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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 09.04.24

Coimbra: Contas do Cabido da Sé, em meados do séc. XVIII

O Doutor Fernando Taveira da Fonseca, hoje professor aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, dedicou-se ao estudo da História Moderna e Contemporânea.

FTF imagem 2.jpgFernando Taveira da Fonseca. Imagem acedida em https://www.bing.com/images/search?view=detailV2&ccid=kWbulkuY&id=87F39EDAB15F93C70FB35B3BC95515E6DBDB1E55&thid=OIP.

O seu trabalho, ora divulgado, leva-nos até aos meados do século XVIII e à realidade da vivência do Cabido da Sé de Coimbra, nessa época.

Sé Velha 4.jpgSé Velha. In: Revista Pittoresca e Descriptiva de Portugal com vistas Photograficas n.º 5. Lisboa. 1862.

Parece hoje indiscutível a importância do conhecimento dos aspetos económicos da vida das instituições e das corporações eclesiásticas, no Antigo Regime. Como já afirmei em outro lugar, tal conhecimento transcende a mera contabilização de ingressos e despesas para se transformar, pelos comportamentos e pelas preocupações que revela, em elemento definidor da natureza da própria instituição ou corporação, constituindo, ao mesmo tempo, um indicador da sua posição específica no contexto das relações sociais.

…. O documento que serve de base a esta nota [o “Mappa geral da receita, despeza, e saldos existentes das rendas da maça do Cabido da cathedral de Coimbra”] surge em consequência do conflito que opôs dois dos corpos de clérigos da catedral: os dignidades e cónegos, por um lado; e os meios cónegos e tercenários, por outro. De raízes antigas, reacendeu-se em 1758, a propósito do pleito judicial movido pelo meio prebendado Luís de Melo, a cujo benefício estava anexa a cura de almas da paróquia da Sé.

…. As vicissitudes deste longo pleito são diversamente encaradas e narradas por cada uma das partes litigantes onde uns – Luís de Melo e os seus companheiros — veem um esbulho violento de direitos, os outros afirmam estar apenas a salvaguardar os seus e a punir comportamentos incorretos. Não cabe no âmbito desta nota o tratamento pormenorizado deste litígio… “a causa com varia fortuna até ser decidida finalmente na Relação de Lisboa a favor de Luiz de Mello".

…. O intervalo cronológico abrangido pelo “Mappa Gera”l (16 anos) sugere que se privilegie, na sua análise, a consideração da estrutura da receita e da despesa, revelando-se de menos interesse (pela exiguidade daquele intervalo) o estudo da evolução das suas diversas componentes. Mesmo quando tentado, colhe-se a imediata impressão de quase imobilidade.

 

Contas do Cabido da Sé, em meados do séc. XVIII

Sé de Coimbra, contas do Cabido (1760-1775). Op. cit., pg. 124

Considerei separadamente o saldo porque é apenas uma parcela contabilística: regista-se na despesa de um ano e, com os mesmos valores, na receita do ano seguinte. E essa impressão mais se reforça se observarmos as suas componentes:

Contas do Cabido da Sé, em meados do séc. XVIII

Sé de Coimbra, contas do Cabido (1760-1775). Op. cit., pg. 125

É assim muito menos significativa a existência de dinheiro do que aquilo que se contabiliza como arrecadação futura: as dívidas dos rendeiros constituem uma parcela bastante estável (a avaliar pelo coeficiente de variação), tornando a totalidade do saldo um montante quase fixo, entre os dez e os onze contos de réis.

… A despesa organiza-a o “Mappa Geral” em sete grandes parcelas que depois subdivide. Mantendo, para uma primeira apreciação, as designações genéricas nele utilizadas, torna-se necessário posteriormente desdobrá-las, uma vez que algumas das suas componentes merecem ser olhadas separadamente. O conjunto dos valores médios pode ser observado no quadro 3.

Contas do Cabido da Sé, em meados do séc. XVIII

Sé de Coimbra, contas do Cabido (1760-1775). Op. cit., pg. 127

Anotemos, antes de mais, a quase invariabilidade da despesa total (coef. de variação= 3,2%), apesar de algumas das suas componentes apresentarem margens de variação bastante mais amplas: o valor máximo aparece, como seria de esperar, na despesa extraordinária; e assume ainda alguma expressão na rubrica "causas e execuções". Mas a característica mais saliente da aplicação dos rendimentos do Cabido é a proporção que cabe aos cónegos.

…. Sendo assim, a estimativa que apresento para o rendimento anual de uma prebenda inteira - tomando como exemplos os dois anos extremos a que se refere o “Mappa Geral”, 1760 e 1775 - diz respeito aos montantes sem deduções

(quadro 5).

Contas do Cabido da Sé, em meados do séc. XVIII

 Sé de Coimbra, contas do Cabido (1760-1775). Op. cit., pg. 132

…. Meios cónegos e tercenários recebiam proporcionalmente; e alguns dignidades tinham mais do que uma prebenda.

Fonseca, F. T. As contas do Cabido da Sé de Coimbra. (1760-1775). Nota de investigação. In: Revista Portuguesa de História, T. XXX (1995). Pg. 113-136. Acedido em: 

https://www.academia.edu/77164190/As_contas_do_cabido_da_S%C3%A9_de_Coimbra_1760_1775_nota_de_investiga%C3%A7%C3%A3o?auto=download&email_work_card=download-paper

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por Rodrigues Costa às 11:05


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