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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 27.02.24

Coimbra: Ressurgimento da Cidade em 1537 3

O subúrbio sofreu considerável destruição em 1373, quando as tropas de Henrique II de Castela atacaram a cidade, no decurso das guerras que o rei castelhano sustentou contra D. Fernando. Os castelhanos não entraram na almedina (onde se encontrava D. Leonor Teles, que então deu à luz sua filha, D. Beatriz), mas roubaram e puseram fogo a casas no subúrbio.

…. O ataque castelhano levou D. Fernando a reforçar as muralhas da cidade e a construir uma barbacã. A Judiaria, que ficava fora das muralhas, mas muito perto delas, foi parcialmente abandonada e o rei reinstalou os Judeus numa «rua nova» que saía da rua Direita e ainda hoje conserva o nome.

JA Ressurg, pg. 170.jpgReconstituição do castelo de Coimbra. Op. cit., 170

O Infante D. Pedro recebeu de seu pai o ducado de Coimbra em 1415. Através da sua correspondência sabemos que se preocupou com obras em pontes e calçadas da região. Na cidade, talvez o projeto mais relevante do seu tempo tenha sido o de reforçar o abastecimento de água. A obra, todavia, não se concretizou devido à oposição do mosteiro de Santa Cruz.

…. Em 1443, D. Pedro instituiu em Coimbra um «Estudo Geral de todas as sciencias», mas esta nova Universidade foi um projeto gorado.

No tempo de D. Manuel (1495-1521) foram muitas as obras feitas na cidade por iniciativa régia. Reconstruiu-se a ponte, alteando-a. Renovaram-se os Paços da Alcáçova e o mosteiro de Santa Cruz. Quer nos Paços, quer em Santa Cruz, as obras prosseguiram no reinado de D. João III.

JA Ressurg, pg. 31.jpgReconstituição hipotética do rossio da Portagem no séc. XVI. Op. cit., pg. 31

Ainda no tempo de D. Manuel construíram-se, na Praça Velha, o Hospital Real e os açougues.

No mesmo reinado, mas pelo bispo D. Jorge de Almeida, fizeram-se obras na Sé e no Paço Episcopal. Foi sob a égide deste bispo, na década de 1520, que se ergueu a famosa Porta Especiosa da Sé.

JA. Porta especiosa.jpgSé Velha de Coimbra, Porta Especiosa. Acervo RA

A catedral foi forrada de azulejo hispano-árabes (dos quais hoje pouco resta) e enriquecida com o famoso retábulo flamengo da capela-mor.

JA. Sé Velha, retábulo.jpgSé Velha de Coimbra, retábulo da capela-mor. Acervo RA

Vários particulares ergueram grandes moradias: o Paço de Sobre-Ribas, a casa do Conde de Cantanhede, a dos Alpoins e a dos Cunhas de Pombeiro. Portas e janelas manuelinas visíveis em muitas casas da cidade provam que foi grande a construção ou reconstrução de prédios particulares no tempo de D. Manuel.

…. Em 1537, D. João III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra.

…. Pensava o rei na construção de um edifício novo para os estudos universitários.

…. Numa carta dirigida pela Universidade a D. João III, datada de 9 de Maio de 1537, lê-se que «ja nas cassas de dom Graçia dAlmeida Rector saõ feitas cadeiras e bancos em ordenãça em que cada hu dos lentes tem lidas suas prymeiras lições».

Como seria Coimbra em 1537?

 A população da cidade talvez andasse entre 5000 e 5500 almas, vivendo intramuros pouco mais de um terço.

Para podermos imaginar a cidade de forma correta ou completa faltam-nos plantas, vistas panorâmicas, documentos escritos.

Plantas de edifícios e de arruamentos podem jazer, inéditas, nos arquivos. Recordaremos

… A vista panorâmica de Hoefnagel, desenhada em 1566 ou 1567, é de três décadas posterior à transferência da Universidade. Ainda assim, e apesar de ser algo fantasista a representação da cidade, não podemos ignorá-la.

Coimbra. Hoefnagel. 1598.jpg

Alarcão, J. Coimbra. O ressurgimento da cidade em 1537. Desenhos de José Luís Madeira. 2022. Coimbra. Imprensa da Universidade.

 

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por Rodrigues Costa às 11:05


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