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A' Cerca de Coimbra



Quinta-feira, 21.05.15

Coimbra e o Mondego

O Mondego não é apenas o mais importante dos rios nascidos em Portugal. É também o mais português por ter sido sentido e cantado por quase todos os grandes poetas portugueses …
«O Mondego (citamos Fernandes Martins), essa linha de água que, logo na origem, se vê ser ‘um rio de chorões e salgueirais’, talvez porque assim sucede, acorda nas almas – Portugal além – mesmo maquelas que nunca o viram, algo de inefável beleza, o ritmo doce de uma serenata!»
O grego Estrabão já se lhe refere, designando-o por Muliades. Munda ou Monda lhe chamaram os Romanos, enquanto Edrisi descreve o rio que banhava Colimbria, dando-lhe o nome poético e sonhador de Mondik. E já num documento de 946 do Mosteiro de Lorvão, surge a forma Mondeco, bem próxima da atual. Mas, nem uns nem outros foram os padrinhos, pois a raiz da palavra (Mond-) é seguramente pré-romana …
O Mondego, esse rio que dessedentou celtas, romanos, godos e mouros, foi também a linha de fronteira entra a cruz e o crescente, ao tempo da reconquista.

Borges, N.C. 1987.Coimbra e Região. Lisboa, Editorial Presença, pg. 18 e 19

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por Rodrigues Costa às 18:47

Quarta-feira, 20.05.15

A' Cerca de Coimbra:uma explicação

Decorrido o período experimental do A’ Cerca de Coimbra, um pedido e uma explicação.

O pedido: gostaria de ter a opinião dos membros dos Cromos sobre o trabalho que iniciei.

Uma explicação: a razão do A'Cerca de Coimbra que é a seguinte:

Nasci na Couraça dos Apóstolos na casa da Cerca, adossada à muralha, então, ainda perfeitamente reconhecível.
Cerca que foi construída no século XVII como espaço de lazer dos colegiais da Congregação de Santa Cruz, anexa ao Colégio Sapiência ou de Santo Agostinho e que foi o mundo da minha meninice, com as Capelas onde ainda se vislumbravam frescos, com os alegretes e os seus elegantes bancos em pedra, com o arruado ladeado pela extensa colunata, com o que restava do jardim com algumas flores e arbustos que só ali existiam, com a mina da nascente e com o sistema de recolha e armazenagem da água que vinha desde o Aqueduto de S. Sebastião.
Muito jovem, aos 16 anos, tive como primeiro emprego a responsabilidade de datilografar os difíceis originais do historiador de Coimbra Dr. José Pinto Loureiro, que rapidamente também me encarregou de fazer pesquisas, nomeadamente, nesse magnífico jornal que foi “O Conimbricense”.
Nasceu aí o meu gosto pela história de Coimbra.
Depois de um percurso profissional de mais de 56 anos, ao iniciar a última fase da minha vida, uma questão se me colocou: que fazer?
A opção mais óbvia foi a de fechar o ciclo e de regressar aos primórdios, ou seja de procurar conhecer – e dar a conhecer – dados sobre a história da minha Cidade.

São estas as razões que me levaram a concretizar, até onde a saúde e o engenho o permitirem, o projeto que ora torno público.
Não sendo historiador, resta-me a recolha e a divulgação das informações que vou coligindo, enquanto leitor compulsivo que sempre fui e continuo a ser.
Assim, o que me proponho fazer é recolher referências à cidade do Mondego existentes em obras publicadas e divulgá-las utilizando os recursos que as novas tecnologias colocam hoje ao nosso alcance, ou seja, através de um blogue intitulado A’ Cerca de Coimbra.
Neste blogue, desde o primeiro momento, são chamados a participar todos aqueles que o desejarem, desde que observem as seguintes regras essenciais:

- Respeito escrupuloso pelo tema único do blogue, delimitado ao período que vai dos tempos iniciais até ao final do século XX;
- Entradas tão breves quanto possível;
- Indicação clara e expressa das fontes utilizadas;
- Respeito pelas regras da propriedade intelectual, nomeadamente, no que concerne à utilização de imagens.

Tudo isto se enquadra na procura do objetivo fundador: a divulgação da história de Coimbra.

