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O Professor Doutor Nelson Correia Borges colaborou na História da Arte em Portugal, uma obra com 14 volumes, publicada entre 1986 e 1988, cujo nono volume é dedicado ao tema Do Barroco ao Rococó, de que foi coordenador.
Ali escreveu um texto, necessariamente breve, dedicado à história da construção do Seminário Maior de Coimbra. Texto que agora relembramos.

O Seminário de Coimbra foi ainda planeado e começado a construir em pleno reinado de D. João V, por ordem do bispo D. Miguel da Anunciação. Estão ainda mal conhecidos a obra e o estilo do seu autor, mas a maneira como os elementos arquitetónicos se dispõem ao longo da fachada indica artista de personalidade que bem poderia ter evoluído para o neoclassicismo.
Outro arquiteto que marcou ainda o barroco coimbrão foi o religioso capucho Frei João da Soledade, que projetou e dirigiu várias obras no seu Colégio de Santo António da Pedreira.
O bispo D. Miguel da Anunciação mandou delinear a traça do pequeno convento das ursulinas de Pereira, já desaparecido, e do Seminário de Jesus, Maria e José, de Coimbra, com sua igreja e colégio.
Este edifício, embora com alguma utilização de elementos arquitetónicos de tipo simplista, é por si só suficiente para enaltecer o arquiteto que o planeou.
Na fachada norte, a principal, destaca-se um corpo central, correspondente à igreja, e as torres de grandes ventanas de balaústres, erguendo-se um só piso acima da cimalha real. O último andar parece ser um acrescento posterior, talvez dos italianos Tamossi e Azzolini, que mais tarde dirigiam as obras; sem ele o conjunto pareceria mais elegante e menos compacto.
Seminário de Coimbra, fachada norte. Acervo RA
A fachada do Sul, mais alta devido ao declive do terreno, resulta mais monumental, apesar de mais sóbria.
Seminário de Coimbra, fachada sul, pormenor. Imagem acedida em https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/seminario-maior-de-coimbra
A igreja é pequena, mas muito elegante e atinge um nível excecional pela sua estrutura arquitetónica e decoração. Segue a planta de outros templos traçados por portugueses: um quadrado com os ângulos cortados, do que resulta um octógono irregular.
O espaço ganha novo alento com a cúpula pintada a fresco.
Seminário de Coimbra, cúpula. Acervo RA
A obra de Frei João da Soledade situa-se já nos meados do século. O seminário foi contratado pelo mestre-de-obras Manuel Rodrigues em 11 de junho de 1748 e terminado em 1765.
BORGES, Nelson Correia, Do Barroco ao Rococó, em História da Arte em Portugal, vol.9, Lisboa, Publicações Alfa, 1986, p. 27-28.
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