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A' Cerca de Coimbra



Quinta-feira, 16.05.24

Coimbra: Achados arqueológicos no Largo da Portagem

O texto que hoje divulgamos saiu da pena da Professora Doutora Leontina Domingos Ventura e do Dr. Paulino Mota Tavares e foi publicado na Munda de novembro de 1982.

Na sequência dos últimos achados arqueológicos da Portagem,

Largo da Portagem 1.jpgCoimbra – Largo da Portagem onde a Arqueologia confirma o documento escrito. Op. cit., pg. 4

 que despertaram alguma curiosidade e diversos comentários entre eruditos e populares, trazemos a público um texto de 1677 que, de certo modo, explica a origem do conjunto formado pelas estruturas que, oportunamente, o Diário de Coimbra, revelou aos seus leitores: a fonte, recortada em pedra de Ançã e emoldurada por azulejo figurativo e monocromático de tema bíblico-pastoril e a grandiosa abóbada que abrigava um altar com retábulo, criando um espaço de recolhimento e veneração às principais figuras do Calvário.

Aí se prestaria culto a antigas imagens de Cristo crucificado, da Virgem e de S. João Evangelista. Tal obra de implantação e restauro seiscentista ficou a dever-se ao empenhamento do nobre e cavaleiro professo do hábito de Cristo, António de Magalhães e de sua mulher D. Sebastiana de Castelo Branco, que ali moravam, na velha Rua da Saboaria.

No final do artigo é apresentada uma transcrição do citado documento de 1677, da qual salientamos os parágrafos que se seguem, cuja grafia atualizamos para facilitar a sua leitura. Alertamos, ainda, não só para a falta de rigor histórico desse documento, bem como para o não uso de pontuaçãor, como era habitual na época em que o documento foi escrito.

…. No ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1677 anos sendo aos vinte dias do mês de abril do dito ano e nesta cidade de Coimbra e pousadas (ou casa de habitação) de António Magalhães ….  porque num quintal que juntaram às casas em que vivem querendo fazer entre outras curiosidades (ou construir) uma fonte que se meteu dentro do muro da cidade junto à ponte e rio Mondego que confina com o dito quintal procedendo a grandes circunstâncias (ou trabalhos)

Largo da Portagem 2.jpg

António Magalhães decidiu «fazer entre outras curiosidades sua fonte que se meteo dentro do muro da cidade». Op. cit., pg. 5

que dificultavam o sucesso (da obra) foi Deus servido se achasse uma abóboda e no fim dela um retábulo com a Imagem de um Cristo Crucifixado e de Nossa Senhora e S. João obra muito antiga

Largo da Portagem 3.jpg… «foi Deos servido se achasse hua abobada e no fim della hum retabollo…». Op. cit., pg. 6

que pelas tradições se averiguou ser do tempo em que os Godos possuíram esta Cidade a qual imagem estava muito maltratada e abocada (ou, tapada) com entulhos indecentes que se verificava ser entulhada pelos Mouros e entendendo ser a Deus Nosso Senhor servido fosse achada como foi Sua Santa imagem aos oito de Outubro desse ano próximo passado de seiscentos e setenta e seis para se lhe desse a devida veneração eles os ditos António de Magalhães e sua mulher a Senhora Dona Sebastiana de Castelo Branco lhe fizeram uma ermida com despesas consideráveis em todo o sítio junto a ela na qual queriam impor (se pudesse rezar) com licença do Ilustríssimo Senhor Bispo Conde Dom Frei Álvaro de S. Boaventura missa quotidiana e lâmpada acesa para sempre desistindo de um breve que tinham para puderem ter oratório e missa nas mesmas casas em que vivem e assim eram contentes que à custa dos rendimentos do dito morgado (morgado que haviam instituído) enquanto o mundo durasse houvesse missa por sua intenção e lâmpada sempre acesa na dita ermida e que além dos bens do dito morgado vinculam a ele e ao ornato dela (da ermida) as mesmas casas e todas as mais que têm ao redor delas a saber: as da Calçada que tem janelas para o mesmo quintal que rendem vinte e dois mil reis e as do canto para cima da sua porta que andam (são) dez e um armazém que se arrendado vale vinte mil reis e umas casas mais abaixo que andam em quatro que com baixos que se alugam das mesmas (semelhantes) às em que vivem possam render sessenta mil reis e para azeite da lâmpada dão por hipotecados a ela os olivais que têm dentro da Quinta de S. Clara que é cabeça do dito morgado.

Ventura, L.D. e Tavares, P.M. O Fenómeno Artístico e Religioso no Seiscentismo Coimbrão – A Portagem. In: Munda, Revista do Grupo de Arte e Arqueologia do Centro. N.º 4 Novembro de 1982. Pg. 3 a 8.

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por Rodrigues Costa às 17:13


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