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Albertino Marques trabalhava muito e jamais deixou de estudar, o que lhe permitiu, a par com a sua capacidade de saber fazer falar o ferro tosco, tornando-o delicado, introduzir o seu nome entre os mais conhecidos artistas que, em Portugal, se dedicaram à arte de forjar.
Albertino Marques
Os primeiros ensinamentos técnicos colheu-os na oficina de António Maria da Conceição, e depois, ainda muito novo, terminou o curso de desenho ornamental e de modelação da Escola Industrial Brotero, obtendo o diploma com distinção; frequentou também o curso de aperfeiçoamento do mesmo estabelecimento de ensino. Foi sempre um sócio empenhado e assíduo da Escola Livre, bem como da Associação dos Artistas, onde, em 1926, ocupou o lugar de tesoureiro.

Tocheiro. Fundação e Restauração de Portugal
Palácio da Justiça. Lustre para a Procuradoria da República
Já em 1924, o desamor pelo estudo era notório, e Albertino Marques lamentava-se de não ter ninguém de confiança que o pudesse ajudar, pois os serralheiros de então pouco ou nada sabiam de desenho e nem frequentavam a escola. Bem gostaria de empregar toda a sua criatividade na serralharia artística, mas, infelizmente, para além de se ver sozinho, também lhe não era permitido, certamente por questões de ordem económica, desprezar os trabalhos vulgares.
Ferragens para um fogão de sala

Lanternas para o Jardim da Sereia
De entre a sua produção individual mais representativa salientem-se as lanternas e serpentinas, batidas ao gosto da Renascença, encomendadas pelo presidente, para a câmara de Coimbra e quatro candeeiros de parede, do mesmo estilo, destinados ao vestíbulo que dá acesso ao salão nobre; o cofre para o Doutor Bissaia Barreto (com desenho de António Augusto Gonçalves), exposto na montra de A Portugal, na rua Visconde da Luz; e o lampadário para o túmulo da Rainha Santa.

Cofre para o Doutor Bissaia Barreto
Lampadário para o túmulo da Rainha Santa
Albertino Marques é o responsável por uma importante coleção de trabalhos, quase sempre composições decorativas de dimensões restritas; mas as peças saídas da sua oficina espalham-se por todo o país e passam por tocheiros, em estilo gótico, renascentista ou ‘modernizado’, por lâmpadas cinzeladas ou por portas e grades para jazigos e campas.
Sacrário para a capela do Seminário de Coimbra
Mestre Albertino, para quem a forja não tinha segredos, dispunha de invulgares recursos no afeiçoamento do ferro, sempre domado sob o influxo do seu temperamento de artista.

Escritório para a Câmara Municipal de Coimbra
Anacleto, R. A arte do ferro forjado na cidade do Mondego, primeira metade do século XX. In: História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia. 2021.Edição Imprensa da Universidade de Coimbra, pg. 259-292.
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