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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 12.06.18

Coimbra: Batalhões Académicos

O primeiro batalhão académico a ser formado na Universidade organiza-se em 1644... Invocava-se a defesa do País, após os acontecimentos que culminaram na Restauração da Independência e na aclamação de D. João IV, em 1640.

A lealdade da Academia à causa pátria e a sua participação no esforço de conservação da autonomia de Portugal veio posteriormente a encontrar novas oportunidades de se ver confirmada.

No final de 1807, com efeito, os exércitos napoleónicos, comandados por Junot, invadem o território português.

Batalhões académicos.jpg

 Imagem comemorativa da conquista do forte da Figueira da Foz

 A proximidade do teatro de guerra relativamente á cidade de Coimbra, leva a que a Universidade encerre as suas portas em 27 de Julho de 1808. Alguns estudantes universitários aderem prontamente à iniciativa de libertar o forte da Figueira da Foz, ocupado por militares franceses... retomam de facto o forte de S-ta Catarina, na Foz do Mondego, em 26 de Junho de 1808, sob o comando do 1.º sargento de artilharia e aluno da Universidade, Bernardo António Zagalo.

A escassez de munições necessárias à defesa da cidade de Coimbra é colmatada pelo fabrico artesanal de projeteis no Laboratório Químico da Universidade... Organiza-se então na Universidade um Corpo Militar constituído por lentes, opositores, doutores e professores e um outro de Voluntários Académicos, que adotaram como legenda, ostentada no emblema, “Vencer ou Morrer por D. João VI”.

 

Batalhões Académicos medalhas.jpg

 

Medalha comemorativa dos Voluntários Académicos de 1808

 

Como reconhecimento do nobre desempenho da sua missão, o Corpo de Voluntários Académicos foi autorizado ... 22 de Julho de 1808, a usar a insígnia representando os símbolos da Universidade aureolados pela legenda “Pro Fide, Pro Patria, Pro Rege”.

Cumpridas as missões realizadas em Leiria, Tomar e Lisboa, regressaram os bravos combatentes, vitoriosamente, a Coimbra, onde, no final de Setembro, a cidade e a Universidade os festejaram e cumularam de louvores.

Expulsas as tropas francesas do país, logo no ano seguinte, perante a eminência d segunda invasão... é ordenado novo alistamento de lentes e estudantes, pela Carta Régia de 2 de Janeiro de 1809... o encerramento da Universidade que havia reaberto as suas portas a 1 de Novembro de 1808. Em Setembro do ano seguinte, retomam-se as aulas... é concedido “perdão de ato” aos estudantes que se alistaram.

... Ao terminar o ano de 1810, a terceira invasão francesa... vem justificar nova mobilização armada de universitários que, pouco tempo volvido, após a retirada das tropas invasoras, perde razão de ser, sendo o Corpo Militar dissolvido, por Aviso de 15 de Abril de 1811.

... A revolta liberal do Porto em 16 de Maio de 1828, motivou o alistamento de um corpo de voluntários académicos cuja atuação não foi bem sucedida, acabando por provocar o abandono da Universidade e mesmo a emigração de elementos seus. Do mesmo modo a revolução liberal de 1834 veio a afastar aquele que haviam aderido à causa de D. Miguel.

Foi um momento conturbado este, em que a Universidade se viu transformada em teatro de lutas intestinas, dividindo professores e alunos. Em 1846-47, organizou-se novamente o Batalhão Académico que incluiu também alunos do Liceu.

... Numa última formação, interveio o Batalhão Académico nos episódios de confrontação armada, em 1919, aquando da tentativa de restauração do regime monárquico, conhecida por “Monarquia do Norte”.

 Arquivo da Universidade de Coimbra. Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Vol XI e XII.1989/1992. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 305-307

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:32


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