Assumindo, naturalmente, a função de administrador do blogue importa ainda referir as questões de ordem metodológica que se seguem:

- Necessidade de inscrição para a publicação de textos;
- Possibilidade de comentar os textos publicados;
- Catalogação dos textos de acordo com os seguintes princípios:
. Por Autores citados
. Por obras citadas
. Por assuntos, a partir da seguinte divisão temporal:
. Coimbra pré-histórica
. Coimbra romana
. Coimbra sueva
. Coimbra visigótica
. Coimbra árabe
. Coimbra leonesa
. Coimbra nos séculos XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

 

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por Rodrigues Costa às 22:33

Quarta-feira, 20.05.15

Coimbra, diocese sueva

Foi talvez o mesmo conservadorismo, aliado a uma certa passividade do metropolita da Lusitânia, que explica o facto de no III Concílio de Toledo não se ter restaurado a divisão provincial alterada pela obediência dos bispos de Coimbra, Viseu, Lamego e Idanha ao metropolita de Braga, em virtude da ocupação do território a norte do Mondego por parte dos Suevos.

A permanência da divisão provincial pode-se aproximar de uma relativa estabilidade também da rede de civitates, em grande parte porque estas eram geralmente sedes de episcopados. Mas aqui as alterações já se podem considerar mais significativas … referirei o caso de várias transferências de sedes diocesanas, como de Leão para Astorga no século V, de Meinedo para o Porto no século VI ou de Conimbriga para Emíno (Coimbra) no fim do mesmo século.

 

Mattoso, J. A época sueva e visigótica. In Mattoso, J. (Coordenador) 1997. História de Portugal. 1 Antes de Portugal, pg. 291 e 300.

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por Rodrigues Costa às 22:04

Terça-feira, 19.05.15

Coimbra, invasões bárbaras

No século V, no âmbito das chamadas “invasões dos povos bárbaros”, Conimbriga foi saqueada e terá vivido tempos difíceis. Sabemos, contudo, que era ainda habitada no século VI e manteve um estatuto suficiente na Lusitânia para manter a sede do bispado. Esta, todavia, foi transferida para a cidade de Aeminium, nas margens do Mondego, sob a atual Coimbra, antes do fim do mesmo século.

Fabião, C. O passado proto-histórico e romano. In Mattoso, J. (Coordenador) 1997. História de Portugal. 1 Antes de Portugal, pg. 230-231.

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por Rodrigues Costa às 22:11

Segunda-feira, 18.05.15

Coimbra, vias de comunicação romanas

A via que ligava Olisipo e Bracara era certamente o mais importante itinerário de ligação entre o Norte e o Sul do atual território português. Seguia paralelamente ao litoral. E tocava todas as grandes cidades da fachada atlântica. De Olisipo ia a Scalabis, daí a Sellium (Tomar), onde devia existir uma ramificação para Colipo (algures na zona de Leiria), seguidamente passava por Conimbriga, Aeminium (Coimbra), Talabriga (em local indeterminado junto ao Vouga, talvez no sítio de Cabeço do Vouga) e Lacóbriga (provavelmente no Castro de Fiães, Santa Maria da Feira).

Fabião, C. O passado proto-histórico e romano. In Mattoso, J. (Coordenador) 1997. História de Portugal. 1 Antes de Portugal, pg. 234-235

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por Rodrigues Costa às 22:22

Domingo, 17.05.15

Coimbra, a cidade da pedra e do ferro

A tradição artística coimbrã assentava as suas bases na pedra, não no ferro. Deste, nos alvores do nosso século (séc. XX), poucos testemunhos significativos se encontravam na cidade … Em 1900, a Exposição Universal de Paris atraía sobre si as atenções do mundo civilizado … António Augusto Gonçalves … ei-lo a caminho da Cidade das Luzes … A secção de serralharia fascinou-o! … Ele que na sua Escola Livre “exigia” aos que a frequentavam a manutenção e desenvolvimento de uma criativa própria … De regresso à cidade questionava-se acerca do caminho a trilhar para modificar este estado de coisas e sonhava desenvolver em Coimbra, com o ferro, uma arte que atingisse nível similar ao da pedra … A indústria contemporânea do ferro forjado nasceu em Coimbra com a nova centúria, viveu na cidade, mas espalhou-se por todo o país.

Anacleto, R., 1983. O Coreto do Parque Dr. Manuel Braga em Coimbra. Coimbra, Separata de Mundo da Arte, 14, pg. 17 a 30, pg. 21 a 24

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por Rodrigues Costa às 17:01

Sábado, 16.05.15

Coimbra, os colégios universitários

Tipo Renascença Coimbrã
O tipo de claustro adotado para os colégios de Coimbra é o que mais se liga à tradição anterior do gótico final e manuelino. … Seria … Diogo de Castilho quem viria a dar o maior contributo para a definição desta tipologia de claustros, através da introdução de abóbadas de berço e de uma mais correta utilização das ordens clássicas. Em 1543 projeta em Coimbra o claustro do colégio de Nossa Senhora da Graça, com três tramos de arcada geminada em cada ala, separados por contrafortes. Este esquema viria a ser repetido e melhorado até ao final da sua vida em 1574, nos colégios de S. Tomás, em 1547, das Artes em 1548 e de S. Jerónimo, em 1565.
… só no final do século se viria a firmar definitivamente a modernidade … onde as arcadas comungam já deste espirito inovador do Renascimento … com o do colégio do Carmo de Coimbra, construído em 1600.

