Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Última de três entradas dedicadas à divulgação do trabalho do Doutor João Alves da Cunha dedicado à história da construção da nova igreja de S. José.
Quanto ao interior da igreja, era composto por uma só nave, precedida de um pequeno átrio interno donde se acedia também quer à escada do coro, que envolvia superiormente a nave, quer ao batistério, que se manteve junto à entrada principal da igreja, mas agora integrado no seu volume principal. Próximo da capela‑mor situavam‑se duas capelas laterais que pela sua altura e profundidade formavam um transepto com expressão suficiente para dar um cariz cruciforme à planta da igreja.
A capela‑mor, de remate semicircular, era envolvida pelo referido deambulatório de acesso às sacristias, cartório e outros serviços, que tinham também acesso pelo exterior.
Este corredor encontrava‑se separado da capela‑mor “por meio de colunas cuja base de apoio é cheia até determinada altura”. Em termos de iluminação, “A nave fica mergulhada em penumbra pelo condicionamento de aberturas laterais. A capela‑mor, porém, inunda‑se de luz que lhe vem duma série contínua de aberturas que envolvem todo o deambulatório”. Quanto à torre sineira, à semelhança da proposta por Januário Godinho, situou‑se separada do volume principal. Ficava, no entanto, “ligada à galeria claustral envolvente, tanto para dar isolamento e capacidade à casa mortuária [situada na sua base], como também para se obter independência total de todos os elementos verticais da sua composição”.
…. Os meses passaram depressa, chegando a notícia no começo de outubro de que o projeto de arquitetura se encontrava ainda em execução.
.... [No] mês de outubro quando Álvaro da Fonseca entregou “à consideração superior” o esperado projeto, baseado “em estudos desenhados e num estudo em vulto que em devido tempo foram apreciados pelas entidades oficiais”. A nota descritiva e justificativa pouco diferiu da apresentada no anteprojeto.
Igreja de S. José, projeto. Plantas, cortes e alçados (Arq. Álvaro da Fonseca, 1953). Fonte: Arquivo da Igreja de S. José de Coimbra. Op. cit., 292
…. Pouco tempo passado, a 7 de novembro, o Diretor de Urbanização do Distrito de Coimbra enviou o seu parecer sobre o projeto ao Diretor Geral dos Serviços de Urbanização.
Igreja de S. José, em construção. Fonte: http://www.diocesedecoimbra.pt/noticias/site/ paroquia‑da‑se‑nova:787. Op. cit., pg. 293
…. A 19 de março de 1954 teve lugar a cerimónia de bênção da primeira pedra… Apesar da receção definitiva da obra ter ocorrido a 11 de abril de 1960 … D. Manuel de Jesus Pereira, Bispo Auxiliar, sagrou a igreja no dia de S. José, a 19 de março de 1962.
Igreja de S. José, após inauguração. Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/448248969156178023/. Op. cit., 294
Ainda despida das intervenções artísticas, a luz interior da igreja e em particular da capela‑mor foi então largamente elogiada.
…. Monsenhor Nunes Pereira, outra importante figura no campo da arte e da cultura, escreveu que o novo templo, “bem iluminado, é dominado pela capela‑mor de terminação semicircular tendo ao centro o altar de mármore e o trono sob um baldaquino dourado”.
…. A intervenção de artistas plásticos acabou por realizar‑se quer no exterior quer no interior da igreja. Na fachada principal colocaram‑se dois grupos escultóricos de dimensão quase excessiva, ambos concebidos pelo artista açoriano Numídico Bessone Borges de Medeiros Amorim (1913‑1985): S. José com o Menino e Dois anjos com cruz. Para o interior da igreja, a escultora Maria Amélia Carvalheira (1904‑1988) concebeu diversas peças, nomeadamente as esculturas de Nossa Senhora e de S. José com o Menino, colocadas nas capelas laterais, e a Via Sacra, obras serenas e de traço seguro.
…. Ainda no presbitério foram colocados azulejos na parte inferior das paredes, tal como nas paredes laterais da igreja e das capelas laterais, cujo teto foi ainda rebaixado em três metros.
Nesta intervenção, a pia batismal foi deslocada desde o seu local original, no batistério junto à entrada, para o altar‑mor.

Igreja de S. José, capela‑mor (1962, 1983, 2001). Fonte: Castelhano, João, Nunes, Mário, Rebelo, João José – S. José - Coimbra: 75 Anos de uma Paróquia Viva. Coimbra: Diocese de Coimbra – Paróquia de S. José, 2008; Floristán, Casiano – Para compreender a paróquia. Arquivo do autor. Op. cit., pg. 301
No âmbito da Celebração do Jubileu do Ano Santo de 2000, várias obras foram encomendadas a diferentes artistas. Nas galerias exteriores foram inaugurados dois grandes painéis de azulejos da autoria de Vasco Berardo, pintor, escultor e ceramista. Inaugurados a 7 de janeiro de 2001, tiveram como tema “Cristo” (galeria nascente) e “Maria” (galeria poente).
Nunes Pereira, Vitral central da Igreja de S. José. Imagem acervo RA
A 16 de junho de 2001 foi colocado no presbitério o Vitral da Ressurreição, da autoria de Monsenhor Nunes Pereira, peça figurativa dividida em três tramos, o central e principal que representa a ressurreição de Cristo, ladeado por panos mais estreitos, à esquerda com cenas da vida de Cristo e à direita com os apóstolos.
Cunha, J. A. 2019. Igreja de São José, Coimbra: história da sua construção. In: Lusitania Sacra. 39 (janeiro-junho 2019), pg. 269-302. Universidade Católica Portuguesa. Texto e imagens acedidas em: https://www.academia.edu/77771199/Igreja_de_S%C3%A3o_Jos%C3%A9_Coimbra_hist%C3%B3ria_da_sua_constru%C3%A7%C3%A3o
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.