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A' Cerca de Coimbra



Quarta-feira, 21.06.17

Coimbra: S. António dos Olivais, de ermitério a freguesia 5

O átrio, retangular, corresponde ao coro alto e, relativamente à frontaria anterior aos frades, resulta num avanço. De cada lado podem observar-se portas retangulares, fechadas por grades, saídas da forja de Daniel Rodrigues, em 1941.

Ig. Santo António. Porta 01. D Rodrig 02 a.tif

Pormenor de uma das grades existentes no átrio da igreja de Santo António dos Olivais. Daniel Rodrigues

A da direita (a de Nossa Senhora da Conceição), dá para uma capela de plano octogonal, a funcionar atualmente como sacristia, e mostra a última cena do escadório, isto é, a la­mentação de “Cristo deposto da Cruz” ...O portão da esquerda cerrava a capela do Senhor dos Passos, com a sua imagem. Atualmente alberga apenas um Crucifixo.

As paredes do átrio encontram-se envolvidas por um alizar de azulejos, de motivos independentes, mas de qualidade superior aos do escadório e, no teto, pode ver-se um escudo com as armas franciscanas.

Acede-se à nave da igreja através de uma porta da segunda metade do século XV, ainda com impostas, mas já sem capitéis.

 

Igreja de Santo António dos Olivais. Interior.jpg

 Igreja de Santo António dos Olivais. Interior

Sobre o átrio fica o coro, mostrando um insignificante cadeiral do século XVIII.

O interior da igreja é muito simples e cobre a nave uma abóbada de tijolo, de traçado rebaixado e de lunetos.

Os retábulos são de talha dourada, do primeiro terço do século XVIII, tendo o da capela-mor colunas torcidas e os colaterais ao arco cruzeiro, hermes femininos. As mesas de altar são posteriores.

No altar-mor encontra-se uma grande tela representando a Senhora da Conceição. Está assinada: PASCVAL PARENTE PINXIT. 1779.

No mesmo altar podem ver-se duas esculturas em madeira, uma, de S. Francisco, da época do retábulo e a outra, de S. João Baptista e do mesmo século; num nicho da parede encontra-se um Cristo Flagelado. Estas esculturas são obras secundárias. Os retábulos laterais apresentam Santo António no lado do evangelho e S. José no da epístola. Estamos perante obras agradáveis mas inferiores.

O interesse da igreja reside nos azulejos que revestem a maior parte da parede. Os da capela-mor, que a forram inteiramente, são do fim do século XVII, só a azul, em dois motivos, um de composição de folhas acantiformes e outro de entrelaces quadrifoliados com rosetas centrais.

Os azulejos do corpo da igreja pertencem à primeira metade do século XVIII, tendo muito interesse pelo grande desenvolvimento de composição dos enquadramentos; são, no entanto, fracos nas figuras. Representam cenas da vida de Santo António, com a seguinte distribuição: do lado do evangelho, começando a partir da porta: cura de um frade possesso, o santo livra o pai da forca, uma tomada de hábito e milagre da mula; do lado da epístola: pregação aos peixes, milagre do pé cortado, aparecimento de S. Francisco no capítulo de Arles e morte do santo. A reparar umas falhas azulejares, principalmente junto ao chão, foram colocadas peças cerâmicas de diver­sas épocas, com realce para alguns, sevilhanos de aresta, datáveis do século XVI.

No corredor de acesso à sacristia existem algumas telas dos séculos XVII ao XIX, mas sem interesse. Existe, num pequeno altar improvisado, uma escultura de S. Brás, de pedra e de tamanho pequeno, do fim do século XV e um santo franciscano, de barro, pintado a preto, datado do século XVII, a que chamam S. Benedito.

Devido ao avanço do altar ficou na parte traseira da capela-mor um espaço que se pode considerar um estreito corredor a ligar com a sacristia. Encontra-se aí, suspensa, uma caixa relicário, do século XVII, em acharoado e madrepérola, que tem dentro uma caveira. Trata-se de um exemplar interessante, embora esteja em mau estado.

A sacristia imita muito uma pequena igreja, com capela-mor e brevíssima sacristia. A arquitetura é da primeira metade do século XVIII e a decoração foi completada na segunda metade.

Sacristia da igreja de Santo António dos Olivais.

Sacristia da igreja de Santo António dos Olivais. Interior

 Os azulejos das duas quadras datam da primeira metade desse século; são do mesmo tipo dos da igreja e apresentam também cenas antoninas. A pintura do teto consiste em enrolamentos de acanto, vendo-se ao centro um brasão eclesiástico, pouco legível. São da segunda metade o arco e os espaldares de talha lavrada e dourada, com seis telas da vida antonina, possivelmente de Pascoal Parente. Há três esculturas de barro, do século XVIII, sendo a que representa Santo Antão de certo mérito. As­sentam nas mísulas da abóbada doze meios corpos de santos relicários, da segunda metade do século XVIII.

A quadra que faz de capela-mor tem altar da mesma época e uma tela representando Santo António a tomar o hábito franciscano. Está assinada: PASCOAL PARENTE/O PINTO NO ANO DE/1796. A abóbada é a fresco, com motivos arquitetónicos perspetivados e deve ser do mesmo artista. Sobre a porta da sacristia encontra-se um espelho com regular moldura, também da segunda metade do século XVIII.

 Anacleto, R. 2005. Santo António dos Olivais: De Ermitério a Freguesia. Conferência na cerimónia comemorativa do aniversário da criação da freguesia.

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por Rodrigues Costa às 12:31



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