém. E decerto em muitas mais terras portuguesas, pois os pregadores … Que pregou em português não oferece dúvidas … entre os sermões de Frei Paio, existam nada menos de nove panegíricos de S. Tomás de Cantuária… significaria ter Frei Paio estado em Cantuária.
… Quanto à presença de Frei Paio em Bolonha (e por conseguinte noutros lugares da Itália) nenhuma dúvida possível. Foi Bolonha o lugar preferido para alguns dos primeiros capítulos gerais dos frades pregadores.

Martins, M. 1973. O Sermonário de Frei Paio de Coimbra do Cód. Ale. 5 / CXXX. In: Didaskalia. III (1973). Pg. 337-362. Acedido em 2919.01.03, em
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/11993/1/V00302-337-361.pdf 

Marques, B.F.C. 2010. Mundividência cristã no Sermonário de Frei Paio de Coimbra : edição crítica da "Summa Sermonum de Festiuitatibus" Magistri Fratris Pelagii Parui Ordinis Praedicatorum, A. D. 1250, Cod. Alc. 5/CXXX - B.N. de Lisboa. Tese de doutoramento em Letras, área de Filosofia (História da Filosofia), apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, Faculdade de Letras. Acedido em 2019.05.3, em https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/17440?mode=full

 

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por Rodrigues Costa às 09:47

Quinta-feira, 23.05.19

Coimbra: Mitra Episcopal de Coimbra 2

Originalmente não estava diferenciado o património do bispo e do cabido da Sé de Coimbra. Se inicialmente não existia uma distinção clara entre o que estava na posse da Mitra e o que era administrado pelo cabido, com o tempo esta destrinça formaliza-se, dando, inclusive, origem a conflitos entre ambas as partes, mas concretizando-se finalmente em 1210 numa divisão de rendas do bispado em 2/3 para a Mitra e 1/3 para o Cabido … Da parte atribuída à Mitra, retirava o bispo uma parte para sua sustentação e a outra era destinada a obras necessárias na Sé e para esmolas.
… A administração e a defesa jurisdicional do património episcopal eram feitas por um conjunto de funcionários que diretamente apoiavam o prelado diocesano, como o seu mordomo, procurador, prebendeiro, ecónomo, tabelião privativo, escrivão da receita e despesa e recebedores de rendas e era apoiado pelo escrivão da Câmara Eclesiástica.
A Mitra pagava vencimentos a ministros e oficiais do Juízo Eclesiástico (provisor, vigário geral, promotor, escrivão das armas, solicitador, porteiro, homens da vara, aljubeiro) e do Tribunal da Inquisição, e também a procuradores e agentes da Mitra em Coimbra, Porto e Lisboa, para resolverem questões administrativas e judiciais. Na Sé de Coimbra, pagava ao guarda da Sé, sineiro e guarda-livros e a todos os membros da capela de música (mestre da capela, subchantre, organista, mestre de oboé, charameleiros, etc.).
O bispo D. João de Melo fundou em 1690 um recolhimento para mulheres convertidas que veio a designar-se posteriormente «Recolhimento do Paço do Conde», quando em 1696 ficou instalado no antigo paço do conde de Cantanhede.

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D. João de Melo

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Recolhimento do Paço do Conde

… O bispo D. Miguel da Anunciação fundou o Seminário de Jesus, Maria, José, que teve estatutos confirmados por breve do papa Bento XIV de 18 de Dezembro de 1748.

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D. Miguel da Anunciação

Esteve inicialmente localizado, em 1741, em casas da freguesia de S. João de Almedina e depois em casas na freguesia de S. Martinho do Bispo, ficando definitivamente instalado em edifício próprio construído entre 1748 e 1765.

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Seminário de Coimbra

O bispo de Coimbra tinha a sua residência no paço episcopal também designado Paço do Bispo, local onde estava instalado o cartório da Mitra. O edifício teve origem em casas compradas na freguesia de S. João de Almedina em 1164, por D. Miguel Salomão, e sofreu diversas alterações nos episcopados de D. Jorge de Almeida e de D. Afonso Castelo Branco, estando nele localizado, desde 1912, o Museu de Machado de Castro. … Possuiu também paço episcopal em Coja e em Arganil, e a quinta de recreio de S. Martinho do Bispo que também foi designada quinta da Mitra.
… Os bens da Mitra eram compostos de rendas dominiais (recolhidas em foros, pensões, rações e laudémios) e rendimentos eclesiásticos (dízimas e primícias). A administração destes bens não deixou de atravessar alguns períodos conturbados, em sede vacante, em que o bispado era administrado por um vigário capitular, sobretudo nos períodos das duas grandes vacaturas, entre 1646-1670 e 1717-1739.