Borges, N.C., 1998. Arquitetura Monástica Portuguesa na Época Moderna. (Notas de uma Investigação). Separata da Revista Museu, IV Série, n.º 7, pg. 31 a 59, pg. 37

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por Rodrigues Costa às 21:58

Sexta-feira, 15.05.15

Coimbra, o seu berço

… a arqueologia revelava – no Pátio da Universidade – os restos (apenas parciais) do que fora uma domus da Aeminium imperial dos primeiros séculos da era cristã – … um trecho das termas, um átrio e um pedaço de sala pavimentada de mosaico …  A própria casa, de resto ilustraria a reutilização tardo-antiga e medieval de velhos espaços … Sob ela, porém, pareceria poder vislumbrar-se, pela primeira vez na história da cidade, a ocupação pré-romana do território, sob a forma de muros destruídos pela implantação da domus, associados a materiais diversos da Idade do Ferro (cerâmicas, metais), mesmo que desprovidos de valor estratigráfico … Quanto ao espólio avulso e, em particular, cerâmico, geralmente comum, e tirando os fragmentos da Idade do Ferro, disseminava-se entre os períodos romano, islâmico (com destaque para o bordo e asa de uma jarrinha califal), da 2.ª Reconquista e medieval …
 
Pimentel, A.F. 2005. A Morada da Sabedoria. I. O Paço real de Coimbra. Das Origens ao Estabelecimento da Universidade. Coimbra, Almedina, pg.128 e 129

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por Rodrigues Costa às 20:55

Quinta-feira, 14.05.15

Coimbra, estórias sobre a sua fundação

… Nada mais há do que inverosímeis conjeturas sobre a remota fundação de Coimbra, nenhuma delas tendo alcançado até ao presente, o sufrágio unânime de estudiosos e investigadores.
… Ptolomeu e Pompónio Mella, socorrendo-se do nome de Conimbriga, atribuíram a sua fundação a Brigo, antigo rei da Espanha … Veio, porém, a concluir-se mais tarde que a terminação dos nomes em briga não tinha relação alguma com Brigo…
… Segundo outros escritores, a fundação da cidade seria atribuível a uma fação de túrdulos, constituída por colimbros, que teriam dado o nome de Colímbria.
… Versão diversa atribui a fundação … ao Hércules líbio, filho de Osíris, rei do Egito, inimigo implacável de todos os tiranos e malfeitores … que teria vindo à Península … no ano de 550 do dilúvio universal, aproximadamente 16 séculos A.C., e construiu muitas terras e castelos, fundando povoações e cidades, entre as quais Coimbra, onde se fabricou aquela torre de cinco cantos que naquele alto vedes e que ainda hoje chamam de Hércules.
… na versão do cisterciense Fr. Bernardo de Brito … No ano de 409 da nossa era … Ataces, rei dos alanos, teria tomado a Hermenerico, rei dos suevos a cidade de Conimbriga, que destruiu e arrasou … e teria vindo fundar nova cidade na margem direita do Mondego.
… Mas estas versões, que não são ainda tudo, desconheceram ou minimizaram a existência, desde recuado tempo, de dois agregados populacionais distintos … um na margem direita do Mondego, representado atualmente pela cidade de Coimbra, e outro na margem esquerda do mesmo rio, duas léguas e meia afastado daquele.

Loureiro, J.P. 1964. Coimbra no Passado, Volume I. Coimbra, Edição da Câmara Municipal, pg. 9 a 12

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por Rodrigues Costa às 21:17

Quarta-feira, 13.05.15

Aeminium é Coimbra

Lápide de pedra de Ançã, medindo 1,30 m de altura por 0,45 m de largura …
… A Nosso Senhor Flávio Valério Constâncio, Pio, Feliz, Invicto, Augusto, Pontífice
Máximo, com o Poder Tribunício, Pai da Pátria, Procônsul – nascido para o
engrandecimento da República e Príncipe querido – a cidade de Emínio decida este
monumento.
… Descoberta esta lápide em Abril de 1888 (no início da Couraça dos Apóstolos, onde
foi plantado um castanheiro) permitiu simultaneamente reforçar a qualificação de
povoação romana já anteriormente atribuída a Coimbra, bem como clara luz …da
identificação de Coimbra com a Aeminium dos romanos.

Loureiro, J.P. 1964. Coimbra no Passado, Volume I. Coimbra, Edição da Câmara
Municipal, pg. 21 e 22

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por Rodrigues Costa às 21:52

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