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A' Cerca de Coimbra



Sexta-feira, 23.06.17

Coimbra: S. António dos Olivais, de ermitério a freguesia 6

Ao lado norte da igreja, perpendicularmente a ela, e com a frontaria para o terreiro, foi construída no fim do século XIX, uma pequena capela, em substituição de uma anterior, isolada, e que marcava o local da antiga casa do capítulo conventual, sítio que a tradição dava como sendo o da cela de Santo António.

Igreja S. António capela neogótica.jpg

Capela neogótica dos finais do século XIX

Imita o género gótico do século XIII e foi construída a expensas de um particular sob desenho de António Augusto Gonçalves. O retábulo, de madeira entalhada, pertencia à igreja de S. João de Almedina. A imagem do Espírito Santo, em madeira colorida e apresentado na forma tradicional da Trindade, pertencia à capela do mesmo titular, que ficava próxima. Pode ver-se um alizar de azulejos sevilhanos de aresta, datáveis do século XVI, que se encontravam a decorar o claustro do desaparecido convento.

O terreiro posterior à capela-mor, local onde existiram os edifícios conventuais, guarda a cisterna com o respetivo bocal quadrado, mas restaurado.

No lado oposto existem construções modernizadas, vendo-se ao meio, a servir de tribunal da Tutoria de Menores, a fachada de uma antiga capela do século XVI, com alpendre de seis colunas e formando, na frente, três vãos. A parede está ainda revestida de azulejos da segunda metade do século XVIII, de fabrico coimbrão, com as cenas da “Anunciação” e da “Visitação” a ladearem a porta; por baixo desenvolvem-se bancos com rodapé de azulejos sevilhanos, de aresta, datados do século XVI. Na parte que fica acima dos telhados do alpendre, existem azulejos ornamentais do século XVIII. O interior, do século XVII, conserva a abóbada em berço de ti­jolo, duas frestas e duas pequenas credencias embutidas nas paredes, revestidas de azulejos policromos e de tipo reticulados, de Lisboa, e datados do século XVII.

Encostada ao muro do mesmo terreiro, para o lado da estrada dos Tovins, fica a capela do Presépio, de elementos arquitetónicos do sé­culo XVII, abrigando um “presépio” popular, de algumas dezenas de figuras, e que devem datar já dos finais do século XVIII ou até mesmo dos primórdios do XIX. Dado o seu carácter popular, é digno de consideração.

Há espalhados alguns fragmentos antigos. Acima da rampa que vem da estrada dos Tovins, crava-se no chão um marco, que é par­te de um fuste manuelino, de três colunetos torcidos. Na base da esquina da capela da Deposição, vê-se uma pedra de coluna, do século XII, do período afonsino e que tem marcada um E.

O templo, esse “santuário dos altos”, mesmo com as alterações urbanísticas que foram alterando o seu envolvimento, continua a dominar uma cidade que, com frequência, se deslembra do santo que aqui viveu e que aqui se formou. Mas os poetas, mesmo utilizando o ar brejeiro que frequentemente envolve o seu culto, continuam a não o olvidar

Santo António me acenou

De cima do seu altar.

Olha o maroto do santo

Que também quer namorar!

(Afonso Lopes Vieira)

 Anacleto, R. 2005. Santo António dos Olivais: De Ermitério a Freguesia. Conferência na cerimónia comemorativa do aniversário da criação da freguesia.

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por Rodrigues Costa às 10:04



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