Bandeira, A.M.L., Silva, A.M.D., Mendes, M.L.G. 2007. Mitra Episcopal de Coimbra: descrição arquivística e inventário do fundo documental. Acedido em 2019.04.29, em https://www.uc.pt/auc/fundos/ficheiros/DIO_MitraEpiscopalCoimbra  

 

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por Rodrigues Costa às 10:08

Quarta-feira, 22.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 7 de junho, às 18h00

 

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 6.jpgCasa da escrita
(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Estatutos da Igreja do Salvador a.jpg

Juizo da Paz da Sé Nova.jpg

Juízo da Paz da Sé Nova

Palestrante: Ana Maria Bandeira

Ana Maria 01.jpgTécnica superior no Arquivo da Universidade de Coimbra, desde 1983.

Tem desenvolvido trabalhos no âmbito do tratamento arquivístico dos seguintes fundos documentais: Universidade de Coimbra, Colégios da Companhia de Jesus, Mitra Episcopal de Coimbra, Julgados de Paz de Coimbra, Conservatória Britânica de Coimbra, Hospital Real de Coimbra, Hospital de São Lázaro, etc.
Tem tido a seu cargo a elaboração de exposições temáticas e respetivos catálogos publicados pela instituição.
Coordenadora, entre 1991 e 1994, do Inventário do Património Cultural Móvel: Bens Arquivísticos promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (para o distrito de Coimbra).
Dedica-se ainda à pesquisa na área da história do fabrico do papel.
Autora de uma extensa lista de publicações.

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

 

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por Rodrigues Costa às 09:45

Terça-feira, 21.05.19

Coimbra: Mitra Episcopal 1

A Mitra Episcopal de Coimbra representa essencialmente o conjunto de bens patrimoniais que estavam destinados ao sustento e provisão do bispo de Coimbra.
A diocese de Coimbra teve sede, primitivamente, em Conímbriga, no período de romanização da Península Ibérica, depois em Emínio (Aeminium), durante o domínio dos Suevos, tendo sido nestes períodos sufragânea de Mérida e depois de Braga, e por fim ficou sedeada na cidade de Coimbra, enquanto diocese isenta.
Os limites geográficos do bispado ficaram definidos em 1253, pela bula Provisionis nostrae de Inocêncio IV, de 12 de Setembro, tendo sido retirados a Coimbra os territórios entre o rio Douro e Antuã que foram anexados ao bispado do Porto.

Inocêncio IV 03.jpg

Inocêncio IV

A área geográfica do bispado de Coimbra sofreu alterações com a criação do bispado de Leiria, pela bula Pro excellenti apostolicae sedis de Paulo III, de 22 de Maio de 1545, no reinado de D. João III, que ditou a saída de seis paróquias (Caranguejeira, Colmeias, Espite, S. Simão de Litém, Souto da Carpalhosa e Vermoil) da diocese de Coimbra que passaram a pertencer ao novo bispado.

Paulo III 01.jpg

Paulo III

Idêntica situação ocorreu aquando da criação da diocese de Aveiro, desmembrando localidades diversas do bispado de Coimbra, por breve de Clemente XIV de 12 de Abril de 1774.

Clemente XIV 01.jpg

Clemente XIV

Com a nova circunscrição diocesana ditada pela bula Gravissimum Christi de 30 de Setembro de 1881, na diocese de Coimbra foi integrada parte dos bispados de Leiria e Aveiro, que só voltaram a ser restaurados pelo papa Bento XV em 1918 (Leiria) e 1938 (Aveiro).

As doações patrimoniais à Sé de Coimbra são anteriores à fundação da nacionalidade. A necessidade de sustentação dos bispos, cónegos e mais prelados esteve na origem de várias doações, nomeadamente, a importante doação do Mosteiro da Vacariça, em 1094, por D. Raimundo e D. Urraca, e do mosteiro do Lorvão, em 1109, que apenas por sete anos esteve na posse da Mitra.

Raimundo de Borgonha 01.jpg

D. Raimundo

No entanto, as propriedades de Santa Comba Dão, Couto do Mosteiro, Midões, Vila Cova e parte da Pedrulha, que eram do dito mosteiro do Lorvão, mantiveram-se na sua posse.
Em 1082, o conde D. Henrique e D. Teresa doam à Sé de Coimbra os castelos de Coja e Arganil, altura em que os bispos de Coimbra passam a designar-se Senhores de Coja.


D. Henrique e D. Teresa. Iluminura da Genealogia d

D. Henrique e D. Teresa

A partir do reinado de D. Afonso V, o bispo de Coimbra passa a acumular o título de conde de Arganil, na sequência do reconhecimento da participação do bispo D. João Galvão nas campanhas do Norte de África (conquista de Tânger e Arzila), em 1471… concedeu também a este prelado, por provisão régia de 18 de Agosto de 1472, a vedoria mor das obras e alcaidaria-mor das comarcas da Beira e Ribacôa, razão pela qual se intitulava alcaide-mor de Avô.

