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A' Cerca de Coimbra



Terça-feira, 02.02.16

Coimbra, os carreiros, boeiros e recoveiros

Antes do crescimento da cidade, numa data que não podemos precisar, os carreiros não ultrapassariam a dezena. Mas anos depois, antes de 1559, se fosse possível dar crédito à mesma fonte, seriam mais de 120 … Os boieiros da cidade tinham de assumir certos serviços para com ela em virtude da pastagem dos bois. Mas os carreiros juntamente com os das redondezas, estavam submetidos a outra imposição: os carros com rodas ferradas não podiam circular pelas ruas públicas dos arrabaldes ou da Almedina … os almocreves dedicavam-se tanto ao transporte de mercadorias alheias como aproveitavam as viagens para negociar por conta própria … Os almocreves eram agentes normais de transporte (de mercadorias e pessoas) e de meios de comunicação. Como eles, mas com atividade mais específica, os recoveiros … A «cidade» de Coimbra tinha pelo menos um recoveiro seu … fazia o trajeto entre Coimbra e Lisboa

Em 1539 o monarca concedeu-lhe autorização para ter recoveiro, «feito pelo Reitor & Comselho», que fosse a Lisboa «trazer & levar as cousas que forem neçesarias aos lemtes & estudantes … Mas no ano seguinte os recoveiros passaram a ser três: de Lisboa, Alentejo e Entre Douro e Minho. Este número foi depois alterado … de Santarém e seu termo … de Torres Novas … os recoveiros de Évora, de Elvas e Portalegre … Castelo Branco … de «todo o pé da Serra da Estrela» era obrigado pelo contrato que celebrou em 1603, a ir a Salamanca de dois em dois meses, para trazer livros o mais que fosse necessário aos lentes … o recoveiro de Entre Douro e Minho, criado em 1540, era insuficiente para o Norte do País. Ao lado do que primitivamente devia ir a Braga, Guimarães, Basto e regressar ao Porto, surgem os de Barcelos, de Trás-os-Montes (Chaves e Vila Real), de Torre de Moncorvo, Lamego, Porto, Lafões, Arouca e Terra da Feira … Os recoveiros transportavam de Coimbra ou para Coimbra o necessário à manutenção dos escolares na Universidade: correspondência, dinheiro, roupas, livro e mantimentos. E além das «cargas» punham à disposição dos estudantes, para seu transporte, animais de «cavalaria».

Oliveira, A. 1971. A Vida Económica e Social de Coimbra de 1537 a 1640. Primeira Parte. Volume II. Coimbra, Universidade de Coimbra, pg. 33 a 43

 

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por Rodrigues Costa às 09:42

Segunda-feira, 01.02.16

Coimbra e as suas personalidades: Nelson Correia Borges

Resumo da intervenção na homenagem a Nelson Correia Borges, aquando das comemorações do 30.º aniversário do Grupo Folclórico de Coimbra

... um Homem que o é por inteiro, vertical, amigo do seu amigo, de grande humanidade na dignidade da sua modéstia. Um Homem com quem sempre vale a pena falar e que tem sempre algo para nos ensinar.

… docente do Instituto de História da Arte … a partir de 1978. O seu doutoramento ocorreu em 1993, com uma dissertação subordinada ao tema Arte Monástica em Lorvão. Sombras e Realidade. Das origens a 1737, a qual veio a ser editada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2002. Antes, em 2001, alcançou a sua agregação.
… Professor de História da Arte Moderna e Diretor do Instituto de História da Arte (1997-1999)
… principais monografias que publicou: Mosteiro de Lorvão, 1977; João de Ruão, escultor da Renascença Coimbrã, 1980; A Capela do Tesoureiro da antiga Igreja de São Domingos, 1980; A Arte nas Festas do Casamento de D. Pedro II. 1987; Do Barroco ao Rococó, volume 9 da obra História da Arte em Portugal, 1987; Coimbra e Região, Lisboa, 1987, obra que, em minha opinião, é a mais conseguida das monografias publicadas sobre Coimbra e a sua região; Doçaria Conventual de Lorvão, 2013.
… Académico Correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes (Lisboa); da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, Secção de Belas-Artes (Lisboa); membro da Comissão Diocesana de Arte Sacra de Coimbra; … um dos fundadores AFERM-Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego; membro do Conselho Técnico Regional da Federação do Folclore Português.
Foi fundador de três associações de defesa do património: Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, a Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão e o Grupo Folclórico de Coimbra.

… viu ser reconhecida a sua autoridade nas seguintes aéreas: Arte das Ordens Religiosas em Portugal; Rococó em Portugal; Arquitetura e talha em Coimbra e região centro (Barroco e Rococó); Cultura e arte populares / Folclore.

Nelson Correia Borges tem dois amores:
O primeiro amor foi o que lhe veio do berço: Lorvão, as suas gentes e o seu Mosteiro.
Mosteiro do Lorvão de que tem sido um incansável defensor … na sua qualidade de fundador e Presidente da Direção da Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão, que vem exercendo desde 1983.

O segundo amor foi pela Cidade onde cresceu, se fez Homem e um respeitado historiador. Amor por Coimbra no seu todo: na sua arte, nos seus monumentos, na sua cultura, na sua história mas também e, essencialmente, no seu Povo.
Coimbra que lhe deve, na sua participação empenhada, mas sempre desinteressada, a realização de tarefas, para além das atrás referidas e entre tantas outras, das quais importa destacar:
- A partir de 1978 e até à sua desativação, integrou a Comissão de Análise dos Grupos Folclóricos, como elemento especializado na área do traje popular onde realizou um notável trabalho de formação dos responsáveis pelos grupos folclóricos que permitiu a colocação do folclore coimbrão no patamar de exigência onde já esteve e ao qual importa regressar;
- Apoiou cientificamente a exposição “Aspetos do Trajo Popular Feminino em Coimbra”;
- Realizou inúmeras visitas guiadas a monumentos da Cidade de que a recente visita à Igreja do Salvador é só o último exemplo;

Da dimensão e a qualidade do trabalho na investigação e recolha que pacientemente vem realizando ao longo dos anos nos campos da etnografia e do folclore coimbrãos há ainda que acrescentar:
- A redescoberta e a divulgação da doçaria conventual coimbrã, que tem tido como momento alto, a reposição anual da tradicional “Feira dos Lázaros”;
- A recuperação de inúmeras de músicas tradicionais cantadas e dançadas em Coimbra nos finais do século XIX e inícios do século XX que permitiu a reposição, com rigor histórico das tradicionais “fogueiras” de Coimbra e das “serenatas futricas”, bem como dos cantares coimbrãos, nos ciclos do Natal e da Páscoa.
Tudo feito sem alardes, na simples afirmação do que se ama e da verdade histórica.

Coimbra e nomeadamente o seu Município têm que olhar para o acerbo que este Homem vem criando ao longo dos anos, para o que ele tem feito pela nossa Cidade e para o muito que ainda lhe pode dar.
Coimbra tem que dizer de uma forma clara: Obrigado Senhor Professor Doutor Nelson Correia Borges pelo que já fez e pelo muito que esperamos possa ainda fazer em prol da cultura deste Concelho.

Costa, A.F.R. Intervenção na homenagem a Nelson Correia Borges, aquando das comemorações do 30.º aniversário do Grupo Folclórico de Coimbra. Coimbra, 31 de Janeiro de 2016

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por Rodrigues Costa às 20:19

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