Bandeira, A.M.L., Silva, A.M.D., Mendes, M.L.G. 2007. Mitra Episcopal de Coimbra: descrição arquivística e inventário do fundo documental. Acedido em 2019.04.29, em
https://www.uc.pt/auc/fundos/ficheiros/DIO_MitraEpiscopalCoimbra 

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por Rodrigues Costa às 09:02

Quinta-feira, 16.05.19

Coimbra: Hospital Real 2

Quem, hoje, passar em Coimbra, pela Praça do Comércio, não vislumbra nada que denote o edifício do hospital.
Poucos saberão que o espaço que acolhe uma típica loja de comércio oriental revela, ainda, no seu interior, arcadas e colunas manuelinas.

Hospital real de Coimbra 02.jpg

Hospital Real de Coimbra, pormenor da abóbada da entrada na capela

Mas, pouco adiante, podem ver-se pedras que falam…

Reprodução fotográfica das iniciais HRC,.JPG

Reprodução fotográfica das iniciais HRC, a seguir às quais foi colocada, posteriormente, a identificação do sequente proprietário - V.DE – a Universidade de Coimbra, herdeira dos bens do Hospital, após a sua extinção, em 1772. (Foto gentilmente cedida pelo Prof. Doutor Henrique Carmona da Mota).

Sobre o umbral da porta de uma casa, na rua Direita da baixa coimbrã, que na verga tem o número 73, está [estava] o registo epigráfico com a sigla HRC, formada pelas iniciais do nome da instituição, com as quais se identificava a posse de seus bens, sendo usadas também nos marcos de demarcação de propriedades rústicas.

Sinete do Hospital Real de Coimbra.JPG

O sinete da instituição apresentava também as armas reais. Atente-se na marca do sinete
que se encontra aposto na capa do livro de entrada e saída de doentes
(1711-1713) (PT/AUC/HOSP/HRC/17/003).

O Hospital era administrado de acordo com o seu Regimento, sendo gerido por um provedor e um almoxarife, fazendo, ainda, parte do seu número de funcionários o recebedor dos enfermos, o hospitaleiro, o escrivão, o porteiro, o capelão, o solicitador, etc.
Dentro das suas instalações os espaços dividiam-se por duas enfermarias (de homens e de mulheres), capela, casa do despacho, hospedaria, refeitório, despensa, adega e cozinha, tendo recebido, inicialmente, apenas 17 doentes.
A botica hospitalar não existiu, logo, desde o início da sua fundação, sendo feito contrato com boticários da cidade para fornecimento do que fosse necessário. No entanto, pelo Alvará de 24 de junho de 1548, pelo qual se ordena ao físico que dê, da botica, todas as mezinhas necessárias para a cura dos colegiais da Ordem de São Jerónimo, fica-se a saber que ela existe a partir dessa data, pelo menos.
Havia, ainda, casas de hospedaria, para receber “pessoas de bem” que estivessem de passagem, assim religiosos, como “mulheres honradas” e alguns estrangeiros que de caminho passavam pela cidade.
Um outro espaço existente era o designado “hospital dos andantes” ou “casa dos pedintes andantes” destinado a acolher os peregrinos passantes pela cidade ou pessoas indigentes que não tinham onde se albergar.
Os pedintes andantes poderiam ali ficar um dia e uma noite, existindo para seu conforto, de acordo com inventários de 1523 e 1659, mantas velhas “com que se cobriam os andantes”, um candeeiro e candeias de azeite, uma caldeirinha de barro para água. As instruções dadas em Almeirim, em 4 de maio de 1508, referem já a existência da “casa dos andantes”, com leitos para os andantes pobres, tendo cada leito o seu enxergão de palha, um almadraque de lã, um cabeçal de lã, cabeceira e dois cobertores de burel. Também o mobiliário das enfermarias era muito simples e, de acordo com o Regimento, de 22 de outubro de 1508, cada cama tinha: um enxergão, um almadraque, um colchão, um par de lençóis, um cabeçal e uma manta ou um cobertor.
Informação adicional.

Nota
Deslocamo-nos ao local e fotografamos o espaço. Assinalando que alguns dos capiteis foram mutilados, deixo à consideração dos leitores as imagens que então recolhi.

IMG_8383.JPGHospital Real. Vista exterior na atualidade

IMG_8376.JPGHospital Real. Loja chinesa 1

IMG_8379.JPGHospital Real. Loja chinesa 2

IMG_0735.JPG

Hospital Real. Loja fechada

Bandeira, A.M.L. O Hospital Real de Coimbra: acervo documental de uma instituição assistencial (1504-1772). In: Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Volume XXVIII. 2015. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. Acedido em 2019.01.29 em
https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/37775/1/O%20Hospital%20Real%20de%20Coimbra.pdf

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:39


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